Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (40-36)

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#40. Sonic Youth
Dirty (1992, DGC)

Poucas vezes o título de um álbum fez tanto sentido quanto Dirty do Sonic Youth. Lançado em julho de 1992, o álbum deixava de lado a sonoridade suja, porém ambiental retratada pela banda em seu anterior registro, Goo, transportando a banda nova-iorquina para dentro de um universo de experimentações voltadas ao noise rock. Produzido por Butch Vig (que um ano antes havia trabalhado com o Nirvana na produção do clássico Nevermind), o sétimo álbum do do grupo de Nova York é o mais próximo do que a banda se aproximou dos sons lançados pelo movimento grunge. As sempre esquizofrênicas e sujas guitarras de Lee Ranaldo e Thurston Moore ganharam outro significado através desse disco, proporcionando aos ouvintes um tipo de som ainda mais denso e agressivo do que o retratado anteriormente pela banda. Por mais barulhento e pesado que fosse, o álbum ainda foi capaz de apresentar algumas das mais sonoras e acessíveis composições do grupo, faixas como 100%, Sugar Kane e Youth Against Fascism que fizeram a banda tocar como nunca nas rádios e nos programas de TV.

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#39. Tortoise
TNT (1999, Thrill Jockey)

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Poucos são os trabalhos capazes de armazenar em um único disco um leque tão grande de referências musicais quanto TNT, terceiro álbum do grupo norte-americano Tortoise. Ao longo de 70 minutos, a banda formado na cidade de Chicago, Illinois passeia pelo rock, dub, minimalismo, eletrônica, krautrock e música ambiente, amarrando todo seu vasto arsenal de ritmos e texturas através de uma condução experimental, mas ainda assim acessível e capaz de comover o ouvinte. Densas, cada uma das 11 canções que materializam o disco se abrem através de um vasto mar de possibilidades rítmicas, mudando seus rumos a cada segundo e conduzindo o ouvinte através de um passeio sempre mutável de sons. Diferente dos dois trabalhos que o precedem, TNT apresenta o grupo de Chicago através de uma fluência mais jazzística, com a banda toda atravessando momentos de pura experimentação e improviso, resultando em um disco que parece ganhar vida e é capaz de ser conduzido por si próprio.

#38. The Dismemberment Plan
Emergeny & I (1999, DeSoto Records)

Através de seus dois primeiros registros – ! (1995) e The Dismemberment Plan Is Terrified (1997) – o quarteto de Washington, The Dismemberment Plan já havia alcançado um merecido destaque dentro do cenário voltado ao rock alternativo norte-americano. A sonoridade que mesclava elementos do indie rock com doses de post-hardcore fez com que em poucos anos de atuação o grupo vindo da capital estadunidense fosse dono de um posto apenas seu, entretanto, nada disso seria comparado perto do que a banda alcançaria com seu terceiro álbum de estúdio. Através de Emergeny & I, o grupo daria vida a um apanhado de canções puramente melódicas, faixas como Memory Machine e What do you want me to say, que se transformariam em verdadeiros hinos para os seguidores da banda. A crítica, que sempre havia observado as produções do quarteto – formado por Eric Axelson, Jason Caddell, Joe Easley e Travis Morrison – como medianas, não resistiu ao espetacular registro, presenteando o trabalho com notas altíssimas e não poupando nos elogios.

#37. Sigur Rós
Ágætis byrjun (1999, Fat Cat, Smekkleysa)

Se ao lançar Von em 1997 o Sigur Rós atingiria um público muito específico através de suas emanações sonoras místicas e ambientadas em formas totalmente etéreas, com o lançamento de Ágætis byrjun dois anos mais tarde o grupo islandês tomaria o mundo. Inicialmente lançado de forma quase caseira pelo selo Smekkleysa – os próprios integrantes da banda participaram da montagem e das colagens da capa do álbum – e posteriormente pelo selo britânico Fat Cat, o disco composto de dez suntuosas composições cairia imediatamente no gosto da crítica e surpreendentemente nas graças do público, que transformou o registro em um dos trabalhos mais vendidos daquele ano, um feito surpreendente para um álbum cantado em um idioma inventado – o Hopelandic – e dono de uma sonoridade puramente introspectiva. Um tipo de trabalho em que sentir faz muito mais sentido do que simplesmente ouvir.


#36. The Flaming Lips
The Soft Bulletin (1999, Warner Bros. Records)

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Em 2002 Wayne Coyne e seus parceiros do The Flaming Lips lançariam ao público aquele que seria seu mais aclamado disco, o excêntrico e pop Yoshimi Battles the Pink Robots. O poderoso jogo de texturas suaves, acordes hipnóticos e as reverberações psicodélicas repassadas através do álbum só seriam possíveis graças a outro disco, seu predecessor The Soft Bulletin, lançado três anos antes. Após a exagerada experiência lançada com Zaireeka em 1997 – o álbum só poderia ser ouvido por completo se os quatro discos que compõem o registro fossem tocados simultaneamente -, a banda de Oklahoma foi mais uma vez atrás do produtor Dave Fridmann, que diferente dos outros trabalhos que havia produzido ao lado da banda participou ativamente das gravações, transmitindo muito de suas próprias preferências musicais para dentro do disco. O resultado se traduz em um álbum grandioso, repleto de melodias orquestradas e arranjos instrumentais épicos, trazendo desde referências do Beach Boys do álbum Pet Sounds até o Space Rock dos anos 70.

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