Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2019 [40-31]


Do pop de câmara de Weyes Blood ao lirismo confessional de Lana Del Rey, do pop nostálgico de Carly Rae Jepsen e Clairo, ao experimentalismo de FKA Twigs e Holly Herndon, é hora de relembrar alguns dos principais trabalhos lançados no último ano. Nos comentários, compartilhe com a gente: qual é o seu disco favorito de 2019?


#40. Denzel Curry
Zuu (2019, Loma Vista)

Desde o início da carreira, Denzel Curry encontrou na cidade de Miami e em memórias da infância na cidade de Carol City, o principal componente criativo para o fortalecimento dos próprios versos. Basta uma rápida passagem pelas canções de Nostalgic 64 (2013), álbum de estreia do artista, ou mesmo toda a sequência de obras apresentadas nos últimos anos, como Imperial (2016) e o ainda recente Ta13oo (2018), para perceber a forma como o rapper norte-americano utiliza de referências e temas nostálgicos para dialogar com o presente, estrutura que ganha ainda mais destaque nas canções de Zuu (2019, Loma Vista). Quarto e mais recente álbum de estúdio de Curry, o trabalho concebido em um intervalo de poucos meses é uma confessa homenagem aos principais articuladores culturais de Miami e um criativo resgate das memórias e experiências particulares do rapper. Da imagem de capa, assumidamente inspirada pela obra do coletivo Poison Clan, passando pela composição dos versos e fina base instrumental ancorada no rap da década de 1990, cada elemento do disco, serve de passagem para uma criativa colcha de retalhos conceituais. Leia o texto completo.

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#39. Ariana Grande
Thank U, Next (2019, Republic)

Mesmo repleto de composições acessíveis, caso de God is a Woman, Breathin No Tears Left To Cry, uma das principais queixas em relação ao trabalho de Ariana Grande em Sweetener (2017) está na parcial ausência de músicas comercialmente, íntimas do grande público. Dona de sucessos como Into YouSide to Side e Break Free, a cantora e compositora norte-americana parecia investir na produção de um registro menos emergencial, talvez sóbrio, estreitando a relação com o R&B dos anos 1980 e 1990, porém, distante das pistas, como uma fuga declarada do som que vinha desenvolvendo desde o início da carreira. Sem necessariamente perder a força criativa alcançada no último disco, interessante perceber nas canções de Thank U, Next (2019, Republic), quinto e mais recente álbum de inéditas na carreira de Grande, um parcial regresso ao mesmo pop autoral aprimorado em obras como My Everything (2014) e Dangerous Woman (2016). Entregue ao público pouco menos de um ano após o lançamento Sweetener, o trabalho encontra na honestidade dos versos, conflitos amorosos e pequenas celebrações da artista norte-americana o estímulo para uma seleção de faixas tão radiofônicas, quanto íntimas do material entregue pela cantora há poucos meses. Leia o texto completo.

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#38. Leif
Loom Dream (2019, Whities)

Loom Dream (2019, Whities) é uma obra viva. Do momento em que tem início, em Yarrow, faixa concebida em meio a captações de campo marcadas pelo canto de pássaros, vozes submersas e ruídos de passos, cada elemento da canção parece trabalhado em uma medida própria de tempo, mergulhando o ouvinte em um universo de pequenos detalhes. São maquinações eletrônicas, porém, tratadas de forma orgânica, efeito direto das incontáveis camadas instrumentais, texturas e sobreposições etéreas que encolhem e crescem a todo instante, tornando a experiência do público sempre incerta. Parte desse resultado vem do próprio conceito adotado pelo britânico Leif Knowles para a produção do disco. Trata-se de uma obra assumidamente inspirada pela temática das plantas, conceito reforçado no título de cada composição – que cita diferentes famílias de flores, herbáceas e gramíneas –, mas que se completa pela fina base instrumental que rege o trabalho de forma mutável, como raízes que se espalham em um território fértil. Um lento desvendar de ideias e experiências eletroacústicas, como uma criativa desconstrução do material entregue no último álbum de estúdio do produtor, o ótimo Dinas Oleu (2013). Leia o texto completo.

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#37. Fontaines D.C.
Dogrel (2019, Partisan)

De Iceage, com New Brigade (2011), passando por Silence Yourself (2013), das garotas do Savages; da estreia do Idles, com Brutalism (2017), ao surgimento do Shame, em Songs of Praise (2018), não foram poucos os artistas que decidiram resgatar elementos do pós-punk na última década de forma essencialmente provocativa e autoral. Uma criativa colisão de ideias e conceitos que aponta para diferentes fases e peças importantes do estilo, estrutura que alcança novo e bem-sucedido resultado nas canções do primeiro álbum de estúdio do grupo irlandês Fontaines D.C., Dogrel (2019, Partisan). Claramente inspirado pela obra de veteranos como The Fall, Wire e demais coletivos que surgiram entre o final da década de 1970 e início dos anos 1980, o registro que conta com produção de Dan Carey (Franz Ferdinand, Bat For Lashes), sustenta no peso das guitarras e batidas secas a base para cada uma das composições entregues pela banda. São pouco menos de 40 minutos em que os músicos Grian Chatten (voz), Conor Deegan III (baixo), Carlos O’Connell (guitarra), Conor Curley (guitarra) e Tom Coll (bateria) não apenas replicam a mesma atmosfera de clássicos do gênero, como revelam ao público uma seleção de versos consumidos pela crueza e provocativo sarcasmo dos temas. Leia o texto completo.

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#36. Cate Le Bon
Reward (2019, Mexican Summer)

No último ano, Cate Le Bon recebeu o convite para produzir o oitavo álbum de estúdio do Deerhunter, Why Hasn’t Everything Already Disappeared? (2019). O resultado dessa parceria, entregue ao público há poucos meses, está na produção de um material puramente nostálgico e marcado pelos detalhes. Canções ancoradas de maneira explícita no pop de câmara dos anos 1960 e 1970, versos marcados por acontecimentos históricos e a minuciosa inserção de arranjos de cordas, cravos e outros instrumentos que contribuíram para a atmosfera orquestrada em parceria com o experiente Ben H. Allen III e demais integrantes da banda norte-americana. Interessante perceber em Reward (2019, Mexican Summer), quinto e mais recente álbum de estúdio da multi-instrumentista britânica, um misto de continuação e delicada desconstrução do mesmo universo criativo detalhado em parceria com o Deerhunter. Do momento em que tem início, em Miami, até alcançar a faixa de encerramento do disco, Meet The Man, inserções minuciosas, melodias e versos dominados pelos sentimentos garantem ao público uma obra marcada pela incerteza dos elementos e permanente desejo de Le Bon em brincar com a própria identidade artística. Leia o texto completo.

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#35. 100 Gecs
1000 Gecs (2019, Dog Show)

Difícil pensar em 1000 Gecs (2019, Dog Show), álbum de estreia da dupla norte-americana 100 Gecs como uma obra única. Trata-se de uma criativa colagem de ideias e pequenos recortes instrumentais. Canções montadas a partir de fragmentos eletrônicos, diferentes gêneros e sonoridades completamente distintas, estrutura que vai do bubblegum pop produzido por nomes recentes, como Charli XCX e SOPHIE, ao dubstep estilizado de gigantes como Skrillex. Um propositado jogo de pequenas incertezas, estrutura que resgata uma série de elementos originalmente testados no primeiro EP da dupla, porém, parte de um novo direcionamento estético. E isso se reflete logo nos primeiros minutos do disco, na instável 745 Sticky. São pouco mais de dois minutos em que Dylan Brady e Laura Les, realizadores do projeto, vão do pop futurístico da PC Music ao experimentalismo torto do Crystal Castles. Retalhos melódicos e rítmicos que se completam pela também eufórica letra da canção. “Eu terminei de planejar / O que eu quero, não segure minha mão / Eu posso fazer o que eu quiser, na primeira tentativa / Você leva dez tentativas, machucando meus olhos“, canta enquanto sintetizadores e batidas mudam de direção a todo instante. Leia o texto completo.

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#34. Jay Som
Anak Ko (2019, Polyvinyl / Lucky Number)

Se em Everybody Works (2017) Melina Duterte decidiu investir em um som que parecia dialogar com o rock alternativo produzido no início dos anos 1990, em Anak Ko (2019, Polyvinyl / Lucky Number) a cantora e compositora norte-americana vai além. Terceiro e mais recente álbum de estúdio da multi-instrumentista como Jay Som, o trabalho segue a trilha nostálgica que vem sendo aprimorada pela artista de Los Angeles desde a estreia com Turn Into (2015). A diferença está na forma como a Duterte se permite provar de novas possibilidades, apontando para diferentes décadas, ritmos e conceitos específicos. Perfeita representação desse direcionamento versátil adotado pela artista ecoa com naturalidade no encontro entre Tenderness e a própria faixa-título do disco. Se em minutos Duterte parece mergulhar no pop rock empoeirado dos anos 1980, emulando o que parece ser a trilha sonora de um antigo seriado de TV, com a faixa seguinte, a guitarrista revela a busca por um som puramente torto e delirante. São camadas instrumentais que se revelam ao público em pequenas doses, como uma tentativa da cantora em explorar as cores e a psicodelia da década de 1970. Leia o texto completo.

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#33. Aldous Harding
Designer (2019, 4AD)

Revisitar a década de 1970 em uma linguagem particular e criativamente desafiadora, esse tem sido o propósito de diferentes representantes da cena alternativa nos últimos meses. Da nostalgia futurística que embala o trabalho de Weyes Blood, em Titanic Rising (2019), passando pelo experimentalismo de Julia Holter, no extenso Aviary (2018), ou mesmo o completo minimalismo que embala as canções de Jessica Pratt, no ainda recente Quiet Signs (2019), sobram registros marcados pelo evidente refinamento melódico e forte diálogo de suas realizadoras com o passado. O mesmo direcionamento nostálgico embala o terceiro e mais recente trabalho de estúdio da cantora e compositora neo-zelandesa Aldous Harding, Designer (2019, 4AD). Sequência ao delicado Party (2017), o novo álbum traz de volta a mesma atmosfera intimista e base acústica detalhada há dois anos, porém, partindo de um novo direcionamento estético. São vozes complementares, sintetizadores e inserções pontuais que sutilmente ampliam os limites da obra. Leia o texto completo.

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#32. Black Midi
Schlagenheim (2019, Rough Trade)

A caótica imagem de capa produzida Schlagenheim (2019, Rough Trade), álbum de estreia do Black Midi, funciona como um precioso indicativo do som torto incorporado pelos integrantes do quarteto britânico. De essência urbana, como tudo aquilo que o grupo — hoje composto por Geordie Greep, Matt Kwasniewski-Kelvin, Cameron Picton e Morgan Simpson — vem produzindo desde o início da carreira, o trabalho de nove faixas garante ao ouvinte numa experimente propositadamente insana, como uma permanente desconstrução de antigas fórmulas e conceitos há muito consolidados no rock inglês. Parte desse resultado vem da forma como o próprio álbum foi concebido: em um intervalo de apenas cinco dias. Para a produção do disco, o quarteto, que já acumulava uma série de composições caseiras e apresentações caóticas, decidiu se reunir em estúdio com o produtor Dan Carey (Franz Ferdinand, Bloc Party). O resultado desse insano processo de captação está na entrega de um material ausente de qualquer traço de polidez, como se o grupo jogasse com as ideias de forma inexata, testando possibilidades dentro de estúdio. Leia o texto completo.

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#31. Jenny Lewis
On The Line (2019, Warner Bros.)

Da estreia em carreira solo, com Rabbit Fur Coat (2006), colaboração com a dupla The Watson Twins, passando pela busca por novas possibilidades, em Acid Tongue (2008), e a clara tentativa em dialogar com uma parcela maior do público, no acessível The Voyager (2014), Jenny Lewis passou parte expressiva da última década em busca da própria identidade artística. Mesmo conhecida pelo trabalho como integrante do Rilo Kiley, e de contribuir com nomes como The Postal Service, faltava à cantora e compositora norte-americana um grande exercício autoral. Satisfatório perceber nas canções de On The Line (2019, Warner Bros.), quarto álbum de estúdio em carreira solo, um evidente senso de aprimoramento estético e lírico. Concebido em um intervalo de cinco anos, o trabalho que conta com produção dividida entre Lewis, Beck, Shawn Everett (Albama Shakes, The War On Drugs) e Ryan Adams não apenas preserva a essência dos antigos trabalhos da artista, como estabelece um evidente ponto de equilíbrio entre algumas das principais referências instrumentais e poéticas da cantora. Leia o texto completo.

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