Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2018 [30-21]


De Jorja Smith a Deafheaven, de Noname à Cardi B é hora de relembrar alguns dos principais trabalhos lançados nos últimos meses. São registros independentes ou mesmo obras apresentadas por grandes gravadoras que sintetizam parte da produção internacional em diferentes gêneros – pop, indie rock, hip-hop, R&B, jazz, experimental e eletrônica. Nos comentários, conte pra gente: qual é o seu disco favorito de 2018?


#30. Jorja Smith
Lost & Found (2018, FAMM)

Se o seu primeiro contato com o trabalho de Jorja Smith foi na breve colaboração em Get It Together, uma das principais faixas de More Life (2017), do rapper Drake, ou no excelente remix de On My Mind, produzido pelo inglês Preditah, Lost & Found (2018, FAMM), estreia da jovem britânica, talvez desaponte. Longe dos temas dançantes incorporados pela cantora e compositora, cada fragmento do presente registro se projeta de forma contraída, como um interpretação sensível da artista sobre a própria alma, medos e sentimentos. “Então me diga como vou encontrar amor em você? / Se eu nem sei o que eu quero de você / Porque nós dois queremos coisas diferentes / Por que este não pode ser um tema comum?“, canta logo na inaugural faixa-título. Um ato lento e misterioso, agridoce, como uma propositada separação de tudo aquilo que Smith havia testado anteriormente. Melodias e vozes sutilmente costuradas em meio a batidas secas, como um replicar das experiências lançadas no início dos anos 1990, lembrando o som produzido por veteranos como Massive Attack e Portishead. Leia o texto completo.

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#29. A.A.L (Against All Logic)
2012 – 2017 (2018, Other People)

Em outubro de 2016, enquanto comentava o processo de produção do elogiado Sirens, segundo álbum em carreira solo, Nicolas Jaar disse em uma extensa entrevista à Crack Magazine se divertir com a repercussão da mídia em torno de cada novo invento autoral assinado pelo produtor nova-iorquino. “Eu sempre acho graça quando as publicações dizem coisas como ‘o primeiro single de Nicolas Jaar em três anos’, quando eu lanço diversos trabalhos com diferentes nomes“, respondeu enquanto citava algumas de suas principais criações. De fato, em um intervalo de uma década, quando começou a se apresentar profissionalmente, o que não faltam são composições espalhadas em uma variedade de projetos paralelos. Ainda que o trabalho como Darkside, projeto assinado em parceria com o multi-instrumentista Dave Harrington, tenha recebido maior destaque por parte da imprensa, vide a boa repercussão do álbum Psychic (2013), sobram experimentações e diálogos com diferentes artistas, como a frequente contribuiçãopara o trabalho da cantora Sasha Spielberg, filha do cineasta Steven Spielberg. Leia o texto completo.

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#28. Julia Holter
Aviary (2018, Domino)

Não espere obter uma resposta imediata ao mergulhar nas canções do novo registro autoral de Julia Holter. Em Aviary (2018, Domino), quinto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana, cada elemento do disco se revela ao público em uma medida própria de tempo, sem pressa. São variações orquestrais, vozes em coro e melodias tortas que refletem o completo desejo da musicista em brincar com a desconstrução de antigos padrões e fórmulas instrumentais. Um misto de delírio, incerteza e permanente desejo de renovação. Ambicioso quando próximo de outros registros produzidos por Holter nos últimos anos, Aviary exige tempo até ser totalmente absorvido pelo ouvinte. Trata-se de uma obra extensa: são 15 músicas que se espalham em um intervalo de aproximadamente 90 minutos de duração. Composições marcadas pelo uso de pequenas abstrações, colagens instrumentais, ruídos e vozes atmosféricas que mudam de direção a todo instante, como uma estranha colisão de ideias que passa por alguns dos trabalhos mais significativos da cantora, caso de Tragedy (2011), Ekstasis (2012) e, principalmente, o material entregue no soturno Loud City Sound (2013). Leia o texto completo.

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#27. Deafheaven
Ordinary Corrupt Human Love (2018, ANTI-)

Instantes de profundo refinamento melódico seguidos de atos marcados pelo caos. Em Ordinary Corrupt Human Love (2018, ANTI-), quarto e mais recente álbum de inéditas do Deafheaven, a dualidade dos elementos — poéticos e, principalmente, instrumentais —, conduz a experiência do ouvinte durante toda a execução do trabalho. Amor e ódio, euforia e contemplação. Oposições conceituais que dialogam de forma propositada com a temática sentimental (e dolorosa) expressa logo no título da obra — em português, algo como “o ordinário e corrupto amor humano“. Não por acaso, OCHL abre em meio a trechos de uma narração da atriz Nadia Kury, em You Without End, indicando a forte dramaticidade e lirismo que orienta a composição do álbum. Um ato lento e essencialmente climático, como se os músicos, George Clarke (voz e piano), Kerry McCoy (guitarras), Daniel Tracy (bateria), Shiv Mehra (guitarra) e Chris Johnson (baixo), aos poucos se encontrassem dentro de estúdio, apontando a direção seguida até o último instante da obra, durante os mais de dez minutos da catártica Worthless Animal. Leia o texto completo.

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#26. Amen Dunes
Freedom (2018, Sacred Bones)

Damon McMahon passou os últimos dez anos se revezando na produção de diferentes obras como Amen Dunes. Entre captações caseiras que deram vida ao inaugural D.I.A. (2009), trabalho gravado inteiramente dentro de um trailer, e passagens por diferentes estúdios nova-iorquinos, de onde fez brotar o maduro e musicalmente bem-resolvido Love (2014), cada novo álbum de inéditas do músico norte-americano parece transportar o ouvinte para dentro de território completamente remodelado, produto de um lento processo de amadurecimento do artista. Com base nesse breve retrospecto, não chega a ser uma surpresa que Freedom (2018, Sacred Bones), quinto e mais recente álbum de inéditas como Amen Dunes, seja justamente o trabalho em que McMahon alcança seu melhor desempenho. Foram três anos de produção, incursões por diferentes estúdios — como o lendário Electric Lady, por onde passaram nomes como Jimi Hendrix, Frank Ocean e Stevie Wonder —, além de parceria com representantes vindos de diferentes campos da música. Leia o texto completo. Leia o texto completo.

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#25. Saba
Care For Me (2018, Saba Pivot)

Sem pressa, Tahj Malik Chandler passou os últimos seis anos se revezando em uma série de colaborações e obras autorais. Sob o título de Saba, o rapper norte-americano contribuiu para diferentes de músicas em parceria com Chance The Rapper – como Everybody’s Something, da mixtape Acid Rap (2013), Angels e SmthnthtIwnt, uma das canções produzidas para o debute do coletivo Donnie Trumpet & The Social Experiment, Surf (2015). Surgem ainda encontros com Noname (Shadow Man), Joey Purp (Cornerstore) e toda uma variedade de registros em carreira solo, entre eles, o bom Bucket List Project, de 2016. Curioso perceber em Care For Me (2018, Saba Pivot), trabalho em que o rapper mais se distancia desse colorido universo de referências, um nítido ponto de amadurecimento conceitual e poético. Trata-se de uma obra diminuta, por vezes claustrofóbica, como uma interpretação instrumental e lírica da imagem em preto e branco que estampa a capa do disco. Um produto da angústia, medos e completo isolamento do eu lírico/protagonista da obra. Leia o texto completo.

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#24. DJ Koze
Knock Knock (2018, Pampa)

Knock Knock é uma viagem. Do momento em que tem início, na etérea Club der Ewigkeiten, até alcançar a derradeira Drone Me Up, Flashy, cada fragmento do terceiro álbum de inéditas do produtor germânico Stefan Kozalla, o DJ Koze, parece transportar o ouvinte para um território completamente novo, mágico. São colagens atmosféricas, samples, batidas e vozes que flutuam por entre décadas de referências e pequenas variações rítmicas, tornando a experiência do ouvinte sempre inusitada. Sequência ao material entregue pelo produtor em Amygdala (2013), além, claro, da bem-sucedida colaboração na série DJ-Kicks, lançada em 2015Knock Knock brinca de forma propositada com a estranheza das formas e arranjos instrumentais. Um misto de delírio lisérgico (Music on My TeethSeen Aliens) e iluminação religiosa (Lord Knows, Jesus) que se reflete na lenta desconstrução de cada elemento ou ritmo detalhado pelo artista, como um passeio musical pela mente insana de Kozalla. Leia o texto completo.

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#23. Cardi B
Invasion of Privacy (2018, Atlantic)

Tamanho sucesso e euforia em torno de Bodak Yellow poderiam facilmente sufocar a carreira de Cardi B, restringindo o trabalho da artista nova-iorquina ao clássico caso da uma personagem marcada pelo título de “one-hit wonder“. Satisfatório perceber nas canções de Invasion of Privacy (2018), primeiro álbum de estúdio e estreia em um selo de grande porte — a Atlantic Records —, um fino exercício de amadurecimento e formação da própria identidade artística da rapper. Centrado na rima, como tudo aquilo que B vem produzindo desde a série Gangsta Bitch Music, o trabalho de 13 faixas delicadamente se esquiva de uma estrutura melódica para investir em versos densos, sempre voltados ao cotidiano da rapper. Uma poesia honesta e crua, própria da artista — ex-integrante de um reality show —, como uma fuga do material que vem sendo trabalhado por outras representantes do gênero. Não por acaso, Get Up 10 e Drip, parceria com os integrantes do Migos, foram justamente as canções escolhidas para inaugurar o álbum. Rimas secas espalhadas em uma base esquelética, como uma síntese do material que vem sendo explorado pela norte-americana desde os primeiros inventos em estúdio. Leia o texto completo.

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#22. U.S. Girls
In a Poem Unlimited (2018, 4AD)

Com o lançamento de Half Free, em setembro de 2015, Meghan Remy parecia ter alcançado um novo estágio criativo, talvez o ápice da carreira como criadora e líder do U.S. Girls. Embora curioso e naturalmente íntimo de tudo aquilo que foi apresentado pela cantora e compositora desde o início do projeto, faixas como Damn That Valley, Woman’s Work e Window Shades pareciam indicar um maior refinamento por parte da artista, como um produto de toda a experiência acumulada pela musicista desde os primeiros inventos autorais. Satisfatório perceber em In a Poem Unlimited (2018, 4AD), sexto e mais recente álbum de inéditas da cantora norte-americana, um renovado posicionamento artístico. Do momento em que tem início em Velvet 4 Sale, música que poderia ser de David Bowie, até alcançar a derradeira Time, cada fragmento do registro parece transportar artista e público para um universo completamente transformado, novo, como uma lenta desconstrução do som originalmente explorado em Half Free. Leia o texto completo.

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#21. Noname
Room 25 (2018, Independente)

Sem pressa, Fatimah Nyeema Warner passou os últimos cinco anos se revezando no criativo encontro com diferentes representantes do hip-hop norte-americana. De diálogos esporádicos com Chance the Rapper e demais representantes da cena de Chicago, como Jamila Woods, Saba e o coletivo Donnie Trumpet & The Social Experiement, passando pela mixtape Telefone (2016), obra que apresentou o trabalho da jovem à uma parcela maior do público, sobram incursões da artista pelos mais variados núcleos do R&B/rap estadunidense. Satisfatório perceber em Room 25 (2018, Independente), primeiro álbum de estúdio de rapper sob o título de Noname, um criativo ponto de conexão entre essas diferentes colaborações e construções poéticas/instrumentais que vem sendo exploradas pela artista. Pouco mais de 30 minutos em que versos rápidos se espalham em meio a debates políticos, questões raciais e o caos cotidiano, reflexo natural da mudança de Warner para a cidade de Los Angeles. Leia o texto completo.

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