Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2013 [20-11]

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[20-11]

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Cérebro Eletrônico

#20. Cérebro Eletrônico
Vamos Pro Quarto! (Independente)

A boa forma explícita em Deus e o Diabo no Liquidificador, de 2010, garantiu ao grupo Cérebro Eletrônico um posto de destaque dentro da nova safra de bandas nacionais. A julgar pelas melodias cuidadosas de Fernando Maranho e os versos sempre acessíveis assinados por Tatá Aeroplano, a sensação de maturidade e um provável estágio de conforto parecia apontar a futura direção da banda. Um erro. Tão logo tem início, Vamos Pro Quarto, quarto e mais novo disco do grupo, soa como uma completa desarticulação dos últimos inventos assinados pela banda, entregando ao espectador um cenário de legítima novidade. A psicodelia, antes tratada dentro de um invólucro pop e radiofônico, agora bate de frente com um catálogo de marcas esquizofrênicas, referências que ocupam tanto os versos como as formas instrumentais de todo o disco. Ainda passeando pela noite paulistana, a banda faz de Não Bateu Nosso Santo e Egyptian Birinights alguns dos melhores recortes da vida boêmia. Um cruzamento de exageros que não parece ter fim mesmo ao nascer do dia. [+]

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Bixiga 70

#19. Bixiga 70
Bixiga 70 (Independente)

Quente. Depois de preparar o terreno com o disco lançado em 2011, chega a vez do coletivo Bixiga 70 convidar o público para a dança com o novo projeto de estúdio. Capaz de brincar com o ritmo quente da cultura africana e as experimentações controladas do Jazz, o segundo álbum da banda paulistana encontra na música brasileira e em outras referências próximas uma eventual transformação no cenário colorido que construiu há dois anos. Íntimo das mesmas experiências retratadas pelo grupo durante as apresentações ao vivo, o álbum segue até o último segundo em um estado de leveza pulsante e chamado para a dança, acabamento evidente no suingue de Ocupai, logo no começo do disco. Longe de parecer uma continuação do trabalho que o antecede, o novo álbum encontra em elementos da música nortista (Kalimba), psicodelia (5 Esquinas) e até na música pop (Kriptonita) uma evidente mudança na estética. Capaz de dialogar com todos os públicos sem necessariamente perder a própria essência, o segundo disco do Bixiga 70 encara a maturidade sem perder o principal componente que trouxe real destaque ao grupo: a jovialidade. [+]

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Bixiga 70

#18. Fábrica
Grão (Independente)

Quando apresentou a inédita Mais Um, em meados de Setembro, Emygdio Costa praticamente anunciou a completa desconstrução do que viria a definir o segundo registro em estúdio do Fábrica. Nada íntimo das experiências “comuns” instaladas no autointitulado disco de 2012, Grão encontra na relação entre os arranjos experimentais e boas melodias de vozes um passo seguro para o crescimento da banda. Passeando pelo samba, mas sem se desligar da relação curiosa com o Freak Folk norte-americano, Costa trouxe para dentro do disco um imenso cardápio de possibilidades. São canções que até esbarram nos contornos típicos da MPB, caso de Partida, mas que logo encontram em pequenas articulações excêntricas uma natural fuga do comum, típicas do Grizzly Bear. A complexidade do disco de forma alguma garante ao ouvinte uma obra difícil de ser absorvida, pelo contrário, parece impossível não se deixar envolver pelas vozes de Infante ou os arranjos de Córrego, músicas que provocam e acolhem em exata divisão. Acompanhado de perto pelos parceiros do Sobre A Máquina, Cadu Tenório e Alexander Zhemchuzhnikov, Emygdio finaliza uma obra tão simples como deliciosamente confusa. [+]

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Bonifrate

#17. Bonifrate
Museu De Arte Moderna (Independente)

Bonifrate parece melhor a cada novo disco. Das ambientações Lo-Fi que apresentaram o inaugural Os anões da Villa do Magma (2007), aos inventos bucólicos de Um Futuro Inteiro (2011), cada trabalho assinado pelo músico carioca parece brincar com um aspecto específico da música psicodélica – de hoje ou do passado. Todavia, nenhum registro assinado pelo cantor parece igualar o mesmo teor de inventividade e boas melodias quanto Museu De Arte Moderna. Apresentado como um resumo menos excêntrico do último disco do Supercordas, A Mágica Deriva Dos Elefantes (2012), o álbum embala o ouvinte em um cenário de pleno misticismo, mas que mantém durante todo o tempo uma forte composição urbana. Das guitarras de Allegro! Allegro! aos versos plásticos de Eu não vejo Teenage Fanclub nos teus olhos, a forte relação com o Pop parece aproximar o músico de um novo jogo de possibilidades, principalmente instrumentais, mantendo a boa forma do registro até o ecoar da delicada faixa de encerramento, Canção de pelúcia. [+]

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#16. Lívia Cruz
Muito Mais Amor (Independente)

Em um ano em que o R&B foi acrescido por um verdadeiro catálogo de obras relevantes, errou feio quem esqueceu de voltar os ouvidos para a música nacional. Marcado pela crueza melancólica das raízes negras, Muito Mais Amor, álbum de estreia da rapper Lívia Cruz, talvez seja o exemplar mais intenso de toda a nova safra do gênero em solo brasileiro. Costurado da primeira à última música por um conjunto de faixas amarguradas, o disco encontra no amor e, principalmente, na falta dele o combustível para o crescimento de cada canção. São músicas que dançam pela eletrônica (Só Por Hoje) e flertam de maneira inteligente com o pop (Diamantes), encontrando em traços nostálgicos do soul (Ele é Jogador) uma construção inteligente para o disco. Personagem principal da própria obra, Cruz utiliza do álbum como um espaço para a registrar pequenas e dolorosas confissões. A arquitetura soturna dada ao álbum entrega ao ouvinte algumas das composições mais dolorosas de todo o ano, caso de Você Se Enganou e Foi O Que Foi, músicas que em nada devem ao que ocupa as mesmas referências dentro do cenário estrangeiro. [+]

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Nevilton

#15. Nevilton
Sacode (Independente)

O Pop e o Rock ocupam o mesmo espaço no interior de Sacode. Segundo álbum de estúdio da banda paranaense Nevilton, o disco deixa de lado o catálogo de faixas empoeiradas do debut, De Verdade (2011), para entregar ao público um bem resolvido cardápio de músicas inéditas. Com os arranjos apontados para as melodias plásticas que marcaram a década de 1990 – indo de Pavement à Raimundos -, o álbum entrelaça uma sucessão de de hits pegajosos em que a fuga se revela como uma escolha naturalmente impossível. Acompanhado de perto por um prestativo Carlos Eduardo Miranda, Nevilton de Alencar (guitarra e voz) e os parceiros Tiago “Lobão” Inforzato (baixo) e Éder Chapolla (bateria) fazem do disco uma obra sem pausas. Tudo é resolvido de maneira intensa, fácil e inevitável, como se da pegajosa Crônica, na abertura do álbum, o ouvinte fosse arrastado sem escapatória até os instantes finais do disco. Com músicas que se entregam ao peso dos arranjos (Sacode) e faixas que abraçam a suavidade (Friozinho), o trabalho mais parece um imenso mosaico de tendências, um catálogo de doces excentricidades tão coloridas quanto a capa do registro. [+]

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Nana

#14. Nana
Pequenas Margaridas (Independente)

A fragilidade dos vocais e o alinhamento doce dos versos são apenas disfarces para a melancolia de Pequenas Margaridas. Estreia da cantora e compositora Nana, o abrandado debut vai além de um mero agregado de emanações “fofas” ou metáforas “bonitinhas”, mas um disco que lida com o isolamento de forma particular, sem parecer óbvio. Seguindo as pistas de veteranos como Belle and Sebastian e Camera Obscura, a cantora baiana ameniza o próprio sofrimento (bem expresso no abandono de Aniversário) em um catálogo de sintetizadores, batidas eletrônicas e ruídos enevoados de guitarras. São canções que esbarram na essência jovial de If You’re Feeling Sinister (1996) sem que haja um distanciamento da produção nacional – principalmente a bossa nova de Nara Leão. Sustentado pelos detalhes – dos versos e dos arranjos -, o disco brinca com as referências em O Céu de Estocolmo, explora possibilidades rítmicas em Montanha Russa, até se confortar no aconchego da derradeira As Nuvens. Em uma atmosfera própria, o álbum talvez passe despercebido para ouvintes mais apressados, reservado para os espectadores atentos um catálogo ainda maior de acertos e sentimentos tão íntimos da cantora, quanto nossos. [+]

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NVBlado

#13. Nvblado
Afogado (Independente)

A dor ecoa por todas as direções de Afogado. Álbum de estreia do grupo catarinense Nvblado, o sombrio registro assume no conjunto limitado de músicas um campo imenso de confissões e desespero. Conduzido pelas ambientações típicas do Pós-Rock, mas sustentado de fato pelas vocalizações que se dividem entre o Metal e o Screamo, o trabalho de seis faixas mais parece uma carta de despedida, tamanho o teor emocional que ocupa toda a construção dos versos e até mesmo dos sons. São trechos como os de Angústia – “Dói, isso dói, como o carinho de suas mãos geladas/ Isso me destrói/ Estou reduzido ao nada” -, capazes de estabelecer todo o estado de desordem que predomina durante o registro. Melancólico em essência, o disco equilibra a fragilidade sentimental dos versos com uma bem instalada arquitetura de arranjos. Das construções épicas que definem Arpoador aos acordes matemáticos de Morada, cada traço orquestral do disco ajuda a propagar a sensação de desconforto que acompanha o espectador – lentamente convertido no mesmo personagem central que passeia dolorosamente pelo disco. [+]

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Wado

#12. Wado
Vazio Tropical (Oi Música)

Wado precisa apenas de alguns instantes para confortar o ouvinte no ambiente calmo de Vazio Tropical. De fato, se observado atentamente o presente disco do músico catarinense/alagoano é uma obra pontuada pelos instantes. As ambientações eletrônicas testadas em Samba 808 (2011) agora abrem espaço para que um conjunto de arranjos brandos se instalem com delicadeza. Essencialmente econômico, o disco produzido por Marcelo Camelo traz muito da estética solo do músico carioca, porém, sem prejudicar o natural rendimento autoral de Wado. A leveza, instalada logo na inaugural Cidade Grande, aos poucos dança em um palco de doce timidez, abrindo espaço para que canções irmãs, como Cantos do Insetos e Rosa, se espalham o mesmo conforto. Embora fragmentado entre as confissões do cantor, o disco aos poucos esbarra em nuances políticas (Primavera Árabe) e sociais (Carne), trazendo na interferência bem resolvida de Cícero (Zelo), Momo (Flores do Bem) e do próprio Camelo (Tão Feliz) uma natural expansão do propositalmente tímido registro.  [+]

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Passo Torto

#11. Passo Torto
Passo Elétrico (Independente)

Um cenário de possibilidades cresce no interior de Passo Elétrico. Menos tímido ou talvez exageradamente perturbador em relação ao debut de 2011, o segundo álbum de estúdio da paulistana Passo Torto arrasta o ouvinte para um panorama de verdadeiro caos e desordem urbana. Marcado de forma expressiva pelas guitarras sujas de Kiko Dinucci, o álbum abre espaço para que a poesia de Romulo Fróes e Rodrigo Campos se acomode em um ambiente de cor cinza, um espaço que até lembra São Paulo, mas ecoa de forma instável como qualquer grande metrópole. Erótico (Simbolo sexual) e romântico (Isaurinha) em uma atmosfera própria, o trabalho está longe de repetir as experiências paralelas de seus criadores, trazendo para o interior de cada faixa um conjunto de referências desconexas, efêmeras, e, ainda assim, estranhamente hipnóticas. Por vezes descritivo (A cidade cai) e em instantes brincando de forma meticulosa com as metáforas (Helena), o trabalho cria no proposital desconforto uma inevitável prisão para o ouvinte. Como um passeio atento pelo centro da cidade, Passo Elétrico revela de forma incômoda os traços sujos que riscam a pintura dos prédios ou mesmo os estranhos personagens que surgem pelas esquinas.  [+]

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