Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2013 [10-01]

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Chance The Rapper

#10. Chance The Rapper
Acid Rap (Independente)

Antes de aparecer ao mundo com Acid Rap, Chancelor Bennett, ou melhor, Chance The Rapper, percorreu diferentes caminhos dentro do Hip-Hop norte-americano. Do R&B convencional testado nas primeiras e (quase) desconhecidas mixtapes, passando pela série de colaborações com diversos nomes do novo rap, cada faixa assinada pelo artista serviu como um natural ensaio para o que é solucionado de forma criativa dentro da presente Mixtape. De versos e atmosfera lisérgica, o registro agrega com naturalidade as rimas velozes do rap com o canto alongado do R&B, resultando em uma medida que parece própria da obra e seu criador. Conduzido pela excentricidade e a mistura simples do pop, o rapper apresenta faixas como Cocoa Butter Kisses, Juice e Favorite Song, músicas que poderiam ser de veteranos como De La Soul ou Outkast, mas que pertencem apenas à ele. Em um cenário dividido pela seriedade de Good Kid m.A.A.d city (2012), de Kendrick Lamar, com o lançamento de Acid Rap Chance talvez tenha encontrado um ambiente particular, quase isolado, mas que está sempre aberto aos novos visitantes. [+]

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Daft Punk

#09. Daft Punk
Random Access Memories (Columbia)

Guitarras encorpadas pelo Groove, sintetizadores empoeirados e o globo espelhado no teto da pista de dança. Não, não estamos em 1975, mas a experiência repassada por Random Access Memories, quarto registro de estúdio do Daft Punk, reflete com exatidão esse mesmo ambiente nostálgico. Primeiro trabalho de inéditas desde o lançamento de Human After All, em 2005, RAM é uma completa desarticulação dos três primeiros discos da dupla francesa. Indo de encontro ao catálogo de experiências que forneceram as bases para a obra do duo robótico, o trabalho deixa de lado os chips e o universo futurístico para soar retro, movido por engrenagens e equipamentos valvulados. Cercados por um time de produtores – incluem veteranos como Giorgio Moroder e Nile Rodgers -, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo fazem do álbum uma obra de acabamento “humano”, como se os robôs de Discovery (2000) pela primeira vez fossem vistos sem máscara e com vida. Com vozes de Panda Bear, Julian Casablancas e Pharrell Williams, além de algumas das canções mais pegajosas do ano, caso de Get Lucky e Lose Yourself to Dance, RAM é uma obra que passeia pelo tempo, soando tão íntima de 2013, como de 1970. [+]

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Danny Brown

#08. Danny Brown
Old (Fool’s Gold)

Ao mesmo tempo em que a maturidade de Danny Brown surge escancarada no jogo de rimas que definem Old, nunca antes o rapper esteve tão insano quanto agora. Apresentado como o “Kid A” do artista, o mais recente álbum de Brown pode não igualar o teor inventivo da obra do Radiohead, mas parece capaz de provocar e brincar com a mente do espectador na mesma medida. Dividido em duas partes – A e B -, o registro concentra na primeira metade o lado mais existencialista e melancólico do rapper. São faixas como Lonely e Torture que mais parecem um mergulho na mente atormentada do artista. A própria presença de Freddie Gibbs (The Return) e da dupla Purity Ring (25 Bucks) parece contribuir para esse enquadramento. Já para a segunda metade do trabalho, faixas como Dip, Handstand e Kush Koma trazem de volta o mesmo tratamento instável exposto em XXX (2011), afundando o rapper em drogas, sexo e um fluxo tão frenético, quanto o proposto há dois anos. Todavia, a proposital divisão do registro aos poucos se confunde, como se Brown parecesse brincar com a interpretação do público durante toda a condução da obra. [+]

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The Knife

#07. The Knife
Shaking The Habitual (Rabid)

Vamos falar sobre gênero, amor/ Vamos falar sobre você e eu”. Nunca antes um álbum apresentado pela dupla The Knife conseguiu soar tão amplo e ainda assim específico quanto Shaking The Habitual. Fazendo valer o título que carrega, o quarto registro em estúdio dos irmãos Karin Dreijer Andersson e Olof Dreijer parece seguir em uma direção contrária ao que Silent Shout parecia anunciar em 2006. Sem se preocupar com a construção de possíveis Hits ou faixas de beleza radiofônica, o duo sueco vai de encontro ao uso de diferentes experimentos, fragmentando a obra entre canções marcadas pela Ambient/Drone (A Cherry on Top), ritmos tribais (Without You My Life Would Be Boring) e até o Jazz (Raging Lung). No meio do turbilhão de inventos que definem o disco, há ainda espaço para interpretações desconstruídas da própria estética da dupla (Full Of Fire), além de curiosas passagens pela obra de outros artistas (Networking, uma sobra da IDM dos anos 1990). Um cruzamento imenso de informações que em nenhum momento ecoa estabilidade. Se há uma década Deep Cuts (2003) e o Hit Heartbeats apresentavam o duo como os novos expoentes do pop sueco, hoje pouco disso parece ter sobrevivido. Ainda bem. [+]

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Baths

#06. Baths
Obsidian (Anticon)

A fragilidade é parte significativa da obra de Will Wiesenfeld. Brincando com os arranjos em um enquadramento tão tímido quanto o testado em Cerulean, de 2010, o produtor californiano trouxe nas próprias confissões uma obra de significativa transformação para a atmosfera particular do Baths. Marcado pelos encontros e desencontros de um casal – evidente nos versos de Incompatible -, Obsidian dança de forma melancólica pelos sentimentos do produtor – personagem e matéria-prima da própria obra. Farelos da IDM, especificidades testadas pelo Radiohead pós-Kid A e um conjunto de elementos sutis ocupam com parcimônia todo o ambiente da obra. Como se estivesse a ponto de se desfazer, o disco alinha sintetizadores, batidas e vozes em um mesmo espaço reduto, ambiente que flutua entre a eletrônica da década de 1990 e as boas melodias testadas em Give Up (2003), da dupla The Postal Service. Mais do que um bem explorado jogo de batidas e tramas eletrônicas minimalistas, Obsidian se apresenta como uma obra de melancólica confissão, um mergulho na mente perturbada de Wiesenfeld, mas que parece refletir todo o sofrimento do próprio ouvinte. [+]

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Kanye West

#05. Kanye West
Yeezus (Roc-A-Fella/Def Jam)

Se em 2004, quando lançou oficialmente Jesus Walks, Kanye West cantava sobre Deus em um sentido claro de louvor e adoração, ao apresentar Yeezus, sexto álbum solo, o rapper escolheu assumir a própria deidade. Lançado sob forte expectativa – afinal, qual seria o próximo passo do artista depois do aclamado My Beautiful Dark Twisted Fantasy? -, o registro concentra em cada faixa uma aproximação maior com a eletrônica, trazendo de volta uma série de conceitos firmados em Graduation (2007), porém, em uma medida ainda mais intensa, quase sufocante. Acompanhado das vozes de Frank Ocean e Justin Vernon, além, claro, de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter (do Daft Punk) em parte da produção, West desfila por uma obra tão grandiosa, quanto a que fez dele um gigante anos antes. Seja na escolha dos samples ou na fabricação cuidadosa das próprias bases – impulsionada por novos nomes da eletrônica/Hip-Hop -, o álbum apresenta no manuseio veloz dos arranjos uma obra que se extingue na mesma velocidade em que é apresentada. Intenso, Yeezus é mais uma prova de que a genialidade (e também a loucura) de Mr. West estão longe de se extinguir. [+]

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Darkside

#04. Darkside
Psychic (Matador/Other People)

Dos arranjos minimalistas em Space Is Only Noise (2011), aos ruídos de Don’t Break my Love (2012), tudo o que Nicolas Jaar apresentou nos últimos anos não passou de um rascunho perto do universo de Psychic. Primeiro grande trabalho do produtor norte-americano pelo Darkside, a soturna obra dança pelas experiências e tramas noturnas sem necessariamente fazer parte de uma cena específica ou parecer guiada por uma estética próxima. Acompanhado pelo multi-instrumentista Dave Harrington, responsável por toda a capa instrumental que ocupa o álbum, Jaar transforma o disco em um jogo de provocações. Um verdadeiro labirinto sensorial que casa arranjos e ruídos em um fluxo de pura hipnose. Do erotismo em Paper Trails – faixa que carrega o solo de guitarra mais sensual desde Wicked Games -, ao cruzamento de essências em Golden Arrow, cada música instalada no disco parece exercer uma função específica para a imensa tapeçaria que a dupla aos poucos desenvolve. Se os detalhes são parte importante de qualquer obra, então Psychic é um álbum feito inteiramente deles: os mais minuciosos e envolventes detalhes. [+]

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Youth Lagoon

#03. Youth Lagoon
Wondrous Bughouse (Fat Possum)

A timidez onírica de The Year Of Hibernation (2011) em nenhum instante parece ativa na composição volumosa de Wondrous Bughouse. Assumido pelas confissões (e a loucura) de um hoje maduro Trevor Powers, o segundo álbum do Youth Lagoon mais parece a abertura para um cenário de cores e declarada lisergia instrumental. Entretanto, o colorido da obra, nada mais é do que um disfarce para ocultar a própria melancolia de seu criador, que ao se deparar com a loucura e toda a transformação que marca a vida adulta, converte o álbum em um tratado essencialmente doloroso e de forte acabamento existencial. “Você nunca vai morrer, você nunca vai morrer, você nunca vai morrer”, grita o Powers no meio da sombria Dropla, canção que mais parece a despedida de um jovem adulto para o espírito jovem da infância. Perturbador, o registro passeia por entre estranhos personagens (Pelican Man) e quadros clínicos (Sleep Paralysis, Daisyphobia), como se toda a desilusão do cantor com a própria vida fosse representada pelo enclausuramento em um hospício. Ainda que as melodias sejam capazes de aprisionar o ouvinte em um cenário de forte apelo radiofônico, o disco segue até o último momento em um estágio de desespero, se revelando como uma das obras mais perturbadoras e angustiantes lançadas nos últimos anos. [+]

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Arcade Fire

#02. Arcade Fire
Reflektor (Merge)

Quem prestou atenção aos detalhes de Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), faixa de encerramento de The Suburbs (2010), encontrou nos sintetizadores e batidas nostálgicas uma passagem direta para Reflektor. Quarto registro em estúdio do Arcade Fire, o álbum assume no flerte com a eletrônica e a viagem aos anos 1980 um completo desligamento do teor épico-orquestral retratado desde o debut, Funeral (2004). Um esforço que serviu para apresentar de vez a banda canadense ao grande público. Dividido em dois atos, o álbum carrega na primeira metade um compendio totalmente íntimo do synthpop/pós-punk firmado há três décadas. Aos comandos (essenciais) de James Murphy (LCD Soundsystem), músicas como Normal Person, Here Comes the Night Time e a própria faixa-título brincam com a obra de Talking Heads, David Bowie e U2 sem perder a relação com o presente. Já para a segunda metade, decidida pelo velho colaborador Markus Dravs, todas referências assumidas desde o começo da carreira voltam a se repetir, porém, de forma atualizada, incorporando toques de música latina. O conjunto imenso de temáticas e específicas referências fazem nascer uma obra extensa, mas que parece se extinguir em segundos tamanha a versatilidade que a define. Who The Fuck Is Arcade Fire? Basta ouvir Reflektor e você encontrará todas as respostas. [+]

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Vampire Weekend

#01. Vampire Weekend
Modern Vampires Of The City (XL)

Quanto tempo leva para um disco fazer sentido? Alguns fluem com naturalidade, em uma única audição, sem bloqueios ou possíveis exigências. Já outros carecem de tempo. Podem levar décadas até revelar ao ouvinte toda o contexto que carregam em seu interior. E se o tempo é um componente fundamental para a interpretação de qualquer disco, então Modern Vampires Of The City, ainda que marcado por uma arquitetura dinâmica e faixas de apelo melódico, é justamente esse tipo de obra. Terceiro álbum do Vampire Weekend, o registro precisou de três anos até ser finalizado, trazendo na produção de Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira) e nos arranjos elaborados de Rostam Batmanglij, um clara evolução em relação aos dois primeiros discos da banda.

O que antes era encarado como uma morada para faixas acessíveis e pequenas ambientações étnicas – vide A-Punk e Cousins -, hoje parece definido com maior sobriedade e parcimônia. Com os ouvidos apontados para os anos 1960 e 1970, Batmanglij vai de encontro ao trabalho de grupos como Beach Boys, Bread e The Zombies, apresentando faixas de melodias sutis (Everlasting Arms), mas que em nenhum momento se esquivam do grande público (Diane Young). Ezra Koenig, por sua vez, evolui não apenas no uso dos vocais, mas na formação das líricas. São faixas que conduzem o espectador por relacionamentos (Step), confissões (Hannah Hunt) e pequenas tramas cotidianas (Ya Hey). Versos e sons que fluem com atrativa naturalidade, como um passeio por Nova York ou qualquer grande centro urbano – evidência marcada nos diálogos aleatórios que circulam ao fundo do disco. Ainda que não carregue o mesmo imediatismo de Reflektor ou a grandeza estampada de Yeezus, ao assumir sentimentos comuns e aspectos (quase) imperceptíveis do cotidiano de forma tão atenta, Modern Vampires Of The City consegue ir muito além de qualquer obra lançada durante o ano. [+]

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