Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2016 [30-21]

[30 – 21]

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#30. Luisa Maita
Fio da Memória (Cumbancha)

A imprevisibilidade talvez seja o principal traço do trabalho de Luísa Maita em Fio da Memória (Cumbancha). Produzido em parceria com o músico Zé Nigro, o sucessor do elogiado Lero-Lero (2010), obra que apresentou a cantora e compositora paulistana ao grande público, reforça a essência experimental e naturalmente inventiva da artista. Uma quebra brusca em relação ao samba melódico e a voz limpa que orienta as canções do trabalho entregue há seis anos. Com uma “gestação prolongada”, como resume o texto de apresentação do disco, o novo álbum precisou de quase meia década até ser finalizado. Em produção desde 2012, Fio da Memória nasce como uma extensão torta do material entregue por Maita no primeiro álbum de inéditas. Entre ruídos e bases eletrônicas, crônicas musicadas que dialogam com o samba, incorporam elementos tribais e diferentes gêneros musicais, como o jazz e o rock. [Resenha]

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#29. Cabana Café
Moio (Balaclava Records)

Existe uma diferença enorme entre o som produzido para as composições de Panari (2013), primeiro álbum de estúdio da Cabana Café, e o recém-lançado Moio (2016). Longe do pop óbvio explorado há três anos pelo coletivo paulistano, são vozes e arranjos complexos, por vezes experimentais, que aproximam o ouvinte de um novo jogo de possibilidades. Retalhos instrumentais, ruídos e temas essencialmente efêmeros, como se um delicioso suspiro criativo orientasse cada ato da banda. Como a ascendente Vândalo, faixa de abertura do disco indica, Moio carrega um precioso toque de disco ao vivo. Guitarras e batidas exploradas de maneira fluida; o sintetizador atmosférico, como uma manta, cobrindo as pequenas lacunas da obra; a voz sempre presente e instável da vocalista Rita Oliva – tão provocante quanto no trabalho produzido há poucos meses com Superfície (2015), delicada estreia do P A R A T I. Blocos que se encaixam lentamente, como uma curiosa jam session. [Resenha]

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#28. Juliana Perdigão
Ó (YB)

Juliana Perdigão passou os últimos cinco anos pulando de um trabalho para outro. Em meio ao processo de divulgação do primeiro registro em estúdio, Álbum Desconhecido, obra entregue ao público em 2011, a cantora e compositora mineira criou pequenas brechas criativas, colaborando com diferentes nomes da música brasileira, caso de Maurilio Nunes, em Choro Doce (2013), Matheus Brant no recente Assume Que Gosta(2016) e até na coletânea Mulheres de Péricles (2013), um disco/homenagem ao músico Péricles Cavalcanti que ainda contou com nomes como Céu e Mallu Magalhães. Com a chegada de Ó (YB), segundo álbum de estúdio de Perdigão e obra que conta com a produção de Romulo Fróes, a cantora revela ao público uma delicada extensão de toda a sequência de parcerias, experimentos e conceitos musicalmente explorados nos últimos anos. São 17 faixas em que a artista converte em música fragmentos de poemas cotidianos, apresenta versões para o trabalho de outros compositores e ainda finaliza uma série de canções inéditas. [Resenha]

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#27. Nvblado
Água Rosa (Bichano Records)

Eu fiz de tudo pra você ficar em paz / Agora é minha vez de encontrar a paz / Não vou ficar pra trás“. A letra cantada aos berros em Pedra Do Velho, faixa de abertura do melancólico Água Rosa (2016, Bichano Records), indica a mudança de direção dentro do novo trabalho de estúdio da banda catarinense Nvblado. Longe do desespero que parecia orquestrar grande parte das composições apresentadas no antecessor Afogado, de 2013, são versos marcados pela ruptura e libertação que orientam a “nova fase” da grupo. Entre atos instrumentais extensos, refúgios melódicos e faixas que ultrapassam os 10 minutos de duração, gritos e versos desesperados do vocalista Renan Pamplona clamam pela mudança. “Quero fugir daqui, quero sair de mim / Quero que o vento me leve pra longe da onde o tempo me persegue”, confessa o músico na derradeira Asma, composição que resume com naturalidade todo o curto acervo lírico que movimenta as cinco canções da presente obra. [Resenha]

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#26. Psilosamples
Biohack Banana (UIVO Records)

A mudança para a cidade de São Paulo parece ter impactado diretamente nas composições assinadas pelo produtor Zé Rolê em Biohack Banana (UIVO Records). Original da cidade de Pouso Alegre, interior de Minas Gerais, o artista responsável pelos experimentos e sobreposições delicadas do Psilosamples revela uma nova postura em relação ao trabalho apresentado há quatro anos. Um pequeno acervo de faixas que evidenciam a fuga do som colorido que se espalha entre as canções do antecessor Mental Surf (2012). Primeiro grande trabalho do produtor mineiro desde o EP Cobra Coral, de 2015, o novo álbum sustenta nas batidas o grande destaque da obra de Rolê. São mosaicos eletrônicos construídos a partir de fragmentos minimalistas, quebras, costuras e pequenas alterações rítmicas. A curiosa sensação de adentrar um imenso labirinto eletrônico, onde cada curva do registro apresenta ao ouvinte um espaço completamente novo, reformulado, conceito explícito logo na inaugural faixa-título. [Resenha]

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#25. Catavento
CHA (Honey Bomb Records)

Ruídos, distorções e vozes maquiadas pelo uso de efeitos. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Lost Youth Against The Rush (2014), o coletivo gaúcho Catavento está de volta com um novo (e barulhento) registro de inéditas. Entre versos cantados em inglês e português, CHA (2016, Honey Bomb Records) indica a direção experimental assumida pela banda — hoje formada por Leo Rech (guitarra/vocal) Leo Lucena (guitarra/baixo/vocal), Du Panozzo (baixo/guitarra/vocal), Johnny Boaventura (teclados/vocal), Lucas Bustince (bateria) e Francisco Maffei (efeitos/teclados/vocal). Por vezes íntimo da mesma psicodelia explorada nos últimos trabalhos de bandas como Boogarins e Bike, pouco a pouco, o presente álbum se distancia de outros exemplares da cena nacional por conta da forte carga de ruídos e ambientações etéreas que se espalham no interior da obra. Da abertura do disco, em Little Fishes, passando pelas melodias tortas de faixas como City’s Angels e The Sky, um turbilhão de cores e distorções sujas se chocam de forma a bagunçar a mente do ouvinte. [Resenha]

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#24. Bruno Souto
Forte (Deck Disc)

Romântico. Três anos após o lançamento do primeiro registro em carreira solo, Estado de Nuvem (2013), o cantor e compositor pernambucano Bruno Souto, está de volta com um novo álbum repleto de composições inéditas. Em Forte (Deck Disc), cada canção presente no interior do trabalho se projeta como um precioso exercício confessional. Memórias e fragmentos sentimentais que incorporam o que há de mais doloroso, sensível e honesto na poesia do artista. Claramente inspirado pelo mesmo romantismo de Odair José, Amado Batista e outros gigantes do cancioneiro popular, Souto faz de cada música um doloroso registro intimista. São declarações de amor movidas pela provocação (Forte), faixas corrompidas pela temática da separação (Muito Além de Nós) e ciúme  (Amor Demais). Uma delicada extensão do material produzido não apenas no primeiro álbum do cantor, mas em grande parte da discografia da Volver, antiga banda de Souto. [Resenha]

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#23. Hurtmold & Paulo Santos
Curado (Sesc)

Não há espaço para o óbvio dentro da discografia do coletivo paulistano Hurtmold. Em quase duas décadas de carreira, os integrantes Maurício Takara, Guilherme Granado, Marcos Gerez, Mário Cappi, Fernando Cappi e Rogério Martins fizeram da colagem de referências, ruídos e paisagens instrumentais a base para a construção de uma seleção de obras marcadas pela complexidade e esmero na montagem de cada canção. Jazz, rock, noise ou apenas “experimental”. Um jogo de ideias, ritmos e referências que se projeta de forma essencialmente versátil dentro de Curado (Sesc). Resultado da parceria entre o grupo paulistano e o veterano Paulo Santos, um dos integrantes do recém-extinto Uakti, coletivo mineiro de música de vanguarda, o trabalho de apenas dez faixas mostra o esforço de cada integrante na construção de uma obra completamente instável, imprevisível. Arranjos e batidas que dialogam com a sonoridade urbana da Hurtmold, porém, projetadas dentro do ambiente de fórmulas minimalistas e melodias geradas a partir de instrumentos sempre inusitados do “convidado”. [Resenha]

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#22. Barro
Miocárdio (Independente)

Versos cantados em português, inglês, espanhol, francês e até em italiano. Arranjos que flertam com o pop nostálgico dos anos 1960, esbarram na música eletrônica, incorporam temas regionais e ainda encontram no rock um curioso alicerce. Versátil, assim pode ser encarado o som que abastece cada uma das canções de Miocárdio (Independente), primeiro registro em carreira solo do músico Filipe Barros e uma das peças mas delicadas da recente safra da música pernambucana. Mais conhecido pelo trabalho como integrante do Bande Dessinée, Barros, que aqui se apresenta como Barro, sem o “s”, parece costurar grande parte das experiências acumuladas em mais de uma década de atuação dentro da cena de Recife. Em cada uma das doze faixas do registro, fragmentos poéticos e instrumentais que mergulham em diferentes épocas, estilos e tendências musicais específicas. Um imenso jogo de experiências que dialoga diretamente com a colorida imagem de capa do álbum. [Resenha]

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#21. BaianaSystem
Duas Cidades (BS)

Você já foi à Bahia? Transposição coesa da atmosfera, sonoridade e diferentes ritmos que movimentam o Pelourinho, bairro do centro histórico de Salvador, Duas Cidades, segundo e mais recente álbum do coletivo BaianaSystem nasce como uma passagem direta para a capital baiana. Sucessor do homônimo registro entregue ao público em 2010, o trabalho que conta com produção assumida por Daniel Ganjaman (Criolo, Sabotage) parece dançar na cabeça do ouvinte. Reggae, eletrônica, afoxé, dub, frevo e samba. Em um intervalo de apenas 40 minutos, diferentes ritmos e fórmulas musicais se espalham de forma quente pelo interior da obra, detalhando o esforço coletivo entre os parceiros Russo Passapusso, Roberto Barreto, SekoBass e Filipe Cartaxo, esse último, responsável pela construção estética do trabalho. Uma coleção de ideias, versos políticos, referências e colaborações – como Lucas Santtana e BNegão – que se espalham dentro da ambientação dançante da obra.

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