Os 50 Melhores Discos Internacionais De 2013 [20-11]

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Kurt Vile

#20. Kurt Vile
Wakin on a Pretty Daze (Matador)

Dois anos depois de embarcar nas melodias sutis de Smoke Ring For My Halo (2011), Kurt Vile está de volta ao ambiente acolhedor que vem orquestrando de forma precisa desde a última década. Em Wakin on a Pretty Daze, as transições acústicas testadas no trabalho anterior se encontram de forma declarada com a psicodelia, transformando o álbum em um conjunto de experiências que ultrapassam o isolamento prévio do compositor. Com um espaço cada vez maior para as guitarras – vide KV Crimes e Wakin on a Pretty Day -, Vile mergulha nas emanações conquistadas na década de 1970, fazendo da obra um trabalho revigorado e naturalmente íntimo de todo um novo catálogo de preferências – líricas e sonoras. Sem pressa, o músico se acomoda em meio a canções marcadas pelo uso de atos imensos, solos e vocalizações, proposta evidente nos mais de 10 minutos de Goldtone, ou no passeio de oito minutos que marca Too Hard. Uma típica obra em que o tempo se revela como um elemento fundamental.  [+]

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AlunaGeorge

#19. AlunaGeorge
Body Music (Island)

Passado e presente se confundem nas batidas do duo AlunaGeorge. Entre o clima soturno do R&B 90’s e a eletrônica que ocupa a atual cena londrina, Aluna Francis e George Reid brincam com as referências em uma naturalidade que jamais exclui os próprios traços autorais. Destiny Child, Aaliyah e todo um cardápio de referências dançam com leveza e presença pela obra, projeto que mesmo atento a aspectos específicos da música lançada há duas décadas, jamais se distancia do cenário presente. Recheado por um catálogo melódico que praticamente converte o álbum em um imenso Greatest Hits, Body Music vai da explosão de Best Be Believing, até a melancolia pop de Just A Touch em um diálogo de forte atenção com o grande público. São os sintetizadores de Attracting Flies, a leveza em Kaleidoscope Love ou mesmo os pequenos experimentos eletrônicos em Diver e Bad Idea que atraem os ouvidos. Uma verdadeira coleção de recortes e inventos acessíveis que fazem do disco um trabalho capaz de ultrapassar os prováveis limites da música pop.  [+]

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MBV

#18. My Bloody Valentine
M B V (Independente)

Se Loveless (1991) precisou de três anos e diversos estúdios até ser finalizado, então M B V trouxe ao guitarrista Kevin Shields um espaço de 22 anos para experimentar. Terceiro registro em estúdio do My Bloody Valentine, o presente álbum está longe de superar a clássica obra que o antecede, mas ainda assim, se mantém no topo de uma série de obras recentes e partidárias das mesmas experiências. Menos ousado que no começo dos anos 1990, Shields administra uma econômica (são nove faixas), fazendo com que toda a carga de ruídos nunca ultrapasse um limite imaginário seguido desde a primeira música. A “comodidade” garante músicas de íntima relação com o Dream Pop, linearidade que ocupa tanto as vozes como as guitarras de If I Am, Who Sees You e até faixas mais “intensas”, como Only Tomorrow. Já quem espera por músicas aos moldes de When You Sleep e When You Sleep precisa chegar até o eixo final da obra, como se o músico fizesse de In Another Way e demais canções próximas uma abertura para um novo projeto. Resta apenas torcer para que Shields não leve tanto tempo em estúdio até voltar com uma possível sequência. [+]

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Mikal Cronin

#17. Mikal Cronin
MCII (Merge)

São de Mikal Cronin algumas das mais belas melodias de 2013. Delicado, sofredor e acessível, MCII traz de volta todas as experiências conquistadas pelo músico californiano há dois anos, porém, em um tratamento de verdadeiro cuidado com os arranjos. Enquanto o autointitulado álbum de estreia, entregue em 2011, parecia surgir como um rabisco, confundindo essências e diferentes épocas, com o atual projeto tudo parece plenamente resolvido. Do momento em que Weight tem início, até a melancolia acolhedora de Piano Mantra, Cronin mantém firme a necessidade em garantir uma obra que chega com destaque aos ouvidos do espectador. Guitarras sujas se contrapõe aos versos doces, solos plásticos se encontram com as harmonias de piano e vozes que vão de Big Star a Beach Boys preenchem todo o trabalho. Utilizando dos próprios sentimentos como um ponto de aproximação para as referências, o músico vai do Power Pop dos anos 1970 ao rock alternativo da década de 1990 sem perder a direção, como se tudo o que há de mais acolhedor em décadas de música fosse concentrado em um só disco. [+]

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Nepenthe

#16. Julianna Barwick
Nepenthe (Dead Oceans)

Segundo a mitologia grega, Nepenthe seria uma droga anestésica, um antidepressivo manipulado de forma a causar conforto e comodidade ao indivíduo. Curioso observar que é exatamente esse o propósito do segundo registro em estúdio de Julianna Barwick. Natural extensão das melodias de vozes iniciadas em The Magic Place (2011), o álbum funciona como uma passagem direta para um universo pontuado pela calma e a delicadeza dos arranjos. Distante da floresta mística apresentada há dois anos, Barwick caminha em direção à Islândia, encontrando nos arranjos típicos do Sigur Rós um meio de renovação para a própria estética. Alex Somers, marido de Jónsi, é quem assume a produção do álbum, forçando Barwick a produzir pequenos extratos líricos (One Half), bem como o uso de um novo catálogo de instrumentos (Crystal Lake). O novo cenário distancia a musicista do ambiente matutino apresentado no álbum anterior, arrastando Barwick para o misticismo noturno, bem representado na Lua cheia que estampa a capa simbólica do registro. [+]

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Janelle Monáe

#15. Janelle Monáe
The Electric Lady (Bad Boy)

Enquanto The ArchAndroid (2010) serviu para apresentar as regras do universo robótico de Janelle Monáe, The Electric Lady veio como uma completa desarticulação desse mesmo cenário. Controlando a atmosfera retrô-futurística do registro lançado há três anos, o álbum caminha com atenção pelo passado, captando traços específicos de diferentes décadas para seu próprio sustento. Cada integrante da extensa lista de convidados assume uma função/época específica, indo da década de 1970, no toque de Blaxploitation de Erykah Badu (Q.U.E.E.N.), até o R&B dos anos 1990, representado nas lágrimas de Miguel (Primetime). Sobram ainda passagem pela música negra dos anos 1960 (Can’t Live Without Your Love), o Hip-Hop dos anos 1980 (Ghetto Woman) e todo um catálogo de retalhos que aos poucos são postos em ordem dentro do ambiente nostálgico da obra. Parte quatro e cinco da série Metropolis, The Electric Lady (o nome é uma homenagem ao estúdio homônimo criado por Jimmy Hendrix) é a garantia de que, ao menos por enquanto, o cenário conceitual de Monáe permanece em pleno crescimento. [+]

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James Blake

#14. James Blake
Overgrown (Polydor)

Livre do hermetismo que enclausurou as canções do primeiro álbum solo, James Blake assume em Overgrown uma obra que se entrega ao público – sem distinções. Do pós-Dubstep e do R&B sujo de músicas como I Never Learnt To Share e Wilhelms Scream, pouco parece ter sobrevivido. Brincando com a própria voz e os arranjos que a circundam, o produtor/cantor britânico faz do segundo disco um trabalho simplificado, aberto às grandes canções e ao uso brando das melodias. Músicas como Life Round Here, Retrograde ou a própria faixa-título trouxeram o artista para frente do grande público, marca reforçada no uso da voz límpida e nos versos fáceis que se espalham pelo álbum. A possível construção de uma obra “comercial”, de forma alguma distancia o artista dos experimentos de outrora. Seja na eletrônica quebrada de Voyeur, ou no tratamento atmosférico de Brian Eno, em Digital Lion, Blake jamais se entrega ao óbvio, o que garante ao registro um caminho musicalmente instável, mas não menos belo em se tratando dos sentimentos que o definem. [+]

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Disclosure

#13. Disclosure
Settle (PMR/Island)

O que é Settle?

a) Uma coletânea de hits da década de 1990.
b) Um álbum perdido do Daft Punk.
c) Uma estação de rádio especializada em eletrônica.

A julgar pela versatilidade do álbum de estreia dos irmãos Guy e Howard Lawrence, todas as três alternativas parecem corretas. Propositalmente nostálgico, o registro vai de encontro ao que há de mais específico na eletrônica dos anos 1990, revivendo desde traços da música House, até os primeiros anos do Garage UK. Um conjunto de treze faixas que se provam capazes de flertar com a obra do The Chemical Brothers, ao mesmo tempo que o complexo catálogo do conterrâneo Burial aparece revisitado e aberto ao grande público. Do time de colaboradores – incluem AlunaGeorge, Sam Smith e Jessie Ware – ao conjunto imenso de canções marcadas pelo pop, Settle é uma obra que conversa abertamente com as pistas – estejam elas posicionadas no passado, ou no presente. [+]

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Deafheaven

#12. Deafheaven
Sunbather (Deathwish)

De um lado, a avalanche de ruídos, berros e batidas desconstruídas que regem o Black Metal. No outro oposto, os solos alongados, as ambientações climáticas e toda a sutileza que define o Pós-Rock. No meio desse pequeno turbilhão de opostos está Sunbather, segundo registro em estúdio do Deafheaven e uma obra que arremessa sem dificuldades o ouvinte para dentro de seu próprio universo. Comandado pela dupla californiana George Clarke e Kerry McCoy, o registro assume em cada composição um objeto isolado, mas que ainda assim estimula a atmosfera inteligente que orienta a construção final do disco. Completamente distinto em relação ao disco de estreia da banda, Roads to Judah (2011), o álbum encontra na proposta aproximada de bandas como Boris e Mogwai apenas uma fagulha para o que explode na própria composição da dupla. Recheado por faixas de arquitetura épica (Dream House), e arranjos instrumentais propostos de forma breve (Irresistible), Sunbather dança pelos contrastes, puxando o ouvinte para um cenário em que sutileza e caos ocupam o mesmo espaço. [+]

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Justin Timberlake

#11. Justin Timberlake
The 20/20 Experience (RCA)

Os sete anos longe dos estúdios trouxeram a Justin Timberlake uma maturidade raramente vista em outros artistas do gênero. Pouco interessado em repetir as mesmas experiências conquistadas com o comercial Future Sex/Love Sounds (2006), o cantor e compositor norte-americano foi em busca dos clássicos, encontrando na obra de Michael Jackson e demais veteranos do R&B/Soul um estímulo voluntário. O resultado está na produção de um álbum imenso. São mais de 70 minutos de duração, faixas que ultrapassam com facilidade os oito minutos e um completo distanciamento do que parece moldado de forma redundante para o pop. Acompanhado de poucos colaboradores (apenas Jay-Z aparece dividindo os vocais) e investindo fortemente na produção, Timberlake apresenta ao público uma obra que exige tempo até ser digerida, mas entrega bons resultados ao ouvinte. Do cenário luxuoso que cresce e ocupa Suit & Tie, passando pela melancolia “colossal” que se esparrama em Mirrors, cada música parece tratada como um objeto fechado, uma biblioteca de clássicos (antigos e recentes) diluídos e moldados ao bel-prazer de seu (re)criador.

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