Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 [50-41]

 

Em um ano marcado pelo retorno de veteranos da cena alternativa — como LCD Soundsystem e Slowdive —, exemplares de peso para a música pop — vide Melodrama de Lorde e Ctrl de SZA —, além de obras icônicas para o Hip-Hop norte-americano — caso de DAMN. de Kendrick Lamar e 4:44 de Jay-Z —, nossa lista com Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2017 busca sintetizar parte desse universo de grandes lançamentos. São trabalhos que passeiam por entre diferentes gêneros, pintando um colorido retrato da produção musical entre os meses de janeiro e dezembro deste ano.

 

#50. Japanese Breakfast
Soft Sounds from Another Planet (Dead Oceans)

Mesmo em um ano marcado pelo completo brilhantismo de Angel Olsen (My Woman), Mitski (Puberty 2) e Frankie Cosmos (Next Thing), Michelle Zauner conseguiu atrair a atenção do público para o primeiro trabalho sob o título de Japanese Breakfast Psychopomp (2016). Uma seleção de faixas marcada pela completa sensibilidade dos arranjos e versos, produto das experiências e sentimentos que dominavam a mente da cantora e compositora norte-americana durante o processo de desenvolvimento da obra. Em Soft Sounds from Another Planet, segundo álbum de estúdio da também vocalista do grupo Little Big League, Zauner consegue ir além. Inspirada pelo cosmos e clássicos da ficção científica, a artista original de Eugene, Oregon, transporta os próprios sentimentos para um novo universo, costurando canções de amor, delírios existencialistas, temas feministas e reflexões típicas de uma jovem adulta durante toda a formação do trabalho. Leia o texto completo.

 

#49. Jessie Ware
Glasshouse (Island)

O amor sempre foi encarado como o principal combustível para os trabalhos de Jessie Ware. Dotada de uma sensibilidade rara, a cantora e compositora britânica fez do curto repertório formado pelos discos Devotion (2012) e Tough Love (2014) a ponte para um universo de sentimentos expostos, conflitos e temas existenciais. Canções sufocadas pela saudade, permanente angústia ou simples confissão romântica, cuidado que se reflete nos arranjos e versos cuidadosamente tecidos para o mais comercial e, ao mesmo tempo, inovador trabalho da artista britânica, Glasshouse. Logo na abertura do disco, um convite (“Você me puxa profundamente em meus desejos mais profundos / Você pode me encontrar na meia-noite?“) e a lenta entrega do eu lírico (“Talvez eu te ame / Talvez eu queira / Talvez eu precise de você“), fazendo de Midnight uma síntese delicada de toda a obra. Um profundo diálogo com o R&B/Soul dos anos 1990, como uma natural extensão do trabalho passado que ainda se conecta à crescente Thinking About You, música que parece saída do trabalho de Beyoncé no maduro 4 (2011). Leia o texto completo.

 

#48. (SANDY) Alex G
Rocket (Domino)

Mesmo dono de uma vasta discografia produzida de forma independente, Alexander Giannascoli só conseguiu despertar a atenção da imprensa e de uma parcela maior do público com o lançamento do elogiado DSU (2014), primeiro trabalho do artista em um selo de médio porte. De lá para cá, um novo (e extenso) catálogo de composições inéditas e até projetos assinados em parceira com diferentes artistas, o mais notório deles, Blonde (2016), segundo trabalho de estúdio de Frank Ocean. Em Rocket, mais recente lançamento de Giannascoli e primeiro trabalho sob o título de (SANDY) Alex G, o cantor e compositor norte-americano continua a se aventurar em estúdio na busca por diferentes sonoridades e temas instrumentais. Um verdadeiro mosaico criativo, ponto de partida para a composição versátil do trabalho. Pouco mais de 40 minutos em que o artista californiano testa os próprios limites, incorporando referências e brincando com as possibilidades. Leia o texto completo.

 

#47. Julie Byrne
Not Even Happiness (Ba Da Bing)

“Siga minha voz / Estou bem aqui / Além dessa luz / Além de todo o medo”. Como um precioso convite, a inaugural Follow My Voice conduz o ouvinte para dentro do ambiente acolhedor que se espalha entre as canções de Not Even Happiness. Segundo e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Julie Byrne, o registro de apenas nove faixas amplia o conceito intimista apresentado no antecessor Rooms With Walls and Windows, de 2014, reforçando o folk sentimental e atmosférico que alimenta a obra da musicista. Em ambiente enevoado, por vezes etéreo, efeito da voz marcada pelo som ecoado da captação e arranjos sutilmente espalhados ao longo do disco, Byrne convida o ouvinte a se perder. Como indicado durante o lançamento de Natural Blue, grande parte do registro flutua entre o folk melancólico da década de 1970 e o Dream Pop produzido nos anos 1990 e 2000. Instantes em que a obra da cantora nova-iorquina toca de forma referencial no trabalho de Joni Mitchell, Nico, Cat Power e Grouper, esta última, influência declarada na experimental Interlude. Leia o texto completo.

 

#46. Stormzy
Gang Signs & Prayer (Merky)

Um dia após o lançamento de Gang Signs & Prayer, em 25 de fevereiro, Austin Darbo, editor sênior do Spotify, fez uma inusitada publicação em sua conta Twitter: “Eu nunca vi nada assim. Todas as músicas do [primeiro] álbum de Stormy estão no Top 50 do Spotify. Estou sem palavras”. E não poderia ser diferente. Da abertura do disco, na minimalista First Things First, passando pela coleção de rimas e beats que se espalham ao longo da obra, cada fragmento do trabalho parece pensado de forma a atrair a atenção do público. Autointitulado “uma criança do grime”, como resumiu em entrevista, Michael Omari, verdadeiro nome do rapper, passou os últimos anos se revezando em uma série de registros independentes e trabalhos assinados em parceria com diferentes representantes do Hip-Hop, pop e R&B. Composições como Shape of You, parceria recente com o conterrâneo Ed Sheeran, Ambition, da cantora Raye, além de uma série de remixes e rimas espalhadas em uma variedade de obras recentes. Leia o texto completo.

 

#45. Vagabon
Infinite Worlds (Father/Daughter)

Torres com o experimental Sprinter (2015), Sadie Dupuis e os parceiros do Speedy Ortiz na dobradinha Major Arcana (2013) e Foil Deer (2015), Waxahatchee e as canções do referencial Cerulean Salt (2013), Frankie Cosmos no ainda recente Next Thing (2016). Basta uma rápida pesquisa para perceber como a mesma sonoridade explorada há mais de duas décadas na cena alternativa dos Estados Unidos continua a reverberar de forma explícita no trabalho de diferentes artistas. Uma reciclagem sonora e estética que se revela de forma parcialmente renovada dentro do primeiro trabalho da cantora e multi-instrumentista Lætitia Tamko. Mesmo inspirada pelo som produzido por veteranos como Modest Mouse, Liz Phair e Built To Spill, a artista original de Nova York faz do recém-lançado Infinite Worlds, álbum de estreia como Vagabon, um experimento controlado, curioso. Uma obra que muda de direção a todo instante. Leia o texto completo.

 

#44. Julien Baker
Turn Out the Lights (Matador)

A dor de um coração partido e um universo de confissões a serem compartilhadas com o ouvinte. Oficialmente apresentada ao público durante a melancólica estreia com Sprained Ankle (2015), Julien Baker passou os últimos dois anos aprimorando de forma sorumbática a própria poesia. Um misto de libertação e angústia escancarada que se reflete com maior naturalidade durante a produção dos singles Funeral Pyre e Distant Solar Systems, lançados há poucos meses, mas que ganha força nos versos e melodias arrastadas do segundo álbum de inéditas da cantora, Turn Out the Lights. Nascido das desilusões e do completo isolamento de Baker no lendário Ardent Studios, localizado em Memphis, Tennessee, espaço onde já passaram nomes como R.E.M. e Bob Dylan, o sucessor deSprained Ankle faz de cada fragmento poético um natural reflexo da alma atormentada de Baker. “Você não precisa me lembrar o quanto eu decepciono você“, canta em Appointments, inaugural composição que bebe da mesma fonte melódica do Band of Horses em Everything All the Time(2006), porém, carrega nos versos um mundo de sentimentos próprios da cantora. Leia o texto completo.

 

#43. Father John Misty
Pure Comedy ( Bella Union / Sub Pop)

Movido pela comicidade e ironia escancarada nos versos, Josh Tillman fez do segundo álbum de estúdio como Father John Misty, I Love You, Honeybear (2015), uma criativa desconstrução de diferentes clássicos da música romântica dos Estados Unidos. Composições como Chateau Lobby #4 (in C for Two Virgins), The Ideal Husband e a própria faixa-título do disco, fragmentos da explícita maturidade poética do artista, concentrado em dissecar os mais variados aspectos da vida conjugal. Em Pure Comedy, terceiro e mais recente álbum de inéditas do músico norte-americano, o tom cômico de Tillman se converte de forma a revelar a acidez dos versos e temas atuais explorados pelo músico. Composições ancoradas em debates sobre tecnologia, o preço da fama, a preservação do meio ambiente, política, mídias sociais, o culto cego à celebridades e conflitos existencialistas, típicos de qualquer ser humano. Uma constante sensação de que o sarcasmo detalhado em Bored in the USA, uma das principais faixas do disco anterior, tomou conta do presente trabalho. Leia o texto completo.

 

#42. Zola Jesus
Okovi (Sacred Bones)

Batidas densas e ambientações etéreas que apontam para o início dos anos 1980, lembrando um improvável encontro entre o Joy Division no experimental Closer e a boa fase de Kate Bush no clássico Hounds of Love (1986). Versos confessionais, sempre intimistas, como o reflexo de uma artista sufocada pelas próprias desilusões e rupturas sentimentais. Caos transformado em música, conceito que há mais de uma década orienta com naturalidade os trabalhos produzidos pela cantora e compositora Nika Danilova como Zola Jesus. Primeiro registro de inéditas da norte-americana desde o mediano Tiga (2014), trabalho lançado por um dos braços da gigante EMI, a Mute, o recente Okovi (2017) não apenas marca o regresso da artista ao selo Sacred Bones Records, casa da Danilova desde o inaugural The Spoils (2009), como mostra o esforço da artista em se reinventar dentro de estúdio. Uma obra que claramente preserva a essência dos primeiros trabalhos do Zola Jesus, porém, lentamente se entrega ao diálogo com diferentes temas eletrônicos, soturnos e orquestrais. Leia o texto completo.

 

#41. Syd
Fin (Columbia)

Com três obras de peso nas mãos — Purple Naked Ladies (2011), Feel Good (2013) e Ego Death (2015) —, os integrantes do grupo The Internet não demoraram a conquistar um lugar de destaque na presente cena do R&B/Soul norte-americano. Um dos braços do coletivo Odd Future — o mesmo de Tyler The Crator, Earl Sweatshirt e Frank Ocean —, o quinteto de Los Angeles temporariamente se fragmenta para que cada integrante do projeto possa atuar em um diferente registro em carreira solo, ponto de partida para a construção do primeiro disco autoral da vocalista Syd. Intitulado Fin, o trabalho de 12 faixas é uma passagem direta para o R&B produzido no final da década de 1990. Um jogo de batidas lentas, bases e versos provocantes, sempre sedutores, lançados de forma a enfeitiçar o ouvinte. Medos, declarações de amor e um fino toque de sexualidade que atravessa a obra de artistas como Aaliyah e TLC para dialogar de forma explícita com a o mesmo som produzido por Kelela, Tinashe e outras representantes recentes do gênero. Leia o texto completo.

 

     

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