Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2016 [50-41]

[50 – 41]

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#50. Serge Erege
Scorpio (Ganzá / Skol Music)

Serge Erege precisa apenas da inaugural Harmony para introduzir o ouvinte ao ambiente temático que se espalha entre as canções de Scorpio (2016, Ganzá / Skol Music). Primeiro registro em estúdio do cantor e produtor piauiense, o trabalho que conta com lançamento pelo selo Ganzá — o mesmo de coletivos como Aldo e The Drone Lovers —, mostra o esforço do artista em visitar o passado de forma autoral, sempre curioso, replicando experiências, conceitos e melodias típicas da década de 1980. Entre experimentos, composições já conhecidas — como Rhythm of The Day — e uma série de registros produzidos de forma independente pelo artista nos últimos oito anos, o nascimento de um trabalho que conversa com o passado, incorporando diferentes obras, cenas e referências musicais. Um precioso exercício criativo, fruto do completo isolamento de Erege, porém, completo com a direção artística e mixagem do colaborador Dudu Marote — produtor que já trabalhou com nomes como Skank e Pato Fu. [Resenha]

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#49. Matheus Brant
Assume Que Gosta (Independente)

Assume que gosta de mim assim / Assim como gosta de um pagodinho / Me beija / Me deita, me cheira, me olha assim / Assim como se fosse até o fim me leva”. É impossível ouvir as canções de Assume Que Gosta (Independente) e não sentir vontade de dançar. Segundo registro de inéditas do cantor e compositor mineiro Matheus Brant, o trabalho que conta com produção assinada por Fábio Pinczowski e Mauro Motoki – também integrantes da Ludov -, cresce, dança e provoca, como um convite para o ambiente de versos sedutores, batidas e arranjos quentes que delicadamente cercam o ouvinte. Inspirado pelo clima do Carnaval, Brant, um dos criadores do popular bloco mineiro Me Beija que Eu Sou Pagodeiro, assume um caminho completamente distinto em relação ao som promovido no álbum anterior, A Semana (2011). Trata-se de um registro de versos e fórmulas descomplicadas. Uma coleção de faixas marcadas pelo romantismo (Me Namorar), instantes de confissões dramáticas (Abandonado) e versos que nascem a partir de diálogos típicos qualquer casal (Do Prazer). [Resenha]

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#48. César Lacerda & Romulo Fróes
O Meu Nome é Qualquer Um (Circus / YB)

Equilíbrio. Não existe palavra que melhor sintetiza o trabalho da dupla César Lacerda e Romulo Fróes em O Meu Nome é Qualquer Um (2016, Circus / YB). Primeiro registro da parceria entre o cantor mineiro e o músico paulistano, o álbum de arranjos minimalistas e versos ancorados em temas políticos cresce de forma sutil, detalhando uma coleção de versos descritivos, angústias, reflexões e cenários urbanos que servem como pano de fundo para um mesmo personagem. “No disco, uma espécie de anti-herói contemporâneo percorre o Brasil de agora tentando compreender a complexa miríade de assuntos à sua volta. O problema racial, o terceiro sexo, as redes sociais, o assassinato de crianças negras na favela, o amor, a morte“, resume o texto de apresentação da obra. São composições produzidas e gravadas em um intervalo de apenas seis meses, urgência que em nenhum momento se reflete na completa delicadeza do álbum. [Resenha]

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#47. Opala
Opala (RockIt!)

É difícil encarar o som produzido por Maria Luiza Jobim e Lucas de Paiva como parte da presente cena carioca. Mesmo próximos de coletivos como Mahmundi, Séculos Apaixonados e Baleia — artistas em que a dupla esteve envolvida nos últimos anos —, está no diálogo com diferentes nomes do panorama estrangeiro — principalmente projetos do cenário nova-iorquino e canadense — a base de cada uma das composições que delicadamente crescem dentro do primeiro álbum de estúdio do Opala. Entregue ao público três anos após o lançamento do primeiro EP de inéditas da dupla, o registro que conta com distribuição pelo selo RockIt! de Dado Villa-Lobos, flutua em meio a sintetizadores nostálgicos, batidas contidas e versos agridoces, sempre intimistas. Sussurros românticos e confissões que tanto detalham cenas e acontecimentos sufocados pela melancolia de uma mesma personagem, como indicam a passagem para um universo de exaltações românticas e sorrisos tímidos. [Resenha]

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#46. Macaco Bong
Macaco Bong (Sinewave)

Produzida a partir de diferentes recortes, imagens sobrepostas e cores saturadas, o trabalho concebido como capa para o quarto álbum de estúdio da Macaco Bong diz muito sobre a direção seguida pelo trio mato-grossense. Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Macumba Afrocimética (2015), o registro de oito canções inéditas joga com as possibilidades, costurando diferentes ritmos, fórmulas e referências em um curto intervalo de tempo. Movido pela urgência dos arranjos, conceito explícito na inaugural Lurdz, o registro homônimo faz de cada composição um ato isolado, sempre intenso. Salve exceções, como a extensa Chocobong, grande parte das músicas no interior do disco se revela em totalidade logo nos primeiros minutos. Um permanente diálogo entre a guitarra versátil de Bruno Kayapy e o baixo de Daniel Hortides com a bateria de Daniel Fumegaladrão. [Resenha]

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#45. Cadu Tenório
Riming Compilation (Brava / Sinewave)

Every fucking piece of art is incomplete”. A frase que inaugura Liquid Sky, uma das metades do duplo Rimming Compilation (2016, Brava / Sinewave), parece dizer muito sobre o som produzido pelo carioca Cadu Tenório. Em mais de uma década de atuação, o produtor que já colaborou com nomes como Juçara Marçal — no caótico Anganga (2015) — e esteve à frente do coletivo Sobre a Máquina, acabou encontrando no uso de pequenos fragmentos experimentais, ruídos e texturas abstratas a base para uma das discografias mais complexas da presente safra da música brasileira. Primeiro registro solo de Tenório após uma sequência de obras colaborativas — caso do elogiado Banquete (2014), com Márcio Bulk —, o sucessor do atmosférico Vozes —12º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 —, mostra o esforço do artista carioca em se reinventar. Duas metades completamente distintas de uma mesma obra, como se o produtor testasse diferentes fórmulas e possibilidades a cada nova composição. [Resenha]

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#44. Quarup
Quarup (Independente)

Cada composição presente no primeiro álbum de estúdio da banda paulistana Quarup é um objeto de destaque, a ser observado de forma atenta pelo público. O som empoeirado que sopra das guitarras psicodélicas de O Mensageiro. A letra subjetiva, repleta de significados ocultos e melodias minimalistas em Estrela Da Manhã, parceria com a cantora Ná Ozzetti. Versos essencialmente românticos, delicados, que se prendem a cada fragmento instrumental de Lila — “Lila, cansei de desatino / Eu quero o teu destino amarrado juntinho do meu”. Concebido de forma “artesanal”, durante o intervalo de mais de um ano, o registro de 13 faixas e exatos 50 minutos de duração reflete o esforço e clara interferência de cada integrante da banda em estúdio. Aos comandos de Guta Batalha (Vocais), Ione Aguiar (guitarras, violões e vocais), Beni Teixeira (piano, teclados e vocais), Marcelo Maia (baixo e vocais) e Lucas Cassoli (bateria, percussões e vocais), um curioso e colorido experimento que dialoga de forma explícita com a imagens que preenchem o encarte e capa do disco – trabalho de Aruana Ribeiro. [Resenha]

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#43. Baleia
Atlas (Sony Music)

Em Atlas, os integrantes do coletivo Baleia seguem um caminho distinto em relação ao antecessor Quebra Azul. Longe das melodias acessíveis, letras frágeis e arranjos orquestrais de composições como Casa, Breu e Motim, todas do trabalho lançado em 2013, são os vocais em coro, percussão tribal e versos caóticos que orientam a nova postura do grupo carioca. Um explícito exercício de ruptura, mas que acaba servindo de passagem para um território criativo essencialmente detalhista, curioso e complexo. Inaugurado pelo gemido tenebroso de Hiato, faixa de abertura do disco, Atlaslentamente explode em guitarras, encaixes percussivos e arranjos de cordas que preenchem em totalidade a execução de cada faixa. Superficialmente, uma espécie de diálogo com o trabalho de gigantes como Arcade Fire, Grizzly Bear, Broken Social Scene e toda a soma de artistas que foram apresentados no começo da década passada, entretanto, basta uma audição atenta para perceber a linha temática que amarra todos os atos do registro. [Resenha]

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#42. Sentidor
Memoro Fantomo_Rio Preto (Independente)

Os cenários esverdeados e aconchegantes do interior do Brasil pouco a pouco são montados na cabeça do ouvinte durante a audição de Memoro Fantomo_Rio Preto(2016, Independente). Mais recente trabalho de inéditas do mineiro João Carvalho como Sentidor, o registro de treze faixas não apenas revela o uso atento de texturas e ambientações eletrônicas típicas de grandes nomes da cena estrangeira, como reflete com naturalidade sensação de mudança a cada novo fragmento instrumental, fazendo do registro uma obra viva. Como indicado no próprio título do trabalho, o sucessor do também delicado Dilúvio, de 2015, se divide de forma explícita em dois atos distintos. Na primeira metade,Memoro Fantomo. São oito composições em que Caravalho parece confortar o ouvinte. Paisagens, cenas e pequenos acontecimentos cotidianos remontados de forma instrumental. Em Célula_1, por exemplo, terceira faixa do disco, é possível visualizar um grupo de crianças brincado em um fim de tarde, proposta que muito se assemelha ao clássico Music Has the Right to Children (1998), da dupla Boards of Canada. [Resenha]

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#41. Ombu
Pedro (Balaclava Records)

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes. Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos. [Resenha]

 

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