Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 [50-41]

 

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#50. 2 8 1 4 
新しい日の誕生 (2015, Dream Catalogue)

No oceano de referências nostálgicas, estética irônica e sons reciclados que caracterizam a Vaporwave, 新しい日の誕生 (2015, Dream Catalogue) talvez seja um principais ponto de apoio e renovação para o estilo. Fruto da parceria entre t e l e p a t h テレパシー能力者 e o produtor britânico Hong Kong Express, o registro de oito faixas utiliza da lenta sobreposição de batidas, ruídos e bases eletrônicas como o estímulo para a rica tapeçaria de sons atmosféricos que conduzem o ouvinte pelo interior do trabalho. Segundo registro do 2 8 1 4 lançado pelo Dream Catalogue – selo comandado por HKE e um dos principais expositores do gênero -, 新しい日の誕生 – algo como “o nascimento de um novo dia”, em português -, em nenhum momento parece ultrapassar um específico cercado instrumental apontado pela dupla. São sintetizadores, acordes diminutos de guitarras, batidas e até samples de chuva ou diálogos abafados que se encaixam lentamente. Não fosse pelo fade out ao final de cada canção, seria fácil encarar o disco como um imenso bloco de sons enevoados, parte de uma mesma faixa. []

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#49. The World Is a Beautiful Place…
Harmlessness (2015, Broken World Media/Epitaph)

Você não precisa ter sido um adolescente emo ou vivido entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 para entender todo esse universo de temas e obras tão características. Basta um passeio rápido pelas canções de Harmlessness (2015), segundo álbum de inéditas da banda norte-americana The World Is a Beautiful Place… para que todo esse universo nostálgico seja instantaneamente remontado na cabeça do ouvinte. Um convite para reviver a música explorada há uma ou mais décadas sem necessariamente fugir do presente. Complexo em relação ao antecessor Whenever, If Ever, de 2013, o álbum de 13 faixas e mais de 50 minutos de duração soa como um reflexo do enorme time de instrumentistas que se revezam na construção de cada faixa. Nove integrantes fixos que assumem a produção em estúdio, vozes e bases instrumentais, longe da trinca baixo-guitarra-bateria completo com a utilização de arranjos de cordas, sintetizadores e percussão. Um criativo ponto de convergência que longe de parecer turbulento, ecoa delicadeza e plena concisão por parte de cada componente. Assim como no registro entregue há dois anos, em Harmlessness o coletivo de Willimantic, Connecticut continua a brincar com diferentes cenas e universos musicais distintos. Não se trata apenas de reverenciar o trabalho de veteranos como American Footbal, Sunny Day Real Estate e Braid, mas todo o universo de artistas que definiram a cena norte-americana no início da década passada. []

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#48. Disasterpeace
It Follows OST (2015, Milan)

O grande problema de boa parte das trilhas sonoras está na incapacidade do compositor em finalizar um material que funcione individualmente, longe das ações, diálogos e planos que sustentam uma película. Em It Follows, o produtor Rich Vreeland não apenas conseguiu finalizar um álbum que dialoga com naturalidade com o perturbador filme dirigido por David Robert Mitchell, como parece aterrorizar o público para além dos limites da tela de cinema. Vindo de uma sequência de jogos para video game, Vreeland – aqui protegido pelo nome de Disasterpeace – parece romper com o próprio universo de temas coloridos explorado em obras autorais como FEZ (2013), Rise of the Obsidian Star (2013) e Cannon Brawl (2014). Composições dominados pela tensão (Title), serenidade (Jay) e explosão (Company) que conduzem o ouvinte até os instantes finais do trabalho. Pouco mais de 40 minutos em que sintetizadores propositadamente instáveis dialogam com a obra de gigantes como John Carpenter, estabelecendo as bases para uma das trilhas sonoras mais poderosas desde o lançamento de Drive, em 2011.

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#47. Floating Points
Elaenia (2015, Luaka Bop / Pluto)

A música de Sam Shepherd parece longe de seguir um caminho linear. Se há poucos meses a parceria com o conterrâneo britânico James Holden e o músico marroquino Maâlem Mahmoud Guinia resultou no curioso Marhaba EP (2015), em carreira solo, o produtor londrino parece brincar com a música eletrônica de maneira delicadamente instável. É o caso do recém-lançado Elaenia, uma obra tão íntima da sonoridade alicerçada pela música techno dos anos 1990, como do experimentalismo jazzístico que alimentou diferentes décadas e tendências. Primeiro registro oficial de Shepherd em carreira solo, o álbum de apenas sete faixas e pouco mais de 40 minutos de duração reforça em cada composição um explícito sentimento de grandeza. Em segundos, um superficial jogo de batidas e bases dançantes, prontos para as pistas, no outro, uma imensa coleção de temas orquestrais, épicos, inevitavelmente íntimos do mesmo Post-Rock sustentado por Sigur Rós e outros conterrâneos do estilo. Exemplo precioso de todo o material que sustenta a obra ecoa nos três atos da extensa Silhouettes. Do ruído inicial, passando pelo jogo rápido de batidas, arranjos orquestrais, pianos e pequenos respiros sintéticos, Shepherd resume quase seis décadas de produção musical em pouco mais de dez minutos de duração. Miles Davis encontra as melodias robóticas do Kraftwerk, Aphex Twin esbarra nas melodias densas do coletivo Slint e todo um conjunto de regras se parte de forma a atender o jogo de melodias que movimentam a obra do produtor britânico. []

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#46. Shamir
Ratchet (2015, XL)

Shamir Bailey ainda não havia nascido quando a Disco Music ganhou nova roupagem no final dos anos 1980 com a explosão da Italo Disco e a House Music no começo da década seguinte. Nascido em 1994, o artista original da cidade de Las Vegas era apenas uma criança quando o “movimento” Nu-Disco tomou conta da cidade de Nova York no início dos anos 2000, sendo apresentado ao trabalho de artistas como Hercules and Love Afair e Scissor Sisters somente na adolescência. Interessante perceber em Ratchet, primeiro registro em estúdio do cantor, uma espécie de síntese involuntária de todas essas cenas, reformulações e novos rumos que marcam diferentes fases da música eletrônica. Personagem central da própria obra, Shamir destila sentimentos (In For The Kill), estreita a relação com as pistas (Call it Off) e cria na estrutura flexível dos arranjos (On The Regular) uma obra tão vasta que é difícil encaixar o álbum em um cercado específico. De vocal andrógino, ao finalizar o primeiro álbum de inéditas, o jovem de apenas 20 anos parece ir ainda mais longe em relação ao material e sonoridade curiosa explorada no single On the Regular. Primeiro grande sucesso de Shamir, a canção apresentada em 2014 parece servir de estímulo para todo o restante do álbum, fragmentando as (novas) composições entre o canto, a rima e o natural compromisso com as pistas. Recortes, colagens e pequenas apropriações conceituais que aos poucos revelam a identidade colorida do artista. []

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#45. Drake
If You’re Reading This It’s Too Late (2015, Cash Money)

Em construção desde meados de 2014, If You’re Reading This It’s Too Late mostra Drake em sua melhor fase. Inicialmente pensado como o quarto registro de estúdio do rapper canadense, a mixtape lançada em fevereiro deste ano se transformou não apenas em um novo sucesso comercial dentro da curta discografia do artista, alcançando o topo da Billboard 200, como apresentou ao público um novo e bem-sucedido cardápio de composições. Cercado por um time imenso de colaboradores, como Boi-1da, PartyNextDoor, Lil Wayne e Travi$ Scott, Drake estabeleceu as bases para um trabalho tão assertivo quanto o antecessor Nothing Was the Same, de 2013. Entre composições já conhecidas do público – caso de God 6 -, e canções recicladas do trabalho de outros artistas – como Preach, parceria com PartyNextDoor montada em cima das bases de Body Party, da cantora Ciara -, Drake garante pouco mais de 6o minutos em que transforma o próprio universo, medos e tormentos em um estímulo para a construção do álbum e composições como Now & Forever, Know Yourself e Legend.

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#44. CHVRCHES
Every Open Eye (2015, Glassnote / Virgin)

Não é preciso ir além da capa florida de Every Open Eye (2015, Glassnote / Virgin) para perceber de onde vem a influência do CHVRCHES no segundo álbum de inéditas. Curiosa interpretação da imagem que estampa visualmente o clássico Power, Corruption and Lies (1983), obra-prima do New Order, a foto quadriculada parece ser apenas um pequeno indicativo da base eletrônica, dançante e “empoeirada” que define cada uma das 11 canções finalizadas pelo trio composto por Iain Cook, Martin Doherty e a vocalista Lauren Mayberry. Versão ainda mais acelerada (e intensa) do mesmo material apresentado pelo grupo no antecessorThe Bones of What You Believe, de 2013, com o segundo trabalho de inéditas os membros do CHVRCHES comprovam o que já parecia claro desde o inaugural Recover EP (2013): a surpreendente capacidade de produzir hits. Munidos de um precioso acervo de melodias pegajosas e versos que retratam temas românticos na voz de cada integrante, faixa após faixa, o trio esculpe e encaixa as peças que fazem do disco um precioso catálogo do pop atual. Da abertura enérgica com Never Ending Circles, passando pela dobradinha Leave a Trace e Keep You on My Side até a avalanche de sintetizadores em Clearest Blue, difícil caminhar pelas faixas deEvery Open Eye e não ser arrastado pela colagem de versos e arranjos coloridos que explodem a todo segundo. []

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#43. The Weeknd
Beauty Behind the Madness (2015, XO / Republic)

Seja por pressão da gravadora ou dificuldade de adaptação, uma coisa é certa, perto da sequência de obras apresentadas por Abel Tesfaye emTrilogy (2012) – House of Balloons, Thursday eEchoes of Silence -, Kiss Land (2013) é um trabalho de qualidade inferior. Boas composições e letras fortes aparecem aqui e ali – caso de Live For, Wonderlust ou da própria faixa-título -, nada que se compare ao catálogo de versos e arranjos provocantes dos primeiros registros, elementos responsáveis por catapultar a obra do The Weeknd e sustentar músicas como Wicked Games,The Morning ou mesmo a poderosa The Fall. Com a chegada de Beauty Behind the Madness (2015, XO / Republic), quinto registro de inéditas e segundo álbum lançado por uma grande gravador, uma grata surpresa. Ao mesmo tempo em Tesfaye que mantém firme a sonoridade explorada desde a estreia, em 2011, difícil não encarar o novo registro como um típico exemplar da música pop. Da estrutura descomplicada ao time de convidados – Lana Del Rey, Ed Sheeran e Kanye West -, o canadense conseguiu transformar o novo álbum em uma verdadeira metralhadora de hits. []

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#42. Jlin
Dark Energy (2015, Planet Mu)

Não é necessário ir além da inaugural Black Ballett para entender o trabalho de Jerilynn Patton emDark Energy. Vocais picotados, encaixado de forma flexível e instrumental. Sobreposições e batidas rápidas – entre 150 e 160 BPM -, garantindo sustento ao uso de sintetizadores minimalistas, além da contida utilização das vozes e samples – em geral, fragmentos extraídos de jogos de video game e até mesmo seriados de TV. Referências talvez esperadas em um típico registro de Footwork, porém, exploradas em um estágio de plena euforia e completa insanidade. Ancorado em um redemoinho de colagens, batidas e vozes precisas, Patton, aqui apresentado sob o título de Jlin, prende o ouvinte logo nos primeiros instantes da obra, impedindo que ele escape antes da derradeira (e robótica) Abnormal Restriction. São 11 composições que ultrapassam com naturalidade os limites do “dançante”, abraçando o experimento em sentido de explícita provocação, como se o artista fosse capaz de mudar a direção a cada nova batida ou ruído sintético do álbum. Original da cidade de Gary, Indiana, Patton parece longe de se apoiar no principal fenômeno musical da cidade – o grupo The Jackson 5 -, buscando apoio no município vizinho, Chicago. Berço das diferentes vertentes que tanto inspiram e movimentam o trabalho do produtor, a cidade (antes) dominada pela montadoras de automóveis pode não interferir diretamente nas composições do produtor, entretanto, serviu de morada para algumas das principais influências de Jlin, caso específico de DJ Rashad, entidade viva em cada ato de Dark Energy. []

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#41. Dawn Richard
Blackheart (2015, Our Down)

Dawn Richard sempre investiu em uma sonoridade autoral, distante do pop-R&B-soul que caracteriza grande grande parte da produção estadunidense. Basta observar no trabalho com as parceiras do Danity Kane, em que músicas divididas entre a cantora e diferentes produtores – caso de Strip Tease e Lights Out – esboçavam um maior refinamento quando comparadas ao restante da obra. Mais uma vez em carreira solo, agora com o terceiro álbum em mãos, Richard continua a desvendar a própria essência, articulando temas e confissões intimistas como o elemento central de Blackheart. Originalmente previsto para outubro de 2013, porém, adiado por conta das gravações de DK3(2014), terceiro e último álbum do Danity Kane, Blackheart parece ser o trabalho em que Richard mais se concentra em testar os próprios limites – sejam eles rítmicos, líricos ou vocais. Tão próxima da década de 1990 como íntima da recente safra do Soul/R&B, a cantora imediatamente se converte em um instrumento flexível, dançando de forma sutil aos comandos de Noisecastle III, produtor central do registro. Volátil e ainda acomodada em uma estrutura homogênea, como um cercado instrumental de bordas bem definidas, Richard interpreta Blackheart como uma adaptação obscura da mesma colisão de ritmos apresentados em Armor On EP, de 2012. Uma massa leve de R&B, soul, Drum and Bass e elementos da House Music que aproximam (musicalmente) todas as faixas do disco. []

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