Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2011 (40-31)

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#40. Banda Uó
Me Emoldurei de Presente Para Te Ter EP (Avalanche Tropical)

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Por mais que você tenha tentado se desvencilhar, em algum momento ao longo do ano qualquer canção da Banda UÓ deve ter tocado perto de você. Destaque em grande parte das publicações de todo o país, o trio goiano soube como poucos como promover hits pegajosos que funcionam tanto dentro como fora das pistas. Entre versões bem humoradas e calorosas para músicas de Willow Smith e Two Door Cinema Club, a banda transformou o EP Me Emoldurei de Presente Para Te Ter em uma espécie de prelúdio para a invasão do Electrobrega/Technobrega que deve tomar conta da música brasileira nos próximos anos – se é que isso já não está valendo. Com produção de Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot do Bonde do Rolê, o álbum de cinco faixas passeia tanto pelo romantismo exagerado de O Gosto Amargo Do Perfume como por uma versão comicamente projetada de Foi Você Quem Trouxe, da ex-dupla sertaneja Edson e Hudson. Tropical.

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#39. Mundo Livre S/A
As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa (Independente)

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Já era tempo de Fred 04 e os parceiros do Mundo Livre S/A apresentarem um novo material. Desde 2004 sem nenhum novo registro oficial o grupo pernambucano transforma o quente As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa em uma espécie de grande apanhado do que foi a produção da banda nas duas últimas (ou três) décadas. O ritmo ainda é o mesmo daquele esbanjado no começo dos anos 90, quando a banda apresentou Samba Esquema Noise, já os versos, estes dialogam com o presente. Dos personagens peculiares montados por 04, aos versos que ressaltam aspectos típicos do presente momento (como em Ela é Indie e Cabocopyleft), a banda distribui uma soma bem explorada de faixas, composições que se conectam diretamente ao clássico Por Pouco (2000), mas que acabam buscando por uma fórmula própria, cômica e sempre suingada.

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#38. Burro Morto
Baptista Virou Máquina (Independente)

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Primeiro álbum nacional a surgir com destaque em 2011, Baptista Virou Máquina marca um profundo amadurecimento não apenas na carreira do grupo paraibano Burro Morto, mas na cena instrumental brasileira como um todo. Sem medo de arriscar, o trabalho explora tanto possibilidades marcadas pela psicodelia nacional da década de 1970, como a conexão com a música africana, o jazz, além de um fundo de pós-rock dos anos 90 que parece preencher as quase inexistentes rachaduras do trabalho. Inventivo, o registro vai aos poucos deixando o aspecto orgânico da obra para transformar as composições da banda em um acoplado de referências sintéticas quase robóticas, algo que talvez justifique a transformação do personagem central do registro ao longo de toda a execução do trabalho. Preciso e vasto na mesma medida, o álbum é a escolha certa aos que pretendem se desvencilhar das mesmices ou excessos que muitas vezes tomam conta do gênero. Ouça, e se deixe transformar e máquina também.

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#37. Autoramas
Música Crocante (Coqueiro Verde)

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É admirável que uma banda como o Autoramas com quase 15 anos de carreira ainda não tenha diminuído a potência e a energia de suas composições. Melhor e mais consistente exemplo disso está em Música Crocante, trabalho que sucede o comercial projeto acústico desenvolvido em parceria com a MTV Brasil, transportando o trio carioca para o mesmo universo de guitarradas e distorções que foram lançadas no começo da década passada. Pegajoso e dotado de uma raiva controlada, o trabalho permite que Gabriel Thomaz, Bacalhau e Flávia Couri se aventurem em meio a um conjunto de músicas visivelmente marcadas pelo rock de garagem dos anos 70/80, além das velhas conexões da banda com os ritmos da jovem guarda – em um nível bem menor do que fora explorado no último registro de inéditas da banda.

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#36. Mopho
Volume 3 (Independente)

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Foram necessários mais de dez anos para que a banda alagoana Mopho pudesse retornar com um trabalho tão completo, belo e místico quanto o anunciado por eles no começo dos anos 2000. Mergulhado nas mesmas referências que proporcionaram destaque ao trabalho do grupo há uma década, Volume 3 apresenta uma banda renovada, ainda sob os comandos do líder João Paulo, porém orientada dentro de uma estrutura muito mais melódica e envolvente. Se em épocas passadas Não Mande Flores e Nada Vai Mudar pareciam ser os grandes pontos de acessibilidade ao trabalho do grupo, agora a banda evidencia um registro inteiramente radiofônico, um trabalho em que vocais cantaroláveis e uma instrumentação primorosa acabam ditando todas as regras. Mesmo dialogando com o presente, o álbum poderia facilmente ser lançado há quatro ou cinco décadas, sendo provavelmente um adversário de peso aos inventivos Mutantes.

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#35. Team. Radio
Summertime (Popfuzz/RockinPress/Sinewave)

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Nas mãos do quinteto pernambucano Team. Radio o verão acabou ganhando novo significado. Nada das fortes radiações solares, cores abundantes transitando pelas praias ou aquele clima de descontração jovial que se revela em propagandas de cerveja, para a banda recifense a estação ganhou um sentido novo e muito mais interessante. Mergulhados em teclados etéreos, guitarras marcadas por distorções densas e vocais que parecem gravados embaixo d’água, o grupo segue de maneira suave nos hipnotizando através das fortes emanações de Summertime EP. Herdeiros de todo o panteão de velhos representantes do Dream Pop/Shoegaze – tanto My Bloody Valentine como Galaxie 500 estão por todos os lados do disco -, o grupo se desvencilha de um resultado copioso sem grandes esforços, mobilizando assim um projeto maduro e atemporal.

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#34. Lautmusik
Lost In The Tropics (Independente)

Os gaúchos do Lautmusik foram muito felizes na hora de escolher o título para o projeto que defenderiam, bem como o nome do primeiro álbum de suas carreiras. Enquanto o primeiro se evidencia como uma espécie de aviso ao ouvinte – o nome vem do alemão “Música Alta” – o segundo, Lost In The Tropics parece retratar a posição do grupo dentro do cenário nacional, como se fossem figuras perdidas dentro da música brasileira (ou dos trópicos). Algo facilmente explicado pela pluralidade de sons esbanjados ao longo do disco, todos estilos que de uma forma ou outra se relacionam com a produção musical estrangeira de diferentes décadas. Espécie de enorme catálogo do rock alternativo, o álbum possibilita que a banda passeie tanto pelo pós-punk britânico dos anos 80, como pelo shoegaze comercial do novo século, gêneros de aspectos tecnicamente distintos, mas que encontram na intensidade das guitarras e nos vocais de Alessandra L. a conexão necessária.

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#33. Madame Saatan
Peixe Homem (Doutromundo Discos)

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Um estrondo de proporções incalculáveis, assim é Peixe Homem, segundo trabalho da banda paraense Madame Saatan e mais firme resposta aos exageros e cópias descaradas que há décadas alimentam o Metal brasileiro. Ainda mais intenso que o primeiro disco do grupo apresentado em idos de 2007, o trabalho de 12 faixas reúne toda a soma de diferentes elementos que trouxeram destaque ao álbum de estreia do quarteto, misturando para além das referências ao Heavy Metal, elementos do rock alternativo, hardcore e inclusive música regional. Comandado pelos vocais da expressiva Sammliz e não poupando no peso dos instrumentos, o disco vai da faixa de abertura (Respira) ao fim da obra encaminhando o ouvinte por um panorama de paredões intransponíveis de guitarras, batidas capazes de dilacerar o ouvinte e uma linha de baixo que praticamente soterra qualquer um que se atreva a desafiar o grupo.

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#32. ruído/mm
Introdução à Cortina do Sótão (Sinewave)

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Foi ao transformar o rock instrumental em algo acessível e ao mesmo tempo complexo para o público que em 2008 os curitibanos do ruído/mm fizeram nascer um dos maiores exemplares que o rock instrumental brasileiro pôde proporcionar na última década, A Praia. Passados três anos desde o lançamento do brilhante registro, os paranaenses retornam com um álbum dotado da mesma beleza e a mesma diversidade instrumental que o anterior projeto foi capaz de proporcionar. Denominado Introdução à Cortina do Sótão, o disco aproxima o quinteto de um som muito mais melódico e límpido, utilizando da “simplicidade” que toma conta das faixas como um mecanismo de aproximação com distintos grupos de ouvintes, indivíduos que talvez tivessem aversão a esse tipo de som, mas que devem encontrar em todas as faixas do material uma espécie de abrigo e também uma passagem para um vasto universo de experiências musicais.

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#31. Sobre a Máquina
Areia (Sinewave)

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Bases instrumentais sombrias e ruídos incorporados a um clima soturno e denso, elementos instrumentais que serviriam como diretrizes para o trabalho de grupos como Godspeed You! Black Emperor, A Silver Mt. Zion e tantos outros ícones do pós-rock, mas que acabam ganhando novo significado nas mãos do trio carioca Sobre a Máquina. Sucessor do também complexo (e obscuro) Decompor de 2010, Areia parece aperfeiçoar todas as experiências e sensações ressaltadas pela trinca Cadu Tenório, Emygdio Costa e Ricardo Gameiro, que contra todas as expectativas e o ambiente natural em que estão inseridos (o ensolarado Rio de Janeiro) acabam se aprofundando em um mundo de sons acinzentados e paredes instrumentais metálicas. Um tipo de som que parece ressaltar um tipo de futuro pós-apocalíptico, mas que talvez seja o mais sincero retrato do que é a música instrumental brasileira hoje.

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[50-41] . [30-21]

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