Os 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000 [100-91]

Os 100 Melhores Discos Nacionais Dos Anos 2000

[100-91]

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Los Porongas

#100. Los Porongas
Los Porongas (2007, Senhor F)

No meio da avalanche de bandas independentes que se espalhavam por todo o país, a estreia do Los Porongas veio como uma apresentação definitiva do rock nortista. Longe dos ritmos regionais que ainda ocupam parte expressiva da produção local, o quarteto original de Rio Branco, Acre trouxe no uso de guitarras e versos íntimos do rock dos anos 1980 um ponto de identidade dentro da música nacional. Dialogando de forma coesa com o ouvinte, faixas aos moldes de Lego de Palavras, Espelho de Narciso e Nada Além soam tão particulares quanto acessíveis, prova da capacidade da banda em atender as exigências do público, sem parecer descartável. A produção atenta de Philippe Seabra (Plebe Rude), bem como o manuseio versátil dos arranjos tornam tudo ainda mais belo. São ecos de U2 que dialogam com a essência do Radiohead na fase The Bends (1995), elementos que jamais rompem  com o caráter autoral das canções. Bem sucedida, a estreia do Los Porongas não apenas contraria a piada de que “o Acre não existe”, como reforça que há boa música sendo feita por lá.

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Mallu Magalhães

#99. Mallu Magalhães
Mallu Magalhães (2008, Independente)

É difícil não se encantar pelo primeiro disco de estúdio de Mallu Magalhães. Depois de um conjunto de faixas apresentadas sob forte repercussão em seu perfil no MySpace, com o álbum de estreia a cantora e compositora não apenas brincou com os mesmos gracejos que a apresentaram, como encarou de forma atenta a própria maturidade. Ainda que os acordes e versos tímidos de faixas como J1 e Tchubaruba cresçam como uma doce representação do universo pueril da artista, basta passear pelos versos sóbrios de O Preço da Flor e Compromisso para perceber a evidente transformação da jovem cantora. Acompanhada de perto por Mario Caldato Jr (Beastie Boys, Beck) e um catálogo de equipamentos analógicos, Magalhães vai do Folk dos anos 1960 ao samba sem quaisquer exageros, encontrando na leveza dos próprios versos um ponto de aproximação entre as diferentes referências.

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Arnaldo Antunes

#98. Arnaldo Antunes
Iê Iê Iê (2009, Rosa Celeste)

Desde a saída dos Titãs, no começo dos anos 1990, Arnaldo Antunes encontrou no manuseio complexo dos versos um ponto de distanciamento do grande público. Todavia, a experimentação instalada em obras como Nome (1993) e Ninguém (1995) aos poucos foi ficando de lado, com o músico se aproximando cada vez mais de registros acessíveis para as diferentes bases de ouvintes. Depois de algumas obras marcadas pela beleza melódicas dos arranjos e versos edificados de forma simples, caso de Saiba (2004) e Qualquer (2006), Antunes abraçou de vez o pop, transformando Iê Iê Iê em um imenso cardápio de Hits. Nono disco solo do cantor, o álbum serve como ponto de encontro para a nova geração de músicos brasileiros, Marcelo Jeneci e Fernando Catatau entre eles, e os velhos colaboradores de Antunes, efeito que mergulha o disco em uma atmosfera de nostalgia e novidade. Entre músicas como A Casa é Sua, Envelhecer e Longe, Antunes vai da Jovem Guarda ao rock dos anos 2000 sem tropeços e pronto para dançar.

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Parafusa

#97. Parafusa
Meio-Dia na Rua da Harmonia (2004, Independente)

No meio da avalanche de artistas que pareciam seguir cegamente a obra do Los Hermanos, Meio-Dia na Rua da Harmonia veio como um doce respiro para a cena independente. Álbum de estreia da banda pernambucana Parafusa, o registro cresce como uma adorável colcha de retalhos líricos e sonoros. De composição acessível, o trabalho é um passeio por entre histórias cotidianas (A História do Boi Tatau), canções de amor (Vou Cantar Noutro Quintal) ou mesmo versos de arquitetura quase pueril (Não Sei Dançar). A natural multiplicidade de temas serve ainda como um caminho direto para que diferentes personagens possam transitar com acerto pela obra. São bailarinas, prostitutas ou simples rostos comuns, pessoas que surgem e desaparecem por entre os versos melódicos que amortecem o espectador em um cenário de crônicas musicadas. A arquitetura instrumental do disco é outro ponto de acerto, afinal, há desde canções marcadas pelo ritmo carnavalesco (Longa Canção Sobre um Grande Amor), até boas doses de rock clássico (Tudo Bem), prova da versatilidade coesa que ocupa todos os espaços do disco.

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#96. Zefirina Bomba
NOISECOREGROOVECOCOENVENENADO (2006, Trama)

Caos sob controle. Do momento que tem início, até a construção da última música, NOISECOREGROOVECOCOENVENENADO, debut do trio Zefirina Bomba, se revela como uma verdadeira avalanche de ruídos. Cruzando elementos do Hardcore, Surf Music e Garage Rock, a estreia da banda paraibana abre espaço para os mais instáveis detalhamentos e rumos, deixando de lado qualquer chance de respiro ou instante maior de calmaria para o ouvinte. Enquanto a composição dos versos resgata de forma autoral uma interpretação menos cômica da obra do Raimundos, o jogo ruidoso dos acordes revive com acerto o Noise Rock de diferentes épocas. São músicas como O Que Eu Não Fiz, Teus Olhos e Sobre a Cabeça, criações anárquicas capazes de condensar Iggy Pop, Sonic Youth, Black Flag e outros gigantes do rock em um mesmo ambiente caótico. O mais assustador talvez seja pensar que nenhuma guitarra passou pela gravação do registro, deixando para a viola distorcida do vocalista Ilsom todo o princípio de desconstrução do álbum.

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CSS

#95. Cansei de Ser Sexy
CSS (2005, Trama)

Internet, Indie Rock, Fotolog, RIOT!, Neon, Orkut, Eletroclash, Álcool, Pop. Poucos registros representam de maneira tão assertiva o espírito dos anos 2000 quanto CSS, estreia do Cansei de Ser Sexy. Despretensioso, o trabalho de 14 faixas mais parece uma cômica gravação caseira do que uma obra completa em si. Aos comandos de Adriano Cintra, único instrumentista de fato da banda, o álbum ultrapassa os limites das pistas, trazendo na voz frenética de Luísa Lovefoxxx uma representação tosca e naturalmente divertida do cotidiano da época. Cruzamento entre o rock alternativo da década de 1990 e as referências eletrônicas dos anos 2000, o registro amarra tanto a composição crua de grupos como Bikini Kill e Le Tigre, como o fluxo dançante de artistas aos moldes de Ladytron. Entre canções em português (Superafim, Acho Pouco Bom) e versos em inglês (Alala, Music Is My Hot Hot Sex), o álbum não custou a chamar as atenções do público, aproximando a banda de uma bem sucedida carreira internacional. Pena que o bom humor do grupo daria lugar a um som série e repetitivo em poucos anos.

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#94. Rubinho Jacobina
Rubinho e Força Bruta (2005, Independente)

A leveza ocupa os versos, arranjos e todos os elementos que definem a “estreia solo” de Rubinho Jacobina. Mais conhecido pelo trabalho ao lado da Orquestra Imperial, o cantor e compositor fez do primeiro grande álbum um ponto de encontro para diferentes representantes da cena carioca. Abastecido pelo samba, o rock e uma série de referências típicas da música nacional dos anos 1970, o registro, longe de quaisquer bloqueios, se sustenta como uma obra dinâmica, marcada em totalidade pelos versos de fácil absorção e o ritmo cativante. Acompanhado de Pedro Sá, Domenico Lancellotti, Bartolo e Gabriel Bubu, Jacobina abre espaço para que faixas como Toc Toc e Escala do Japão ocupem de forma coesa a construção do álbum. Sempre dividido entre a seriedade o bom humor, o cantor e os parceiros fazem de músicas como Meu Gato Morreu e Artista É O K pontos de respiro para o disco, que até o último instante dança pelas referências, como um passeio atento por diferentes épocas e estilos da música nacional.

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Moptop

#93. Moptop
Moptop (2006, Universal)

As guitarras frenéticas, os vocais rasgados e os versos impregnados pela jovialidade dos temas não escondem: Is This It (2001), obra de estreia do The Strokes é a base para as composições do grupo carioca Moptop. Da abertura, com Uma Chance, passando pela melancolia de Bem Melhor, até a aceleração da faixa de encerramento, Leve Demais, cada traço do registro é uma representação nacional do novo rock estadunidense e britânico. Riffs poderosos, versos de forte apelo comercial e um conjunto de essências pegajosas ocupam toda a extensão do trabalho, obra que faz de cada nova música um hit em potencial. Mesmo nesse jogo de acertos e canções velozes, nenhuma composição parece igualar a mesma expressividade instalada em O Rock Acabou. Enérgica, a faixa não apenas ecoa como uma atenta representação musical de trabalho, como sintetiza todo o espírito jovem da época. Versos que transitam entre o melancólico e o irônico, enquanto guitarras brincam com os acordes em uma medida despretensiosamente cativante. Sejam bem vindos aos anos 2000.

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Mamelo Sound System

#92. Mamelo Sound System
Velha-Guarda 22 (2006, YB)

Nascido de um surto criativo de Lurdez da Luz e Rodrigo Brandão, Velha-Guarda 22 é o ápice de todos os cruzamentos – líricos e instrumentais – que acompanham a dupla paulistana desde o fim dos anos 1990. Musicalmente versátil, a obra-prima do Mamelo Sound System passeia pelo Hip-Hop, esbarra em traços da música africana e flerta com uma centena de outros ritmos de forma a produzir um verdadeiro mosaico de essências. São faixas consumidas pela sombra cotidiana dos versos (Vida e Morte Pequenina), canções que olham para o passado (Zulu/Zumbi) e até mesmo músicas capazes de brincar com o pop (Minha Mãe Diz). Assumindo a mesma composição dinâmica de veteranos como Afrika Bambaataa e The Roots, o álbum revela no próprio desequilíbrio um ponto de sustentação para as faixas, arremessando o ouvinte em diferentes direções, sem necessariamente parecer uma obra incoesa. Um verdadeiro passeio pela cidade grande, com todos seus personagens e ritmos urbanos.

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#91. Fino Coletivo
Fino Coletivo (2007, Dubas)

Um pé no samba, outro no rock e a estreia do Fino Coletivo viria marcada de forma expressiva pelo suingue. Parceria entre Alvinho Lancellotti, Marcelo Frota (Momo) e Wado, o registro de 12 faixas encontra na sutileza dos versos e instrumentos um ponto de evidente dinamismo para a formação da obra. Enquanto as guitarras passeiam por diferentes aspectos da música brasileira, um catálogo imenso de ruídos e efeitos sintéticos garantem ao disco um toque de jovialidade, como uma versão quase futurística dos mesmos engenhos testados na música da década de 1970. Delineado pelo clima caloroso das canções, o disco traz em cada música um objeto específico a ser incorporado pelo coletivo. Enquanto Tarja Preta abraça a música de gafieira, Dragão dissolve samba e pop em um mesmo cenário, carregando na colagem de maquinações eletrônicas um princípio de identidade. A parceria, mesmo desfeita após o lançamento do álbum, não viria a por fim no projeto, que orquestrado por Lancellotti apresentaria em 2010 o também atrativo Copacabana.

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