Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 [40-31]

[40 – 31]

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#40. Kamaiyah
A Good Night In The Ghetto (Independente)

Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas. [Resenha]

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#39. dvsn
Sept. 5th  (OVO Sound)

A sonoridade antes “restrita” da dupla canadense dvsn – lê-se “division” -, lentamente assume um acabamento cada vez mais acessível, delicado e íntimo de grande parcela do público. Do som minimalista apresentado em The Line, ainda em 2015, passando por faixas melancólicas como Too Deep e Hallucinations, um mundo de possibilidades e detalhes se abre de forma a provocar o ouvinte, seduzido a cada nova batida ou sussurro romântico que escapa das composições. Primeiro álbum de estúdio da dupla formada pelo cantor Daniel Daley e o produtor Paul Jefferies, Sept. 5th (2016), obra que conta com lançamento pelo selo Ovo Sound – casa de Drake e PARTYNEXTDOOR – mostra a perfeita sincronia do duo formado há pouco menos de um ano. Da abertura provocante nos versos de With Me, passando pelos sintetizadores de Try / Effortless e toda a tristeza que conduz a faixa-título do álbum, versos e confissões românticas dialogam com o que há de mais intimista dentro de qualquer relacionamento. [Resenha]

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#38. KING
We Are King (King Creative)

Sintetizadores e batidas tímidas criam um delicado plano de fundo. O coro de vozes cresce lentamente, espalhando suspiros e vocais sobrepostos. Sentimentos se convertem em versos apaixonados e solitários de forma sempre contida, por vezes embriagada. Dentro desse ambiente de notável equilíbrio e precisa movimentação nasce o primeiro álbum de estúdio do KING, We Are King (King Creative), trabalho orquestrado com acerto por Anita Bias e as irmãs Paris e Amber Strother, de Los Angeles, Califórnia. Fruto de diferentes obras e conceitos que abasteceram o Soul/R&B dos anos 1970 e 1980, o álbum de sentimentos confessos pode até apontar para o passado, entretanto, mantém os dois pés bem firmes no presente. Extensão detalhada do material entregue há cinco anos em The Story EP (2011), o registro de 12 faixas – parte delas recicladas de outros trabalhos -, flutua em um universo de emanações cósmicas que vão da música negra ao Rock psicodélico dos anos 1960, transportando o trio californiano para um cenário de parcial ineditismo. Entre os artistas que influenciam o trabalho do grupo, nomes curiosos como Cocteau Twins, XTC e Ryuichi Sakamoto, além, claro, de gigantes da música negra, caso de Quincy Jones, Herbie Hancock e Prince. [Resenha]

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#37. Kyle Dixon & Michael Stein
Stranger Things, Vol. 1 / Stranger Things, Vol. 2 (Lakeshore)

O Senhor dos Anéis, referências aos filmes de Steven Spielberg, The Smiths, o terror de John Carpenter e Wes Craven, Star Wars, RPG, Goosebumps, os livros de Stephen King, The Clash, Alien: O Oitavo Passageiro, John Hughes, Os Goonies e toda uma coleção de referências nostálgicas. Se você cresceu nas décadas de 1980 ou 1990, talvez seja difícil não ser seduzido pela trama, doses concentradas de mistério e personagens que surgem em Stranger Things, série produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer – “Duffer Brothers” – para a Netflix. Entretanto, para além dos limites do seriado, teorias, metáforas e personagens cativantes, sobrevive na trilha sonora da produção uma delicada homenagem à música produzida no mesmo período em que se passa a série. Em Stranger Things, Vol. 1 e Vol. 2 (Lakeshore), os integrantes do S U R V I V E, Kyle Dixon e Michael Stein, se concentram na construção de um som não apenas climático e restritivo, mas que dialoga de forma natural com os instantes de tensão da obra, movimentando parte expressiva das cenas, diálogos e acontecimentos da trama. [Resenha]

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#36. Maxwell
BlackSUMMERS’night (Columbia)

Em julho de 2009, depois de encerrar o longo período de hiato que teve início após o lançamento do álbum Now, em 2001, Maxwell deu vida a um novo e inusitado projeto. Intitulado BLACKsummers’night, o registro de nove composições seria apenas o primeiro capítulo de uma sequência de três obras complementares. Trabalhos apresentado ao público com o mesmo título — a diferença está na seleção de palavras específicas em caixa alta —, porém, mergulhados em temas e ambientações instrumentais completamente distintas. Sete anos após o lançamento do bem-sucedido registro, obra que serviu para apresentar o trabalho de Maxwell a toda uma nova parcela do público, o cantor e compositor norte-americano está de volta com um novo disco de inéditas: BlackSUMMERS’night (Columbia). Produzido em parceria com os velhos colaboradores Hod David e Stuart Matthewman, o álbum nasce como uma extensão pop e dançante de grande parte da discografia do artista nos anos 1990. [Resenha]

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#35. White Lung
Paradise (Domino)

Apresentado ao público em junho de 2014, Deep Fantasy é um verdadeiro exercício de transformação dentro da curta trajetória do White Lung. Ao mesmo tempo em que mantém firme o conceito agressivo explorado nos dois primeiros discos da banda canadense – It’s the Evil (2010) e Sorry (2012) –, está na utilização do canto melódico e versos sempre perturbadores da vocalista Mish Way o principal componente para a nova fase do grupo. Em Paradise (2016, Domino), quarto e mais recente álbum de inéditas da banda de Vancouver, uma extensão aprimorada do material apresentado há dois anos. Um fino exercício do desespero e angústia que orienta de forma sempre confessional as canções assinadas por Way. Da abertura do disco, com Dead Weight, passando por músicas como Kiss Me When I Bleed e Demented, a clara sensação de que o White Lung segue em sua melhor fase. [Resenha]

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#34. Jenny Hval
Blood Bitch (Sacred Bones Records)

– Esse disco é sobre o que, Jenny?
– É sobre vampiros!
– Não…
– Sim… Bom, também fala sobre outras coisas…

O cômico diálogo entre a diretora Zia Anger e a musicista Annie Bielski na abertura deThe Great Undressing, sexta faixa de Blood Bitch (Sacred Bones Records), diz muito sobre o uso de diferentes conceitos, interpretações e referências que orientam as canções do quarto álbum de estúdio de Jenny Hval. Sucessor dos elogiados Innocence is Kinky (2013) e Apocalypse, girl (2015), o novo registro mostra o explícito aprofundamento de Hval em relação ao uso de temas embalados pelo universo feminino. De forma atenta, a cantora e compositora norueguesa mergulha em versos que discutem feminismo, empoderamento, menstruação, repressão e sexo de forma sempre inusitada, particular, como uma leve desconstrução de tudo aquilo que outras artistas vêm desenvolvendo. [Resenha]

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#33. Anna Meredith
Varmints (Moshi Moshi)

As ideias cobrem toda a extensão do curioso Varmints (Moshi Moshi). Primeiro registro de estúdio da cantora, compositora e multi-instrumentista britânica Anna Meredith, o trabalho que flutua entre temas acústicos e ensaios eletrônicos delicadamente expande o rico catálogo de experimentos compilados pela artista nos dois últimos registros de inéditas, os bem-sucedidos Black Prince Fury EP (2012) e Jet Black Raider EP (2013). Entre diálogos com a “música clássica” (Scrimshaw, Nautilus), experimentos que flertam abertamente com o Math Rock (Taken) e composições marcadas pela delicadeza das vozes e arranjos (Something Helpful, Dowager), Meredith cria um imenso conjunto de fórmulas pensadas para bagunçar a cabeça do ouvinte. Sintetizadores, arranjos de cordas, guitarras, vozes e batidas que vão de um ambiente introspectivo à explosão em poucos segundos. Com Nautilus como faixa de abertura, Meredith indica a construção de obra essencialmente grandiosa, épica. Originalmente apresentada em Black Prince Fury EP, a canção de base orquestral encontra na continua repetição dos elementos um estímulo para prender a atenção do ouvinte. [Resenha]

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#32. Weyes Blood 
Front Row Seat to Earth (Mexican Summer)

Natalie Mering passou por um lento processo de amadurecimento nos últimos cinco anos. Do lançamento do primeiro disco como Weyes Blood, o obscuro The Outside Room (2011), passando pela produção de obras como The Innocents (2014) e até o EP Cardamom Times (2015), cada trabalho apresentado pela cantora e compositora nova-iorquina parece aproximar o público de um novo universo de possibilidades e temas instrumentais, proposta que se reforça com a chegada do doloroso Front Row Seat to Earth (Mexican Summer). Movida pela solidão, medos e saudade, Mering faz de cada composição ao longo do registro um claro exercício de exposição do próprio sofrimento. “Você precisa de mim do jeito que eu preciso de você? / Vamos ser sinceros para uma mudança / Você precisa de alguém? / Você precisa do meu amor?”, questiona em Do You Need My Love, um atormentado delírio confessional que resume com naturalidade a dor que abastece grande parte das canções do trabalho. [Resenha]

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#31. Kaytranada
99.9% (XL)

De composições feitas sob encomenda para Katy B (Honey) e Azealia Banks (Along the Coast), passando pela série de remixes para nomes como M.I.A. (Bad Girls), Disclosure (January) e até Janet Jackson (Alright), Louis Kevin Celestin passou a última meia década explorando diferentes campos da música eletrônica, pop e Hip-Hop. Produtor responsável pelo projeto Kaytranada, o artista de origem haitiana encontra no primeiro álbum de estúdio a possibilidade de expandir a própria sonoridade. Com faixas produzidas entre 2014 e 2016, 99.9% ( XL) mostra a capacidade de Celestin em brincar com diferentes gêneros e até mesmo cenas musicais sem necessariamente perder o controle da própria obra. Em cada uma das 15 músicas que preenchem o disco, um curioso ziguezaguear de experiências, como se o produtor testasse os próprios limites. Canções que brincam com as rimas (Drive Me Crazy), vozes (Together) e arranjos (Weight Off) de forma sempre volátil, curiosa. [Resenha]

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[50 – 41] [30 -21]

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