Miojo Indie Mixtape Synth Wave Edition

Miojo Indie

Depois de uma temporada de férias – janeiro dificilmente conta com boas novidades para uma coletânea -, chega a vez de apresentar a primeira Miojo Indie Mixtape de 2014: Synth Wave. Como o título logo entrega, trata-se de uma seleção com o melhor do Synthpop, Chillwave, Eletrônica e todas essas variantes musicais, mantendo nas harmonias leves de sintetizadores um ponto de aproximação.

São veteranos, como Spiritualized e Ceo, ou mesmo novatos, caso de Lowell, Saint Pepsi e Blood Cultures que brincam com pequenas variações do instrumento. Enquanto algumas composições seguem por uma trama ambiental, outras conversam de forma eficiente com as pistas, logo, não há uma mesma organização conceitual para o trabalho. Quem quiser pode baixar o registro logo abaixo, ou ouvir na versão online no nosso player, ao final do post.

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#01. Com Truise – Declination (Ft. Joel Ford)

Com Truise

O fascínio de Com Truise e Joel Ford pela década de 1980 é tamanho, que ao longo da última década todos os inventos assinados pelo duo esbarraram em aspectos específicos do período. O resultado dessa forte relação está na construção de obras como Channel Pressure (2011), Galactic Melt (2011) e mais recentemente o sombrio Dominae (2013) – obra de Ford pelo Ejecta. Com tamanha aproximação e interessem em comum, era apenas questão de tempo até que uma parceria entre os dois produtores fosse firmada, algo que Declination assume com beleza e nostalgia. Pontuada pelo uso acessível dos sintetizadores, a canção é a abertura para aquilo que Truise deve estabelecer no ainda inédito Wave 1 EP, álbum que conta com previsão de lançamento para Fevereiro de 2014.

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#02. Trust – Rescue, Mister

Trust

Dois anos depois de apresentar o sombrio e nostálgico universo do Trust ao grande público, o canadense Robert Alfons segue na empreitada de visitar a década de 1980 sem perder a composição esquizofrênica que define a própria obra. Para o sucessor de TRST (2012), o produtor reserva uma arquitetura ainda mais instável do manuseio dos sintetizadores e vozes, transformando o ainda inédito Joyland em uma natural extensão do trabalho que o antecede. Para a primeira canção do novo álbum, Rescue, Mister, Alfons traz de volta toda a atmosfera dançante/provocativa que havia promovido inicialmente, capturando o ouvinte em um cenário que se divide entre as grandes obras do Depeche Mode e os sintetizadores frenéticos que definem a carreira dos também canadenses do Crystal Castles.

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#03. Blood Cultures – Mercury Child

Blood Cultures

Misterioso, Blood Cultures parece seguir com a estratégia de provocar o ouvinte sem necessariamente revelar sua identidade. Brincando com a mesma colagem de referências que apresentaram Indian Summer, primeira grande canção do produtor de Nova Jersey, Mercury Child reforça o passeio do produtor pela década de 1980, sentido que esbarra na obra de Toro Y Moi e Neon Indian, mas ainda assim ecoa identidade própria. Livre da calmaria e do teor letárgico do single anterior, a nova música cresce e amplia os limites em torno da curta obra do produtor. Sintetizadores dissolvidos com leveza, vozes banhadas por emanções lo-fi e todo um conjunto de preferências que aproximam o norte-americano de um cenário de plena nostalgia. Lembrando uma versão menos noturna dos inventos da dupla Ford & Lopatin, a canção é um verdadeiro presente para quem se interessa pelas referências estéticas típicas da Chillwave.

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#04. Lowell – 88

Lowell

Em um ano disputadíssimo para as mulheres no mundo da música – prepare-se para discos de Lana del Rey, Grimes, Katy B, entre outras -, a canadense Lowell parece entrar na disputa por um lugar de destaque. Com a estreia de I Killed Sara V, EP de estreia da cantora canadense previsto para 25 de fevereiro, o selo Arts & Crafts reforça toda a boa forma da jovem artista com o lançamento de mais um novo single: 88. Soando como um encontro entre M.I.A., Sleigh Bells, Grimes e as emanações psicodélicas que ocupam grande parte dos grupos recentes, a canção passeia por diversos estilos sem necessariamente se fixar em um único ponto. São toques de eletrônica, experimentos que até lembram Animal Collective, e toda uma carga de experiências que em nenhum momento excluem a relação com o pop.

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#05. Ceo – OMG

ceo

É curiosa a transformação que orienta a obra de um artista entre um trabalho e outro. Outrora personagem recluso dentro das emanações brandas que ocupam a música sueca, Eric Berglund fez do primeiro trabalho de estúdio à frente do Ceo um projeto de descoberta. Intitulado White Magic, o disco lançado em 2010 é o típico caso de uma obra que não precisa de muito esforço e nem reviravoltas elaboradas para surtir efeito. Apenas boas melodias aliadas ao exercício preciso das vozes e versos, como uma extensão daquilo que o músico/produtor vinha desenvolvendo com o extinto The Tough Alliance. Com a chegada de WONDERLAND (2014, Modular), mais novo registro solo de Berglund, toda a calmaria de outrora se mantém ativa, porém, em um estágio evidente de libertação.

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#06. Silva – Janeiro 

Silva

As melodias ocupam um lugar de destaque dentro da sonoridade assinada pelo capixaba Silva. Em busca de arranjos ainda mais acessíveis que os expostos no melancólico Claridão, de 2012, o jovem músico revela na singeleza do recém-lançado single Janeiro, a base para o que deve orientar o aguardado Vista Pro Mar (2014). Segundo registro em estúdio do músico, o disco previsto para o dia 17 de março aos poucos ganha formas acessíveis para se aproximar do grande público, tratamento autentico na leveza constante da presente música. Inofensiva e com ares de hit esquecido da década de 1980, a faixa parece construída em cima de pequenas colagens. São sintetizadores detalhistas e até um conjunto de metais que pontuam com um toque “brega” o fechamento da música, acréscimos que parecem orientado sob constante atenção por parte do músico. Passeando pelo clima ensolarado de grupos como Poolside, e lembrando um Youth Lagoon livre das drogas, a canção funciona como uma inevitável trilha sonora para o verão.

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#07. Saint Pepsi – Baby

Saint Pepsi

Saint Pepsi parece melhorar a cada novo lançamento. Outrora conhecido como o autor do melhor remix de Call Me Maybe, da cantora Carly Rae Japsen, o produtor norte-americano tem assumido em cada novo invento um conjunto coeso e ao mesmo tempo desafiador de referências. Com Gin City, primeiro registro oficial, previsto para estrear na próxima semana, o artista mais uma vez escapa da própria zona de conforto para brincar com os detalhes, fazendo de Baby uma abertura para o álbum. Com ares de criação perdida de Jai Paul, a canção usa de pequenos fragmentos vocais como um estímulo para a formação das bases. São viradas típicas do Hip-Hop, colagens de voz que esbarram no R&B e uma deliciosa tapeçaria Lo-Fi que se desenvolve com parcimônia. Um catálogo atento de possibilidades capazes de brincar com o Pop, sem necessariamente fazer disso um objeto de puro hermetismo e distanciamento do público.

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#08. Jerome LOL – Fool (Ft. Angelina Lucero)

Jerome LOL

Sempre dividido entre a busca por composições plenamente acessíveis e ainda assim desconcertantes, Jerome LOL assume na recente Fool uma das representações mais significativas de seu pequenos universo. Colecionando batidas quebradas, samples sujos e a voz de Angelina Lucero, colaboradora da canção, o produtor em poucos segundos traz de volta toda a massa de sons que definiram a estética do extinto LOL Boys, antigo projeto de Jerome. Com passagens explícitas pela obra de Björk – que contou com um remix do produtor há pouquísssimo tempo -, a faixa encontra na presença de Lucero um real ponto de equilíbrio. Enquanto sintetizadores correm ao fundo da canção, a convidada se posiciona na parte da frente da música, desenvolvendo os próprios vocais como um instrumento extra, aos comandos de LOL. Assim como Always (parceria com Sara Z), a canção é parte de Deleted / Fool EP, trabalho que estreia no dia quatro de Fevereiro.

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#09. Anthems – Up In Mine

Anthem

Com os dois pés na Balearic Beat dos anos 1990, e a cabeça totalmente nas nuvens, os integrantes do ANTHEMS parecem encontrar todas as referências que precisam. Cruzando temperos musicais que atravessam décadas e gêneros em um princípio de extrema leveza, o misterioso projeto usa da suavidade como um mecanismo imediato de aproximação com o ouvinte. Sem nomes, nem integrantes – por enquanto -, o projeto parisiense assume na primeira canção, Up In Mine, toda a base para a construção da própria identidade. Apresentada pelo selo francês 25 Years & Running, a canção mais parece um encontro entre a lisergia da dupla jj e os instantes mais pacatos do Beach House. Etérea, a faixa praticamente se desfaz nos ouvidos do espectador, que em poucos instantes mergulha nas batidas compactas, vozes enevoadas e toda a trama sintética da música. Simplesmente encantadora.

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#10. Youth Lagoon – Worms

Youth Lagoon

Não é de hoje que ruídos captados por sondas espaciais ou equipamentos de rádio apontados apontados para o espaço se transformam em música. Um dos exemplos mais recentes está na inserção de ruídos “interplanetários” por toda a construção de Merriweather Post Pavilion (2009), obra-prima do Animal Collective. Quem resolveu apostar no mesmo resultado é o selo Lefse, que aliado a 14 jovens artistas reserva uma coletânea “do outro mundo”. Primeiro representante da seleção de astronautas musicais, Trevor Powers do Youth Lagoon fez de Worms uma faixa tão bela, quanto estranha. Seguindo a trilha deixada no caminho lisérgico de Wondrous Bughouse (2013), último registro em estúdio do músico, a canção usa da pequena sobrecarga de ruídos como a base para os versos nonsenses do cantor. Psicodélica e futurística, a faixa cresce como uma atenta fuga da realidade, perfeita para quem gostou do último trabalho de Powers – 3º lugar na nossa lista dos melhores discos de 2013.

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#11. Spiritualized – Always Forgetting With You (The Bridge Song)

Spiritualized

Assim como anunciado durante o lançamento da mística Worms, de Youth Lagoon, o selo norte-americano Lefse reserva para o Record Store Day uma coletânea de músicas feitas com sons “do espaço”. São variações eletromagnéticas emanadas por planetas, ruídos intergaláticos e uma série de elementos que ao serem posicionados de forma correta se transformam em música. Intitulada The Space Project, a seleção acaba de revelar mais um novo fragmento: Always Forgetting With You (The Bridge Song). Apresentada pelo britânico Spiritualized – sob o nome de Mississippi Space Program -, a canção é uma exata manifestação de tudo o que Jason Pierce, criador do projeto, vem desenvolvendo desde o fim dos anos 1980. Leve, a canção praticamente transporta o ouvinte para um universo à parte, colidindo sons e vozes em um estágio de puro recolhimento. Delicada, a canção é praticamente uma extensão daquilo que Pierce trouxe em 2012 com Sweet Heart Sweet Light, último trabalho de estúdio. Prontos para voar?

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#12. CFCF – Lorraine

CFCF

O minimalismo e a sutileza das batidas são mecanismos fundamentais para o sustento da obra de Michael Silver. Dono do CFCF, o produtor canadense passou grande parte do último ano brincando com o uso de composições atmosféricas, premissa para a nova série de registros que teve em Outside (2013) um criativo primeiro exemplar. Dando sequência ao catálogo de referências apresentadas há poucos meses, Silver lança agora mais uma nova e uma de suas melhores criações até agora: Lorraine. Marcada pela mesma tapeçaria delicada que sustenta a obra do artista, a canção se esparrama em uma medida despretensiosa, ainda que atenta. São guitarras típicas da Chillwave em uma medida atmosférica que beira o R&B 80’s, salto criativo para as primeiras invenções lançadas pelo músico

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#13. ^L_ – Gustavo Bill says my songs are bad vibe!

^L_

Amor é inferno. O brasiliense Luis Fernando, ou simplesmente ^L_ não poderia ter encontrado um título mais exato para o ambiente de referências instáveis que ocupam o primeiro trabalho da carreira. Em produção desde o último ano, o registro ultrapassa os limites tradicionais da Ambient Music/IDM, solucionando na estrutura ruidosa e homogênea da obra um princípio de estímulo para brincar com a mente do espectador. Poderia ser Aphex Twin, Tim Hecker, Actress ou qualquer nome de peso da cena estrangeira, mas aos poucos se revela como um conjunto de nuances tão específicas e estranhas que é difícil encontrar qualquer ponto de aproximação.

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