Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 [30-21]

 

Em um ano marcado pelo retorno de veteranos da cena alternativa — como LCD Soundsystem e Slowdive —, exemplares de peso para a música pop — vide Melodrama de Lorde e Ctrl de SZA —, além de obras icônicas para o Hip-Hop norte-americano — caso de DAMN. de Kendrick Lamar e 4:44 de Jay-Z —, nossa lista com Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 busca sintetizar parte desse universo de grandes lançamentos. São trabalhos que passeiam por entre diferentes gêneros, pintando um colorido retrato da produção musical entre os meses de janeiro e dezembro deste ano.

 

#30. Jay Som
Everybody Works (Polyvinil / Doble Denim)

Se você observar a ficha técnica ou encarte de qualquer trabalho recente produzido por Melina Duterte vai encontrar uma assinatura padrão: “Gravado, mixado e masterizado no quarto de Melina”. Inspirada pelo trabalho de veteranos da cena independente dos Estados Unidos, como Yo La Tengo e Pixies, a cantora e compositora original de Oakland, Califórnia, decidiu não perder tempo, assumindo ela mesma o total controle e produção de cada trabalho lançado sob o título de Jay Som nos últimos anos. Em Everybody Works, segundo trabalho de Duterte com distribuição em um selo de médio porte, a mesma atmosfera “caseira” na composição dos arranjos e vozes. Um som deliciosamente artesanal, particular, porém, polido pela forma como a cantora e produtora detalha cada elemento no interior do disco. Guitarras, sintetizadores, batidas e vozes que escapam do som Lo-Fi de clássicos recentes do bedroom-pop para um terreno marcado pela limpidez e refinamento. Leia o texto completo.

 

#29. The XX
I See You (Young Turks)

Dizem que estamos em perigo / Mas eu discordo … Você teve fé em mim / Eu não vou fugir / Se tudo desmoronar / Você terá sido o meu erro favorito”. Ainda que a incerteza de um novo amor sirva de base para a inaugural Dangerous, difícil ouvir o dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim e não perceber na canção um paralelo com a presente fase do The XX. Longe da zona de conforto que marca os dois primeiros discos da banda – xx (2009) e Coexist (2012) –, I See You encanta pela busca declarada do trio, completo com o produtor Jamie XX, em provar de novas sonoridades. Embora íntimo do mesmo universo de referências que marcam a curta discografia da banda, como o R&B dos anos 1990 e o soul produzido na década de 1970, I See You detalha o esforço do trio em sutilmente distorcer o conceito minimalista apresentado no primeiro disco de inéditas. Em um diálogo explícito com a música pop, músicas como Lips (“Apenas o seu amor / Apenas os seus lábios”) e Say Something Loving (“Eu preciso lembrar / O sentimento escapa de mim”) se projetam como hits em potencial, aproximando o trio de um som comercial, essencialmente radiofônico. Leia o texto completo.

 

#28. Drake
More Life (OVO Sound / Young Money / Cash Money)

Há tempos Drake não vivia uma fase tão produtiva quanto a atual. Em um intervalo de apenas dois anos, o rapper canadense deu vida a duas ótimas mixtapes – If You’re Reading This It’s Too Late (2015) e What a Time to Be Alive (2015), essa última, parceria com Future –, lançou um trabalho marcado pela boa recepção comercial – Views (2016) –, e ainda esteve envolvido em uma série de faixas colaborativas, caso do hit Work, parceria com a cantora Rihanna, For Free, de DJ Khaled e outros destaques do Hip-Hop/R&B norte-americano. Todo esse excesso de composições e ideias talvez desconexas acaba se refletindo na forma como Drake decidiu lançar o novo registro de inéditas: como uma playlist. Intitulado More Life: A Playlist by October Firm (2017), o presente “álbum” do artista canadense se espalha sem pressa em um intervalo de mais de 80 minutos de duração. São 22 composições que passeiam por entre gêneros, diferentes colaboradores, estúdios e produtores de forma essencialmente acessível, íntima do grande público. Leia o texto completo.

 

#27. Four Tet
New Energy (Text Records)

Mesmo prolífico, responsável por uma extensa seleção de obras, de tempos em tempos, Kieran Hebden parece voltar os esforços para a construção de um registro maior. Trabalhos de forte distanciamento criativo quando observados em proximidade a outros projetos entregues ao público com a assinatura de Four Tet. Experimentos de merecido destaque, caso de Rounds (2003), álbum que apresentou a música de Hebden a uma nova parcela do público, além, claro, de There Is Love in You(2010), possivelmente, a principal obra do artista inglês na presente década. Primeiro registro de inéditas de Four Tet em um intervalo de dois anos, New Energy é justamente um desses álbuns em que o produtor não apenas aumenta o cuidado na produção de cada faixa, como assume a busca por uma nova sonoridade, rompendo parcialmente com a atmosfera dos antigos registros. Entre arranjos e temas minimalistas, sempre delicados, Hebden desacelera, mergulhando na construção de um som onírico, como extensão sensível dos dois últimos álbuns de inéditasBeautiful Rewind (2013) e Morning/Evening (2015). Leia o texto completo.

 

#26. Big Thief
Capacity (Saddle Creek)

Com o lançamento de Masterpiece (2016), Adrianne Lenker (voz, guitarras) e os parceiros de banda Buck Meek (guitarras), Max Oleartchik (baixo) e James Krivchenia (bateria) estabeleceram um pequeno conjunto de regras para as composições apresentadas pelo Big Thief. Um universo de confissões românticas, medos, tormentos existencialistas e sussurros melancólicos que assumem novo enquadramento nas canções do segundo e mais recente álbum de inéditas do grupo nova-iorquino, Capacity. Inaugurado pela sutileza instrumental e poética de Preety Things (“Essas coisas que os solitários fazem / Baby, é por isso que estou aqui para / Eu cuido e faço todo os seus / Desejos se tornarem reais“), o registro de 11 faixas ganha espaço lentamente, sem pressa. Composições afogadas pelos sentimentos de Lenker, sejam eles contidos, caso de Coma (“Você pode acordar agora, mãe / Do seu coma protetor“), ou profundamente excruciantes, vide a derradeira Black Diamonds (“Eu poderia seguir logo atrás / E desaparecer lentamente / Mas eu jamais poderei deixá-lo / Eu jamais poderei deixá-lo“). Leia o texto completo.

 

#25. Jlin
Black Origami (Planet Mu)

Com o lançamento de Dark Enery, em março de 2017, Jerrilynn Patton parecia em busca de uma identidade musical própria. Influenciada pela obra de DJ Rashad e do parceiro de selo, o produtor norte-americano RP Boo, a artista original de Gary, Indiana, fez do primeiro álbum em carreira solo um verdadeiro exercício criativo. Fragmentos instrumentais e batidas que utilizam da elementos da IDM/Footwork como principal combustível para a formação de músicas aos moldes de Guantanamo, Black Ballet e grande parte do repertório presente no interior do disco. Embora diverso musicalmente, Black Origami, segundo e mais recente álbum de inéditas da produtora estadunidense, utiliza do conceito oriental como um precioso combustível para a formação dos arranjos e temas instrumentais que orientam grande parte das composições. Batidas, quebras, samples, vozes e elementos percussivos que transportam o ouvinte para diferentes cenários. Uma criativa desconstrução de tudo aquilo que Jlin vem desenvolvendo desde o começo da carreira. Leia o texto completo.

 

#24. St. Vincent
Masseduction (Loma Vista)

Do pop de câmara e orquestrações contidas que marcam os inaugurais Marry Me (2007) e Actor(2009), para o rock raivoso, cru e explosivo de Strange Mercy (2011). Experimentações curiosas ao lado de David Byrne em Love This Giant (2012), flertes com a música eletrônica e a busca por novas possibilidades no autointitulado disco de 2014. Em um intervalo de apenas uma década, Annie Erin Clark não apenas amadureceu e cresceu musicalmente, como fez do St. Vincent, projeto em que atua desde o início dos anos 2000, um espaço aberto ao constante experimento e transformação. Sexto álbum de inéditas e quinto em carreira solo, Masseduction é onde todas essas experiências se encontram musicalmente. Trata-se do trabalho mais abrangente da artista. Um mundo aberto onde referências ao glam rock dos anos 1970 se encontram com elementos da música pop, passagens breves pela cena eletrônica, orquestrações e entalhes minuciosos que se conectam à poesia versátil de Clark, da abertura ao fechamento do disco, centrada em temas como sexo, drogas e depressão, como detalhado pela artista em uma série de entrevistas recentes. Leia o texto completo.

 

#23. Kelly Lee Owens
Kelly Lee Owens (Smalltown Supersound)

Vozes etéreas, sintetizadores e batidas delicadamente encaixadas na minimalista Anxi, parceria com a cantora sueca Jenny Hval. A letra pegajosa e um atmosfera intimista no interior de músicas comoKeep Walking e Lucid. O detalhamento crescente, ruídos e beats secos que ganham forma na pulsante CBM. Um mundo de possibilidades, sutilezas e pequenos experimentos eletrônicos que se espalham com naturalidade entre as canções do primeiro álbum de inéditas da cantora e produtora inglesa Kelly Lee Owens. Conhecida pela série de composições que vem produzindo desde 2015, Owens passou grande parte do último ano se preparando para a construção do primeiro registro de estúdio. São oito faixas, pouco mais de 40 minutos de duração em que a artista original de North Wales busca pela construção de um som autoral, particular, preferência reforçado na forma como batidas, arranjos e vozes se articulam de forma aproximada. Peças de um imenso quebra-cabeça instrumental que tem início na doce S.O. e segue com leveza até a derradeira 8. Leia o texto completo.

 

#22. Fever Ray
Plunge (Rabid / Mute)

Sintetizadores estrategicamente posicionados, batidas contidas, por vezes dançantes, sempre acompanhadas de vozes carregadas de efeitos e distorções etéreas. Sem pressa, mergulhando na construção de temas como maternidade, depressão, empoderamento feminino e morte, Karin Dreijer Andersson introduziu o público ao universo do Fever Ray, projeto paralelo da cantora e produtora sueca, junto do irmão Olof, grande responsável pelo som torto que orienta a curta discografia do temporariamente extinto The Knife. Uma pequena seleção de clássicos que vai da climática If I Had A Heart ao refinamento acessível de Seven. Curioso perceber nas canções de Plunge, segundo álbum de inéditas produzido pela artista sueca, uma lenta desconstrução da parcial leveza que parecia orientar o trabalho lançado há oito anos. Pulsante, cru e intenso do momento em que tem início em Wanna Sip até a última nota, cada fragmento poético, batida e voz parece arremessar o ouvinte para um novo território, como um mergulho na mente insana de Andersson. Décadas de referências reconstruídas de forma propositadamente instável, como mergulhar em um oceano de incertezas. Leia o texto completo.

 

#21. The National
Sleep Well Beast (4AD)

Quatro anos separam doloroso Trouble Will Find Me (2013) de Sleep Well Beast, sétimo registro de inéditas do The National. De lá pra cá, cada integrante do grupo original de Cincinnati, Ohio, esteve envolvido em uma sequência de trabalhos paralelos de forte relevância para a cena alternativa dos Estados Unidos. Do encontro entre Matt Berninger e Brent Knopf (Menomena) no EL VY, ao experimento de Bryce Dessner no recente Planetarium (2017), parceria com Sufjan Stevens, ou mesmo o colaborativo Day of the Dead (2016), extensa coletânea em homenagem ao Grateful Dead que contou com a curadoria dos irmãos Bryce e Aaron Dessner, sobram registros que comprovam a força criativa do quinteto norte-americano mesmo longo do território que caracteriza o principal projeto do grupo. Interessante perceber nas composições do presente álbum um parcial resgate dessas experiências, como se todos os projetos que contaram com a presença de cada integrante do The National nos últimos anos fossem sutilmente adaptados no decorrer da obra. São ambientações eletrônicas que crescem em momentos estratégicos do disco (Born To Beg, Empire Line), experimentos contidos (Guilty Party) ou mesmo guitarras que distanciam o ouvinte de uma possível atmosfera sufocante (Day I Die), indicando um novo capítulo na longa trajetória do quinteto. Leia o texto completo.

 

     


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