Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2013 [40-31]

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Speedy Ortiz

#40. Speedy Ortiz
Major Arcana (Carpark)

Uma intensa síntese dos anos 1990. Álbum de estreia do quarteto norte-americano Speedy Ortiz, Major Arcana assume na curta duração um dos mais cuidadosos resumos do rock alternativo anunciado há duas décadas. São ecos de Liz Phair, guitarras sujas (típicas de grupos como Pavement e Dinosaur Jr), além de todo um conjunto de referências que em nenhum momento ecoam desgaste ou uma possível sensação de plágio. Homenagem honesta, o trabalho encarna em faixas como Pioneer Spine, Fun e Tiger Tank uma coleção de ruídos, vozes crescentes e versos típicos de jovens adultos. Canções sempre regidas por um senso de rebeldia que casa de forma natural com o presente. Nostálgico, mas nem por isso menos atual, o debut vai além de uma mera obra de resgate, assumindo na construção melódica das vozes e ruídos um registro de forte comunicação com a presente fase do rock independente. Um disco que talvez se transformasse em clássico imediato se lançado há 20 anos, mas uma obra que deve ter peso ainda maior em um futuro próximo. [+]

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Boards Of Canada

#39. Boards Of Canada
Tomorrow’s Harvest (Warp)

Os sete anos de afastamento do público garantiram ao Boards Of Canada um novo cenário de possibilidades. Obra mais homogênea já apresentada pelo duo Marcus Eoin e Mike Sandison, o quarto registro em estúdio do projeto escocês não apenas resgata elementos típicos de Music Has the Right to Children (1998) e Geogaddi (2002), como aprimora uma série de traços há muito esquecidos pelos produtores. Como se cada faixa fosse parte complementar de uma imensa trilha sonora alternativa, o registro usa de cada ruído ou mínima harmonia sintética com atenção e natural sequência. É como se cada ato brando da obra fosse orquestrado de forma proposital para o específico movimento tímido do disco, pavimentando um registro de forte arquitetura hermética. A composição amarrada da obra, entretanto, de forma alguma dificulta a passagem do ouvinte por entre faixas isoladas, exercício que converte o Tomorrow’s Harvest em uma obra conduzida do princípio ao fim pelos detalhes que se deixam explorar. [+]

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Run The Jewel

#38. Run The Jewels
Run The Jewels (Fool’s Gold)

A colaboração entre EL-P e Killer Mike no último ano parecia algo específico da essência de Cancer For Cure e R.A.P. Music, respectivamente, últimos álbuns de estúdio assinados por cada rapper. Todavia, a relação entre o duo conseguiu sem grandes bloqueios ir além de uma mera intervenção em estúdio, algo que Run The Jewels, disco de estreia do projeto de mesmo nome, carrega em uma forte interferência de cada colaborador. Tratado como resultado de uma mente única, o projeto concentra tanto as rimas fortes assinadas por Mike, como a produção impactante do parceiro, tratamento que converte o disco em uma avalanche de graves e rimas que se mantém o fluxo esmagador até o último instante do disco. Seguindo as pistas de outros projetos de peso nascidos na década de 1980/1990, o álbum se encontra tanto com a verve alternativa do Hip-Hop, como com o lado mais comercial que conduz o gênero, estratégia que inevitavelmente converte DDFH e Get It em algumas das composições mais importantes do ano. [+]

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Jon Hopkins

#37. Jon Hopkins
Immunity (Domino)

Ainda que percorra com liberdade as próprias curvas, Immunity, quarto registro solo de Jon Hopkins é uma obra de caráter previsível. O alinhamento preciso das batidas, as bases minimalistas e todo o conjunto de essências que definem o disco, de forma alguma distanciam o produtor britânico de um cenário facilmente identificável. Entretanto, uma vez dentro do conjunto matemático de elementos que definem a obra, escapar das tramas complexas de Hopkins se transforma em uma tarefa praticamente impossível. São composições extensas, caso de Collider e Sun Harmonics, que visitam de forma precisa diversos traços da eletrônica promovida nos anos 1990. Reinterpretações da música Techno (em Open Eye Signal) e até um curioso regresso aos cenários ambientais de Brian Eno (Abandon Window) preenchem toda a atmosfera do disco. Dessa forma, o que parece previsível na abertura do trabalho, aos poucos arrasta o ouvinte para um catálogo de experiências movidas pelo detalhe, como se atrás de cada beat ou harmonia, um conjunto ainda mais amplo de essências fosse cuidadosamente armazenado. [+]

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Muchacho

#36. Phosphorescent
Muchacho (Dead Oceans)

Matthew Houck passou a última década brincando com os diferentes estágios da música folk norte-americana. Tendo na melancolia e nas próprias confissões um princípio de estabilidade, o músico fez de Muchacho, sexto registro em estúdio, sua obra mais completa/complexa até então. Seguindo de onde parou com Here’s to Taking It Easy (2010), o cantor conseguiu fundir elementos acústicos com ensaios eletrônicos sem perder a própria direção, abrigando na simplicidade dos versos uma natural aproximação com o ouvinte. O resultado está na construção de uma obra que pertence tanto ao cantor como ao ouvinte, detalhamento evidente na lírica intimista e na atmosfera confessional que ocupa todo o trabalho. Sem se deixar guiar por uma obra de composição hermética, o cantor esbarra a todo o instante em faixas de maior apelo comercial, traço que resulta na criação de faixas épicas, caso de Song For Zula, como na construção de músicas mais leves, evidente em Ride On, Right On. [+]

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DJ Koze

#35. DJ Koze
Amygdala (Pampa)

Stefan Kozalla soube como aproveitar bem os longos anos de hiato. Desde 2005 sem nenhum registro de inéditas, o produtor germânico fez da obra de regresso uma completa desarticulação da discografia que havia proposto até então. Entregue ao uso de canções essencialmente experimentais, DJ Koze fez de cada música instalada em Amygdala a abertura para um percurso de incertezas e desconstruções. Se em instantes é a psicodelia de Track ID Anyone? que dita os (possíveis) rumos da obra, logo em sequência o minimalismo preciso de Nices Wölkchen ocupa o trabalho com um detalhamento quase matemático. São diversos discos armazenados dentro de uma só obra. Cercado por nomes como Caribou, Apparat, Matthew Dear e Milosh, Koze encontra na constante interferência um natural complemento para o tratamento excêntrico do álbum, registro que mesmo perdido em meio a pequenas e distintas essências, jamais perde a sobriedade e um possível estágio de linearidade que mantem a segurança do trabalho. Um disco a ser revisto com atenção – inúmeras vezes. [+]

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Waxahatchee

#34. Waxahatchee
Cerulean Salt (Don Giovanni)

Liz Phair, Kim Deal ou PJ Harvey, não são poucas as vozes e referências que você encontra de forma evidente no interior de Cerulean Salt. Entretanto, longe de converter o segundo registro em estúdio do Waxahatchee em uma obra sem inspiração e redundante, Katie Crutchfield faz das próprias confissões uma natural passagem para o cenário montado há 20 anos. Melancólico e de lírica essencialmente solitária, o disco funciona como um verdadeiro recorte musical das desilusões que ocupam a mente da compositora. Em geral são faixas curtas, como Hollow Bedroom e Coast to Coast, que se dividem entre a leveza dos violões e a crueza ascendente das guitarras, dividindo a obra entre a calmaria e a raiva exposta. O tratamento dado ao disco revive de forma precisa obras clássicas sem necessariamente parecer intencionado a isso. É como se Crutchfield, longe de parecer uma cópia ou possível seguidora de velhas essências, fosse a melhor representação atual de tudo que as grandes vozes do rock alternativo conquistaram no passado. [+]

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Forest Swords

#33. Forest Swords
Engravings (Tri Angle)

Engravings, como toda obra orquestrada por Matthew Barnes, parece fluir de maneira que o ouvinte se perca dentro dela. Menos hermético que o resultado proposto inicialmente em Dagger Paths (2010), o mais recente trabalho do produtor britânico encontra na complexa relação com a psicodelia um ponto de reformulação para as já “habituais” texturas do Dub. De natureza sombria, o disco mergulha em um cenário que perverte a essência dos anos 1970 sem perder a natural relação com a presente safra da cena Ambient. Resgatando uma série de conceitos assinados pelo conterrâneo Andy Stott, em Luxury Problems (2012), porém, dentro de uma estufa de experimentos orgânicos, Barnes firma na recente obra do Forest Swords um verdadeiro labirinto de tendências. Dos agregados tribais que ocupam Thor’s Stone, passando pelas guitarras quase acessíveis de The Weight Of Gold, cada instante do disco assume no fluxo instável de possibilidades o mecanismo exato para manter as atenções do ouvinte sempre em alta. [+]

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Iceage

#32. Iceage
You’re Nothing (Matador)

O caráter emergencial da música Punk fez de New Brigade (2011), disco de estreia do Iceage, uma obra marcada de forma explícita pela efemeridade. Uma sensação constante de que ao ecoar a última nota de You’re Blessed, faixa de encerramento do álbum, o quarteto dinamarquês fosse involuntariamente desfeito. Com You’re Nothing, segundo álbum de estúdio, a banda de Copenhagen não apenas volta ao cenário caótico promovido com acerto há dois anos, como parece ainda mais intensa e provocativa. A relação com o Pós-Punk, além de bem resolvida, abre espaço para que as guitarras brinquem com a euforia instável do grupo, estabelecendo atos climáticos (em faixas como Interlude) que apenas potencializam a raiva em expansão de cada integrante. O resultado dessa constante ruptura e intensa colaboração entre as faixas gera um trabalho coeso sem perder a própria textura anárquica. Proposta suja que, ao alcançar o niilismo agressivo da faixa-título, encerra mais um ato do grupo donamarquês. Um novo ciclo que se fecha, mas que agora, parece fluir como uma mera pausa para uma obra ainda maior. [+]

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R Plus Seven

#31. Oneohtrix Point Never
R Plus Seven (Warp)

As composições avulsas propostas em Replica (2011), e a brincadeira experimental (ao lado de Tim Hecker) com Instrumental Tourist (2012), pouco parecem repercutir na presente fase de Daniel Lopatin. Em R Plus Seven, mais recente álbum do produtor norte-americano pelo Oneohtrix Point Never, toda a carga de experiências acumuladas nos últimos anos parecem simplesmente postas de lado em prol de um jogo assumido de reinvento. Com um destaque cada vez maior para os sintetizadores e o uso ponderado de samples, Lopatin faz do recente disco a abertura para um universo próprio – quase místico, mas não menos terreno. O exercício curiosamente converte o álbum em uma obra de forte relação com o público, evidência marcada na tonalidade nostálgica de Problem Areas, como nos ruídos sóbrios que passeiam pelos engenhos de Still Life. Mais do que reforçar a própria maturidade do produtor, o disco sustenta a plena versatilidade (ou seria insanidade?) de Lopatin, que mesmo depois de três obras de forte acréscimo para a música recente, ainda parece longe de encontrar conforto. [+]

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