Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 [50-41]

Categories Listas, Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2016

[50 – 41]

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#50. NAO
For All We Know (Little Tokyo Recordings)

Sem pressa, Neo Jessica Joshua passou os últimos dois anos conquistando o próprio espaço dentro da presente cena britânica. Sob o título de NAO, a cantora e produtora londrina estreitou o diálogo com outros artistas locais, caso de A.K. Paul no single So Good, de 2014, e também com a dupla Disclosure em Superego, de 2015, além, claro, de apresentar ao público dois ótimos EPs, entre eles, February 15, um dos principais exemplares do pop inglês no último ano. Com a chegada de For All We Know (Little Tokyo Recordings), primeiro álbum de estúdio da cantora, todo esse lento processo de amadurecimento se manifesta na construção de uma obra essencialmente plástica, concisa. De forma autoral, NAO parece revisitar uma série de referências e obras que marcaram o R&B/Pop/Funk dos anos 1980 e 1990, encontrando no trabalho de artistas como Prince e Aaliyah a base para o rico catálogo de hits que cresce no interior da obra. [Resenha]

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#49. Dedekind Cut
$uccessor (ded004) (Non / Hospital)

Um ruído minimalista que se esconde em meio a melodias enevoadas de sintetizadores. O canto etéreo que se espalha ao fundo de cada composição, como um instrumento. Samples, colagens e batidas que se entrelaçam de forma sutil, sempre misteriosa. A música de Fred Warmsley parece montada a partir de detalhes, segredos e pequenas descobertas. Um universo próprio, estímulo para as canções hipnóticas de $uccessor (ded004) (Non / Hospital), primeiro trabalho do produtor como Dedekind Cut. Mais conhecido pelos experimentos abstratos lançados sob o título de Lee Bannon, além, claro, de músicas produzidas para diferentes artistas, como Pro Era e Joey Bada$$, Warmsley faz de cada composição dentro do presente álbum um ato de plena descoberta. Trata-se de uma versão minimalista, mas não menos inventiva do mesmo som produzido pelo norte-americano há poucos mais de um ano, durante o lançamento do também climático Pattern of Excel (2015). [Resenha]

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#48. Jessy Lanza
Oh No (Hyperdub)

Jessy Lanza parece seguir um caminho completamente isolado em relação ao trabalho de grande parte das cantoras norte-americanas. Longe de um enquadramento óbvio, comercial, cada trabalho assinado pela produtora de Hamilton, Canadá, dança em meio a reverberações nostálgicas da década de 1980. Vozes e arranjos eletrônicos que replicam grande parte dos conceitos incorporados há mais de três décadas, base do recém-lançado Oh No (Hyperdub), segundo e mais recente álbum de inéditas da artista. Delicada continuação do material apresentado em Pull My Hair Back, de 2013, o novo registro mostra a evolução de Lanza em relação ao uso da própria voz. Longe do conceito “instrumental” do disco anterior, trabalho que explora os vocais como mero complemento para a base eletrônica das canções, em Oh No a voz da cantora se destacam. Da abertura, em New Ogi, passando por músicas como Never Enough e It Means I Love You, pela primeira vez Lanza soa como protagonista da própria obra. [Resenha]

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#47. Kaitlyn Aurelia Smith
Ears (Western Vinyl) / Sunergy (RVNG INTL.)

Dona de uma extensa discografia, remixes e trilhas sonoras produzidas para diferentes filmes e instalações visuais, Kaitlyn Aurelia Smith está longe de ser encarada como uma novata. Todavia, foi com o lançamento de Euclid (2015), primeiro álbum distribuído por um selo de médio porte — o Western Vinyl —, que o trabalho da musicista de Orcas Island foi oficialmente apresentado ao público. Um registro de temas minimalistas, sempre curioso, estímulo para os dois principais lançamentos da artista nos últimos meses. Livre de respostas, Smith entrega ao público duas obras movidas pela incerteza – Ears (Western Vinyl) e Sunergy (RVNG INTL.) Seja no isolamento de um estúdio caseiro ou em parceria com a veterana Suzanne Ciani, cada composição lentamente se parte em um mundo de pequenos detalhes, texturas eletrônicas, referências com o passado e melodias psicodélicas que revelam a assinatura da musicista. Uma versão levemente “polida” do mesmo material produzido pela artista desde o começo da presente década. [Resenha]

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#46. DIIV
Is The Is Are (Captured Tracks)

Ouvir Is the Is Are (Captured Tracks) é como ser arrastado para dentro de um imenso turbilhão de emoções, ruídos e sentimentos confessos. Guitarras crescem e encolhem a todo o instante, sempre replicando diferentes conceitos instrumentais explorados nas décadas de 1980 e 1990. Uma colisão de fórmulas, referências e pontes atmosféricas que sustentam na voz abafada do líder Zachary Cole Smith a base para o nascimento de letras marcados por temas pessoais (Out of Mind), delírios (Take Your Time) e conflitos amorosos (Dopamine). Musicalmente amplo, livre do pós-punk hermético produzido durante o lançamento deOshin (2012), álbum de estreia do DIIV, Is the Is Are é uma obra que lentamente brinca com as possibilidades. Ruídos ásperos que abraçam o shoegaze em Incarnate Devil, solos de guitarra essencialmente melódicos em Mire (Grant’s Song), a voz doce, por vezes pegajosa, de Smith em Dopamine e Under the Sun. Pouco mais de 60 minutos de duração em que o grupo nova-iorquino arremessa o ouvinte para todas as direções. [Resenha]

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#45. Frankie Cosmos
Next Thing (Bayonet)

Não é necessário muito esforço para perceber o quão ativa é a cantora e compositora nova-iorquina Greta Simone Kline. Em meia década de atuação, são mais de 20 discos lançados de forma independente como Frankie Cosmos, outra dezena de obras apresentadas sob o título de Ingrid Superstar, isso sem contar na infinidade de parcerias em estúdio, apresentações em diferentes festivais norte-americanos e colaborações com outros artistas locais – principalmente o Porches, projeto comandado pelo namorado e parceiro de composição Aaron Maine. Em Next Thing (2016, Bayonet), mais recente registro de inéditas como Frankie Cosmos, uma madura continuação do som produzido pela musicista desde 2009, quando deu início à carreira. Trata-se de uma extensão melódica do mesmo material apresentado anteriormente em Zentropy, de 2014, além do EP Fit Me In, lançado no último ano. Versos e arranjos econômicos, mas que acabam ocultando (ou revelando) um mundo de detalhes que aprecem íntimos apenas da obra de Kline. [Resenha]

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#44. Chairlift
Moth (Columbia)

O pop se comporta de forma inusitada a cada novo álbum do Chairlift. Se em 2008, com o lançamento de Does You Inspire You, Caroline Polachek, Patrick Wimberly e o ex-integrante Aaron Pfenning seguiam a trilha de outros nomes do indie pop norte-americano, com a chegada de Something, em 2012, uma clara evolução tomou conta do trabalho assinado pela banda. Livre do som “inofensivo” do primeiro registro em estúdio, faixas como I Belong In Your Arms, Cool as a Fire e Amanaemonesia pareciam indicar um mundo de novas possibilidades – mesmo ancoradas em temas vindos da década de 1980. Em Moth (Columbia), terceiro álbum de inéditas da dupla nova-iorquina, cada faixa parece crescer dentro de um instável ambiente criativo. Um vasto catálogo de ideias, letras, sons e referências que passeiam por diferentes campos da música pop, ampliando o terreno explorado pela dupla em Something. Da abertura, com Look Up, ao fechamento, em No Such Thing as Illusion, fragmentos que utilizam dos sentimentos de Polachek como um instrumento para a formação de versos sempre confessionais e sensíveis. [Resenha]

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#43. Schoolboy Q
Blank Face LP (Top Dawg / Interscope)

Vozes e batidas flutuam em uma nuvem de sons psicodélicos. Fragmentos e samples esquecidos da música negra na década de 1970 servem de base para um conjunto de versos marcados por excessos, drogas, racismo e criminalidade. Em Blank Face LP (Top Dawg / Interscope), quarto álbum de estúdio de ScHoolboy Q e segundo trabalho dentro de uma grande gravadora, todos os elementos explorados há cinco anos no inaugural Setbacks (2011) são mais uma vez apresentados ao público, porém, de forma remodelada, como uma reinterpretação da própria essência. Trabalho em que o time de parceiros do rapper é ampliado consideravelmente, o registro de 17 faixas e mais de 70 minutos de duração se abre para a interferência de artistas como Kanye West (THat Part), Vince Staples (Ride Out), Anderson .Paak (Blank Face), Tyler, The Creator (Big Body) e The Alchemist (Kno Ya Wrong). São produtores, músicos e conterrâneos da cena californiana que tanto assumem uma posição de destaque na construção dos temas instrumentais, quanto na formação das rimas que se espalham pelo interior do álbum. [Resenha]

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#42. Cymbals Eat Guitars
Pretty Years (Sinderlyn)

Perto de completar uma década de carreira, os integrantes do Cymbals Eat Guitars parecem longe de alcançar uma possível zona de conforto. Inspirada pelo trabalho de grupos como Modest Mouse, The Wrens, Built To Spill e outros veteranos do rock alternativo dos anos 1990/2000, a banda de origem nova-iorquina deu vida a uma sequência de grandes obras, encontrando no quarto registro de inéditas, o recentePretty Years (Sinderlyn), a ponte para um novo universo de referências e possibilidades. Sucessor do elogiado LOSE — 41º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 —, o novo álbum nasce como uma declarada fuga dos temas melódicos e diálogos com o pop explorados pelo grupo há dois anos. Raivosas, guitarras e vozes se esbarram a todo instante, resultando em um trabalho de essência ruidosa, caótico, mesmo na adaptação declarado de temas nostálgicos e arranjos inspirados no trabalho de veteranos como David Bowie, The Cure e The Smiths. [Resenha]

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#41. Case/Lang/Veirs
Case/Lang/Veirs (ANTI-)

O que acontece quando você junta um time de grandes vozes femininas e uma sequência de composições marcadas pela completa melancolia dos versos? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada com naturalidade no interior deCase/Lang/Veirs (ANTI-), primeiro registro em estúdio da parceria entre as cantoras Neko Case, k.d. lang e Laura Veirs e um dos trabalhos mais dolorosos que floresceram na recente safra do cancioneiro norte-americano. Movido pelos sentimentos e pequenas exposições intimistas de cada colaboradora, o álbum encanta justamente pela pluralidade de ideias que abastecem cada uma das 14 composições do registros. Uma obra que se divide claramente entre as melodias primorosas de Veirs, esbarra nos versos alcoolizados de Case – ainda íntima do material entregue em The Worse Things Get (2013) –, e cresce íntima do grande público, efeito das vocalizações dramáticas, sempre acessíveis da veterana Lang. [Resenha]

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Veja também:

Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

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