Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2013 [30-21]

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Woman

#30. Rhye
Woman (Republic/Innovative Leisure)

Woman talvez seja o registro mais curioso apresentado em 2013. Os vocais andróginos, o clima mezzo erótico, mezzo melancólico e a comunhão sutil dos arranjos puxam o ouvinte para um verdadeiro labirinto de experiências. Primeira obra em conjunto entre Mike Milosh e Robin Hannibal, o álbum encontra na experiência prévia de cada colaborador um natural senso de direção para a construção das faixas. São passagem ponderadas pelo Trip-Hop dos anos 1990, o erotismo tímido da Soul Music lançada na década de 1970, até uma colisão de elementos jazzísticos que jamais ultrapassam os limites abrandados do trabalho. Trilha sonora para uma noite de amor, o registro de estreia do Rhye consegue ir além dos lençóis e dos corpos entrelaçados dos casais, se manifestando como um catálogo de experiências pontuadas em alguns momentos pelo medo e o isolamento. Uma tapeçaria musical que parece planejada para a noite e os diferentes personagens que dentro dela se escondem. [+]

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DJ Rashad

#29. DJ Rashad
Double Cup (Hyperdub)

A grandeza de Double Cup é tamanha, que mesmo DJ Rashad, seu criador, parece não ter a noção exata dos limites que a definem. Catálogo (em crescimento) de referências condensadas, o disco faz de cada composição um objeto específico de experimento e continua invenção. Quase um registro colaborativo, tamanha a quantidade de interferências e produtores que caracterizam a obra, o disco segue até o último instante em uma atmosfera que brinca de ser Ghetto House, mas ultrapassa a todo o instante esse possível “limite”. Transições específicas pelo R&B, doses de Instrumental Hip-Hop e um diálogo com a presente cena inglesa alimentam a estrutura do disco – um trabalho que parece mudar de direção a cada batida. Distante da composição onírica de Flying Lotus e outros artistas próximos, Rashad faz do disco uma obra de domínios bem definidos, ainda que mutáveis, como se dentro do turbilhão de essências que pulam pelo álbum, o senso de linearidade fosse tratado de forma expressiva ainda que propositalmente instável. [+]

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Julia Holter

#28. Julia Holter
Loud City Song (Domino)

Julia Holter parece ter assumido em diferentes cenários musicais um conceito nítido de direção para a própria obra. Se em 2011, com a chegada de Tragedy, o tratamento abstrato era a base para o álbum de estreia da musicista, em Ekstasis, logo no ano seguinte, o teor bucólico e as pequenas projeções místicas garantiram ao projeto um sentido visível de recomeço. Com Loud City Song, terceiro registro solo, Holter mais uma vez parece caminhar em um cenário de experimentos e forte descoberta. Marcado pela estética urbana, o novo disco assume nas ambientações jazzísticas um ponto de afastamento do trabalho anterior. Do clima soturno de Horns Surrounding Me, passando pela desordem instalada em Maxim’s II, cada música do álbum busca fragmentar de forma instável a essência da cantora – “personagem” que se divide durante todo o tempo entre o real e o onírico. Construído em cima de detalhes que se perdem em meio aos ruídos, o registro parece crescer a cada nova audição, como se a própria cantora  fosse capaz de decidir o que cabe ou não ser entregue ao espectador. [+]

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#27. Blood Orange
Cupid Deluxe (Domino)

Do Pop ao Punk, da eletrônica ao R&B, por onde passou na última década, Dev Hynes trouxe acréscimos incontestáveis para a cena musical. Entretanto, nunca antes a obra do músico/produtor britânico pareceu tão madura e ampla quanto Cupid Deluxe. Quase um álbum perdido da década de 1980, o registro traz em referências específicas da obra de Prince e Michael Jackson um mecanismo de movimento criativo para as faixas. Dando continuidade ao propósito comercial instalado nas músicas de Solange (Losing You) e Sky Ferreira (Everything Is Embarrassing), de sua autoria, Hynes ocupa grande parte do próprio disco com faixas tratadas como possíveis hits. Do clima Disco 70’s de Uncle ACE, passando pela delicadeza de It Is What It Is, até o Hip-Hop em Cliped On, cada música do trabalho exerce uma função específica, aproximando o músico de distintas preferências musicais e épocas. A melancolia talvez prevaleça como um único de apoio para o disco, que mesmo temperado por diferentes tendências, nunca se despede dos próprios sentimentos e da forte relação amarga entre as músicas. [+]

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CHVRCHES

#26. CHVRCHES
The Bones of What You Believe (Virgin/Glassnote)

Poucas vezes no panorama recente o pop foi tratado de forma tão inteligente quanto em The Bones of What You Believe. Álbum de estreia do CHVRCHES, o disco encontra na composição melódica das bases um misto de regresso ao synthpop dos anos 1980, ao mesmo tempo que um ponto de transformação para a presente fase do gênero. Os vocais encantadores de Lauren Mayberry e a instrumentação precisa de Iain Cook e Martin Doherty garantem sem dificuldades um trabalho dinâmico, capaz de fisgar o ouvinte – seja ele qual for – sem possíveis bloqueios. Da leveza instalada em The Mother We Share, passando pelo imediatismo de Gun ao cuidado de Recover, cada música do trabalho ocupa todos os espaços da mente do espectador. Delineado pelo uso de versos melancólicos, o trabalho em nenhum momento soa vazio ou possivelmente desgastado, ultrapassando o limite de uma obra com prazo de validade ou pensada para o descarte. We Sink, Night Sky ou You Caught The Light, por onde quer que você comece a ouvir o disco, haverá sempre a sensação de acerto e passagem direta para as harmonias sutis que definem o trabalho. [+]

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Autre Ne Veut

#25. Autre Ne Veut
Anxiety (Mexican Summer/Software)

Drama” é uma palavra que parece definir de maneira assertiva a estética de Anxiety. Segundo registro em estúdio do projeto nova-iorquino Autre Ne Veut, o álbum encontra nas confissões do músico/produtor Arthur Ashin o principal combustível para o abastecimento doloroso dos versos. Intenso do momento em que tem início até o último segundo, o álbum brinca a todo tempo com a plasticidade do R&B, colecionando na carga leve de experimentos e temperos nostálgicos um ponto de reforço natural para o disco. Nada tímido em relação ao trabalho de estreia, apresentado em 2010, o registro assume em músicas como Play by Play, Counting e Ego Free Sex Free uma expressiva relação com o grande público, como se Ashin fosse uma espécie de ícone pop – obscuro, claro. Seguindo por um caminho contrário ao que Justin Timberlake trouxe nos luxos de The 20/20 Experience, o músico faz do álbum um registro totalmente urbano, uma trilha inevitável para qualquer indivíduo machucado pelos sentimentos e que busca de forma desesperada por conforto. [+]

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These New Puritans

#24. These New Puritans
Field of Reeds (Infectious Music)

Da arquitetura “pop” que definiu Beat Pyramid (2008), registro de estreia do These New Puritans, pouco parece ter sobrevivido. O que antes era encarado como apenas mais um representante da nova safra de artistas britânicos, em pouco tempo se transformou em um dos nomes mais inovadores da música recente. Dando sequência aos ensaios atmosféricos iniciados em Hidden (2010), Field of Reeds transporta a obra do TNP para um novo cenário. A herança do Talk Talk e de outros nomes de peso do Pós-Rock/Art Rock se espalha de forma significativa por todo o registro, tratamento evidente na presença de Graham Sutton (Bark Psychosis) como produtor do disco. De essência climática, mas nem por isso uma obra de difícil acesso, o registro traz na desconstrução das melodias uma forte relação com o Radiohead Pós-Kid A (2000), o que faz do álbum um tratado hipnótico, a ser revisitado. Longe de um possível estágio de conforto ou maturidade evidente, o terceiro disco de estúdio grupo inglês é apenas (mais uma) prova da mudança e do continuo crescimento que cada vez mais se espalha pela discografia da banda. [+]

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Savages

#23. Savages
Silence Yourself (Matador)

Como trazer de volta à cena o já desgastado Pós-Punk, sem necessariamente se esquivar da arquitetura básica que define o gênero? Ora, pergunte ao Savages. Seja pela crueza das guitarras ou a complexidade lírica que preenche a obra, cada instante do registro de estreia do quarteto britânico chega com novidade aos ouvidos do espectador. São as mesmas bases testadas por Joy Division, The Raincoats e outros veteranos da cena inglesa desde o começo dos anos 1980, porém, em um esforço assumido de intensidade. Uma vez dentro da avalanche de sons e vozes que direcionam a obra, escapar é praticamente impossível. Um alinhamento claro no turbilhão que inicia em Shut Up e segue sem pausas até a quase climática Marshal Dear. Aos comandos de Jehnny Beth, o registro em nenhum momento se esquiva de possíveis faixas “comerciais” ou capazes de dialogar com o grande público, proposta visível em She Will e Husbands. A conjunção de elementos faz de Silence Yourself uma obra que passeia pelo tempo. Um trabalho que tanto poderia ter sido encontrado na Ingalterra de 1979, como no revival dos anos 2000. [+]

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The haxan Cloak

#22. The Haxan Cloak
Excavation (Tri Angle)

Excavation, mais do que um agregado sombrio de ruídos, é uma obra capaz de brincar com a mente do espectador. Natural sequência ao trabalho iniciado em 2011 por Bobby Krlic, o registro assume no manuseio delicado de bases e aglutinados atmosféricos a passagem para um ambiente essencialmente ameaçador. Como uma imensa faixa, o disco mergulha em texturas cruas, batidas orgânicas e acréscimos instrumentais que a todo o momento estimulam de forma perturbadora a direção que conduz o ouvinte. Diferente de outras obras estáticas que se relacionam com o Drone e a Dark Ambient, o trabalho de Krlic parece ausente de um possível estágio de conforto ou excessiva homogeneidade redundante. Por todo o disco, sons habituais de objetos sendo cortados (na faixa-título), vozes submersas (Mara) e até samples em rotação lenta (The Drop) preenchem com minucia as composições, como se o produtor buscasse apresentar ao ouvinte o que há de mais aterrorizante nas coisas simples do cotidiano. [+]

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Monomania

#21. Deerhunter
Monomania (4AD)

Depois do “ápice” alcançado em Halcyon Digest (2010), qual direção seguir dentro da obra do Deerhunter? A julgar pela composição suja e crua que define Monomania, o regresso aos primeiros anos de banda parece ser o caminho a ser seguido. Tão instável quanto Turn It Up Faggot (2005) e ainda mais agressivo que Microcastle (2008), o sexto álbum do coletivo de Atlanta, Geórgia firma no caráter de recomeço um natural ponto de novidade para a banda. Longe de passear pelo álbum como uma figura de liderança, Bradford Cox divide as atenções com Lockett Pundt, guitarrista que não apenas ocupa parte dos vocais do disco, como garante ao álbum uma forte aproximação com a própria carreira solo pelo Lotus Plaza. Cox, por sua vez, transporta para o disco a mesma atmosfera Lo-Fi testada com o Atlas Sound em Parallax (2011), proposta que divide com naturalidade o disco em dois blocos: um voltado aos sons direcionados pelo Garage Rock, outro aos blocos oníricos do Dream Pop. Sem ordem aparente, músicas como Leather Jacket II, a pop Pensacola ou a desesperadora faixa-título surgem e desaparecem a todo o instante, fazendo de Monomania uma obra consumida inteiramente pela desordem. [+]

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