Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2018 [40-31]


De Troye Sivan a The Internet, de CupcakKe Earl Sweatshirt, é hora de relembrar alguns dos principais trabalhos lançados nos últimos meses. São registros independentes ou mesmo obras apresentadas por grandes gravadoras que sintetizam parte da produção internacional em diferentes gêneros – pop, indie rock, hip-hop, R&B, jazz, experimental e eletrônica. Nos comentários, conte pra gente: qual é o seu disco favorito de 2018?


#40. Miya Folick
Premonitions (2018, Terrible / Interscope)

Instantes de profunda leveza intercalados com momentos de forte instabilidade poética, rítmica e emocional. Desde o início da carreira, esse tem sido o principal direcionamento criativo incorporado pela cantora e compositora norte-americana Miya Folick. Dona de uma voz forte, a jovem musicista vem fazendo das próprias composições a passagem para um universo de fina exposição sentimental, proposta que ganha ainda mais destaque nas canções de Premonitions (2018, Terrible / Interscope), primeiro álbum de estúdio da artista. Concebido em um intervalo de poucos meses, o trabalho que conta com produção dividida entre Folick, Luke Niccoli, Justin Raisen e Yves Rothman (Angel Olsen, Sky Ferreira) segue trilha melódica que vinha sendo explorada pela cantora nos EPs Strange Darling (2015) e Give it to Me (2017). Canções que passeiam por diferentes décadas e tendências, indo do pop empoeirado de veteranos como Talking Heads e David Bowie, ao rock eletrônico de personagens recentes como Mitski, Japanese Breakfast e, principalmente, St. Vincent. Leia o texto completo.

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#39. Iceage
Beyondless (2018, Matador)

A jovialidade explicita nos inaugurais New Brigade (2011) e You’re Nothing (2013) pode ter ficado para trás, entretanto, o claro amadurecimento na composição dos arranjos e, principalmente, versos assinados por Elias Bender Rønnenfelt trouxe novo significado (e frescor) ao som produzido pelo Iceage. Do punk sujo dos primeiros discos, a ponte para um ambiente claustrofóbico, denso e cada vez mais pessoal, cuidado que se reflete de maneira explícita no quarto álbum de inéditas da banda dinamarquesa, Beyondless (2018, Matador). Onde antes brotavam versos curtos e niilistas, vide a crueza detalhada em faixas como Collapse e Broken Bones, hoje crescem poemas lentos e angustiados, sempre intimistas. “Eu disse que você precisa disso, você precisa disso, você precisa disso novamente / Confie em mim, essas emoções arbitrárias nunca te deixarão transcender / Faça-me verdadeiro“, clama a voz embriagada de Catch It, música em que Rønnenfelt deixa crescer o eu lírico melancólico que serve de base para toda a execução do trabalho. Leia o texto completo.

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#38. Boygenius
Boygenius (2018, Matador)

Boygenius é um trabalho impressionante. Em um intervalo de apenas 20 minutos, tempo de duração da obra, cada elemento do registro de seis faixas parece pensado emocionar o ouvinte, costurando memórias de um passado ainda recente, tormentos e experiências particulares em uma linguagem essencialmente acessível, tocante. Composições ancoradas em relacionamentos fracassados, instantes de profundo isolamento, medo e o permanente desejo de superação. Nascido do encontro entre Julien Baker, Phoebe Bridgers e Lucy Dacus, o projeto concebido em um intervalo de poucas semanas revela ao público o que existe de mais doloroso e libertador no som produzido pelo trio norte-americano. Composições adornadas pelas inserção de guitarras acústicas, blocos temporários de ruídos e vozes complementares que arrastam o ouvinte para dentro de um imenso turbilhão emocional, proposta que se reflete até a derradeira Ketchum, ID. Leia o texto completo.

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#37. CupcakKe
Ephorize (2018, Independente).

Elizabeth Eden Harris, ou como vem se apresentando, Cupcakke, está longe de parecer uma novata dentro da presente cena do Hip-Hop norte-americano. Ainda que as recentes colaborações com a britânica Charli XCX, em Number 1 Angel e Pop 2, tenham servido para alavancar a carreira da rapper original de Chicago, Illinois, sobram registros autorais, boas composições e rimas afiadas que sustentam o trabalho da artista norte-americana de forma sempre provocativa, independente de possíveis conexões ou projetos com outros representantes do gênero. Prova disso está na produção do terceiro e mais recente álbum de inéditas da rapper, Ephorize (2018, Independente). Vindo em sequência a dois ótimos registros, Audacious (2016) e Queen Elizabitch(2017), além, claro, de mixtapes como Cum Cake e S.T.D (Shelters to Deltas), ambas de 2016, o trabalho de 15 faixas e pouco menos de 50 minutos de duração reflete não apenas o amadurecimento da artista, como entrega ao público um bem-servido cardápio de versos. Canções marcadas pela forte sexualidade e fina exposição de Harris, postura reforçada desde os primeiros registros em estúdio. Leia o texto completo.

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#36. Troye Sivan
Bloom (2018, Capitol)

Troye Sivan não poderia ter pensado em um nome melhor para o segundo registro de inéditas da carreira, Bloom (2018, Capitol). Ao mesmo tempo em que funciona como uma metáfora para a entrega e completa vulnerabilidade dos indivíduos durante o ato sexual, difícil não pensar no título da obra como um reflexo do amadurecimento criativo e florescer sentimental do jovem artista, cada vez mais distante da estética pueril detalhada nas canções do primeiro álbum de estúdio, Blue Neighbourhood (2015). Descrito pelo próprio artista como um “álbum sexual“, o trabalho de dez faixas cuidadosamente planejadas dentro de estúdio levou pouco mais de dois anos até ser finalizado e entregue ao público. São composições autobiográficas, centradas em conflitos e desilusões recentes enfrentadas pelo músico sul-africano. Canções e versos marcados pelo coração partido do eu lírico, como uma típica obra de (des)amor, porém, partindo de uma ótica de um personagem homossexual, no caso, o próprio artista. Leia o texto completo.

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#35. Earl Sweatshirt
Some Rap Songs (2018, Tan Cressida / Columbia)

De todos os nomes que já passaram pelo Odd Future, como Tyler, The CreatorFrank Ocean e os integrantes do The Internet, Earl Sweatshirt talvez seja o artista que mais tem de aventurado criativamente. Sem pressa, em uma medida própria de tempo, cada novo registro entregue pelo rapper norte-americano parece apontar para um universo criativo completamente transformado, torto. Batidas e rimas propositadamente estranhas, sempre perturbadoras, como a passagem a passagem para um ambiente que parece desvendado em essência apenas por seu realizador. Primeiro álbum de inéditas desde o sombrio I Don’t Like Shit, I Don’t Go Outside: An Album by Earl Sweatshirt (2015), obra que trouxe músicas como Grief e WoolSome Rap Songs (2018, Tan Cressida / Columbia) mostra a capacidade de Sweatshirt em se reinventar dentro de estúdio, brincando com o uso inexato de fórmulas instrumentais e vozes sem ordem aparente. São composições curtas, atos de até dois minutos, em que o ouvinte é convidado a se perder em um território de pequenas incertezas, conceito que vem sendo aprimorado desde o primeiro registro de estúdio da carreira, o excelente Doris (2013). Leia o texto completo.

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#34. Let’s Eat Grandma
I’m All Ears (2018, Transgressive)

Embora parte de um mesmo projeto, não há como ignorar o forte distanciamento entre as canções apresentadas no primeiro álbum de estúdio do Let’s Eat Grandma, I, Gemini (2016), e o recente I’m All Ears (2018, Transgressive). Enquanto o material entregue há dois anos parecia flutuar em um território de pequenas incertezas, indicando a timidez e inexperiência da dupla britânica formada por Rosa Walton e Jenny Hollingworth, hoje, cada composição que recheia o trabalho da banda reflete o completo amadurecimento de suas realizadoras. Da atmosfera sombria que inaugura o disco em Whitewater, passando pela força na imposição dos versos de Snakes & Ladders, ao curioso experimento em Hot Pink, cada composição do álbum parece transportar o trabalho da dupla para um novo território. Uma busca declarada por novas possibilidades e ritmos, conceito que orienta de forma torta a experiência do ouvinte até a derradeira Donnie Darko, um ato extenso, pouco mais de 11 minutos de pura descoberta. Leia o texto completo.

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#33. The Internet
Hive Mind (2018, Columbia / Odd Future)

Depois de três bem-sucedidos registros de inéditas — Purple Naked Ladies (2011), Feel Good (2013) e Ego Death (2015) —, não seria uma surpresa se os integrantes do The Internet, sempre prolíficos, seguissem em carreira solo, dando fim às atividades da banda. E, tecnicamente, foi isso que aconteceu quando, no início de 2017, Syd e Matt Martians se lançaram na gravação dos autorais Body (2017) e The Drum Chord Theory (2017), dando início à série de projetos paralelos, incluindo obras produzidas por Steve Lacy, vide colaborações com Ravyn Lenae e Kali Uchis, e o recente debute de Patrick Paige II, com Letters of Irrelevance (2018). Entretanto, contrariando possíveis expectativas, o quinteto não apenas decidiu se reagrupar, como, em poucas semanas, deu início às gravações do quarto álbum de inéditas da carreira, o recém-lançado Hive Mind (2018, Columbia / Odd Future). De essência nostálgica, porém, guiado pelo frescor dos arranjos e fragmentos poéticos, cada elemento do álbum reflete o completo amadurecimento do grupo, cuidado que vai da inaugural Come Together à derradeira Hold On. Leia o texto completo.

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#32. Soccer Mommy
Clean (2018, Fat Possum)

Sophie Allison é claramente um produto de seu tempo. Nascida em meio a transição entre o mundo analógico para o digital, a cantora que vivenciou a adolescência no início dos anos 2000 parece trazer para dentro do primeiro álbum de estúdio do Soccer Mommy, Clean (2018, Fat Possum), parte expressiva desse vasto universo de experiências. Ideias, temas e sonoridades que sutilmente apontam para o passado, porém, em nenhum momento se deixam guiar por um fascínio nostálgico e piegas. Imersa em uma atmosfera caseira, típica de qualquer outro exemplar recente do badroom pop, a cantora sutilmente se afasta de outros exemplares do gênero, efeito direto forte apelo melódico que serve de base para grande parte canções. Parte expressiva desse resultado vem da forte relação de Allison com diferentes exemplares do pop rock produzido na virada do século. Trabalhos como o já citado Under My Skin (2004), segundo álbum de estúdio da canadense Avril Lavigne e uma confessa referência para as canções da guitarrista. Leia o texto completo.

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#31. Parquet Courts
Wide Awake! (2018, Rough Trade)

É impressionante que mesmo depois de quatro bons álbuns de estúdio – Light Up Gold (2012), Sunbathing Animal (2014), Content Nausea (2014) e Human Performance (2016) –, os integrantes do Parquet Courts sejam capazes de reproduzir um som tão jovial, criativo e pulsante quanto o das primeiras composições autorais. Um permanente desvendar da própria identidade artística, transformação que se reflete a cada novo registro de inéditas da banda. Sexto trabalho na carreira do quarteto nova-iorquino, Wide Awake! (2018, Rough Trade) talvez seja o melhor exemplo desse constante reinvento do grupo. Primeiro registro de inéditas em dois anos, o trabalho de 11 faixas resume logo na inaugural Total Football parte da energia e força criativa que embala o trabalho da banda formada por A. Savage, Austin Brown, Sean Yeaton e Max Savage. Uma explosão de guitarras, batidas e versos políticos que parecem pensados para bagunçar a cabeça do ouvinte, estrutura que se revela de forma crescente até o último acorde de Tenderless, faixa de encerramento do disco. Leia o texto completo.

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