Os 15 Melhores EPs de 2011

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Muitas vezes subestimados, quando não descartados, em 2011 os EPs tiveram um significado mais do que marcante para o cenário musical – principalmente o brasileiro. Com a ideia de disco inteiro cada vez mais sendo abandonada, alguns artistas resolveram investir pesado em um mínimo conjunto de composições, feito que os pequenos Extended Plays reforçaram de maneira surpreendente ao longo do ano. Para valorizar este tipo de mídia selecionamos 15 trabalhos que de fato fizeram a diferença no decorrer do ano, sejam eles nacionais ou estrangeiros, discos que em poucos minutos de duração conseguiram evidenciar todo o poderio de determinados artistas.

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#15. Tereza
Onça EP (2011, Independente)

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Se antes era cada vez maior o número de bandas cariocas tentadas a repetir os mesmos acertos (e até erros) da veterana Los Hermanos, hoje é simplesmente natural passear pelo panorama musical do Rio de Janeiro (e inclusive dos outros estados) sem que ali exista alguma mínima sobra do que foi o fenômeno “hermânico” na década passada. Ótimo e talvez mais pulsante exemplo disso está no primeiro EP do quinteto Tereza, grupo que longe das experiências dos elogiados conterrâneos parte em busca de uma sonoridade e de versos realmente próprios. Em apenas três faixas (faltou A cidade pega fogo), o grupo passeia pelo indie rock dançante (e não descartável) de Siris, que ainda flerta com a década de 1980, deixando para a faixa seguinte, Selvagens, um toque mais do que essencial do novo rock que deslanchou na década passada, finalizando de maneira harmônica e divertida com a poderosíssima Arariboia. (Resenha)

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#14.Dirty Gold
Roar EP (2011, Autumn Tone Records)

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Afrobeat, Dream Pop, Indie Rock, Surf Music e um doce clima matinal se encontram dentro de Roar EP, primeiro trabalho da banda californiana Dirty Gold. Esqueça os excessos do rock praieiro que saturou todo o cenário norte-americano durante o ano, em apenas cinco faixas, o trio composto por Grant Nassif e os irmãos Lincoln e John Ballif convidam o ouvinte a adentrar um ambiente pacato, repleto de emanações preguiçosas, guitarras encantadoramente sonolentas e um rastro de Lo-Fi estranhamente acolhedor. Soando como uma versão mais preguiçosa do Vampire Weeknd, ou quem sabe um Beach House ensolarado, o trio vai a seu próprio tempo apresentando faixas como a calorosa California Sunrise (uma das melhores músicas do ano), a suingada Sea Hare ou ainda Overboard, faixa que se destaca pelo corpo de sintetizadores sujos que a delimitam. Resta apenas saber quando o trio estreará de verdade. (Resenha)

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#13. Jens Lekman
An Argument With Myself EP (2011, Secretly Canadian)

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Lá se vão mais de quatro anos desde que Night Falls Over Kortedala, último álbum do sueco Jens Lekman foi apresentado. Nesse meio tempo o músico apareceu de maneira esporádica, apresentando alguns singles, contribuindo com o trabalho de outros artistas ou mesmo revelando um pequeno EP. Nenhuma dessas atividades, entretanto, é capaz de superar a grandeza e a beleza de An Argument With Myself EP, mais recente e encantadora obra do cantor. Situado no mesmo universo musical e poético do último grande disco de Lekman, o álbum revela uma soma pequena, porém, satisfatória de canções, músicas como a apaixonante A promise ou So this guy at my office, que retrata a sempre vasta instrumentação que se apodera da obra do artista. Mesmo afundado em acertos, o melhor fica por conta da faixa título, que aproxima Lekman dos ritmos latinos e, consequentemente, de mais um surpreendente resultado musical. (Resenha)

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#12. Dom
Family Of Love EP (2011, Astralwerks)

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Pode parecer uma afirmação absurda, mas nenhuma banda contemporânea é capaz de alcançar a mesma medida pop descompromissada que o grupo norte-americano Dom consegue promover. Nada das redundâncias sintomáticas que o Foster The People insiste em disseminar, nada dos veros clichês que são encontrados em nove de cada dez bandas ao redor do globo, e acima de tudo: esqueça o indie rock acelerado e desgastado que há mais de uma década vem impregnando o cenário musical. Vindo da cidade de Worcester, Massachusetts o quarteto se vale tanto de tecladinhos sujos e pegajosos como de versos prontos para colar no cérebro do ouvinte, algo que o pequeno disco Sun Bronzed Greek Gods, de 2010, já havia estabelecido, mas que o novo Family Of Love EP reforça com maestria ímpar. Dos sintetizadores de Telephone ao jogo harmônico de Damn, todas as cinco faixas do álbum são exploradas de maneira bem humorada e graciosa, com a banda alcançando uma sonoridade que há tempos parece esquecida por boa parte das novas bandas que diariamente acabam nascendo. (Resenha)

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#11. James Blake
Love What Happened Here EP/ Enough Thunder EP (2011, Atlas/R&S)

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Forte candidato a uma das figuras mais comentadas do ano, James Blake deu razões mais do que convincentes para ser o centro das atenções de quaisquer comentários relacionados ao cenário musical britânico ou sejam lá quais forem os debates em que esteve relacionado. Além do memorável registro de estreia que apresentou no começo de fevereiro, Blake foi responsável por garantir dois EPs de excepcional beleza, obras que embora fracionadas parecem se revelar como um trabalho uno das distintas experiências do artista. Enquanto Enough Thunder se relaciona diretamente com as aproximações com a Soul Music (algo amplamente reforçado no debute do inglês), o recente Love What Happened Here se volta para o esquizofrênico artista de 2010, apresentando o lado mais “sintético” de Blake e fechando uma espécie de ciclo para a obra do músico. Independente das direções tomadas o britânico parece ter acertado em todas.

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#10. Banda Uó
Me Emoldurei de Presente Para Te Ter EP (2011, Avalanche Tropical)

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Por mais que você tenha tentado se desvencilhar, em algum momento ao longo do ano qualquer canção da Banda UÓ deve ter tocado perto de você. Destaque em grande parte das publicações de todo o país, o trio goiano soube como poucos como promover hits pegajosos que funcionam tanto dentro como fora das pistas. Entre versões bem humoradas e calorosas para músicas de Willow Smith e Two Door Cinema Club, a banda transformou o EP Me Emoldurei de Presente Para Te Ter em uma espécie de prelúdio para a invasão do Electrobrega/Technobrega que deve tomar conta da música brasileira nos próximos anos – se é que isso já não está valendo. Com produção de Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot do Bonde do Rolê, o álbum de cinco faixas passeia tanto pelo romantismo exagerado de O Gosto Amargo Do Perfume como por uma versão comicamente projetada de Foi Você Quem Trouxe, da ex-dupla sertaneja Edson e Hudson. Tropical. (Resenha)

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#09. King Krule
King Krule EP (2011, True Panther)

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Se alguém ainda pudesse insistir que quanto maior a idade, melhor o lançamento, então o britânico Archy Marshall (ex-Zoo Kid) fez questão de quebrar essa norma ao lançar o primeiro EP sob o nome de King Krule. Dividido entre experimentos sintéticos marcados pelo clima sombrio e uma soma de elementos que transitam entre o pós-punk, o experimental e dream pop explorados de maneira bem “peculiar”, Krule de apenas 17 anos converte as cinco obscuras canções do álbum em um prelúdio para sua aguardada estreia – prevista para 2012. Com uma voz capaz de embriagar o ouvinte e dono de letras que em nenhum momento parecem condizer com a tenra idade do músico, o registro vai apresentando composições mais do que satisfatórias como Bleak Bake e a surpreendente The Noose of Jah City, que posiciona o britânico em um universo partilhado entre o eletrônico e o orgânico. Se alguém precisava de alguma grande aposta para os próximos anos, deixo todas minhas fichas com o jovem Krule. (Resenha)

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#08. Team.Radio
Summertime EP (2011, RockInPress/Sinewave/Popfuzz)

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Nas mãos do quinteto pernambucano Team. Radio o verão acabou ganhando novo significado. Nada das fortes radiações solares, cores abundantes transitando pelas praias ou aquele clima de descontração jovial que se revela em propagandas de cerveja, para a banda recifense a estação ganhou um sentido novo e muito mais interessante. Mergulhados em teclados etéreos, guitarras marcadas por distorções densas e vocais que parecem gravados embaixo d’água, o grupo segue de maneira suave nos hipnotizando através das fortes emanações de Summertime EP. Herdeiros de todo o panteão de velhos representantes do Dream Pop/Shoegaze – tanto My Bloody Valentine como Galaxie 500 estão por todos os lados do disco -, o grupo se desvencilha de um resultado copioso sem grandes esforços, mobilizando assim um projeto maduro e atemporal. (Resenha)

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#07. Hierofante Púrpura
Transe Só EP (2011, Transfusão Noise Records/Popfuzz)

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Sinceramente, não sei que substâncias circulam pelo cotidiano da Hierofante Púrpura, mas uma coisa é certa: quero experimentar também. Em pouco menos de 20 minutos o trio paulistano se embrenha em uma verdadeira viagem marcada de altos e baixos que se traduzem em quatro canções essencialmente lisérgicas e fortes. Divididos entre o rock alternativo dos anos 90 e a psicodelia nacional das décadas de 60 e 70, o grupo alcança a síntese de uma soma de trabalhos acumulados há mais de cinco anos, quando o primeiro EP do grupo surgiu com destaque pela blogosfera. Nunca óbvio e fragmentado em pequenos delírios poéticos, o álbum vai costurando uma densa tapeçaria instrumental, percorrendo tanto a melancolia essencial de Hospital Das Curas, como a instabilidade épica de Rosa frígida, transformando o disco em um trabalho que mesmo mínimo em termos de formato se revela de maneira ampla e surpreendente. (Resenha)

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#06. Toro Y Moi
Freaking Out EP (2011, Carpark)

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Quando a Chillwave parecia ter se direcionado para um beco sem saída, sendo obrigada a se resumir em pequenos amontoados de sons sujos e imutáveis, eis que surge o gênio Chazwick Bundick portando em mãos a solução. Longe das ressonâncias etéreas e densas do anterior Causers Of This (de 2010), o norte-americano e seu elogiado projeto, o Toro Y Moi, transformaram o excelente Freaking Out em um amontoado de versos pegajosos e uma estrutura peculiar que se dissolve na mais pura psicodelia pop. Espécie de continuação melhorada do também agradável Underneath The Pine – álbum lançado por Bundick no começo do ano -, o registro explora uma sonoridade muito mais límpida e versátil, projetando assim um mínimo conjunto de faixas grudentas, pop e nunca desnecessárias. Mergulhe nos teclados chapados de All Alone, se entregue ao amor em Saturday Love, e acima de tudo: siga o título do trabalho e enlouqueça. (Resenha)

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#05. Andy Stott
We Stay Togheter (2011, Modern Love)

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Em 2011 o britânico Andy Stott deu o ar da graça não apenas em um, mas em dois importantíssimos trabalhos. O primeiro, Passed Me BY, um registro mais extenso de sete faixas, todas de longa duração serviram como uma espécie de introdução ao que o produtor viria a desenvolver posteriormente com a chegada de We Stay Togheter EP, um disco menor em extensão, mas muito maior em inventividade. Casando Dub e Minimal Techno em uma mesma frequência, Stott garante quase quarenta minutos de uma massa sonora homogênea e hipnótica, uma enorme good trip de sons abafados, beats sincopados e densas reverberações que parecem prontas para sufocar o ouvinte. Por mais complexas que sejam as composições (em um primeiro momento até intragáveis), quanto mais o espectador se aventura nas fortes emanações do álbum, mais difícil torna-se deixá-las. (Resenha)

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#04. Emicida
Doozicabraba e a Revolução Silenciosa EP (2011, Independente)

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Embora já fosse algo previsível, a consagração chegou de vez para Emicida em 2011. Artista do ano e dono do melhor clipe na última edição do VMB, figura garantida nas páginas das principais publicações – musicais ou não -, e uma das atrações do Coachella 2011, o rapper não poderia passar um ano de tantas conquistas em branco. Para isso, contou com um time de elite formado por Rael Da Rima, Evandro Fióti, Don Pixote e MV Bill, a produção dos gringos Beatnick e K-Salaam e fez nascer Doozicabraba e a Revolução Silenciosa EP, mais um grande catálogo de fortes composições do paulistano. Cercado por uma sonoridade límpida e primorosa, Emicida vai aos poucos desenvolvendo um trabalho inteiramente marcado pelas glórias, uma espécie de resposta aos que o desacreditaram em épocas remotas e, obviamente, mais um grande álbum do hip-hop nacional. “Não é só ver e julgar (tem que colar)/ Tem que ser (tem que ser) pra se misturar/ Aí vai ver que é nois/ Que o rap é voz, que o reggae é voz e o samba”. (Resenha)

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#03. Clams Casino
Rainforest EP (2011, Tri Angle)

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Se o ano pudesse ser representado em uma única figura, com certeza ela não seria Chirstopher Owens do Girls, Justin Vernon do Bon Iver ou muito menos o britânico sensação James Blake. O grande nome de 2011 foi ninguém menos que o norte-americano Mike Volpe, ou melhor, o alter-ego dele, Clams Casino. Representante mor da alvorada de registros com foco no Hip-Hop instrumental, Volpe esteve ao lado de um número mais do que relevante de discos ao longo de todo o ano, deixando uma marca totalmente expressiva no cenário alternativo – e até no mainstream. Seja na produção do primeiro álbum do comentado A$ap Rocky ao mais novo álbum do Main Attrakionz, passando pelo recente lançamento de Lil B, o produtor foi parte decisiva para que alguns dos melhores discos do ano alcançassem o status que conquistaram. Com Rainforest EP, primeiro concentrado de inéditas de Casino, não há decepção, apenas mais um conjunto de cinco faixas em que o produtor se assume como um dos mais originais personagens da música contemporânea. (Resenha)

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#02. Burial
Street Halo EP (2011, Hyperdub)

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Mesmo que não tenha lançado nenhum novo grande álbum em 2011 William Bevan soube como aproveitar cada segundo de seu novo EP através do projeto Burial. Denominado Street Halo, o registro de três faixas e pouco mais de 20 minutos concentra todos os acertos que o produtor britânico conquistou em 2007, quando apresentou ao mundo a obra-prima Untrue. Menos interessado no constante cruzamento de camadas e no aspecto demasiado etéreo dos antigos registros, Bevan parte em busca de uma sonoridade mais intensa, marcada pelo uso de beats menos enfumaçados ou colagens constantes de distintas vozes. Focando no uso de canções mais extensas – todas as faixas ultrapassam os seis minutos de duração -, Burial parece dar uma forte deixa do que seus próximos lançamentos podem apresentar, com o inglês mais uma vez reformulando as próprias fórmulas que o tornaram conhecido e deixando mais do que claro que nessa arte, ele ainda é rei.

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Silva
SILVA EP (2011, Independente)

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Do lançamento descompromissado em meados de outubro, para a ascensão rápida e quase meteórica no decorrer de poucas semanas – pelo menos dentro do cenário alternativo -, Lúcio da Silva Souza conseguiu em pouco tempo se transformar em uma das figuras mais comentadas do meio musical, feito que ele justifica de maneira primorosa e irretocável em apenas cinco faixas. Bebendo das referências Lo-Fi que trazem brilho ao cenário internacional – quem pensou Youth Lagoon ou Toro Y Moi acertou -, toques de música orquestrada e um fino tempero de música brasileira, o músico capixaba conseguiu promover um dos trabalhos mais honestos de todo o ano. Utilizando de letras carregadas de melancolia e um romantismo jovial, Silva vai passeando por momentos delimitados pela nostalgia (Imergir) e pequenas canções de amor (A visita), utilizando de uma instrumentação carregada por violino e teclados coloridos como a grande engrenagem de todo o trabalho. Mais do que um grande disco, SILVA EP é uma aposta de que algo ainda maior está por vir. (Resenha)

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