Os 25 Melhores Discos Internacionais de 2018 (Até Agora)

 

Poucos dias após o lançamento da nossa lista com os 25 Melhores Discos Brasileiros de 2018, preparamos um seleção com os principais registros internacionais do ano. Para a montagem do especial, fomos em busca dos trabalhos que passaram pela nossa sessão de Melhores Discos, além, claro, de registros que tiveram uma avaliação positiva em nossas resenhas. Do pop futurístico de SOPHIE, ao dream pop psicodélico do Beach House, relembre alguns dos principais discos do primeiro semestre:

 

A.A.L (Against All Logic)
2012 – 2017 (2018, Other Music)

Em outubro de 2016, enquanto comentava o processo de produção do elogiado Sirens, segundo álbum em carreira solo, Nicolas Jaar disse em uma extensa entrevista à Crack Magazine se divertir com a repercussão da mídia em torno de cada novo invento autoral assinado pelo produtor nova-iorquino. “Eu sempre acho graça quando as publicações dizem coisas como ‘o primeiro single de Nicolas Jaar em três anos’, quando eu lanço diversos trabalhos com diferentes nomes“, respondeu enquanto citava algumas de suas principais criações. De fato, em um intervalo de uma década, quando começou a se apresentar profissionalmente, o que não faltam são composições espalhadas em uma variedade de projetos paralelos. Ainda que o trabalho como Darkside, projeto assinado em parceria com o multi-instrumentista Dave Harrington, tenha recebido maior destaque por parte da imprensa, vide a boa repercussão do álbum Psychic (2013), sobram experimentações e diálogos com diferentes artistas, como a frequente contribuição para o trabalho da cantora Sasha Spielberg, filha do cineasta Steven Spielberg. Leia o texto completo.

 

Amber Mark
Conexão (2018, PMR / Virgin EMI)

Em um intervalo de poucos meses, Amber Mark foi de uma personagem desconhecida da cena nova-iorquina, para uma das vozes mais requisitadas do novo pop/R&B. Da parceria com o produtor britânico Wilma Archer, em Like a Hunger, passando pelo bem-sucedido encontro com a dupla DJDS, na quente Trees On Fire, ao recém-anunciado trabalho em parceria com o coletivo Dirty Projectors, sobram contribuições e passagens da artista pela obra de diferentes colaboradores. Curioso perceber em Conexão (2018, PMR / Virgin EMI), segundo e mais recente EP de inéditas da cantora, uma obra que se distancia desse universo plural para mergulhar em um ambiente conceitualmente homogêneo, contido. Claramente inspirada pelo soul, pop e R&B produzido entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990, Mark desacelera, transformando a própria voz em uma ferramenta de exposição sentimental e diálogo imediato com o ouvinte. Leia o texto completo.

 

Amen Duns
Freedom (2018, Sacred Bones)

Damon McMahon passou os últimos dez anos se revezando na produção de diferentes obras como Amen Dunes. Entre captações caseiras que deram vida ao inaugural D.I.A. (2009), trabalho gravado inteiramente dentro de um trailer, e passagens por diferentes estúdios nova-iorquinos, de onde fez brotar o maduro e musicalmente bem-resolvido Love (2014), cada novo álbum de inéditas do músico norte-americano parece transportar o ouvinte para dentro de território completamente remodelado, produto de um lento processo de amadurecimento do artista. Com base nesse breve retrospecto, não chega a ser uma surpresa que Freedom (2018, Sacred Bones), quinto e mais recente álbum de inéditas como Amen Dunes, seja justamente o trabalho em que McMahon alcança seu melhor desempenho. Foram três anos de produção, incursões por diferentes estúdios — como o lendário Electric Lady, por onde passaram nomes como Jimi Hendrix, Frank Ocean e Stevie Wonder —, além de parceria com representantes vindos de diferentes campos da música. Leia o texto completo.

 

Beach House
7 (2018, Sub Pop)

Não seria uma surpresa se depois de uma década de carreira, Victoria Legrand e Alex Scally sufocassem pelo peso da própria obra. Mesmo entregue ao permanente reinvento da identidade artística — vide a boa sequência montada com  Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars —, desde o ápice, em Teen Dream (2010) e Bloom (2012), a dupla original de Baltimore, Maryland, parece dar voltas em torno de um mesmo ambiente criativo. Não por acaso, no último ano foi apresentada a coletânea B-Sides and Rarities (2017), uma limpeza de repertório, como uma despedida de tudo aquilo que vem sendo produzindo pelo duo desde o primeiro registro em estúdio. Soprada a poeira dos antigos projetos, Legrand e Scally entraram em estúdio para a gravação do sétimo álbum de inéditas do Beach House, 7 (2018, Sub Pop / Bella Union). “Queríamos repensar métodos antigos e abandonar algumas limitações auto-impostas. No passado, limitávamos nossa escrita a partes que pudéssemos realizar ao vivo. Em 7, decidimos seguir o que veio naturalmente“, explica o texto de apresentação da obra, indicando o esforço e completo desejo da dupla em se reinventar dentro de estúdio. Leia o texto completo.

 

Beyoncé / Jay-Z
Everything Is Love (2018, Parkwood / Columbia / S.C / Roc Nation)

Estranho pensar que Everything Is Love (2018, Parkwood / Columbia / S.C / Roc Nation) seja apenas o primeiro registro colaborativo de Beyoncé e Jay-Z. Parceiros na vida e em estúdio, o casal que aqui se apresenta sob o título de “The Carters”, passou as últimas duas décadas se revezando em uma série de composições essenciais para o hip-hop, pop e R&B norte-americano. De hits como Crazy in Love e Déjà Vu, passando pelo completo amadurecimento em Drunk In Love e Family Feud, sobram atos significativos que fizeram do casal um dos mais importantes da história recente da música. É justamente dentro desse universo tão sensível quanto turbulento que a dupla estabelece o alicerce criativo para cada uma das nove faixas do registro — dez na versão exclusiva do Tidal. Uma poderosa plataforma para a confessar os próprios sentimentos, desilusões e, principalmente, conquistas geradas a partir dessa união, como um fechamento da trilogia inaugurada em Lemonade (2016) – obra que levantou a suspeita de uma possível traição de Jay-Z, e completa pelo pedido de desculpas do rapper durante o lançamento do autoral 4:44 (2017). Leia o texto completo.

 

Car Seat Headrest
Twin Fantasy (2018, Matador)

Mesmo que tenha tido relativo sucesso com o lançamento de Teens of Style, em 2015, foi somente com a chegada de Teens of Denial, no ano seguinte, que Will Toledo conquistou uma parcela ainda maior do público e merecido destaque em diferentes publicações. Todavia, para além do limitado repertório acumulado nos dois últimos trabalhos, sobram composições e obras produzidas de forma independente pelo músico norte-americano desde o início da carreira. Registros de sonoridade caseira, quase artesanais, porém, tão intensos e criativos quanto qualquer obra recente do Car Seat Headrest. É o caso de Twin Fantasy. Originalmente apresentado em novembro de 2011, o trabalho produzido e gravado por Toledo acaba de passar por uma criativa revisão pelo músico. Na contramão de outros projetos do gênero, o guitarrista norte-americano decidiu não apenas remasterizar e lançar o disco em formato físico, agora distribuído pelo selo Matador Records, como acabou regravando todas as canções do álbum, garantindo maior polimento ao material. Leia o texto completo.

 

DJ Koze
Knock Knock (2018, Pampa

Knock Knock (2018, Pampa) é uma viagem. Do momento em que tem início, na etérea Club der Ewigkeiten, até alcançar a derradeira Drone Me Up, Flashy, cada fragmento do terceiro álbum de inéditas do produtor germânico Stefan Kozalla, o DJ Koze, parece transportar o ouvinte para um território completamente novo, mágico. São colagens atmosféricas, samples, batidas e vozes que flutuam por entre décadas de referências e pequenas variações rítmicas, tornando a experiência do ouvinte sempre inusitada. Sequência ao material entregue pelo produtor em Amygdala (2013), além, claro, da bem-sucedida colaboração na série DJ-Kicks, lançada em 2015Knock Knock brinca de forma propositada com a estranheza das formas e arranjos instrumentais. Um misto de delírio lisérgico (Music on My TeethSeen Aliens) e iluminação religiosa (Lord Knows, Jesus) que se reflete na lenta desconstrução de cada elemento ou ritmo detalhado pelo artista, como um passeio musical pela mente insana de Kozalla. Leia o texto completo.

 

Father John Misty
God’s Favorite Customer (2018, Sub Pop)

Depois de um longo período de espera, Alex Turner e os parceiros de banda do Arctic Monkeys voltaram com o conceitual Tranquility Base Hotel & Casino (2018). Primeiro registro de inéditas do quarteto britânico em um intervalo de cinco anos, o álbum utiliza de um cenário fictício — um hotel futurístico localizado no Mar da Tranquilidade, onde, em 1969, pousou o módulo lunar da Apollo 11 —, para discutir temas como o descontentamento com a fama, a necessidade em evoluir criativamente e o melancólico isolamento de qualquer indivíduo. Interessante perceber nas canções de God’s Favorite Customer (2018, Sub Pop), quarto e mais recente álbum de Josh Tillman como Father John Misty, uma obra que claramente se apoia nos mesmos temas e reflexões intimistas, porém, se esquiva da poesia morosa de Turner. Dois registros conceitualmente próximos, porém, trabalhados de formas completamente diferentes, afinal, enquanto Turner busca dar significado a versos ocos, ocultando informações de forma enigmática, Tillman revela muito mesmo na simplicidade das letras. Versos angustiados que se projetam em um cenário real — o Bowery Hotel, em Nova York, onde o músico passou grande parte de 2017 isolado. Mesmo a base instrumental do disco, delicada, partilha da mesma essência nostálgica do grupo inglês. São melodias polidas e temas orquestrais que refletem a sofisticação de Harry Nilsson, Randy Newman e Scott Walker em diferentes clássicos espalhados pela década de 1970. Leia o texto completo.

 

Hookworms
Microshift (2018, Domino)

Quer entender a força criativa e profunda relevância de Brian Eno para a música atual? Ouça Microshift (2018, Domino). Terceiro álbum de estúdio do Hookworms, o sucessor do maduro The Hum (2014) mostra o propositado afastamento da banda original de Leeds, Inglaterra, do garage-rock-psicodélico testado nos primeiros inventos autorais. Trata-se de um imenso labirinto sensorial e nostálgico, como um olhar curioso para a música, conceitos e experiências que abasteceram o cenário musical nos anos 1970. Feito para ser ouvido sem cortes ou possíveis interrupções, da primeira à ultima faixa, o registro faz de cada composição um precioso alicerce para a música seguinte. Em uma arquitetura pré-definida, sintetizadores e guitarras climáticas se posicionam de forma complementar e ritmada, guiando a experiência do ouvinte. O resultado está na construção de uma obra crescente e coesa, como se cada fração desempenhasse um papel fundamental para a narrativa poética/instrumental detalhada pela banda. Leia o texto completo.

 

Iceage
Beyondless (Matador)

A jovialidade explicita nos inaugurais New Brigade (2011) e You’re Nothing (2013) pode ter ficado para trás, entretanto, o claro amadurecimento na composição dos arranjos e, principalmente, versos assinados por Elias Bender Rønnenfelt trouxe novo significado (e frescor) ao som produzido pelo Iceage. Do punk sujo dos primeiros discos, a ponte para um ambiente claustrofóbico, denso e cada vez mais pessoal, cuidado que se reflete de maneira explícita no quarto álbum de inéditas da banda dinamarquesa, Beyondless (2018, Matador). Onde antes brotavam versos curtos e niilistas, vide a crueza detalhada em faixas como Collapse e Broken Bones, hoje crescem poemas lentos e angustiados, sempre intimistas. “Eu disse que você precisa disso, você precisa disso, você precisa disso novamente / Confie em mim, essas emoções arbitrárias nunca te deixarão transcender / Faça-me verdadeiro“, clama a voz embriagada de Catch It, música em que Rønnenfelt deixa crescer o eu lírico melancólico que serve de base para toda a execução do trabalho. Leia o texto completo.

 

Janelle Monáe
Dirty Computer (2018, Wondaland / Bad Boy / Atlantic)

A imagem robótica de Cindi Mayweather, personagem que vem sendo explorada por Janelle Monáe desde o primeiro trabalho de estúdio, o EP Metropolis: Suite I (The Chase) (2007), talvez sirva como um indicativo do rico conceito que abastece a obra da cantora e compositora norte-americana, entretanto, há muito parece sufocar a verdadeira identidade da artista. “O público não conhece Janelle Monáe, e eu senti que realmente não precisava ser ela porque eles estavam bem com Cindi“, explicou em entrevista ao The New York Times. Entretanto, com a morte precoce do mentor e uma de suas principais referências criativas, o músico Prince (1958 – 2016), com quem vinha trabalhando em estúdio, Monáe se viu forçada a repensar diversos aspectos a própria carreira. “Eu não podia fingir ser vulnerável. Eu sabia que precisava fazer esse álbum, e adiei porque o assunto é Janelle Monáe“, respondeu. O resultado desse confesso desejo de mudança se reflete na honestidade dos versos em Dirty Computer (2018, Wondaland / Bad Boy / Atlantic), terceiro álbum de estúdio e o primeiro registro autoral desde que passou a se dedicar ao cinema – vide a presença em filmes como Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016) e Estrelas Além do Tempo (2016). Leia o texto completo.

 

Jeff Rosenstock
POST- (2018, Quote Unquote / Polyvinyl)

Com o lançamento de WORRY., em meados de 2016, Jeff Rosenstock conseguiu refinar, ainda que de forma anárquica, toda a crueza dos arranjos, guitarras e versos que vinha explorando desde a estreia com o caseiro I Look Like Shit (2012). Composições ancoradas em diferentes fases do rock norte-americano, como se passado e presente se encontrassem em um território de pequenas incertezas, estrutura que volta a se repetir em cada uma das dez faixas que abastecem o maduro POST- (2018, Quote Unquote / Polyvinyl). Quarto e mais recente álbum do guitarrista norte-americano em carreira solo, o trabalho inaugurado pela crescente USA resume na força da extensa composição a base para todo o restante da obra. São pouco mais de sete minutos em que Rosenstock muda de direção a todo momento, colidindo décadas de referências em uma arquitetura propositadamente instável. Instante em que o músico vai do punk nova-iorquino ao coro de vozes femininas, emulando um grupo de líderes de torcida frenéticas. Leia o texto completo.

 

Jon Hopkins
Singularity (2018, Domino)

Poucos artistas parecem entender e replicar de forma tão criativa e as ambientações eletrônicas criadas por Brian Eno quanto Jon Hopkins. Confesso seguidor do artista britânico, o produtor que já trabalhou ao lado de Eno em obras como Small Craft on a Milk Sea (2010) e Viva la Vida or Death and All His Friends (2008) continua a revisitar o passado de forma autoral, sempre curiosa, brincando com a lenta desconstrução do universo apresentado pelo veterano da cena inglesa entre o final dos anos 1970 e início da década seguinte. Quinto e mais recente álbum de inéditas produzido por Hopkins, Singularity (2018, Domino) talvez seja o trabalho em que toda essa relação com a música ambiente seja tratada de forma menos referencial e nostálgica, como se Hopkins encontrasse a própria identidade. Instantes de profunda calmaria que antecedem o formação das batidas, ruídos metálicos e fórmulas instrumentais guiadas em essência pela ruptura, como uma extensão natural de tudo aquilo que o produtor vem experimentando desde o álbum anterior, Immunity (2013). Leia o texto completo.

 

Kacey Musgraves
Golden Hour (2018, MCA Nashville)

Em um intervalo de poucos anos, Kacey Musgraves foi da jovem apaixonada que sussurrava confissões românticas nas canções de Same Trailer Different Park (2013), primeiro álbum de estúdio, para a rainha do baile conceitualmente detalhada no maduro Pageant Material (2015), segundo trabalho de inéditas da cantora. Um misto de passado e presente, fuga do óbvio e permanente busca por uma nova identidade artística, como se a artista de origem texana fosse do folk-rock explorado em meados da década de 1960/1970 ao country pop produzido no começo dos anos 2000. Terceiro e mais recente álbum de inéditas de Musgraves, Golden Hour (2018, MCA Nashville) – sequência ao material entregue na coletânea natalina A Very Kacey Christmas (2016) –, talvez seja o trabalho em que todo esse conjunto de referências e preferências poéticas/instrumentais se conectam e crescem com maior naturalidade. Um lento desvendar de ideias e tendências que não apenas preserva a essência romântica detalhado nos dois primeiros discos da cantora, como convida o ouvinte a se perder em um mundo de novas possibilidades. Leia o texto completo.

 

Kali Uchis
Isolation (2018, Rinse Records / Virgin EMI)

Kali Uchis poderia facilmente ser uma dessas artistas que passam grande parte da carreira se revezando em diferentes projetos até, inevitavelmente, cair no esquecimento. De Get You, bem-sucedida parceria com Daniel Caesar, ao frequente diálogo com o rapper Tyler The Creator, com quem colaborou na delicada See You Again, a cantora e compositora colombiana passou os últimos cinco anos se revezando em uma sequência de músicas dentro do trabalho de outros artistas. Fragmentos que agora se revelam como parte de um delicado exercício de aprimoramento para o material entregue no primeiro álbum solo da cantora, Isolation (2018, Rinse Records / Virgin EMI). Guiado pelo profundo desejo de mudança, o registro de 15 faixas não apenas amplia parte do repertório destacado durante o lançamento do EP Por Vida, de 2015, como consolida a estrutura versátil que tanto caracteriza o som proposto por Uchis. Em um intervalo de 46 minutos, tempo de duração da obra, a artista original de Pereira, na Colômbia, parece testar todas as possibilidades dentro de estúdio, costurando diferentes fórmulas instrumentais, ritmos e vozes com leveza e naturalidade. Leia o texto completo.

 

Kamasi Washington
Heaven and Earth (2018, Young Turks)

Heaven and Earth (2018, Young Turks) não é simplesmente um disco. É um evento. Do coro de vozes assumido por diferentes representantes da música negra dos Estados Unidos, passando pelo seleto time de instrumentistas que acompanham o saxofonista em estúdio – Thundercat, Terrace Martin, Tony Austin, Ronald Bruner, Jr., Cameron Graves, Miles Mosley e Brandon Coleman –, cada elemento do novo álbum de Kamasi Washington se projeta de forma grandiosa, catártica, como uma extensão madura do som incorporado pelo artista durante o lançamento do grandioso The Epic, de 2015. Talvez exigente em excesso para o ouvinte médio – são 16 composições extensas e mais de duas horas de duração –, o sucessor do EP Harmony of Difference (2017) naturalmente premia quem se aventura por entre suas faixas. Nada parece descartável, pelo contrário, todos os elementos do disco parecem pensados para atrair a atenção do público, como se da abertura, no juzz-funk-político de Fists of Fury, parceria com os veteranos Dwight Trible e Patrice Quinn, o espectador fosse magicamente conduzido até a derradeira Will You Sing, um resumo criativo de tudo aquilo que Washington possibilita crescer no restante da obra. Leia o texto completo.

 

Kanye West / Kid Cudi
Kids See Ghosts (2018, GOOD Music / Def Jam)

Em Kids See Ghosts (2018, GOOD Music / Def Jam), registro que também dá título ao “supergrupo” formado por West e Cudi, cada uma das sete composições serve de ponte criativa para o passado, porém, sempre guiadas pela novidade e fino toque de renovação. Do uso de samples extraídos de clássicos esquecidos do jazz/soul, como What Will Santa Claus Say (When He Finds Everybody Swingin’), de Louis Prima, em 4th Dimension, passando pela inserção dos versos, sempre caóticos e crescentes, tudo se projeta de forma a dialogar com a boa fase de West entre Graduation (2007) e MBDTF. Prova disso está na faixa de abertura do disco, Feel The Love. Pouco menos de três minutos em que a dupla recebe o convidado Pusha-T — com quem West trabalhou no recente Daytona (2018) —, para rimar sobre os problemas de saúde mental, depressão e forte instabilidade emocional vivida pelos próprios artistas últimos meses. “Eu ainda posso sentir o amor“, cresce a letra da canção enquanto batidas e vozes berradas se chocam a todo instante, como um indicativo de tudo aquilo que Kids See Ghosts reserva ao ouvinte. Um ato grandioso, completo pela presença de velhos colaboradores, caso de Justin Vernon (Bon Iver), Cashmere Cat, Francis and the Lights e Benny Blanco. Leia o texto completo.

 

Mount Eerie
Now Only (2018, P.W. Elverum & Sun).

A dor de uma separação brusca ocasionada pela morte pode até diminuir com o passar dos anos, entretanto, dificilmente será apagada. Prova disso está no mais novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano Phil Elverum como Mount Eerie, Now Only (2018, P.W. Elverum & Sun). Uma amarga reflexão sobre o luto, a necessidade em seguir em frente e a angustia da vida vazia passada a morte da esposa de Elverum, a ilustradora e musicista Geneviève Castrée (1981-2016). Sequência direta ao material apresentado há poucos meses no fúnebre A Crow Looked at Me (2017), uma carta de despedida do músico para Castrée, o trabalho de seis faixas delicadamente amplia o conceito sofredor detalhado pelo artista norte-americana. São atos longos, sempre descritivos e melancólicos, como se Elverum fizesse de cada experiência cotidiana, mesmo as mais ordinárias, um importante componente criativo para o fortalecimento poético da obra. Leia o texto completo.

 

Oneohtrix Point Never
Age Of
 (2018, Warp)

A grande beleza no trabalho de Daniel Lopatin como Oneohtrix Point Never está na completa imprevisibilidade de cada composição assinada pelo produtor. Em um território de pequenas incertezas, o artista nova-iorquino parece brincar com a interpretação do ouvinte, convidado a se perder em meio a fórmulas abstratas e rupturas estéticas que dialogam com diferentes campos da arte de forma autoral, sempre provocativa. Um contínuo desvendar da própria identidade artística, cuidado que se reflete na ambientação torta de Age Of (2018, Warp). Trabalho mais audacioso musicalmente de toda a carreira de Lopatin, o registro de 13 faixas parte sempre de uma estrutura linear para, lentamente, se perder um universo de ruídos e corrupções estéticas. Exemplo disso está na autointitulada faixa de abertura do disco. Concebida em meio a pianolas medievais, a canção parece flutuar entre passado e presente, costurando mais de cinco séculos de música de forma tão sensível quanto anárquica, proposta reforçada na solução ruidosa e manipulação de samples da compositora inglesa Jocelyn Pook nos instantes finais da canção. Leia o texto completo.

 

Parquet Courts
Wide Awake! (2018, Rough Trade)

É impressionante que mesmo depois de quatro bons álbuns de estúdio – Light Up Gold (2012), Sunbathing Animal (2014), Content Nausea (2014) e Human Performance (2016) –, os integrantes do Parquet Courts sejam capazes de reproduzir um som tão jovial, criativo e pulsante quanto o das primeiras composições autorais. Um permanente desvendar da própria identidade artística, transformação que se reflete a cada novo registro de inéditas da banda. Sexto trabalho na carreira do quarteto nova-iorquino, Wide Awake! (2018, Rough Trade) talvez seja o melhor exemplo desse constante reinvento do grupo. Primeiro registro de inéditas em dois anos, o trabalho de 11 faixas resume logo na inaugural Total Football parte da energia e força criativa que embala o trabalho da banda formada por A. Savage, Austin Brown, Sean Yeaton e Max Savage. Uma explosão de guitarras, batidas e versos políticos que parecem pensados para bagunçar a cabeça do ouvinte, estrutura que se revela de forma crescente até o último acorde de Tenderless, faixa de encerramento do disco. Leia o texto completo.

 

Pusha-T
Daytona (2018, GOOD Music / Def Jam)

Licenciada pelo custo de 85 mil dólares — valor pago do bolso do próprio Kanye West —, a caótica imagem de capa de Daytona (2018, GOOD Music / Def Jam), terceiro e mais recente álbum de inéditas de Pusha-T, diz muito sobre o universo de pequenos excessos que orienta o trabalho do artista. Trata-se de uma fotografia tirada no banheiro Whitney Houston, em 2006, durante um período de forte instabilidade emocional e constante luta contra as drogas por parte da norte-americana. “Caos organizado”, resumiu o rapper em entrevista. Sequência ao material apresentado em King Push – Darkest Before Dawn: The Prelude (2015), Daytona— o nome é uma “homenagem” ao Rolex Daytona, linha de relógios favorita do rapper —, se revela como uma obra atípica. São apenas sete faixas, parte expressiva delas produzidas individualmente por Kanye West, parceiro do rapper desde o fim das atividades do Clipse, antigo projeto de Pusha-T. Um repertório econômico, mas não menos expressivo que toda a sequência de músicas assinadas pelo artista desde My Name Is My Name (2013). Leia o texto completo.

 

Saba
Care For Me (2018, Saba Pivot)

Sem pressa, Tahj Malik Chandler passou os últimos seis anos se revezando em uma série de colaborações e obras autorais. Sob o título de Saba, o rapper norte-americano contribuiu para diferentes de músicas em parceria com Chance The Rapper – como Everybody’s Something, da mixtape Acid Rap (2013), Angels e SmthnthtIwnt, uma das canções produzidas para o debute do coletivo Donnie Trumpet & The Social Experiment, Surf (2015). Surgem ainda encontros com Noname (Shadow Man), Joey Purp (Cornerstore) e toda uma variedade de registros em carreira solo, entre eles, o bom Bucket List Project, de 2016. Curioso perceber em Care For Me (2018, Saba Pivot), trabalho em que o rapper mais se distancia desse colorido universo de referências, um nítido ponto de amadurecimento conceitual e poético. Trata-se de uma obra diminuta, por vezes claustrofóbica, como uma interpretação instrumental e lírica da imagem em preto e branco que estampa a capa do disco. Um produto da angústia, medos e completo isolamento do eu lírico/protagonista da obra. Leia o texto completo.

 

Snail Mail
Lush (2018, Matador)

Nós podemos ser qualquer coisa / Mesmo separados … Quem está em sua mente? / Não há mais jeito de mudar / Eu ainda vou te amar do mesmo jeito“. Consumida pela saudade, a poesia angustiada, ainda que irônica, de Pristine, funciona como um poderoso indicativo do som produzido por Lindsey Jordan no primeiro álbum como Snail Mail, Lush (2018, Matador). Uma coleção de faixas ancoradas em memórias ainda recentes, como um resgate melancólico da vida sentimental da artista nos últimos anos, mas que a todo momento parece dialogar com o ouvinte. Sequência ao material entregue em Habit EP (2016), cada faixa do presente disco se projeta de forma intimista, porém, livre do canto exageradamente doloroso de nomes como VagabonSoccer Mommye tantos outros nomes recentes do rock alternativo. Canções marcadas por relacionamentos desgastados, separações e o declarado isolamento do eu lírico, porém, sempre sorridentes e honestas, como se Jordan fizesse graça dos próprios conflitos. Leia o texto completo.

 

SOPHIE
Oil of Every Pearl’s Un-Insides (2018, Transgressive / Future Classics)

Da artista misteriosa que surgiu com o lançamento de Bipp e Lemonade, para uma das produtoras mais requisitadas do pop contemporâneo. Em um intervalo de poucos anos, a escocesa Sophie Xion deixou o estúdio caseiro onde vinha colaborando com Charli XCX e demais representantes do coletivo PC Music, para assinar canções em parceria com Madonna (Bitch, I’m Madonna), Vince Staples (Yeah Right) e demais nomes de peso da música. Um preparativo para a explosão de melodias tortas, ruídos eletrônicos e vozes carregadas de efeito que tomam conta do primeiro álbum de estúdio da artista, Oil of Every Pearl’s Un-Insides (2018, Transgressive / Future Classics). Concebido em um intervalo de quase dois anos, entre as brechas de outros projetos assinados por SOPHIE — como a produção do novo álbum da dupla Let’s Eat Grandma —, o registro de nove faixas dá um visível salto criativo em relação ao material entregue na coletânea Product, de 2015. Onde antes brotavam composições aleatórias, sempre guiadas pelo desejo da artista em brincar com a música pop, hoje borbulham criações tão experimentais quanto melódicas e conectadas conceitualmente. Leia o texto completo.

 

U.S. Girls
In a Poem Unlimited (2018, 4AD)

Com o lançamento de Half Free, em setembro de 2015, Meghan Remy parecia ter alcançado um novo estágio criativo, talvez o ápice da carreira como criadora e líder do U.S. Girls. Embora curioso e naturalmente íntimo de tudo aquilo que foi apresentado pela cantora e compositora desde o início do projeto, faixas como Damn That Valley, Woman’s Work e Window Shades pareciam indicar um maior refinamento por parte da artista, como um produto de toda a experiência acumulada pela musicista desde os primeiros inventos autorais. Satisfatório perceber em In a Poem Unlimited (2018, 4AD), sexto e mais recente álbum de inéditas da cantora norte-americana, um renovado posicionamento artístico. Do momento em que tem início em Velvet 4 Sale, música que poderia ser de David Bowie, até alcançar a derradeira Time, cada fragmento do registro parece transportar artista e público para um universo completamente transformado, novo, como uma lenta desconstrução do som originalmente explorado em Half Free. Leia o texto completo.


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