Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2011 [40-31]

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#40. The Field
Looping State Of Mind (Kompakt)

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Se a falta de crença foi o que se estabeleceu ao término de Yesterday and Today, com Looping State Of Mind o sueco The Field (Axel Willner) conseguiu não apenas aumentar nossas expectativas como promover mais um achado do Minimal Techno contemporâneo. Afastado das redundâncias que prejudicaram sua obra em 2009, o produtor concentra ao longo de uma hora todas as brilhantes experiências musicais que lhe garantiram destaque com o poderoso From Here We Go To Sublime de 2007, trabalho que ao lado do brasileiro Gui Boratto e a obra Chromophobia garantiram amplo destaque ao gênero dentro da música eletrônica atual. Entre loopings repetidos à exaustão e batidas presas a um compasso denso, Willner segue de maneira suave nos hipnotizando com um magnânimo jogo de projeções musicais assertivas, algo que se observa tanto na abertura pulsante de Is This Power como no fechamento “brando” de Sweet Slow Baby.

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#39. Sepalcure
Sepalcure (Hotflush)

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Com a extensa popularização do dubstep ao redor do globo e a necessidade de englobar cada vez mais novas referências e possibilidades ao gênero, o que garante sustento e um resultado mais do que satisfatório ao primeiro disco da dupla Sepalcure é justamente o contrário disso. Longe de qualquer resultado deveras inventivo, o duo nova-iorquino foi encontrar reforço nas velhas experiências ressaltadas por Burial e tantos outros grandes expoentes do estilo na última década, proporcionando um trabalho sério, convincente e “tradicional”, o que por conta disso acaba garantindo para a dupla certo ar de ineditismo. Entre faixas Pencil Pimp e See Me Feel Me, Travis Stewart e Praveen Sharma (também conhecidos como Machinedrum e Braille) acabam relevando uma sucessão de músicas assertivas, aproveitando cada segundo do disco para derreter vocais, explorar novos beats e apresentar ao público um trabalho minucioso e complexo.

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#38. Smith Westerns
Dye It Blonde (Fat Possum)

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Quem já havia se surpreendido com o Smith Westerns quando estes apresentaram ao final de 2010 o brilhante single Weekend talvez mal fosse capaz de imaginar o que ainda estava por vir no trabalho do grupo de Chicago. Distante da anarquia assumida que a banda anunciava no primeiro disco, o quarteto apresenta um projeto marcado pelo uso de versos melódicos, guitarras sujas (e harmônicas), além de toda uma soma de elementos que apenas configuram um toque jovial e explosivo ao disco. Primeiro grande lançamento do ano, o registro parece se evidenciar ainda maior ao final de 2011, como se todas as composições da banda pudessem ser observadas de forma ainda mais madura, com o grupo mantendo lá atrás aquele toque despojado que apenas eles são capazes de promover. Se alguém procura pro um trabalho fácil, mas que não soe de maneira boba, então Dye It Blonde é a escolha mais do que coerente para isso.

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#37. Death Grips
Exmilitary (Independente)

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Tolos são os que observam o hip-hop atual como se ele ainda fosse o mesmo exaltado no começo da década passada. Entre revoluções que modificaram o gênero por completo, talvez a maior mudança seja a ressaltada dentro de Exmilitary, primeiro trabalho do trio formado por Zach Hill (Hella), MC Ride e Flatlander (Andy Morin), um álbum que parece se revolucionar a cada segundo. Sujo, intenso e sufocante o disco parece montado para perverter todas as lógicas e estratégias do gênero, promovendo uma somatória de faixas caracterizadas pela crueza dos versos e principalmente das batidas. Se a psicodelia é o que caracteriza o também excelente Black Up do Shabazz Palaces, então com o Death Grips a marca maior fica por conta do caos, mecanismo que se estabelece como maior ferramenta da trinca de integrantes e elemento fundamental para o funcionamento de todo o registro.

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#36. Kurt Vile
Smoke Ring For My Halo (Matador)

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Para Kurt Vile o ano de 2011 foi de verdadeira consagração. Não mais ícone de um número bastante específico de ouvintes, o músico circulou com amplo destaque por toda a imprensa musical, resultado talvez óbvio da maturidade musical alcançada em Smoke Ring For My Halo, quarto e mais intenso trabalho da carreira do norte-americano. Menos focado na atmosfera badroom pop que delimitava seus primeiros álbuns, o registro se afunda em um universo de experiências marcadas pela psicodelia e um lo-fi cada vez mais límpido que praticamente afasta o artista das velhas experiências que o caracterizavam. Se instrumentalmente o músico amadurece, nos versos essa constatação é ainda maior, algo facilmente observado no romantismo sincero de Baby’s Arms, na densidade quase filosófica de Jesus Fever ou até no ambiente que o cerca, como destaca na ampla Society Is My Friend.

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#35. Clams Casino
Rainforest EP/Instrumental Mixtape (Tri Angle)

Se o ano pudesse ser representado em uma única figura, com certeza ela não seria Chirstopher Owens do Girls, Justin Vernon do Bon Iver ou muito menos o britânico sensação James Blake. O grande nome de 2011 foi ninguém menos que o norte-americano Mike Volpe, ou melhor, o alter-ego dele, Clams Casino. Representante mor da alvorada de registros com foco no Hip-Hop instrumental, Volpe esteve ao lado de um número mais do que relevante de discos ao longo de todo o ano, deixando uma marca totalmente expressiva no cenário alternativo – e até no mainstream. Seja na produção do primeiro álbum do comentado A$ap Rocky ao mais novo álbum do Main Attrakionz, passando pelo recente lançamento de Lil B, o produtor foi parte decisiva para que alguns dos melhores discos do ano alcançassem o status que conquistaram. Com Rainforest EP, primeiro concentrado de inéditas de Casino, não há decepção, apenas mais um conjunto de cinco faixas em que o produtor se assume como um dos mais originais personagens da música contemporânea, feito que ele justifica também com Instrumental Mixtape, registro em que revela algumas produções suas montadas diretamente para outros representantes do cenário musical.

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#34. Pictureplane
Thee Physical (Lovepump United)

É simplesmente notável a evolução de Travis Egedy entre o primeiro e o mais novo álbum do Pictureplane. Enquanto Dark Rift de 2009 parecia se aproveitar de maneira tímida da eletrônica suja que começava a despontar naquele momento, em Thee Physical o artista surge de maneira renovada, dono de composições marcadas pelo mesmo toque dançante de outrora, porém muito melhor exploradas e amplas. Witch House, Lo-Fi, Dark Electro, os rótulos não importam, o que vale aqui é a maneira como o produtor intercala vocais esquizofrênicos com batidas desprovidas de obviedade, transformando as 11 faixas do álbum em canções que estão para além das convenções normais da música eletrônica. Em pouco mais de 45 minutos, Egedy vai até a música pop da década de 90, trafega por darkismos contemporâneos, mergulha fundo nas drogas e sai de lá com um material vasto, capaz de funcionar tanto nas pistas, como fora delas.

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#33. A$ap Rocky
LiveLoveA$AP (RCA)

Aos desatentos, talvez A$ap Rocky seja apenas mais um pequenos “fenômeno” do hip-hop como tantos outros que diariamente se revelam com destaque pela blogosfera. Logo, uma rápida audição do primeiro álbum do músico é algo mais do que suficiente para absorver tudo que o nova-iorquino pretende repassar. Já aos que observam atentamente, A$ap está muito além de um mero produto descartável da industria cultural. Com pouco mais de 20 anos, Rocky não é uma das grandes apostas do cenário musical à toa. Seus versos estão muito além das redundâncias que se revelam repetidamente a cada trabalho lançado em solo norte-americano, com o rapper quebrando os paradigmas de que pouca idade não é sinônimo de sabedoria ou qualidade. Acompanhado de uma escolha consciente e assertiva de grandes produtores (que incluem o badalado Clams Casino), A$ap transforma LiveLoveA$AP em um trabalho que está além de uma mera aposta ou um descartável sucesso passageiro.

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#32. Gang Gang Dance
Eye Contact (4AD)

Os quase dez anos de produções ininterruptas que o Gang Gan Dance tanto promoveu com músicas sempre marcadas pela psicodelia e pela experimentação parece ter se encaminhado para um único ponto, Eye Contact. Quinto registro oficial do coletivo nova-iorquino, o trabalho se manifesta como uma complexa síntese de tudo que o grupo já desenvolveu ao longo da última década, amarrando tanto as aproximações eletrônicas do álbum Saint Dymphna de 2008, as passagens pela World Music em God’s Money, como a lisergia incontida de Revival of the Shittest. Cada segundo do trabalho é marcado pela multiplicidade de sons, como se toda música fosse na verdade uma discografia inteira condensada em poucos minutos ou míseros segundos. Chapado, mágico e hipnótico, o registro possibilita ao ouvinte uma viagem por diferentes universos e dimensões musicais e físicas, tudo isso ao alcance de simples fones de ouvido.

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#31. Toro Y Moi
Underneath The Pine/Freak Out EP (Carpark)

Não há como observar a produção de Chazwick Bundick no decorrer do ano sem analisar Underneath The Pine e Freak Out EP como um trabalho único. Enquanto o primeiro mantém uma forte conexão com o projeto anterior do músico – Causers of This, de 2010 – ao mesmo tempo em que apresenta todo um mundo de possibilidades em relação ao som do artista, o segundo nos permite desbravar de maneira formidável esse universo imaginário, evidenciando uma nova face do produtor. Lentamente Bundick nos distancia das reverberações flutuantes de outrora para nos posicionar dentro de um contexto acessível, um ambiente em que a psicodelia e versos essencialmente comerciais partilham de uma mesma experiência e são observados dissolvidos de forma concisa e competente. Radiofônico (dentro de seus limites) Toro Y Moi segue revelando canções marcadas pela fluidez pop, algo que New Beat, Go With You e Freaking Out e demais composições acabam revelando, com o músico rompendo com quaisquer prováveis limites da Chillwave.

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