Os 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000 [40-31]

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Video Hits

#40. Video Hits
Registro Sonoro Oficial (2001, Abril Music)

É difícil entender como Registro Sonoro Oficial, primeiro trabalho de estúdio da gaúcha Video Hits, nunca alcançou o grande público. Do momento em que tem início, com Vontade de Voltar, até a chegada da canção de encerramento, Bomba, cada faixa instalada no registro emana sons e bom humor em uma composição difícil de ser evitada. São passeios pelo rock clássico (Louco Por Você), uma avalanche de groove (Furacão) e vocalizações tão grudentas quanto chiclete na sola do sapato. O romantismo exagerado, evidente em músicas como (Vo)C e Sobras, é outro ponto de referência da obra, que assume na esquizofrenia confessional de Diego Medina um dos pontos de maior acerto do álbum. Coros de vozes, sintetizadores e guitarras coloridas, nada parece enquadrado de maneira minimamente estável. Do rock do Weezer, à herança do Beach Boys, décadas de referências são simplesmente trituradas e interpretadas dentro da lógica própria do disco.

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Kassin

#39. Kassin+2
Futurismo (2006, Ping-Pong)

Tranquilo/ levo a vida, tranquilo/ não tenho medo do mundo/ não vou me preocupar”. A leveza instalada em Tranquilo, faixa de abertura de Futurismo, parece orientar os rumos da tríade carioca +2. Aos comandos de Alexandre Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancellotti brincam com a essência da década de 1970, indo dos resquícios da Bossa Nova ao rock psicodélico em uma medida naturalmente particular. Registro escolhido para fechar a trilogia iniciada em 2000, com Máquina de Escrever Música, o álbum firma na colagem de referências um curioso ponto de consistência para os versos que recheiam o disco. O mesmo detalhamento parece servir como mecanismo de aproximação para que nomes como João Donato, Jorge Mautner, Los Hermanos e Adriana Calcanhoto se encontrem no interior da obra. Leve, o disco dança pelo jazz em O Seu Lugar, flerta com o Pop na radiofônica Mensagem até cair na estranheza do eixo final, com uma estação de rádio fictícia instalada entre as faixas.

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Gram

#38. Gram
Gram (2004, DeckDisc)

Bastaria ao Gram apenas o pegajoso hit Você Pode Ir Na Janela para atrair a atenção do público e se firmar como uma das bandas mais importantes dos anos 2000, entretanto, o quinteto resolveu ir além. Aos comandos de Sérgio Filho, o grupo paulistano faz do primeiro álbum uma sucessão de faixas consumidas pela dor, promovendo na construção dos versos temas que se revelam de forma nunca óbvia ou possivelmente redundante. Com citações à Star Wars (Seu troféu), passagem consideráveis pelo trabalho do Radiohead na fase The Bends (Moonshine) e letras apegadas ao que havia de mais doloroso no passado de cada membro da banda (Reinvento), o homônimo álbum flui com pressa, como se o grupo buscasse se afastar o quanto antes da dor que habita em cada faixa. Para além dos versos bem elaborados, uma sequência de distorções e ruídos particulares se escondem em boa parte das músicas presentes no disco, ampliando de forma melancólica os limites do trabalho, bem como a leve dose de esquizofrenia e desespero que se concentra dentro dele.

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Planet Hemp

#37. Planet Hemp
A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000, Chaos/Sony)

O fim do Planet Hemp parecia bastante previsível. A boa repercussão em torno da carreira solo de Marcelo D2, a aproximação de BNegão com outros projetos musicais e os problemas da banda com a justiça, lentamente pareciam desequilibrar a estrutura do grupo. Entretanto, antes do fim era necessário um último ato. Lançado em idos de 2000, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça trouxe de volta todas as experiências usadas pela banda desde o debut, Usuário (1994), porém, em um grau de ironia e provocação talvez maior. Com os versos disparados de forma frenética, o coletivo carioca rompe de vez com qualquer amarra de forma a atacar diferentes setores da sociedade. São versos que apontam para políticos, polícia e os abusos de autoridades, fincando mais uma vez a bandeira em defesa da legalização maconha. Com menções diretas ao período em que a banda passou presa por apologia ao consumo de drogas, o álbum exclui qualquer traço de bom-mocismo e pudor, se elevando como o grito final e ainda hoje autêntico dentro da trajetória da banda.

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Bidê ou Balde

#36. Bidê ou Balde
Outubro ou Nada (2002, Independente)

O pop encontra outro significado em Outubro ou Nada. Do título cômico ao teor versátil das líricas e arranjos, nada parece encarado de forma natural dentro da obra-prima da Bidê ou Balde. Pouco depois de apresentar os “rascunhos” Se Sexo é o que Importa só o Rock é Sobre Amor! (2000) e Pra Onde Voam os Ventiladores de Teto no Inverno? EP (2001), a banda gaúcha fez do trabalho lançado em 2002 uma obra profundamente anárquica e ainda assim coesa. São faixas que passeiam pela psicodelia, o rock dos anos 1970, o Indie Rock da década de 1990 e todos os exageros do pop em questão de instantes. Músicas aos moldes de Bromélias, As Cores Bonitas, Microondas e Matelassê, que mesmo emolduradas pelo brilho colorido do pop, não abafam a ironia fina de Carlinhos Carneiro, vocalista e principal compositor da obra. Sem folga para o ouvinte, o disco seque em um percurso absurdo de cores, sons e referências – algumas, ainda ocultas. Possivelmente o álbum mais louco e estranhamente coeso do pop nacional dos anos 2000.

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Cérebro Eletrônico

#35. Cérebro Eletrônico
Pareço Moderno (2008, Phonobase)

Passado, presente e futuro se confundem no interior de Pareço Moderno. Catálogo lisérgico entre as inúmeras essências que definem a obra do Cérebro Eletrônico, o álbum não apenas é um salto em relação ao debut Onda Híbrida Ressonante (2003), como um princípio de transformação para gênese da psicodelia nacional. Oposto à trilha redundante deixada pelos Mutantes e seguida à risca por diferentes grupos brasileiros, o álbum trouxe um toque de novidade e certo toque de recomeço ao estilo. Enquanto Fernando Maranho orquestra com leveza a arquitetura da obra, pincelando guitarras e ruídos eletrônicos de forma pontual, Tatá Aeroplano dança com liberdade pelos versos. São músicas de forte erotismo (), comicidade (Bem mais Bin que Bush) ou pura lírica nonsense, como a faixa-título logo entrega. Sem pressa, o disco revela com detalhe um universo imenso, apresentado em pequenas etapas pela banda. Ouça e flutue.

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Nação Zumbi

#34. Nação Zumbi
Fome de Tudo (2007, Deckdisc)

Enquanto Futura (2005) arrastou a Nação Zumbi para um cenário em preto e branco, Fome de Tudo mergulhou o coletivo pernambucano em um oceano de cores. Obra de maior aproximação da banda com o pop, o disco força o grupo a provar de novas experiências, sejam elas líricas, sonoras e até mesmo temáticas. Tão presente quanto na composição do álbum que o antecede, Jorge Du Peixe usa da poesia do álbum de forma a delinear um cenário dividido entre a sociedade real e o misticismo. Dessa forma, é possível ir do Inferno ao o paraíso em questão de minutos, como se a banda servisse como mecanismo de aproximação entre estes dois extremos. Mario Caldato, produtor do disco, não apenas lima os excessos assimilados pela banda pós-Chico Science, como delimita o que parece ser uma composição muito mais autoral do grupo. São vocalizações plásticas, como as de No Olimpo e Carnaval, que mesmo próximas do grande público, jamais distanciam o grupo do teor crítico dos primeiros álbuns.

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Emicida

#33. Emicida
Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe… (2009, Independente)

Ainda Kamau, Parteum e demais artistas tenham apresentado obras fundamentais para a construção do novo rap nacional, é de Emicida o disco responsável por abrir passagem para toda uma nova geração de rappers. Lançado de forma independente em 2009, a mixtape Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe fez das rimas proclamadas pelo paulistano um novo meio de aproximação entre diferentes classes e ouvintes. Ao longo de 25 composições, boa parte delas produzidas pelo próprio artista, o trabalho ultrapassa os limites periféricos de outros trabalhos próximos, trazendo no discurso (quase) universal de seu criador, um ponto evidente de sustentação para a obra. São rimas que atravessam o político/social e encontram na melancolia (Sozim), ou mesmo no amor (Ela Diz), um novo tratamento para o gênero. Imenso mosaico em preto e branco, a extensa mixtape é apenas o princípio da reação em cadeia que traria Rashid, Projota e tantos outros artistas de significativa relevância na década seguinte.

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#32. Momo
Buscador (2008, Tratore)

A dor é um sentimento constante em Buscador. Solução madura em relação ao debut A Estética do Rabisco, lançado um ano antes, o segundo registro solo do carioca Marcelo Frota é mais do que um concentrado de versos dramáticos ou canções marcadas pela essência de um coração partido. Trata-se de uma obra costurada de forma lenta pela saudade, abandono e ainda assim libertação, como se do meio da nuvem sombria que ocupa o registro fosse possível respirar. Denso, o disco aponta de forma evidente para a década de 1970, percepção explícita no perfume de Nick Drake ou quem sabe nas sobreposições que remetem ao começo do Clube da Esquina. Enquanto músicas como Tristeza e Seu Amor abusam de uma estrutura serena, outras como Preciso Ser Pedra explodem, colidem com a psicodelia da mesma época e abrem passagem para que o cantor se relacione de forma confessional com o público. Há beleza, medo e desespero no interior de Buscador, o que faz dele um registro tão próximo de Momo, quando to próprio ouvinte.

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BNegão

#31. BNegão e Os Seletores de Frequências
Enxugando Gelo (2003, Independente)

BNegão não custou a se adaptar passado o fim das atividades com o Planet Hemp. De fato, pouco tempo após o lançamento do bem recebido MTV Ao Vivo, o rapper carioca já tinha em mãos um novo álbum, dando inicio ao Seletores de Frequências. Extensão menos lisérgica e muito mais política do trabalho que vinha desenvolvendo previamente, com o lançamento de Enxugando Gelo o rapper ampliou não apenas os limites dos próprios versos, mas da instrumentação que o cercava. Para além da relação entre o Rap e o Hardcore, bem definida desde o clássico Usuário (1994), BNegão e os parceiros de banda firmaram no Soul, Funk e elementos do Dub um princípio de novidade. O resultado está na construção de músicas significativas como A Verdadeira Dança do Patinho ou a própria faixa título, músicas que colidem gêneros como uma alavanca para os versos. Distribuído gratuitamente via internet, o álbum foi um dos primeiros registros nacionais a fugir das grandes gravadoras.

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