Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2018 [20-11]


De Blood Orange a Kamasi Washington, de Christine and The Queens à Tierra Whack é hora de relembrar alguns dos principais trabalhos lançados nos últimos meses. São registros independentes ou mesmo obras apresentadas por grandes gravadoras que sintetizam parte da produção internacional em diferentes gêneros – pop, indie rock, hip-hop, R&B, jazz, experimental e eletrônica. Nos comentários, conte pra gente: qual é o seu disco favorito de 2018?


#20. The 1975
A Brief Inquiry into Online Relationships (2018, Dirty Hit / Interscope)

A julgar pelo som que vem sendo produzido pelo The 1975 desde o primeiro álbum de estúdio, não seria uma surpresa se o grupo de Manchester, Inglaterra, investisse na composição de um material cada vez mais acessível, íntimo do grande público. Um previsível exercício criativo que vem sendo derrubado aos poucos, vide a parcial ruptura estética durante o lançamento de I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It (2016), mas que acaba alcançando novo resultado nas canções de A Brief Inquiry into Online Relationships (2018, Dirty Hit / Interscope). Terceiro álbum de estúdio na carreira do quarteto britânico, o trabalho que conta com produção assinada pelos próprios integrantes não apenas perverte como sutilmente amplia parte do repertório que vem sendo testado desde o registro anterior. Composições de essência romântica, sensíveis, porém, mergulhadas em meio a conflitos intimistas, abusos com drogas, caos pessoal e, principalmente, a frieza das relações geradas a partir das redes sociais, conceito explícito logo no título da obra — do português, “uma breve pesquisa sobre relacionamentos on-line“. Leia o texto completo.

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#19. Jon Hopkins
Singularity (2018, Domino)

Poucos artistas parecem entender e replicar de forma tão criativa e as ambientações eletrônicas criadas por Brian Eno quanto Jon Hopkins. Confesso seguidor do artista britânico, o produtor que já trabalhou ao lado de Eno em obras como Small Craft on a Milk Sea (2010) e Viva la Vida or Death and All His Friends (2008) continua a revisitar o passado de forma autoral, sempre curiosa, brincando com a lenta desconstrução do universo apresentado pelo veterano da cena inglesa entre o final dos anos 1970 e início da década seguinte. Quinto e mais recente álbum de inéditas produzido por Hopkins, Singularity (2018, Domino) talvez seja o trabalho em que toda essa relação com a música ambiente seja tratada de forma menos referencial e nostálgica, como se Hopkins encontrasse a própria identidade. Instantes de profunda calmaria que antecedem o formação das batidas, ruídos metálicos e fórmulas instrumentais guiadas em essência pela ruptura, como uma extensão natural de tudo aquilo que o produtor vem experimentando desde o álbum anterior, Immunity (2013). Leia o texto completo.

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#18. Tierra Whack
Whack World (2018, Independente)

Exatos 15 minutos. Esse é o tempo necessário para que a cantora/rapper norte-americana Tierra Whack se revele por completo nas canções do colorido Whack World (2018, Independente). Primeiro álbum de estúdio da artista original da Filadélfia, o registro de essência conceitual faz de cada uma de suas 15 faixas a passagem para um mundo particular, sempre mutável, indicativo da completa versatilidade e estética cuidadosamente planejada para o trabalho. Concebido em paralelo ao curta-metragem produzido pelos diretores Thibaut Duverneix e Mathieu Léger – dupla que já trabalhou em parceria com nomes como Elton John e Broken Social Scene –, cada fragmento do projeto (visual e sonoro) parece detalhado de forma minuciosa. Da composição dos versos e batidas sempre minimalistas à seleta paleta de cores dos vídeos, Whack e o time de colaboradores que a cercam em nenhum momento rompem com a delicada narrativa explícita logo na inaugural Black Nails. Leia o texto completo.

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#17. Christine and The Queens
Chris (2018, Because Music)

Segundo álbum de Christine and The Queens em carreira solo, Chris (2018, Because Music) é uma verdadeira homenagem ao pop/R&B dos anos 1980. Do momento em que tem início, em Comme Si,composição que parece replicar os sintetizadores de Michael Jackson no clássico Thriller (1982), até alcançar a derradeira The Stranger, cada fragmento do disco parece apontar para o passado de forma curiosa, mergulhando em algumas das principais referências que orientam o trabalho da jovem Heloise Letissier, grande responsável pelo projeto. Menos contido em relação ao material entregue no último álbum de inéditas, Chaleur Humaine (2014), um dos registros mais celebrados do novo pop francês, Chris preserva a essência minimalista das antigas composições de Letissier, porém, se permitindo provar de novas fórmulas e temas instrumentais. Não por acaso, a artista escolheu Girlfriend, colaboração com o norte-americano Dâm-Funk, como primeiro single do disco. Um som funkeado e quente, como um diálogo breve com os principais trabalhos de Prince. Leia o texto completo.

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#16. Pusha T
Daytona (2018, GOOD Music / Def Jam)

Licenciada pelo custo de 85 mil dólares — valor pago do bolso do próprio Kanye West —, a caótica imagem de capa de Daytona (2018, GOOD Music / Def Jam), terceiro e mais recente álbum de inéditas de Pusha T, diz muito sobre o universo de pequenos excessos que orienta o trabalho do artista. Trata-se de uma fotografia tirada no banheiro Whitney Houston, em 2006, durante um período de forte instabilidade emocional e constante luta contra as drogas por parte da norte-americana. “Caos organizado”, resumiu o rapper em entrevista. Sequência ao material apresentado em King Push – Darkest Before Dawn: The Prelude (2015), Daytona— o nome é uma “homenagem” ao Rolex Daytona, linha de relógios favorita do rapper —, se revela como uma obra atípica. São apenas sete faixas, parte expressiva delas produzidas individualmente por Kanye West, parceiro do rapper desde o fim das atividades do Clipse, antigo projeto de Pusha T. Um repertório econômico, mas não menos expressivo que toda a sequência de músicas assinadas pelo artista desde My Name Is My Name (2013). Leia o texto completo.

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#15. Rosalía
El Mal Querer (2018, Sony Music)

Da provocativa imagem de capa — uma genitália feminina disfarçada em meio a símbolos religiosos —, passando estética concebida em parceria com o fotógrafo e artista visual Filip Custic, ao refinamento melódico e lírico que se destaca em cada composição, El Mal Querer (2018, Sony Music) é um trabalho que encanta pelos detalhes. Segundo e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora catalã Rosalía Vila, o registro produzido em um intervalo de poucos meses não apenas avança em relação ao antecessor Los Ángeles (2017), como revela ao público uma artista completamente madura, inventiva e em pleno domínio da própria obra. Inspirado de maneira confessa em um romance medieval do século XIII, Flamenca, obra de autoria anônima que satiriza costumes e instituições da época em que foi lançado, El Mal Querer estabelece na temática das relações tóxicas, separações e comportamentos abusivos os principais componentes criativos para a formação dos versos. Composições ancoradas em incontáveis desilusões amorosas, momentos de ciúme exacerbado e pequenas corrupções momentâneas que sufocam e dão fim a qualquer relacionamento. Um misto de amargura e libertação que orienta a experiência do ouvinte até a derradeira A Ningún Hombre. Leia o texto completo.

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#14. Tirzah
Devotion (2018, Domino)

Quem for com sede ao pote talvez se decepcione com o material apresentado no primeiro álbum de estúdio da britânica Tirzah Mastin, Devotion (2018, Domino). Produto das experiências e sentimentos particulares da jovem artista, o trabalho de 11 faixas exige tempo até ser totalmente absorvido pelo ouvinte, efeito do completo minimalismo que orienta a composição dos arranjos e, principalmente, dos versos enevoados que se espalham do primeiro ao último instante da obra. Concebido em parceria com a experiente Mica Levi (Micachu), amiga de infância e parceira de longa data da cantora, Devotion é, como tudo aquilo que Mastin vem produzindo desde o EP I’m Not Dancing, de 2013, uma obra entregue ao parcial experimento. Canções trabalhadas de forma a perverter grande parte dos clichês e elementos que tradicionalmente resumem gêneros como R&B, o soul inglês e, ainda que de forma contida, o pop em seu formato mais tradicional. Leia o texto completo.

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#13. Kamasi Washington
Heaven and Earth (2018, Young Turks)

Heaven and Earth não é simplesmente um disco. É um evento. Do coro de vozes assumido por diferentes representantes da música negra dos Estados Unidos, passando pelo seleto time de instrumentistas que acompanham o saxofonista em estúdio – Thundercat, Terrace Martin, Tony Austin, Ronald Bruner, Jr., Cameron Graves, Miles Mosley e Brandon Coleman –, cada elemento do novo álbum de Kamasi Washington se projeta de forma grandiosa, catártica, como uma extensão madura do som incorporado pelo artista durante o lançamento de The Epic, em 2015. Talvez exigente para o ouvinte médio – são 16 composições extensas e mais de duas horas de duração –, o sucessor do EP Harmony of Difference (2017) naturalmente premia quem se aventura por entre suas faixas. Nada parece descartável, pelo contrário, todos os elementos do disco parecem pensados para atrair a atenção do público, como se da abertura, no juzz-funk-político de Fists of Fury, parceria com os veteranos Dwight Trible e Patrice Quinn, o espectador fosse magicamente conduzido até a derradeira Will You Sing. Um resumo criativo de tudo aquilo que Washington possibilita crescer no restante da obra. Leia o texto completo.

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#12. Snail Mail
Lush (2018, Matador)

Nós podemos ser qualquer coisa / Mesmo separados … Quem está em sua mente? / Não há mais jeito de mudar / Eu ainda vou te amar do mesmo jeito“. Consumida pela saudade, a poesia angustiada, ainda que irônica, de Pristine, funciona como um poderoso indicativo do som produzido por Lindsey Jordan no primeiro álbum como Snail Mail, Lush (2018, Matador). Uma coleção de faixas ancoradas em memórias ainda recentes, como um resgate melancólico da vida sentimental da artista nos últimos anos, mas que a todo momento parece dialogar com o ouvinte. Sequência ao material entregue em Habit EP (2016), cada faixa do presente disco se projeta de forma intimista, porém, livre do canto exageradamente doloroso de nomes como VagabonSoccer Mommye tantos outros nomes recentes do rock alternativo. Canções marcadas por relacionamentos desgastados, separações e o declarado isolamento do eu lírico, porém, sempre sorridentes e honestas, como se Jordan fizesse graça dos próprios conflitos. Leia o texto completo.

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#11. Blood Orange
Negro Swan (2018, Domino)

O trecho declamado pela escritora, apresentadora e ativista LGBTQIA+ Janet Mock, em Family, sexta faixa de Negro Swan (2018, Domino), diz muito sobre a atmosfera e conceito explorado por Dev Hynes ao longo da obra. Quarto álbum de estúdio do cantor e compositor britânico como Blood Orange, o registro guiado pela temática do acolhimento segue exatamente de onde o músico parou há dois anos, durante o lançamento do excelente Freetown Sound (2016). Canções que encontram em núcleos e personagens minorizados – como negros, homossexuais, mulheres e transsexuais –, o principal componente criativo para a formação dos versos. De essência política, como tudo aquilo que Hynes vem produzindo desde o amadurecer criativo, em Cupid Deluxe (2013), cada composição oculta e, ao mesmo tempo, revela um mundo de pequenos detalhes, como retalhos instrumentais e poéticos que se espalham por entre as brechas do disco. São versos declamados, quebras rítmicas e sobreposições que forçam uma audição atenta por parte do ouvinte, como um convite a se perder em um universo próprio de Blood Orange. Uma clara extensão de tudo aquilo que o músico havia testado há poucos meses, durante o lançamento das curiosas Christopher & 6th e June 12th. Leia o texto completo.

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