Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2011 [30-21]

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#30. Frank Ocean
Nostalgia, Ultra (Independente)

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Enquanto todos os olhares voltados ao coletivo OFWGKTA pareciam focar na imagem do líder Tyler, The Creator, eis que surge o discreto Frank Ocean e acaba roubando para si todas as atenções. Longe das esquizofrenias que os demais parceiros do grupo parecem evidenciar e se aventurando de maneira consciente pelos campos do R&B, o rapper de 24 anos mostra ao longo de 42 minutos todos os motivos de ser uma das figuras mais comentadas do hip-hop contemporâneo. Assumidamente romântico e detentor de uma série de hits essencialmente radiofônicos – difícil desvencilhar da acessibilidade de Novacane e Strawberry Swing -, o californiano abre as portas para um dos trabalhos mais bem sucedidos do ano. Sampleando Coldplay, Radiohead e MGMT, Ocean vai aos poucos destilando todas suas dores, entregando o coração às mulheres e até discutindo o sagrado matrimônio enquanto Hotel California (dos Eagles) ecoa ao fundo.

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#29. Julianna Barwick
The Magic Place (Asthmatic Kitty)

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O que é necessário para o desenvolvimento de um bom trabalho? Solos de guitarras flamejantes, letras exploradas de maneira épica em que o lirismo é a chave para todo o registro, ou quem sabe apenas simplicidade. No caso da norte-americana Julianna Barwick foram necessários apenas voz e efeitos para que a musicista pudesse concretizar sua primeira grande obra. Com apenas estes dois elementos a nova-iorquina conseguiu criar todo um mundo de novas referências musicais, um trabalho que está além, muito além de um mero tratado de exaltações etéreas e como o próprio título aponta parece revelar um lugar mágico e talvez além da nossa própria realidade. Místico, religioso, experimental ou estranho, não importam as denominações que você tente apontar ao álbum, entre sobreposições de vozes e ruídos de uma música drone angelical, Barwick acaba reproduzindo um resultado onde a beleza se confunde com o excêntrico, reproduzindo assim um tratado da mais pura comoção. É a música New Age para os hipsters.

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#28. Peaking Lights
936 (Not Not Fun)

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Um disco para ser apreciado (ou tragado) do princípio ao fim sem interrupções. Assim é o lisérgico álbum de estreia do casal Indra Dunis e Aaron Coyes de Peaking Lights. Embalados por uma nostalgia semi-hippie que transpassa os campos da música psicodélica, dub e algumas pitadas de drone, o duo atravessa décadas e transpassa distintos terrenos musicais em busca de uma musicalidade acolhedora e quase bucólica em alguns momentos. Lo-Fi por questões técnicas (e não por uma escolha da dupla), o disco apresenta desde faixas mais curtas e amarradas em uma doce estrutura melancólica (Hey Sparrow) até canções mais extensas que de forma ou outra acabam aproximando a dupla de uma sonoridade mais eletrônica e variada (Marshmellow Yellow), transformando 936 em um dos trabalhos mais doces e completos que o ano de 2011 pode proporcionar. Deixe a correria do mundo para lá e sejam bem vindos ao espaço acolhedor que Dunis e Coyes prepararam para você.

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#27. Neon Indian
Era Extraña (Static Tongue)

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Alan Palomo sabia que não poderia retornar com o sucessor de Psychic Chasms plagiando as mesmas referências musicais de 2009, quando solitário cruzou programações lo-fi com colagens de sons veranis, fazendo nascer um dos melhores álbuns daquele ano. Resolvendo arriscar, o músico abandonou o lado essencialmente sintético de outrora para promover um trabalho em que surge acompanhado por uma banda, deixando o caráter eletrônico para revelar um rock lo-fi sujo e tão (ou mais) inventivo quanto em sua estreia. Visivelmente melancólico, o texano segue revelando uma série de composições em que reparte em pedaços ainda menores as dores latentes que o acompanham, fazendo nascer faixas como Hex Girlfriend, Polish Girl, Halogen (I Could Be A Shadow) e principalmente a sombria e amargurada Fallout. Houve quem não entendeu a mudança do artista, estes estão deixando de lado uma das maiores obras musicais do ano.

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#26. Balam Acab
Wander / Wonder (Tri Angle Records)

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Fisicamente Alec Koone é uma figura de baixa estatura e que transparece toda a timidez que carrega em apenas um olhar. Curioso observar que para Wander / Wonder, primeiro álbum do garoto sob a alcunha de Balam Acab acabamos nos deparando com uma situação completamente oposta ao aspecto físico do produtor. Mesmo imerso em um conjunto de fórmulas minimalistas e sobreposições de ruídos explorados de maneira quase silenciosa, o universo que parece se movimentar ao longo do disco acaba alcançando proporções inimagináveis. Desenvolvido de maneira minuciosa, o álbum se revela como uma espécie de passeio em um ambiente paralelo ao nosso, um tipo de panorama úmido, obscuro, mas ainda assim acolhedor – talvez reflexo das próprias sensações de Koone. Dividido entre a ambient music, incursões pela Witch House e até dubstep, o álbum se destaca por se afastar de quaisquer fórmulas óbvias, se revelando como um álbum vivo, que respira e se movimenta por si próprio.

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#25. Washed Out
Within and Without (Sub Pop)

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Movido por uma sonoridade marcada pelo erotismo, Ernest Greene, o homem à frente do Washed Out mostrou que todas as esperanças depositadas nele em 2009 – quando apresentou o EP Life of Leisure – não foram vãs. Maduro e dono de uma sonoridade melhor desenvolvida (e aprofundada) o produtor de Atlanta conseguiu transformar Within and Without em uma ode ao sexo sem os exageros e redundâncias que caracterizam trabalhos desse tipo. Trafegando pela música dos anos 80, se aprofundando no Balearic da década de 1990 e ainda próximo da Chillwave que ajudou a evidenciar no fim da década passada, Greene chega com um concentrado bem desenvolto de hits, nos envolvendo tanto com o romantismo essencial de Amor Fati, com a psicodelia sintetizada de Eyes Be Closed, ou mesmo por meio do erotismo peculiar de You And I.

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#24. Cut Copy
Zonoscope (Modular Recordings)

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Quem estava apreensivo com o fato de que talvez o Cut Copy não pudesse superar o formidável In Ghost Colours de 2008 pôde finalmente descansar quando em fevereiro deste ano o grupo australiano apresentou o sucessor de tão comentado álbum, Zonoscope. Partidário das mesmas experiências musicais ressaltadas pela banda em outras épocas, o álbum se aprofunda ainda mais no cruzamento entre a eletrônica dos anos 80 e a psicodelia controlada da década de 1960, desenvolvendo mais um conjunto de faixas capazes de botar abaixo qualquer pista em qualquer parte do mundo. Dos sintetizadores crescentes de Need You Now ao gigantismo de Sun God (com mais de 15 minutos de duração), o grupo mais uma vez mostrou por que é um dos grandes da cena eletrônica, apresentando um catálogo de sons tão vasto quanto o evidenciado há três anos. O Cut Copy está apenas começando, então que venham os próximos anos.

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#23. Jay-Z & Kanye West
Watch The Throne (Def Jam/Roc-A-Fella/Roc Nation)

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Há tempos o Hip-Hop não via um encontro musical tão impactante e comentado quanto o gerado pela parceria entre Jay-Z e Kanye West. Maiores vozes do rap mundial na última década (e também na atual), a dupla conseguiu deixar o imenso ego que carregam (ou parte dele) para desenvolver um álbum que assim como a capa do registro brilha e vale como ouro. Entre colaborações com o novato Frank Ocean, Beyoncé e Mr. Hudson, além de uma homenagem póstuma ao músico Otis Redding, o duo segue promovendo um registro grandioso em todos os aspectos, intercalando samples colossais, batidas fortes e versos escritos a quatro mãos que reforçam toda a relevância dos dois compositores. Entre diversas mudanças no cenário em que estão inseridos, com projetos marcados pela experimentação sendo cada vez mais valorizados dentro do hip-hop, West e Jay-Z conseguiram passear com destaque justamente ao promover um álbum que reforça as velhas características do gênero, demonstrando que o trono e as coroas ainda são deles.

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#22. WU LYF
Go Tell Fire To The Mountain (Independente)

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Quem observa a abertura suave da faixa L Y F, com órgãos trabalhados de maneira pacata e acolhedora mal imagina a ascendente inclusão de referências caóticas que chegarão logo em sequência. Explosivo, sufocante e épico, o primeiro álbum dos britânicos do WU LYF (uma sigla para World United Lucifer Youth Foundation) consegue em pouco mais de 40 minutos não apenas romper com toda a mesmice e obviedades que há décadas afundam o cenário inglês, como foram capazes de desenvolver (in)voluntariamente a trilha sonora para todos os protestos que tomaram conta de Londres e diversas outras capitais ao redor do mundo no decorrer do ano. Colando superfícies musicais sujas com guitarras irregulares e vocais apresentados de forma sempre crescente, o álbum se orienta como um hino para as guerrilhas urbanas, um disco que praticamente descarta o futuro e acaba focando no agora.

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#21. AraabMuzik
Electronic Dreams (Duke Productions LP)

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Imagine uma estação de rádio onírica voltada apenas para clássicos do hip-hop (e um pouco de música eletrônica) que embalaram as décadas de 80 e 90. Conseguiu imaginar? Não? Sem problemas, Abraham Orellana ou como prefre ser chamado AraabMuzik mostra como seria isso para você. Ao longo de 35 minutos ininterruptos o produtor norte-americano atravessa diferentes eras e gêneros musicais dentro de uma soma de acertos que fariam veteranos como DJ Shadow morrerem de inveja. Seguindo a mesma vertente do hip-hop instrumental que tem conquistado cada vez mais adeptos em solo norte-americano, porém se desvencilhando de um resultado demasiadamente experimental, Orellana converte cada uma das 11 faixas do disco em um material pronto para as pistas, prendendo tudo com a frase “You’re Not Listening AraabMuzik” (“você não está ouvindo AraabMuzik”) em uma tentativa de jogar com a mente do espectador.

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