Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2012 [20-11]

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Luneta Mágica

#20. Luneta Mágica
Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (Independente)

Entre a literatura, o fantástico e o onírico, o primeiro álbum da banda amazonense Luneta Mágica arrasta o ouvinte para um mundo colorido por diferentes sensações. Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida é um encontro curioso entre o Dream Pop da dupla Beach House, a psicodelia do Animal Collective e encaixes certeiros das orquestrações de Sufjan Stevens, tudo isso dentro de uma linguagem própria do trio – formado por Pablo Araújo, Chico Só e Diego Souza. Sempre amargurado e protegido por densas camadas de teclados e distorções, o álbum converte os versos íntimos em um mecanismo de atração, como se o ouvinte se transformasse em um personagem das histórias contadas pela banda. Ora apostando em composições mais rápidas e com um fundo de eletrônica (Eu não acredito), ora centrado em versos arrastados e dolorosos (Largo São Sebastião), o disco muda as métricas em cada nova composição, conduzindo o espectador por um panorama rico e infinito, mesmo nos instantes finais do álbum. Seja bem vindo ao universo mágico da Luneta Mágica.

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Sobre a Máquina

#19. Sobre A Máquina
Sobre A Máquina (Sinewave)

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Supercordas

#18. Supercordas
A Mágica Deriva Dos Elefantes (2012, Midsummer Madness)

Quem esperava por algum tipo de continuação exata do que fora testado há seis anos provavelmente se surpreenda com as novas propostas que caracterizam a obra do grupo formado por Bonifrate (voz, guitarra e violão), Kauê Ravaneda (guitarra), Digital Ameríndio (bateria), Filipe Giraknob (guitarra e efeitos), Diogo Valentino (baixo) e Gabriel Ares (teclado). Nem mesmo as predisposições ao folk-psicodélico que tanto marcam a recente fase solo do líder Bonifrate se fazem presentes no decorrer da obra. Tudo ecoa novidade, acertos urbanos e uma variedade de formas que ampliam de maneira significativa todos os limites da banda. Esqueça a psicodelia bucólica que antes tingia com musgo cada nova pérola musical lançada pela banda. Aqui as guitarras, a cidade e até certa dose de esquizofrenia falam mais alto. Enquanto Seres Verdes Ao Redor estava mais para o que fora testado pelo Clube da Esquina e todos os elementos da psicodelia rural que afloraram no rock brasileiro da década de 1970, hoje as predisposições que definem a obra da banda carioca são completamente outras. Talvez por conta dos experimentos épicos e o caráter “urbano” do álbum, as aproximações com os sons testados pelo Pink Floyd em álbuns como Meddle (1971) e Wish You Were Here (1975) imprimam marcas mais do que significativas no decorrer do disco. Tudo se reconfigura de maneira séria dentro do achado de guitarras densas e picotados encaixes de ruídos, marcas que em nenhum momento se assemelham aos acertos psicodélicos e esverdeados de outrora.

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Curumin

#17. Curumin
Arrocha (Vinyl Land)

Luciano Nakata, o Curumin, não está nem um pouco errado quando diz que Arrocha é um disco que “tem uma pressão” dentro dele. Parcialmente oposto do que o cantor e compositor paulistano vinha desenvolvendo com os dois elogiados Achados e Perdidos (2005) e Japan Pop Show (2008), o novo álbum se expande como um mineral resistente, de brilho raro e que parece esculpido inteiramente em cima da pressão de batidas secas. Distante das formas instrumentais e do suingue que conduzia a carreira do músico até pouco tempo, o registro se aproxima de forma natural da música eletrônica, referência que há tempos circunda a discografia do artista, mas que somente agora assume as rédeas e os experimentos do recente álbum. Mesmo que a mudança e novos rumos se apoderem do trabalho, não há em nenhum momento a percepção de uma quebra brusca no que Curumin vinha desenvolvendo. Parte do que assume os comandos do disco já era visível durante toda a extensão do álbum anterior. A diferença está na curva assumida pelo músico no recente lançamento, como se durante a execução da faixa Kyoto, uma das melhores do último disco, o paulistano optasse por abandonar o som orgânico que vinha explorando para se concentrar exclusivamente no aperfeiçoamento das batidas e de todo o referencial sintético que acabam se revelando ao longo do novo projeto.

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Mahmundi

#16. Mahmundi
Efeito das Cores EP (Independente)

“Gravado nos dias de sol de Janeiro a Março, no Rio de Janeiro”, Efeito das Cores é uma viagem nostálgica e ao mesmo tempo atual aos sons construídos na década de 1980. Mezzo Rita Lee pós-Tutti Frutti, mezzo Marina Lima brincando de Blitz, em apenas cinco faixas a carioca dança em torno de composições românticas, descompromissadas, dançantes e fáceis. Hits prontos que parecem ter viajado três ou mais décadas até chegar aos dias de hoje, conversando tanto com a Chillwave de Toro Y Moi (Felicidade) como o rock indie tupiniquim (Desaguar). Passeando pelos mesmos limites instrumentais de Silva, Marcela Valle, grande responsável pelo projeto se encontra com as batidas eletrônicas do produtor Lucas de Paiva, fortalecendo o esqueleto sonoro que dá movimento e sustentação ao disco. Dentro desse jogo de referências – antigas e recentes -, fórmulas e sons, Valle encontra um medida doce e por vezes inédita, permitindo que faixas aos moldes de Calor do Amor – uma das melhores músicas de 2012 junto de Desaguar -, Fotografe e todas as demais composições do curto álbum grudem feito chiclete nos ouvidos. A década de 1980 ainda não teve fim, ela acaba de começar.

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A/B

#15. Vitor Araújo
A/B (Independente)

Vitor Araújo é uma presença curiosa e quase contraditória na recente fase de artistas que definem a cena instrumental brasileira. Solitário, o músico recifense começou a chamar as atenções antes mesmo de alcançar a maioridade, resultado óbvio de suas ações em se aventurar continuamente pelas vias mais experimentais da música erudita. Entregue ao improviso e se apresentando quase sempre com um par de All Star surrado nos pés, o prodígio não demorou a atrair os olhares famintos da mídia, os ouvidos do público e a atenção de incontáveis curiosos. Figuras que encontraram no caminho não linear apresentado pelo compositor um acabamento pouco convencional ao que ecoa em sua terra natal – musicalmente lembrada pelo colorido do Mangue Beat e do Frevo – ou mesmo dos clichês que bem caracterizam o panorama indie que se estabeleceu na última década. Ainda preso aos mesmos inventos que lhe trouxeram destaque e atenção há alguns anos, Araújo rompe a camada nítida de timidez que o acompanhava para entregar aquele que de fato deve ser encarado como o primeiro registro de sua ascendente carreira. Sutilmente apresentado como A/B, o trabalho de oito volumosas composições arrasta o músico (e o público) para um resultado diferente do que parecia definido no decorrer do álbum TOC (2008), registro ao vivo que serviu como espécie de apresentação do trabalho do músico. Agora livre das obsessões e possíveis transtornos que pudessem impedir o crescimento de sua obra, Victor transforma o presente disco em um trabalho de rumos nunca óbvios e dicotômicos, mesmo aos mais habituados ouvintes.

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Alice Caymmi

#14. Alice Caymmi
Alice Caymmi (Kuarup/Sony Music)

Ao mergulhar nos ensinamentos do avô Dorival Caymmi e emergir nos experimentos de Björk do álbum Post (1995), Alice Caymmi parece ter desbravado e firmado um espaço musical totalmente próprio. Sem qualquer tipo de relação com velhas e novas vozes femininas da música popular brasileira, a cantora deixa fluir uma emoção genuína em cada uma das faixas que recheiam o primeiro álbum de sua carreira. Dona de uma voz ainda mais singular do que a proposta sonora que a acompanha, Caymmi derrama versos sobre o mar, passa pela melancolia, percorre as vias de sentimentos existenciais até dissolver tudo em um aquário instrumental que preenche cada espaço dos ouvidos do espectador. Íntima dos esforços compartilhados da nova e da velha MPB, porém distante de tantas marcas desgastadas que ferem o “gênero”, Alice traz no primeiro álbum o mais puro frescor, alcançando uma medida tão ampla, quanto o oceano que a inspira.

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Sexy Fi

#13. Sexy Fi
Nunca Te Vi De Boa (Far Out)

É difícil aceitar Nunca Te Vi De Boa como um registro de estreia. Primeiro pela presença ativa dos ex-integrantes da falecida banda Nancy, depois pela grandiosidade lírico-instrumental que recheia todo o álbum. Jazzístico, pop, experimental e pegajoso, o álbum discute referências típicas da cidade de Brasília de forma curiosa, como se os integrantes cantassem em uma língua própria sobre um universo conhecido apenas pelo grupo. A relação particular com o local vai além da cidade da banda, firmando um relação curiosa com a música experimental de Chicago, resultado da presença de John McEntire (membro do Tortoise e The Sea and Cake) como produtor do disco. Com toques de Dirty Projectos, acertos com o Jazz de Miles Davis e um pouco da mesma climatização que define a trajetória do Hurtmold (principalmente nos primeiros discos), cada passo dado no interior do registro puxa a banda para um novo cenário. Ao mesmo tempo em que tudo funciona de maneira experimental e quase inexata, uma linha condutora é posta de forma cuidadosa na abertura do trabalho, garantindo sentido e mantendo as atenções do ouvinte até a última música. Os experimentos do Sexy Fi estão só começando. 

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Cambriana

#12. Cambriana
House Of Tolerance (Independente)

Poucas coisas são tão desagradáveis dentro da música nacional, quanto perceber a incapacidade de um artista em absorver as experiências estrangeiras, sem retribuir com algo novo em troca. A desgastada resposta de que tudo não passa de inspiração, quando na verdade ecoa como vergonhosa cópia. Um efeito que não se encontra no decorrer de House Of Tolerance, registro de estreia do coletivo goiano Cambriana e a mais coerente relação brasileira com tudo que funciona na cena norte-americana. Encontrando referências nos trabalhos de grupos como Arcade Fire, The National e, principalmente, Grizzly Bear, o grupo faz do primeiro álbum um exercício moderno de antropofagia, em que todas as experiências externas se encaminham para um resultado novo e atrativo até a última faixa. Dotado de uma beleza rara e construído em cima do mais puro esmero, em cada canto do álbum se esconde uma surpresa, ora influenciada pelos vocais (Swell), ora pela instrumentação (Face To Face) ou ainda pelo encontro exato dos dois elementos (Waitress). Um tratado que converte as preferências de cada um dos sete integrantes da banda, de forma a alcançar um produto único, raro e de pura originalidade.

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Siba

#11. Siba
Avante (Independente)

Não há nada mais corajoso (e louco) do que um artista imerso em uma fórmula musical bem sucedida dizer adeus a tudo (ou quase tudo) que lhe garantiu destaque em busca de um resultado novo e desafiador. Embora seja uma estratégia arriscada, não são poucos os que fazem disso um mecanismo para cada novo lançamento – Radiohead e Björk estão aí para comprovar -, entretanto, ao voltarmos nossos olhos para a música brasileira, em que as conturbadas possibilidades de lançar um novo trabalho praticamente obrigam alguns artistas a seguirem determinada ordem, encontrar alguém que rompa com essa lógica é algo raro e que deve ser observado de forma atenta. Depois de apresentar dois excelentes discos que retratavam as múltiplas tonalidades da música trabalhada na Zona da Mata pernambucana – A Fuloresta do Samba de 2003 e Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar de 2007 -, Siba retorna agora com um registro parcialmente distante de suas anteriores investidas musicais, Avante. Oposto do regionalismo natural que habitava os dois anteriores projetos do músico, o recente álbum abre possibilidades para que Siba percorra um universo de guitarras leves e incursões sonoras que praticamente o transportam para idos da década de 1990, quando ainda fazia parte do grupo Mestre Ambrósio, um dos grandes e ingenuamente desconhecidos representantes do Mangue Beat.

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[30-21] [10-01]

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