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Os 25 Melhores Discos Brasileiros de 2019 (Até Agora)


Em um ano marcado pela forte instabilidade política, diferentes representantes da música brasileira deram vida a alguns de seus trabalhos mais provocativos e necessários. Do amadurecer criativo de Djonga, em Ladrão, passando pela crueza de Jair Naves, em Rente, ou mesmo a volta de Jorge Mautner, com Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba, sobram registros que sintetizam a completa versatilidade e força criativa de alguns dos principais articuladores da nossa música. Surgem ainda obras que vão do experimentalismo ao pop, vide o trabalho de artistas como Rakta, Tantão e os Fita, BaianaSystem e Larissa Luz, ponto de partida para nossa tradicional lista com os 25 Melhores Discos Brasileiros do primeiro semestre de 2019. Nos comentários, conta pra gente: qual é o seu álbum favorito até agora?


Alice Caymmi
Electra (2019, Joia Moderna)

Em um lento processo de desconstrução, Alice Caymmi passou os últimos anos brincando com a própria identidade criativa. Do som torto que embala o primeiro álbum em carreira solo, casa de faixas como Água Marinha e Sargaço Mar, passando pela clara tentativa em dialogar com uma parcela maior do público, em Rainha dos Raios (2014) e no ainda recente Alice (2018), sobram instantes em que a cantora carioca perverte a própria essência, mudando de direção a cada registro de inéditas. Uma fuga declarada do óbvio, estrutura que assume novo e inusitado direcionamento nas canções de Electra (2019, Joia Moderna). De essência dramática, como se pensado para os palcos, o trabalho gravado em apenas dois dias ao lado do pianista Itamar Assiere, mostra a força e completa entrega emocional de Caymmi. Do momento em que tem início, na versão para De Qualquer Maneira, música originalmente composta por Candeia, até alcançar a derradeira Aperta Outro, de Danilo Caymmi e Ana Terra, cada fragmento do disco sintetiza a capacidade da artista em fazer de versos assinados por diferentes compositores a base para um registro particular, sempre doloroso. Leia o texto completo.

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BaianaSystem
O Futuro Não Demora (2019, Máquina de Louco)

A mensagem proposta pelo BaianaSystem em O Futuro Não Demora (2019, Máquina de Louco) é bastante clara: “Você tem poder para mudar o mundo“. Sequência ao elogiado Duas Cidades (2016), obra que serviu para estreitar a relação entre o discurso político e a essência festiva que há mais de uma década embala o trabalho de Roberto Barreto (guitarra baiana), Seko Bass (baixo) e Russo Passapusso (voz), o novo álbum traz de volta a dualidade explícita no registro que o antecede, porém, em um sentido ainda mais amplo, contestador e, ao mesmo tempo, esperançoso. Trata-se de uma obra marcada pela estrutura cíclica dos elementos, conceito que vai da renovação imposta pela Água, logo na abertura do disco, ao Fogo, elemento caótico que garante fechamento ao registro. Parte dessa forte conexão entre as faixas vem da forma como o próprio álbum foi concebido. Longe dos palcos, o trio e um time seleto de colaboradores decidiu se isolar em Itaparica, ilha baiana localizada a 13 quilômetros da capital Salvador e um paradisíaco ponto de conexão entre as experiências acumuladas por cada integrante da banda. O resultado essa simbiose criativa está na produção de um registro que exige ser apreciado do início ao fim, sem pausas. Canções que mesmo trabalhadas em uma estrutura própria, acabam servindo de alicerce para a faixa seguinte. Leia o texto completo.

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Bernardo Bauer
Pássaro-Cão (2019, Under Discos)

Paisagens urbanas, instantes de profunda contemplação e a melancolia dos dias. Em Pássaro-Cão (2019, Under Discos), primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor mineiro Bernardo Bauer, cada fragmento do disco parte de experiências particulares para mergulhar em um universo dominado pela força dos sentimentos e inquietações íntimas de qualquer jovem adulto. São poemas ora metafóricos, ora descritivos, como se o músico belo-horizontino jogassem com a incerteza da própria obra. Delírio e realidade, medo e aceitação. Uma delicada sobreposição de ideias que parte misteriosa da criatura mística anunciada no título do álbum e segue até o último verso do trabalho. “Quando cê nasceu em mim / Pássaro / Tive muito medo … O meu medo era eu me atirar / Abismo abaixo / Cão que sonha tem razão / Pra desejar / Um par que voa“, canta logo nos primeiros minutos do disco, na autointitulada faixa de abertura. São versos em que reflete sobre a incerteza das relações e o permanente desejo de mudança que move qualquer indivíduo. Um lento desvendar de ideias que dialoga com tudo aquilo que Bauer vinha explorando desde o último registro de inéditas, o também doloroso Pelomenosum EP (2017). Leia o texto completo.

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Black Alien
Abaixo de Zero: Hello Hell (2019, Extrapunk Extrafunk)

Esse é o retorno do cretino / Dos clássicos, hits, hinos e o bolso cheio de pino“. A rima crua explícita logo nos primeiros minutos de Área 51, música de abertura de Abaixo de Zero: Hello Hell (2019, Extrapunk Extrafunk), diz muito sobre o caminho percorrido por Gustavo de Almeida Ribeiro no terceiro álbum de estúdio como Black Alien. Sequência ao bem-recebido Babylon By Gus – Vol. II: No Príncipio Era O Verbo (2015), primeiro registro de inéditas do rapper carioca após um longo hiato de mais de uma década, o presente álbum costura passado e presente de forma sempre provocativa, partindo de experiências particulares do artista para dialogar com temas externos. Exemplo disso está na profunda versatilidade que invade as rimas em Carta pra Amy. Enquanto reflete sobre a própria relação com o vício em drogas e o permanente processo de reabilitação (“Vencer a mim mesmo é a questão, questão que não me vence / Minha cabeça falante fala pra caralho / E, aí, my talking head stop making sense“), o rapper estabelece pequenos diálogos conceituais com diferentes personalidades do mundo da música. De Amy Winehouse, exaltada no título da canção, passando por Kurt Cobain e Nina Simone, interessante notar como o Black Alien utiliza desses diferentes personagens para discutir o peso da fama e a passagem do tempo de forma sempre provocativa, honesta. Leia o texto completo.

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Boogarins
Sombrou Dúvida (2019, OAR / Lab 344)

As chances de eu fugir daqui / São nulas“. Os versos lançados por Dinho Almeida (guitarra e voz) logo nos primeiros minutos de As Chances, faixa de abertura de Sombrou Dúvida (2019, OAR), traduzem com naturalidade o delirante desejo do público em se perder pelo interior do quarto álbum de estúdio do grupo goiano Boogarins. Enigmático e torto, como uma extensão natural de tudo aquilo que o quarteto – completo por Benke Ferraz (guitarra e sintetizadores), Raphael Vaz (baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria) –, vem produzindo desde o antecessor Lá Vem a Morte (2017), o trabalho que conta com co-produção de Gordon Zacharias mostra a capacidade da banda em capturar a atenção do ouvinte sem necessariamente fazer disso o principio para uma obra rasa. Concebido em meio a camadas instrumentais, vozes sobrepostas, ruídos e captações abstratas, o registro marcado pela colorida colisão de ideias parte de uma estrutura conceitualmente restrita para mergulhar em pequenas reinterpretações de uma mesma base poética e instrumental. São versos que se repetem, arranjos reciclados e a desconfortável sensação de familiaridade, como se o ouvinte tateasse as paredes de um extenso labirinto criativo, proposta que vem sendo aprimorada pela banda desde a estreia com As Plantas Que Curam (2013). Leia o texto completo.

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BRVNKS
Morri de Raiva (2019, Sony Music)

Em Morri de Raiva (2019, Sony Music), primeiro álbum de estúdio da cantora e compositora Bruna Guimarães, a BRVNKS, há espaço para tudo, menos para o amor. Produto das experiências, memórias recentes e conflitos que embalam o cotidiano de qualquer jovem adulto, o trabalho de apenas dez faixas se espalha em meio a versos angustiados que refletem com naturalidade a essência da artista goiana. “Sou uma pessoa muito irritada e brava. Tem várias faixas sobre ódio, frustração, preguiça e coisas que eu passo sendo mulher e tocando em banda“, respondeu em entrevista à Capricho, apontando a direção seguida em parte expressiva da obra. Exemplo disso está em I Am My Own Man, oitava composição do disco. São versos rápidos que discutem cenas e acontecimentos reais, revelando a angústia do eu lírico frente ao comportamento machista de outros produtores e músicos. “Eu sou meu próprio homem / Eu tenho minha própria banda / Eu sou namorada de ninguém / Você não devia ser tão burro / Eu estou carregando a minha guitarra, você está cego?“, questiona enquanto guitarras e batidas aceleradas cobrem toda a superfície da canção, estrutura que se repete em músicas como I Hate All Of You e na já conhecida F.I.J.A.N.F.W.I.W.Y.T.B (Freedom Is Just a Name For What I Want You To Be). Leia o texto completo.

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Djonga
Ladrão (2019, Ceia)

Abram alas para o rei! Em um intervalo de apenas três anos, Djonga foi de um personagem desconhecido da cena mineira para um dos grandes nomes e principais articuladores do rap nacional. Síntese desse intenso processo criativo e comprometimento estético se revela com naturalidade nas canções de Ladrão (2019, Ceia), obra que não apenas resgata uma série de conceitos originalmente testados nos dois primeiros álbuns de estúdio do rapper, Heresia (2017) e O Menino Que Queria Ser Deus (2018), como reforça de maneira explícita o forte discurso político e crítica social que há tempos vem sendo refinada pelo artista belo-horizontino. “Quando eu era criança, eu andava na rua e me sentia ladrão. Mesmo quando nunca tinha roubado nada, as pessoas olhavam com medo. O tempo passou e eu entendi que tipo de ladrão eu devia ser, esse que busca e traz de volta pras minhas e pros meus. Aí eu fui lá e fiz o que eu sempre fiz: roubei, roubei e trouxe de volta“, escreveu no texto de apresentação do trabalho. De fato, do momento em que tem início, em Hat-Trick, até alcançar a derradeira Falcão, cada verso disparado pelo rapper encontra em pequenas conquistas pessoais e na celebração ao povo preto a base para o fortalecimento criativo da obra. Leia o texto completo.

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Ema Stoned
Phenomena (2019, PWR)

Phenomena (2019, PWR) é um verdadeiro delírio. Primeiro álbum de estúdio do Ema Stoned desde a estreia com o bem-sucedida Gema (2013), o trabalho concebido em meio a pequenos improvisos mostra a forte conexão e evidente refinamento criativo entre banda paulistana — hoje formada por Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo), Jéssica Fulganio (bateria, percussão e voz) —, e seus convidados, o músico Makoto Kawabata (guitarra e sintetizadores), um dos principais articuladores do grupo japonês Acid Mothers Temple, e Douglas Leal (guitarra, percussão e voz), grande responsável pelo Yantra. Lento e extenso, são seis composições que se espalham em um intervalo de mais de 70 minutos de duração, o registro que conta com produção assinada pela própria Fulganio parece crescer em uma medida própria de tempo, sem pressa. São camada instrumentais, batidas densas, ruídos e ambientações atmosféricas que ora apontam para a lisergia cósmica dos anos 1970, ora esbarram no rock alternativo da década de 1990. Uma rica sobreposição de ideias e texturas que amplifica tudo aquilo que o grupo havia testado no registro ao vivo Live From Aurora (2016).

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Fafá de Belém
Humana (2019, Joia Moderna)

A forte dramaticidade explícita logo nos primeiros minutos de Ave do Amor, colaboração entre Arthur Nogueira e Ava Rocha, diz muito sobre o caminho assumido por Fafá de Belém em grande parte de Humana (2019, Joia Moderna). Primeiro álbum de estúdio da cantora e compositora paraense desde o regional Do Tamanho Certo Para o Meu Sorriso (2015), o trabalho que conta com produção assinada pelo já citado Nogueira encontra na profunda entrega sentimental explícita nos versos a base para um registro grandioso e tocante. Frações poéticas que se projetam como um regresso inevitável aos instantes de maior sensibilidade na carreira da artista. “Quando a gente tenta / De toda maneira dele se guardar / Sentimento ilhado, morto, amordaçado / Volta a incomodar / Um dia vestido de saudade viva / Faz ressuscitar“, canta em Revelação, música que ganha forma aos poucos, sem pressa, detalhando cada fragmento de voz lançado pela cantora. Um doloroso exercício poético que resgata o clássico originalmente composto em 1978 por Clésio Ferreira e Clodo Ferreira, mas que se completa pela minúcia dos arranjos assinados coletivamente por Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo e sintetizadores), Richard Ribeiro (bateria e percussão) e Zé Manoel (pianos). Leia o texto completo.

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Giovani Cidreira
Mix$take (2019, RISCO)

Giovani Cidreira pode ser tudo, menos um artista previsível. Depois de amadurecer criativamente durante o lançamento de Japanese Food (2017), trabalho em que dialoga de forma particular com a obra de Milton Nascimento e até Legião Urbana, o cantor e compositor baiano desconstrói a própria identidade artística nas canções de Mix$take (2019, RISCO). São sete faixas e pouco mais de 20 minutos em que o ouvinte passeia em meio a diferentes gêneros e possibilidades de forma sempre curiosa, provocativa. Frações poéticas e instrumentais que vão do pop atmosférico ao R&B em uma linguagem íntima apenas do músico. Concebido em parceira com o experiente Benke Ferraz (Boogarins), Mix$take diz a que veio logo nos primeiros minutos, em Oceano Franco. Trata-se de uma delicada reflexão sobre as incertezas da vida e uma versão para a também atmosférica Nikes, música originalmente composta por Frank Ocean para o álbum Blonde (2016). “Tem fogo em nossa porta, amor / Talvez eu não te veja, mas eu tô indo pra guerra / Me dê um beijo, estamos indo sem velas“, canta em meio a versos e ruídos eletrônicos que se completam pela presença de Jadsa Castro, parceira de longa data de Cidreira. Leia o texto completo.

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Iconili
Quintais (2019, YB Music)

Com o lançamento de Piacó (2015), os integrantes do coletivo mineiro Iconili alcançaram um novo estágio criativo. Em um intervalo de mais de 70 minutos de duração, composições marcadas pelo uso de metais, texturas e camadas detalhistas pareciam expressar o completo amadurecimento da banda – hoje formada pelos músicos André Orandi (teclados e saxofone alto), Chaya Vazquez (percussão), Gustavo Cunha (guitarra e sintetizadores), Henrique Staino (saxofone tenor e soprano), Josi Lopes (voz), João Machala (trombone), Lucas Freitas (saxofone barítono e clarone), Rafa Nunes (percussão), Fernando Monteiro (bateria), Rafael Mandacaru (guitarra e teremim) e Willian Rosa (baixo). Quatro anos após a entrega do registro, o grupo mineiro não apenas resgata parte das experiências detalhadas durante a produção de Piacó, como convida o ouvinte a se perder em um universo marcado pela constante transformação. Em Quintais (2019, YB Music), mais recente trabalho de estúdio da Iconili, cada composição aponta para uma nova direção conceitual, indicativo da completa versatilidade do álbum que ainda conta com a interferência do produtor Leonardo Marques (Moons, Transmissor). Leia o texto completo.

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Jards Macalé
Besta Fera (2019, Pommelo)

Soturna e atmosférica, Vampiro de Copacabana abre passagem para o ambiente de formas abstratas, delírios e poemas urbanos que escorrem da boca de Jards Macalé em Besta Fera (2019, Pommelo). “Ah, corpo no breu / Ah, dama da noite / Ah, caminho torto / Ah, olhos de sangue“, passeia a criatura das trevas pelo centro do Rio de Janeiro, mergulhando em uma paisagem noturna enquanto ruídos metálicos escapam da guitarra que respira e cresce ao fundo da canção. Versos semi-declamados que orientam e experiência do ouvinte durante toda a execução da obra, estímulo para a construção do primeiro álbum de inéditas do cantor e compositor carioca desde o ótimo O Q Faço É Música (1998). Misto de passado e presente, o registro que conta com produção de Kiko Dinucci (Metá Metá) e Thomas Harres não apenas resgata a essência de Macalé, efeito do olhar curioso sobre os três primeiros registros do músico – Jards Macalé (1972), Aprender a Nadar (1974) e Contrastes (1977) –, como se entrega à ruptura e permanente senso de descoberta. “Eu sou aquele que ao passar dos anos / Cantando a minha lira maldizente / Torpezas do Brasil, vícios, enganos / E bem que os de cantar constantemente / Canto segunda vez na mesma lira / O mesmo assunto em pletro diferente“, reflete no samba torto que embala a faixa-título do disco. Versos sóbrios que indicam o desejo de mudança do compositor, resgatam trechos da obra de Gregório de Matos e ainda se abrem para o cavaquinho minucioso de Rodrigo Campos e o saxofone de Thiago França (Metá Metá). Leia o texto completo.

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Jair Naves
Rente (2019, Independente)

O breve período em que esteve afastado dos estúdios nos últimos anos em nada parece ter prejudicado o trabalho de Jair Naves. Pelo contrário, poucas vezes antes a poesia entregue pelo cantor e compositor mineiro radicado em São Paulo pareceu tão necessária e forte quanto nas canções de Rente (2019, Independente). Terceiro álbum de estúdio do também vocalista da Ludovic em carreira solo, o álbum segue exatamente de onde o artista parou há quatro anos, durante o lançamento de Trovões a Me Atingir (2015). Um minucioso catálogo lírico que traduz as emoções e, principalmente, a completa descrença de seu realizador. “Que força é essa que te cega / Te emburrece e te enche de raiva / De quem ousa ter menos que você? … Minha terra é uma bomba a ponto de explodir / Minha fé é uma bomba a ponto de explodir / Minha gente é uma bomba a ponto de explodir“, canta logo nos primeiros minutos do disco, em Veemente. São versos em que discute a atual situação política e social do Brasil, estrutura que se completa pelo dedilhado tímido do violão de Naves e a fina tapeçaria melódica orquestrada pelo violoncelo de Raphael Evangelista. Leia o texto completo.

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Jeremaia
Jeremaia (2019, Independente)

Estranho, porém, difícil de ser ignorado. Essa talvez seja a melhor forma de traduzir o som incorporado por André Faria, vocalista e um dos principais articuladores Aldo, The Band, no primeiro álbum em carreira solo. Com produção assinada em parceria com o próprio irmão, o músico Murilo Faria, o registro que leva o título de Jeremaia (2019, Independente), mesmo nome escolhido para o projeto, mostra um artista de essência versátil, por vezes, delirante. Composições que apontam para diferentes campos da música, como se cada fragmento do registro transportasse o ouvinte para dentro de um universo completamente novo. Não por acaso, Faria escolheu a versátil O Trabalho da Rua Mato Grosso como faixa de abertura do disco. Concebida em pequenas doses, a canção se espalha em meio a guitarras carregadas de efeitos e sintetizadores borbulhante, estrutura que sintetiza parte da sonoridade incorporada pelo artista e seus parceiros de estúdio, entre eles, o baterista Daniel Setti (ex-Jumbo Elektro). Nos versos, memórias entristecidas e versos descritivos, componente fundamental para o crescimento da obra. “O que era tão bonito / amaldiçoado agora está“, canta enquanto paredões de ruídos encolhem e crescem a todo instante, reforçando a dramaticidade em torno da canção. Leia o texto completo.

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Jorge Mautner
Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba (2019, Deck Disc)

Ouvir as canções de Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba (2019, Deck Disc), primeiro trabalho de inéditas de Jorge Mautner em mais de uma década, evoca uma doce sensação de acolhimento. É como chegar em casa depois de uma longa e exaustiva viagem. O reencontro com um velho amigo, sempre cheio de histórias e experiências a serem compartilhadas. Estranho perceber isso justamente em um dos trabalhos em que a essência política e crueza dos versos assinados pelo músico carioca pareça destacada. Um misto de conforto e constante provocação, estrutura que orienta a experiência do ouvinte durante todo o desenvolvimento da obra. Entre versos semi-declamados, Mautner canta sobre um Brasil ora fantástico e esperançoso, ora realista e perturbador. Composições montadas a partir de figuras religiosas, seres mitológicos e, principalmente, pessoas reais. São nomes como Marielle Franco, Anderson Gomes, José Bonifácio, Dona Catulina e Joaquim Nabuco. Personagens que surgem e desaparecem a todo instante, ampliando o campo de atuação da obra, sempre centrada no forte discurso político do compositor. Leia o texto completo.

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Juliana Perdigão
Folhuda (2019, Circus)

O incerto é parte substancial do trabalho de Juliana Perdigão em Folhuda (2019, Circus). Inaugurado pela poesia sarcástica de Mulher Limpa (“Uma mulher brava / Não é uma mulher boa / E se ela é uma mulher boa / Ela é uma mulher limpa“), composição que se abre para o coro de vozes femininas orquestrado por nomes como Tulipa Ruiz, Ava Rocha e Iara Rennó, o registro de 12 faixas muda de direção a todo instante. Frações de ideias que se convertem em atos grandiosos, sempre turbulentos, ou mesmo blocos instrumentais que se esfarelam de forma a revelar um conjunto de experiências melódicas, sempre sensíveis. Exemplo disso está na segunda música do álbum, Torresmo, colaboração com Arnaldo Antunes que se revela ao público em pequenas doses. São camadas de guitarras e versos sobrepostos que servem de alicerce para o fechamento caótico da composição, proposta que vem sendo aprimorada pela cantora e compositora mineira desde o disco anterior, Ó (2016). Arranjos e vozes que encolhem e crescem a todo momento, como retalhos conceituais que se amarram dentro de uma mesma faixa, versatilidade que se reflete também na colorida Máquinas Líquidas, música composta a partir de fragmentos da obra de Paulo Leminski (1944 – 1989). Leia o texto completo.

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Julio Secchin
Festa de Adeus (2019, Independente)

Mais conhecido pelo trabalho como diretor dos clipes de Lucas Santtana, Silva e Leo Justi, o cantor, compositor e produtor carioca Julio Secchin passou parte da última década se revezando na produção de um limitado conjunto de músicas autorais. São faixas como o pop etéreo de Night Lights, colaboração com Maria Luiz Jobim, as batidas fortes de Dom Pérignon ou mesmo a curiosa Control, composição em que parece dialogar com as texturas eletrônicas e ambientações de nomes como Nicolas Jaar e demais representantes da cena estrangeira. Curioso perceber nas canções de Festa de Adeus (2019, Independente), primeiro álbum de estúdio do artista carioca, uma completa fuga do repertório entregue nos últimos anos. Como indicado no samba irônico de Bote, composição entregue ao público há poucos meses, cada fragmento da bem-sucedida estreia de Secchin encontra em elementos da música brasileira a base para um registro deliciosamente nostálgico e, ao mesmo tempo, atual. Leia o texto completo.

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Larissa Luz
Trovão (2019, Independente)

Três anos após o lançamento do político Território Conquistado (2016), obra em que discute empoderamento negro, racismo e ancestralidade feminina, Larissa Luz está de volta com um novo e necessário trabalho de estúdio. Em Trovão (2019, Independente), a cantora, compositora e atriz baiana segue exatamente de onde parou no último registro autoral, mergulhando na composição de um material dominado pelo peso das batidas, versos fortes e essência ritualística. “Macumba pop”, como resume o texto de apresentação, produto da criativa desconstrução estética que vem sendo aprimorada pela artista desde o primeiro álbum em carreira solo, Mudança (2012). Concebido em parceria com o produtor Rafa Dias, o trabalho de 13 faixas é, como a própria cantora explicou em entrevista, “um convite a conexão com a natureza mesmo partindo da vivência nos grandes centros urbanos“. Melodias, batidas e vozes que se projetam como “um chamado para a percepção e identificação das claves rítmicas que nasceram na África dentro de um contexto atual e futurista. Um elo entre passado e futuro. Algo novo sem ignorar o que fomos ou de onde partimos. Um manifesto contra qualquer prática violenta na direção das religiões de matriz africana“, completa. Leia o texto completo.

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Nego Gallo
Veterano (2019, Independente)

Inaugurado em meio a fragmentos de You Set My Heart On Fire (1975), de Tina Charles, e versos declamados que passeiam por referências como Os Mutantes, Maria Bethânia e Gonzaguinha, Veterano (2019, Independente) diz a que veio logo nos primeiros minutos do interlúdio Venha em Chamas. São versos e batidas cadenciadas que se entrelaçam sem pressa, indicando o caminho assumido pelo rapper Nego Galo desde a boa fase no coletivo Costa a Costa. Um misto de reggae, rap, funk e trap que se articula de forma ainda mais precisa na segunda composição do disco, a política No Meu Nome. Trata-se de uma colaboração com o velho parceiro Don L e uma narrativa crua da violência policial, criminalidade e caos social que toma conta da periferia de Fortaleza, ponto de conexão entre as músicas do álbum. Passada a rima sóbria de No Meu Nome, batidas quentes arremessam o ouvinte para dentro de O Bagui Virou. Uma clara reflexão sobre o trabalho do próprio Gallo e a importância da música como agente transformador na carreira do artista cearense – “Coisas nas ruas que fazem de você um homem / Grana, gramas, moças, armas, dramas, mortes / Quando eu canto, meus pecados somem“. Inserções contemplativas que encontram nas ruas, personagens e acontecimentos reais o principal componente criativo para o fortalecimento dos versos, direcionamento também explícito na faixa seguinte, Onde Há Fogo Há Fumaça – “A TV fala mal, tá dizendo nada / Gente de bem mora aqui / Eu cresci com esses caras“. Leia o texto completo.

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O Terno
Atrás/Além (2019, Risco)

Nostalgia da novidade, saudades do futuro“. A dualidade explícita nos versos de Passado / Futuro, penúltima composição de Atrás/Além (2019, Risco) sintetiza com naturalidade a relação de Tim Bernardes (voz, pianos, guitarra) com a passagem do tempo, alicerce criativo para grande parte das canções presentes no quarto álbum de estúdio do grupo paulistano O Terno. Sequência ao bem-sucedido Melhor Do Que Parece (2016), o trabalho completo pela presença de Biel Basile (bateria) e Guilherme D’Almeida (baixo) encontra em memórias de um passado ainda recente, conflitos existencialistas e na melancolia da vida adulta um doloroso exercício temático. Conceito que não apenas traduz as principais angústias de seus realizadores, como dialoga diretamente com o ouvinte. “Quero descansar, mas também quero sair / Quero trabalhar, mas quero me divertir / Quero me cobrar, mas saber não me ouvir / Quero começar, mas quero chegar no fim“, canta em Pegando Leve, um olhar curioso sobre o inconstante fluxo do nosso tempo, a ausência de certeza que sufoca a geração millennial e a necessidade de amadurecer. Versos marcados pela constante sensação de deslocamento, conceito que vem sendo aprimorado pela banda desde o primeiro álbum de estúdio da carreira, 66 (2012), mas que alcança novo e delicado refinamento nas canções do presente álbum. Leia o texto completo.

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Rakta
Falha Comum (2019, Nada Nada / Dama da Noite)

Classificar o som produzido pelas integrantes do Rakta está longe de parecer uma tarefa simples. Entre abstrações eletrônicas, ruídos e vozes fantasmagóricas, cada novo registro autoral do grupo composto por Carla Boregas (baixo), Paula Rebellato (sintetizadores e voz) e Maurício Takara (bateria e percussão) não apenas perverte a própria identidade musical, como sutilmente distorce tudo aquilo que a banda — antes completa pela baterista Nathalia Viccari —, vinha experimentando desde os primeiros experimentos em estúdio. Não por acaso, cada nova canção entregue pelo trio em Falha Comum (2019, Nada Nada / Dama da Noite), mais recente álbum de estúdio da banda, convida o ouvinte a se perder em um universo marcado pela incerteza das formas instrumentais e versos. Do momento em que tem início, na autointitulada faixa de abertura, perceba como o trio parece mudar de direção a todo instante, detalhando camadas de vozes, ambientações e ruídos eletrônicos que encolhem e crescem de forma sempre irregular, torta, ampliando os domínios da obra. Leia o texto completo.

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Tantão e os Fita
Drama (2019, QTV).

O caos reina nas canções de Drama (2019, QTV). Sequência ao experimental Espectro (2017), obra que apresentou ao público o trabalho de Carlos Carlos Antônio Carlos Mattos, o Tantão, em parceria com a dupla de produtores formada por Abel Duarte e Cainã Bomilcar, os Fita, o registro de apenas sete faixas encontra na crueza das rimas e pequenas corrupções estéticas a base para um dos projetos mais inventivos da presente cena carioca. Frações poéticas que discutem racismo, caos urbano e pequenos delírios pessoais de forma sempre provocativa, insana, como uma extensão natural de tudo aquilo que o artista vinha produzindo em sua antiga banda, a Black Future. Exemplo disso está na autointitulada faixa de abertura do disco. São pouco menos de seis minutos em que colagens eletrônicas, batidas e sintetizadores tortos se abrem para a inserção dos versos lançados por Tantão. “Crise nas infinitas terras / Infinitas são as dores / E a dor não para / E a dor não para / Não para, não para, não para, não“, despeja em um misto de dor e libertação. Ideias que se entrelaçam de forma propositadamente irregular, conceito que ganha ainda mais destaque na faixa seguinte do álbum, Vai Não Volta, um som anárquico que parece dialogar com o rap industrial do Death Grips e demais representantes da cena estrangeira. Leia o texto completo.

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Terno Rei
Violeta (2019, Balaclava Records)

Ouvir as canções de Violeta (2019, Balaclava Records) é como se deparar com o produto final de um lento processo de amadurecimento criativo. Terceiro álbum de estúdio do grupo paulistano Terno Rei, o sucessor do bom Essa Noite Bateu Com Um Sonho (2016) traduz de maneira simples tudo aquilo que a banda – hoje composta por Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) –, vem produzindo desde o início da carreira, com Vigília (2014). Canções de amor, conflitos existencialistas e instantes de breve celebração que se articulam de maneira honesta, sempre tocante, como um permanente diálogo entre os integrantes da banda e o próprio ouvinte. A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do grupo está no teor esperanço, quase sorridente, que serve de sustento aos versos. “E quero me jogar nesse azul / No infinito destes braços / Pois aqui me sinto livre / Eu aqui me sinto em casa / Eu aqui me sinto inteiro“, cresce a voz de Sater em Yoko, faixa de abertura do disco e um precioso indicativo da mudança de direção que orienta a experiência do ouvinte. De fato, poucas vezes antes o som produzido pela Terno Rei pareceu tão acessível, pop. Das harmonias de vozes trabalhadas em composições como Medo (“Quem não tem mais medo sou eu“), passando pelas guitarras de Solidão de Volta, música que aponta para os anos 1980, cada elemento do disco parece pensado para seduzir o público médio sem grandes dificuldades. Leia o texto completo.

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Thiago Pethit
Mal dos Trópicos (2019, Independente)

Thiago Pethit passou a última década brincando com a (des)construção da própria identidade criativa. Da atmosfera intimista e clima de cabaré que embala o inaugural Berlim, Texas (2010), passando pela forte teatralidade do bem-recebido Estrela Decadente (2012) ao diálogo com o glam rock de David Bowie e Lou Reed, em Rock’n’roll Sugar Darling (2014), cada novo registro de inéditas entregue pelo músico paulistano parece transportar o ouvinte para um território parcialmente transformado, estrutura que volta a se repetir nas canções do melancólico Mal dos Trópicos (Queda e ascensão de Orfeu da Consolação) (2019, Independente). Primeiro registro de inéditas do cantor em cinco anos, o trabalho que conta com produção de Diogo Strausz (Alice Caymmi, Mahmundi) não apenas se distancia Pethit do rock nostálgico detalhado no álbum que o antecede, como reflete o lado mais sombrio do músico paulistano. “Eu não escrevo canções de amor. Mas canções sobre a ausência ou sobre a falta do amor. Sobre o abandono, o pedido de retorno, o lamento e a dor. Quando escrevo sobre amor, escrevo mais sobre mim do que sobre o outro. É sobre a solidão mais do que sobre amar“, escreveu no texto de apresentação da obra, apontando a direção seguida até o último verso do trabalho. Leia o texto completo.

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YMA
Par de Olhos (2019, Matraca / YB Music)

Em um universo de artistas embriagados pelo espírito nostálgico da década de 1980, Yasmin Mamedio parece seguir um caminho particular. Sem pressa, a cantora e compositora paulistana passou os últimos meses presenteando o público com uma série de composições inéditas. Fragmentos, como a curiosa e propositadamente irregular Sabiá, ou mesmo o rock empoeirado de Summer Lover, colaboração com Gab Ferreira e um esboço claro do material que se revela por completo no primeiro álbum de estúdio da artista, o delirante Par de Olhos (2019, Matraca / YB Music). Misto de passado e presente, o trabalho dança pelo campo das ideias de forma a extrair os principais sentimentos, angústias e confissões românticas que invadem a mente da cantora. “Vamos fugir juntos / Que o tempo é curto / E eu não quero mais morrer / Eu quero dançar com você”, clama na já conhecida Vampiro, um dream pop fantasmagórico que parece apontar parte da direção seguida pela artista durante toda a execução da obra. São versos confessionais, sensíveis, estímulo para a fina base instrumental que se revela ao público em pequenas doses, proposta que força uma audição atenta por parte do ouvinte, convidado a se perder pelo imenso labirinto de ideias que serve de sustento ao registro. Leia o texto completo.