Miojo Indie Mixtape “Slowly” Edition

Miojo Indie Mixtape Slowly Edition

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Calma. Depois da overdose de sons dançantes e canções mergulhadas na música folk de nossa mixtape dupla – Synthetic & Organic edition -, desaceleramos um pouco para apresentar nossa mais nova coletânea: Slowly Edition. Temperado por 12 canções que passeiam entre a eletrônica, ambient music, Trip-Hop, experimental e R&B, o trabalho tem como único propósito a calmaria, o jogo amigável dos sons e uma carga leve de erotismo. Diferente da última mixtape, a maioria dos artistas selecionados são iniciantes, alguns ainda nem tiveram o primeiro disco lançado, ou seja, mais um bom motivo para prestar a atenção pelos próximos meses. Abaixo o link para download e no final do post o player para escutar sem precisar baixar. Ouça e relaxe.

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#01. Twigs – How’s That

Ao final de 2012, a britânica Twigs foi apresentada como uma das apostas para o novo ano. Graças ao trabalho realizado em faixas como Breathe e outras três composições pinçadas do primeiro EP da artista, a cantora/produtora inglesa deu vida a um dos melhores exemplares do Trip-Hop em anos. Sem se ausentar do cenário estabelecido há alguns meses, How’s That marca o retorno da artista, que ainda mais ciente das transformações dentro da própria música, deixa fluir um exemplar de pura experimentação e delírios eróticos. Ainda que essencialmente melancólica, a letargia sedutora que se aproveita da faixa empurra o trabalho para outra direção, efeito ampliado no clipe desconcertante e suave que decide os rumos da faixa.

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#02. Jenny Hval – Mephisto In The Water

Jenny Hval

Misture as sutilezas vocais de Joanna Newsom, a esquizofrenia de Laurel Halo e o clima etéreo que banha os trabalhos de Julia Holter e você tem em mãos a mágica Mephisto In The Water. Aquecimento para o que a novata Jenny Hval deve concluir (ou iniciar) com o lançamento de Innocence Is Kinky, a canção transforma os vocais da norueguesa em um instrumento poderosíssimo. Sempre acomodada em um universo de exaltações instrumentais confortáveis, a artista raspa vez ou outra nos experimentos que decidem tanto o trabalho de Juliana Barwick como em menor escala Holy Herndon e todo o ambiente complexo de Movement (2011).

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#03. Giraffage X DWNTWN X Jhameel – Move Me

Giraffage

Desde o lançamento do ótimo The Human Condition, em 2011, o norte-americano Jahmeel parecia distante de apresentar alguma nova composição ou mínima novidade ao público. Para quem sentia falta do artista, uma parceria com DWNTWN e ninguém menos do que o queridinho Giraffage deixa crescer uma das canções mais adoráveis de 2013. Intitulada Move Me, a nova faixa dança pela dobradinha de vocais assinados pelo casal, tudo isso enquanto os beats cuidadosos do californiano se esparramam em uma medida erótica e envolvente. A canção foi lançada com exclusividade como parte da coletânea Kitsuné America 2 e por enquanto não deve figurar oficialmente em um novo trabalho de nenhum dos artista integrantes do projeto.

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#04. Opala – Two Moons

Opala

Quando Marcela Vale (Mahmundi) veio contar há alguns meses que estava trabalhando com Maria Luiza Jobim e velho colaborador Lucas de Paiva (People I Know) em um novo projeto, o hoje intitulado Opala parecia ser apenas um agrupado de ideias e faixas caseiras. De posse do primeiro exemplar, Two Moons, a encantadora parceria se revela como mais um ponto assertivo na crescente e cada vez mais rica cena musical carioca. Depois de Secchin, Apollo e da própria Mahmundi, chega a hora de mergulhar nos sintetizadores outonais e no clima melancólico da canção, faixa que inaugura o novo projeto com uma sonoridade que flutua entre o Beach House e o que há de mais nostálgico na produção musical da década de 1980.

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#05. Poliça – Tiff (ft. Bon Iver)

Poliça

A relação do grupo Poliça com o guitarrista Michael Noyce do Bon Iver serviu para aproximar a banda de Minneapolis, Minnesota do vocalista/lider Justin Vernon. Depois de uma das estreias mais encantadoras do último ano, Give You The Ghost, a banda volta a reforçar os sons testados no primeiro disco, reforçando a relação com o R&B e dessa vez estreitando os laços com as pequenas particularidades eletrônicas. Dentro dessa proposta nasce Tiff, parceria com Vernon e uma sequência madura daquilo que a banda vinha promovendo no último ano. Próxima dos sons e do clima da década de 1980, a canção dança em um cenário obscuro, alimentando um cenário que parece projetado apenas para que os vocais de Channy Leaneagh se encontrem com os complementos gerados a patir do parceiro.

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#06. SZA – Wings

Sza

SZA representa boa parte do que identifica a música negra atual. São colagens assumidas de sons, gêneros e diferentes conceitos sonoros, eixo que a norte-americana representa tanto na capa colorida de S EP (2013, Independente), como na sonoridade vasta que se derrama ao longo de toda a obra. Construído como uma composição de três atos – uma para cada letra do “nome” da cantora -, o trabalho concentra no primeiro exemplar um resultado abertamente voltado ao etéreo. Enquanto batidas são agrupadas lentamente, os vocais puxam o ouvinte para um universo que mesmo tratado com nostalgia, preza pela novidade. (Resenha)

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#07. Daughter – Get Lucky

Daughter

Com o primeiro registro de estúdio disponível desde o meio de março, a banda britânica Daughter dá sequência ao som compacto que vem desenvolvendo, não com uma composição inédita, mas um inusitado cover. Contrariando o resultado de boa parte dos Mashups e remixes de Get Lucky, o trio inglês acomoda o novo single do Daft Punk em um acolchoado ambiental que dança pela música folk em ecos etéreos de Dream Pop. Nada do baixo suingado, os vocais Pharrell Williams ou todo o clima setentista que conduz a faixa, tudo é reformulado de maneira que estranhamente consegue superar as próprias composições do trio. A canção funciona como um bom aquecimento para quem ainda não ouviu If You Leave, estreia do grupo.

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#08. Say Lou Lou – Fool Of Me (Ft. Chet Faker)

Say Lou Lou

As gêmeas suecas Elektra e Miranda Kilbey parecem interessadas em brincar com a mente do espectador. Duo responsável pelo projeto Say Lou Lou, as irmãs trouxeram em meados de março a sutileza ambiental de Julian, um mero aquecimento para o que se completa agora com o lançamento da acolhedora Fool Of Me. Parceria com o produtor australiano Chet Faker, a canção passeia pela década de 1980, absorvendo aspectos de forte proximidade com o que o Chromatics alcançou no último ano com Kill For Love. Etérea, a canção dança em uma medida doce entre o R&B e o Pop, sustentando o que a dupla deve promover em breve com o lançamento do primeiro álbum.

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#09. Baths – Ironworks

Baths

O tempo trouxe apenas benefícios e maturidade ao trabalho de Will Wiesenfeld. Onde havia luz, o produtor tratou de preencher com trevas, o que era gracioso se transformou em amargura e os encaixes sutis de Cerulean (2010) hoje dão vida ao plano obscuro de Obsidian (2013, Anticon). Segundo registro em estúdio do californiano à frente do Baths, o álbum traz de volta elementos específicos da produção eletrônica da década passada. Uma medida instável de batidas eletrônicas que se fragmentam a todo o instante, sintetizadores derramados em texturas ambientais e vocais que dançam de acordo com a essência ruidosa da obra, tudo enquadrado em um cenário de pleno sofrimento. (Resenha)

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#10. Sean Nicholas Savage – She Looks Like You

Savage

A década de 1980 e aquele típico clima de “música de motel” é resgatado com cuidado e beleza pelo canadense Sean Nicholas Savage. Apoiado em um mar de referências compartilhadas que vão de Twin Shadow até Destroyer, o músico anuncia para o dia 28 de Maio a chegada de Other Life, primeiro registro oficial e uma espécie de coletânea marcada pelo romantismo. Em She Looks Like You o norte-americano deixa fluir o que há de mais doloroso e honesto em sua obra: os sentimentos. Melancólica, a canção traz em sintetizadores compactos o princípio do que Savage deve resumir de forma nostálgica no decorrer do primeiro disco.

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#11. Majical Cloudz – Bugs Don’t Buzz

Majical Cloudz

Impersonator, mais novo registro em estúdio do Majical Cloudz, é um trabalho que desde o princípio foi apresentado como uma das grandes obras de 2013 – mesmo meses antes de seu lançamento. Com pistas sendo reveladas desde o lançamento de Turns Turns Turns EP, no último ano, o mais novo trabalho de Devon Welsh alcança um novo ponto de transformação com a chegada da dolorosíssima Bugs Don’t Buzz. Construída em cima de bases de piano e voz, a canção prossegue com a sensibilidade esbanjada em Childhood’s End, lidando com confissões experimentais em uma medida de som que muito se aproxima de Depeche Mode e outros ícones dos anos 1980. Melancólica, a canção está no registro anunciado para 21 de Maio.

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#12. Braids – Amends

Braids

Assim como no começo da década passada, a produção canadense se apresenta como um dos grandes focos de novidade do cenário musical. Em meio a boa repercussão de nomes como Grimes, Purity Ring, Majical Cloudz e outras centenas de artistas, quem anuncia o retorno são os membros do Braids. Responsável por um dos grandes álbuns de 2011, Native Speaker, o coletivo que conta com os vocais de Raphaelle Standell-Preston (Blue Hawaii) faz da etérea Amends uma continuação experimental e ainda mais delicada de tudo o que o grupo alcançou há dois anos. Sobreposições vocais, batidas moderadas e todo um clima sutil que se esparrama confortavelmente nos mais de seis minutos da nova canção. A canção estará no próximo disco da banda, ainda sem data de lançamento, mas previsto para 2013.

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