Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 [20-11]

 

Em um ano marcado pelo retorno de veteranos da cena alternativa — como LCD Soundsystem e Slowdive —, exemplares de peso para a música pop — vide Melodrama de Lorde e Ctrl de SZA —, além de obras icônicas para o Hip-Hop norte-americano — caso de DAMN. de Kendrick Lamar e 4:44 de Jay-Z —, nossa lista com Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 busca sintetizar parte desse universo de grandes lançamentos. São trabalhos que passeiam por entre diferentes gêneros, pintando um colorido retrato da produção musical entre os meses de janeiro e dezembro deste ano.

 

#20. Thundercat
Drunk (Brainfeeder)

De To Pimp a Butterfly (2015) e Untitled Unmastered (2016) do rapper Kendrick Lamar, passando pelo experimentalismo de The Epic (2015), álbum de estreia do saxofonista Kamasi Washington, até alcançar o trabalho de artistas como Ty Dolla $ign, Kirk Knight e Mac Miller, não são poucos os registros que contaram com a presença e interferência do versátil Stephen Bruner. Uma coleção de faixas que atravessa a obra de Erykah Badu, Vic Mensa, Childish Gambino, Flying Lotus e outros nomes de peso da música negra dos Estados Unidos. Dono de uma bem-sucedida sequência de obras lançadas sob o título de Thundercat – The Golden Age of Apocalypse (2011), Apocalypse (2013) e The Beyond / Where the Giants Roam (2015) –, o músico californiano chega ao quarto álbum de estúdio brincando com a capacidade de dialogar com diferentes estilos e técnicas. Em Drunk, cada uma das 23 faixas do disco se transforma em um objeto de destaque, conduzindo a música de Bruner para dentro de um terreno nunca antes explorado. Leia o texto completo.

 

#19. Björk
Utopia (One Little Indian)

Durante o período de acasalamento, cada animal, independente da espécie, se orienta de forma a investir em um curioso método de atração. Enquanto alguns se comunicam de forma visual, reforçando a coloração da plumagem, órgãos sexuais aparentes e áreas específicas do corpo, outros investem no uso delicado do som, compondo melodias e ruídos ambientais com o único fim de reprodução e consequente perpetuação da espécie. Surgem ainda aqueles que investem na comunicação tátil, detalhando movimentos ritualísticos, por vezes hipnóticos, como uma confissão romântica em forma de dança. Ainda que de forma simbólica, talvez oculta em camadas de fino humor, é exatamente isso que Björk busca alcançar com Utopia, 9º registro de inéditas da carreira: um particular ato do acasalamento. Está na imagem de capa ou mesmo no material de divulgação do registro, parceria com Jesse Kanda (FKA Twigs), cores e formas destacadas, por vezes simulando vaginas e elementos fálicos, além a dança cósmica montada para o clipe de The Gate. Cada elemento parece visualmente pensado para fazer da cantora e compositora islandesa uma criatura animalesca, fértil, em busca de um provável parceiro. Leia o texto completo.

 

#18. Moses Sumney
Aromanticism (Jagjagwar)

A voz é a principal ferramenta de trabalho para o cantor e compositor norte-americano Moses Sumney. Basta voltar os ouvidos para toda a sequência de obras que vem sendo produzidas pelo músico de San Bernardino, Califórnia, nos últimos anos para perceber isso. Do canto melancólico que invade composições avulsas como Seeds, ao encontro com Sufjan Stevens nos palcos, até alcançar registros pequenos como os EPs Mid-City Island (2014) e Lamentations (2016), difícil não ser arrastado pela onda de sentimentos e confissões intimistas que chegam até o ouvinte por meio da voz minuciosa do artista. Obra de imersão, Aromanticism, primeiro álbum de estúdio de Sumney, usa da voz como um precioso fio condutor, costurando cada uma das 11 composições que sutilmente ganham forma e destaque ao longo do disco. Entre arranjos diminutos, sempre econômicos, o músico californiano estabelece as regras para um trabalho contido e grandioso na mesma proporção, como um labirinto de emoções que joga com o parcial isolamento do eu lírico, sempre sensível, acolhedor. Leia o texto completo.

 

#17. Fleet Foxes
Crack-Up (Nonesuch)

Crack-Up é um trabalho que se revela de forma estranha. Salve exceções, como a delicada If You Need To, Keep Time On Me, raros são os momentos em que o terceiro álbum de estúdio do Fleet Foxes se articula de maneira acessível ao público médio. Uma completa ruptura instrumental e poética, conceito reforçado no título da obra, proposta que resulta em um claro distanciamento do folk rock/pop barroco detalhado pelo grupo nos dois primeiros registros de inéditas – uma obra homônima lançada em 2008 e o mais recente deles, Helplessness Blues, de 2011. Curioso perceber que uma vez dentro do disco, ambientado ao novo estilo de Robin Pecknold e seus parceiros, difícil escapar do trabalho. Produzido em um intervalo de mais de um ano, durante a passagem do grupo por diferentes estúdios, caso do icônico Electric Lady Studios, de Jimi Hendrix, Crack-Up delicadamente se conecta ao álbum entregue ao público há seis anos. De fato, mesmas notas que pontuam o antecessor Helplessness Blues em Grown Ocean servem de estímulo para a inaugural I Am All That I Need / Arroyo Seco / Thumbprint Scar, reforçando a teoria publicada no Reddit, e confirmada por Pecknold, de que os dois trabalhos se completam. Leia o texto completo.

 

#16. Sampha
Process (Young Turks)

Do verso sampleado em Too Much, colaboração com Drake no álbum Nothing Was the Same (2013), passando pela temática racial de Don’t Touch My Hair, parceria com a cantora Solange em A Seat at the Table (2016), poucos artistas se mostraram tão ativos nos últimos anos quanto o britânico Sampha. Em um intervalo de meia década, uma seleção de faixas ao lado de Kanye WestFrank OceanJessie WareSBTRKT e Lil Silva, isso sem mencionar dois ótimos EPs — Sundanza (2010) e Dual (2013) —, e toda uma variedade de composições produzidas de forma independente. Com todo esse repertório e vasta experiência, difícil encarar o recém-lançado Process (2017, Young Turks) como um típico álbum de estreia. Da abertura do disco, em Plastic 100°C, passando por músicas já conhecidas, caso de Blood On Me e (No One Knows Me) Like the Piano, cada segundo do presente trabalho se projeta como uma verdadeira confirmação. Em um intervalo de 40 minutos, Sampha e um time reduzido de colaboradores parecem jogar com os versos e sentimentos, reescrevendo diferentes aspectos do Soul/R&B produzido em território britânico. Leia o texto completo.

 

#15. King Krule
The Ooz (XL / True Panther Sounds)

Em um intervalo de apenas cinco anos, Archy Ivan Marshall foi do personagem obscuro que produzia músicas caseiras sob o título de Zoo Kid para um dos artistas mais interessantes da cena inglesa. Oficialmente apresentado ao público durante o lançamento de 6 Feet Beneath the Moon (2013), já como King Krule, o cantor e compositor britânico fez da colagem de rimos – jazz, pós-punk, Hip-Hop e eletrônica –, o principal componente para a formação de uma estranha, ainda que curiosa, identidade musical. Transformação que atinge melhor resultado nas canções do terceiro álbum de inéditas, The Ooz. Produto direto das inquietações e experimentos acumulados pelo artista desde a produção do antecessor A New Place 2 Drown (2015), trabalho entregue ao público sob o título de Archy Marshall, o registro de 19 faixas e pouco mais de 60 minutos de duração passeia por entre épocas, possibilidades e diferentes estilos musicais sem necessariamente buscar conforto em um conceito específico. Trata-se apenas de uma obra que joga com os instantes, experimental, costurando retalhos instrumentais e poéticos de forma propositadamente torta. Leia o texto completo.

 

#14. LCD Soundsystem
American Dream (DFA / Columbia)

Entregue ao público depois de um longo período de espera, incontáveis boatos, fragmentos como a natalina Christmas Will Break Your Heart, e diversas apresentações canceladas para que Murphy pudesse se concentrar em estúdio, American Dream mostra que o LCD Soundsystem continua tão relevante quanto no início de carreira. Produzido em um intervalo de quase dois anos, o quarto registro de inéditas do grupo nova-iorquina está longe de ser interpretado como um mero caça-níquel oportunista. Trata-se de um novo (e necessário) capítulo dentro da curta discografia da banda, como se o produtor voltasse para completar criativamente as lacunas da própria obra. Como indicado durante o lançamento dos dois primeiros singles do disco, Call The Police e a climática faixa-título, American Dream encontra no pós-punk produzido no final dos anos 1970 o principal componente criativo para abastecer o trabalho. Das guitarras e batidas dançantes que crescem emOther Voices, típicas do Talking Heads em Fear of Music (1979) e Remain in Light (1980),passando pelos sintetizadores atmosféricos à la Soft Cell em I Used To, até alcançar a densa How Do You Sleep?, música que replica a boa fase do Public Image Ltd. em Metal Box (1979), cada fragmento do presente álbum encontra no passado um poderoso alicerce. Leia o texto completo.

 

#13. Dirty Projectors
Dirty Projectors (Domino)

Entre samples de Sheathed Wings, do produtor canadense Dan Deacon, e fragmentos da romântica Impregnable Question, parte do álbum Swing Lo Magellan, de 2012, variações claustrofóbicas na voz de David Longstreth detalham uma poesia angustiada, triste: “Eu não sei porque você me abandonou / Você era minha alma e minha parceira”. Ponto de partida para o sétimo álbum de estúdio do Dirty Projectors, a inaugural Keep Your Name indica o percurso amargo assumido pelo músico nova-iorquino durante toda a formação do melancólico registro. Claramente influenciado pelo rompimento com a cantora, guitarrista e ex-integrante do Dirty Projectors Amber Coffman – embora Longstreth tenha reforçado em entrevistas que está “tudo bem” entre eles –, o registro flutua em meio a versos dolorosamente apaixonados e tentativas de reconciliação. Dono de grande parte dos instrumentos e responsável pela produção do disco, Longstreth se revela em sua forma honesta, fazendo de cada música ao longo da obra um fragmento essencialmente intimista. Leia o texto completo.

 

#12. The War On Drugs
A Deeper Understanding (Atlantic)

Poucos artistas atuais parecem entender tão bem a atmosfera e o som produzido no começo dos anos 1980 quanto Adam Granduciel. Inspirado de maneira confessa pelo trabalho de veteranos como Bruce Springsteen, Tom Petty, Neil Young e Dire Straits, o cantor e compositor norte-americano fez da forte relação com o passado um poderoso estímulo criativo para a curta discografia do The War On Drugs. Uma sequência de obras claramente inspiradas pelo passado, porém, dotadas de um raro frescor e fino toque de renovação. Primeiro registro de inéditas da banda desde o elogiado Lost in the Dream (2014), A Deeper Understanding nasce como uma clara continuação do material apresentado há três anos pelo grupo original da Filadélfia, Pensilvânia. Em um intervalo de quase 70 minutos de duração, Granduciel (guitarra, sintetizadores, voz) e os parceiros de banda, os músicos David Hartley (baixo, guitarras, Robbie Bennett (teclado, pianos, guitarras), Charlie Hall (bateria, órgão), Jon Natchez (saxofone, sintetizadores) e Anthony LaMarca (guitarra, sintetizadores), se aventuram na composição de um som que mesmo nostálgico e referencial, mantém sua identidade. Leia o texto completo.

 

#11. Jay-Z
4:44 (Roc Nation)

Jay-Z passou os últimos cinco anos muito mais interessado na forma de como distribuir a própria música do que a mensagem nela gravada. Ainda que a recente experiência com o Tidal – serviço de streaming do qual é proprietário –, seja o principal ponto referência desse novo “propósito” do rapper norte-americano, sobrevive na curiosa parceria com a Samsung e na estratégia como o medianoMagna Carta Holy Grail (2013) foi entregue ao público – nos smartphones da marca –, o princípio de toda essa articulação comercial. Interessante perceber em 4:44, 13º trabalho de estúdio do rapper, uma parcial inversão desse mesmo conceito. Entregue ao público gratuitamente (por meio do Tidal), o trabalho de apenas 36 minutos, um dos mais curtos dentro da discografia do artista, confirma um novo refinamento na composição dos beats, bases e, principalmente, nos versos articulados por Jay-Z. Um olhar atento, sempre minucioso, sobre a atual fase do rapper, próximo de completar 50 anos de vida – 30 deles dedicados ao Hip-Hop. Leia o texto completo.

 

     

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