Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2012

Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2012

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Frankie Rose

#50. Frankie Rose
Interstellar (Slumberland)

Do lançamento do primeiro álbum há dois anos – ainda acompanhada do The Outs –, até a chegada do presente trabalho, Frankie Rose passou por uma verdadeira transformação. As sonorizações outrora diminutas e relacionadas em alguma medida com o rock de garagem da década de 1970 passaram por modificações curiosas e necessárias, sendo acrescidas agora de teclados e melodias ainda mais abrangentes. As guitarras ainda estão lá, assim como as letras melancólicas e a estrutura pop ocasional, a diferença está na forma como a cantora organiza isso. Por vezes íntima dos entalhes lo-fi que decidem a obra de Ariel Pink’s Haunted Graffiti, ao mesmo tempo em que cria uma curiosa relação com o synthpop e os ritmos da década de 1980, Rose permite que cada composição seja transformada em algo maior do que aparenta ser, ocultando em cada fração um conjunto de harmonias sutis que se tornam íntimas do ouvinte. Tudo é posicionado de forma exata, como se fosse impossível visualizar Gospel/Grace sem as guitarras pontuais ou os teclados crescentes que conduzem a acolhedora Daylight Sky. Um disco de música pop simples e necessário.

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Lucifer#49. Peaking Lights
Lucifer (Weird World)

O Dub é pop. Longe de repetir os mesmos acertos que deram vida ao excelente 936, Indra Dunis e Aaron Coyes fizeram de Lucifer a morada de sons angelicais que praticamente abriram as portas do etéreo. Com uma abordagem muito mais detalhista e próxima das referências piscodélicas, o segundo álbum da dupla californiana vai além dos loopings sujos de outrora, encantando o espectador com a soma de referências doces, quase oníricas em alguns momentos. Diferente do que antes direcionava a proposta do Peaking Lights, em novo álbum o casal propõe a criação de um disco harmônico, como se todas as composições se encaminhassem para o todo, rompendo com a pluralidade por vezes inexata das velhas formas. Do passeio lisérgico de Beautiful Son ao reggae eletrônico de LO-HI (música que conta com a participação do filho do casal), cada faixa presente no disco é preenchida de forma hipnótica, como se a dupla derretesse os instrumentos e sons de forma a transformar tudo em um imenso lago colorido, bastando um único mergulho para que o ouvinte saia anestesiado.

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Crystal castles

#48. Crystal Castles
III (Fiction)

Alice Glass e Ethan Kath pareciam ter alcançado o ápice no último disco do Crystal Castles. Ou era o que parecia. Com o lançamento do terceiro álbum de estúdio a dupla canadense provou ser capaz de ir além dos próprios limites. Dono de uma proposta ainda mais sombria e experimental, III afasta o casal dos sintetizadores dançantes que guiaram a dupla há dois anos, firmando um resultado amplo e diversas vezes aterrorizante. Como se tivessem renascido do inferno, Glass e Kath se dividem entre a construção de vozes em eco e batidas tomadas pelo ruído, reforço que assume os rumos da faixa de abertura Plague e só chega ao fim no decorrer da tenebrosa Child I Will Hurt You. Tudo é sujo e invasivo, como se a década de 1980 fosse vista pelos olhos de bandas como HEALTH e Fuck Buttons. O som para as pistas ainda existe, contudo, pervertido e totalmente remodelado. III é provavelmente a melhor resposta para o que aconteceria se os membros do Sonic Youth trocassem as guitarras por sintetizadores e o rock pela música eletrônica.

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Azealia Banks#47. Azealia Banks
1991 EP/Fantasea Mixtape (Independente/Interscope)

Azealia Banks já havia tomado o mundo quando lançou no ano passado o hit boca suja 212. Dividida entre o Rap e a Eletrônica da década de 1990, a rapper nova-iorquina fez de dois “simples” registros uma confirmação de sua relevância dentro do hip-hop atual. Enquanto o EP de quatro faixas 1991 abre as portas para o que vamos encontrar no próximo ano, durante lançamento do primeiro grande álbum da cantora, a mixtape Fantasea deixa fluir o lado anárquico e, naturalmente, as fundamentais colaborações da artista. Acompanhada por nomes de peso da música eletrônica como Machinedrum, Lone, AraabMuzik, Diplo e Hudson Mohawke, Banks trouxe ao público o lado divertido do rap, sem que isso soe de maneira banal ou descartável. Dona faixas grudentas e boas apresentações ao vivo – mesmo com o curto repertório -, a nova-iorquina tem todo para se transformar em um dos maiores nomes do hip-hop desta década, competindo não apenas entre as mulheres, mas contra todos os homens.

Lone

#46. Lone
GalaxyGarden (R&S)

Por todos os cantos da música recente – rock, eletrônica ou pop -, a década de 1990 tem se revelado de maneira assertiva, como inspiração para uma infinidade de artistas. Pegando carona na mesma Intelligent Dance Music (IDM) construída por Aphex Twin e Boards of Canada e tantos nomes de destaque que decidiram a cena há duas décadas, Matt Cutler faz do quinto disco à frente do Lone o melhor e mais bem explorado trabalho da carreira. Como se estivesse em busca da sonoridade que entrega agora, o produtor britânico faz de cada nova música no decorrer de Galaxy Garden um passeio nostálgico e ao mesmo tempo futurístico. É como se o artista acrescentasse cor aos mesmos encaixes eletrônicos proclamados por Darren Cunningham nos álbuns do Actress, aproximando a sonoridade obscura das luzes, flashes e do clima quente das pistas. Um disco grandioso para a música atual e provavelmente um clássico para os próximos anos.

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The Men#45. The Men
Open Your Heart (Sacred Bones)

Se observarmos a estreia do The Men com Leave Home (2011) em relação ao recente Open Your Heart temos duas bandas completamente diferentes. A primeira soava próxima do noise, testando melodias e aprimorando ruídos de forma áspera, como se o grupo quisesse distancia do público – o que talvez até fosse verdade. Já com o lançamento do álbum de 2012 o resultado é completamente outro. Rápido, descompromissado e possivelmente cantarolável, o disco se desdobra em uma sucessão de faixas rápidas e até mesmo pegajosas, como se o quarteto desconstruísse as melodias de forma crua, para montar posteriormente de maneira semi-comercial, fácil aos ouvidos despreparados. Coberto pelos hits, o álbum entrega em músicas como Animal, Oscillation e Presence um formato novo ao punk, que mesmo íntimo da proposta inicial, revela todo um catálogo de novos acertos e referências. Fala-se muito sobre Japandroids, Cloud Nothings e outros grupos de peso que vêm reinventando o rock norte-americano, entretanto, é preciso reconhecer que com Open Your Heart o The Men alcançou um álbum tão bom quanto.

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Animal Collective#44. Animal Collective
Centipede Hz (Domino)

Merriweather Post Pavilion é e por enquanto será a maior obra já lançada pelo Animal Collective, entretanto, desconsiderar a grandeza de Centipede Hz, sucessor do clássico registro é um erro de imensa grandeza. Embora se valha de uma série de referências conquistadas há três anos, com o nono registro em estúdio o grupo nova-iorquino mais uma vez se transformou. Grandioso, esquizofrênico e tão colorido musicalmente quanto o álbum passado, o disco soa como se todas as faixas fossem Brother Sport, tamanha a intensidade e a natureza descomunal das canções. Dividido em momentos de extrema explosão (Today’s Supernatural) e instantes em que a suavidade ganha um caráter grandioso (Applesauce), o álbum brinca com todas as referências conquistadas pelo grupo há mais de uma década, comprovando (mais uma vez), a relevância e capacidade da banda em se reinventar. O Animal Collective não estacionou nos inventos, está só começando.

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Chairlift#43. Chairlift
Something (Columbia/Young Turks)

Certos discos parecem feitos para mudar a vida das pessoas ou quem sabe até romper com paradigmas musicais. Something da dupla Chairlift está longe de ser um desses álbuns. Trabalhado em cima de uma sonoridade pop, dançante e profundamente simples, o segundo registro do casal Caroline Polachek e Patrick Wimberly é apenas um álbum feito para a diversão e o completo entretenimento do ouvinte, que justamente encontrará na sucessão de musicas pegajosas uma quantidade interminável de acertos e preferências instrumentais difíceis de serem evitadas. A começar pela interpretação particular da década de 1980 – explorada de maneira desgastada por outros artistas -, o período ganha novo acabamento nas mãos dos norte-americanos, que transformam músicas aos moldes de Wrong Opinion e I Belong In Your Arms em verdadeiros clássicos – do passado ou do presente. Tudo é rápido, divertido e intenso, um verdadeiro resumo de tudo que foi desenvolvido há três décadas, mas que se relaciona de forma perfeita com o que há de mais atual na música recente.

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Laurel Halo#42. Laurel Halo
Quarantine (Hyperdub)

Herdeira confessa de Björk, Laurel Halo faz de Quarantine um trabalho difícil aos desavisados, porém atrativo à medida que ele se revela por completo. Minimalista na forma como se deixa conduzir inteiramente pelo uso das vozes e parcos ruídos eletrônicos, o disco assume o mesmo eixo etéreo iniciado pela islandesa em Vespertine, convertendo a música pop em épicos existencialistas. Matéria-prima de todo o trabalho, Halo usa de desajustes particulares como um reforço para construir letras invasivas e sempre dolorosas, contribuindo para o clima denso e capaz de sufocar o ouvinte em diversos pontos. Mesmo complexo, por diversos instantes a tonalidade melódica das canções – imagine Fiona Apple em um universo futurístico – permite que o espectador se aproxime sem grandes dificuldades, fazendo dessa medida agridoce do álbum uma proposta que distancia e atrai o ouvinte até o fecho do trabalho. Ainda que assertivo, Quarantine é apenas um começo, como se a cantora ainda escondesse o ouro ou apenas preparando terreno.

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Killer Mike#41. Killer Mike
R.A.P. Music (Williams Street)

Em 2012 o Hip-Hop voltou às origens. Dos versos descritivos de Kendrick Lamar aos encaixes com a música negra que percorrem a produção de Frank Ocean, o bom e velho Rap está de volta. Dentro desse universo de referências e constantes retornos ao passado, R.A.P. Music de Killer Mike surge como um dos exemplos mais intensos de toda essa transformação. Com versos que percorrem conteúdos políticos, críticas sociais e até a religião, o sexto registro em estúdio do rapper de Atlanta, Geórgia é facilmente o trabalho mais maduro e intenso já alcançado até hoje. Com produção de El-P, o álbum explode em rimas e batidas que praticamente espancam o ouvinte tamanha força e grandiosidade das faixas. Curioso notar que mesmo visitando o passado (em conceitos), Mike mantém firme a relação com o presente, transformando cada verso em um recorte atual sobre o cotidiano.

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