Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017 [20-11]

 

Hip-Hop, pop, R&B, rock, samba e pitadas de música eletrônica abastecem a nossa seleção com Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017. São trabalhos lançados entre janeiro e dezembro deste ano que deixaram sua marca na produção brasileira. Um resumo detalhado de tudo aquilo que foi explorado por diferentes representantes da cena nacional, veteranos ou mesmo novatos da nossa música atuantes nos mais variados estados. Aproveite para ver outras listas do nosso especial de final de ano com Os Melhores de 2017.

 

#20. Curumin
Boca (Natura Musical)

Caos urbano, preconceito, a dualidade partidária que divide as redes sociais, política, sexualidade, relações pessoais e descoberta. Em um intervalo de apenas 35 minutos de duração, Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, encontra na pluralidade de temas e referências instrumentais o principal componente para a produção do quarto álbum em carreira solo, Boca (2017, Natura Musical). Versos que inspiram uma forte reflexão sobre diferentes aspectos da nossa sociedade e das interações pessoais que diariamente estimulam os indivíduos. Primeiro registro de inéditas do cantor, compositor e produtor paulistano desde o quente Arrocha, lançado em 2012, o novo álbum sustenta na percussão o principal componente para a construção das faixas. Da abertura do disco, na climática Bora Passear, passando pelo uso de temas eletrônicos em Boca Pequena Nº1, até alcançar o tribal-tech de Cabeça ou mesmo a ambientação contida de Descendo, Curumin, baterista da própria banda, faz de cada batida um estímulo para a inserção dos versos. Leia o texto completo.

 

#19. Emicida / Rael / Capicua / Valete
Língua Franca (Sony Music / Laboratório Fantasma)

Não é de hoje que Emicida encontrou no trabalho em parceria com diferentes artistas o principal combustível para um novo registro autoral. Da colaboração com Projota e Rashid em 3 Temores in Concert: Ao Vivo no Estúdio Emme (2012), passando pela série de encontros dentro de cada novo álbum de estúdio – caso de Tulipa Ruiz, Criolo, Pitty, Juçara Marçal e Caetano Veloso –, a rima do rapper paulistano assume novos contornos e invade territórios quando completa pelo diálogo criativo com outro nome de peso da música – seja ele representante do Hip-Hop ou não. Em Língua Franca (2017, Sony Music / Laboratório Fantasma), mais recente trabalho apresentado pelo artista, não poderia ser diferente. Trata-se de um bem-sucedido encontro entre o rapper paulistano, o parceiro de longa data, Rael, e os colaboradores portugueses Capicua e Valete. São dez composições que contam com a produção dividida entre Kassin, Fred Ferreira e NAVE Beatz. Rimas, batidas e histórias que fazem da língua portuguesa a ponte e atravessa o Oceano Atlântico e aproxima Brasil e Portugal. Leia o texto completo.

 

#18. Fabiano do Nascimento
Tempo dos Mestres (Now-Again Records)

Mesmo que o nome entregue a origem brasileira, Fabiano do Nascimento está longe de ser um personagem conhecido por aqui. Nascido em 1983 na capital do Rio de Janeiro, o estudante de piano clássico e teoria da música acabou mudando-se no começo dos anos 2000 para a cidade de Los Angeles, Califórnia. Um cenário aberto ao experimento, novas descobertas e encontros com diferentes músicos locais, todos apaixonados pela música latina, ponto de partida para o primeiro álbum de estudo do artista, o regional e curioso Dança do Tempo (2015). Com a chegada de Tempo dos Mestres (2017), trabalho que conta com distribuição pelo selo norte-americano Now-Again Records, Nascimento delicadamente amplia os próprios domínio instrumental, costurando décadas de referências e temas regionais sob uma manta jazzística. Ambientações acústicas que se completam com a forte interferência dos músicos Ricardo “Tiki” Pasillas (bateria, percussão), Sam Gendel (saxofone soprano) e as vozes complementares de Thalma de Freitas e Carla Hasset. Leia o texto completo.

 

#17. In Venus
Ruína (Howlin’ / PWR / Efusiva / Hérnia de Discos)

Feminismo, libertação sexual, consumismo, padronização coletiva, meio ambiente e caos. Em um intervalo de apenas 30 minutos, esses são alguns dos principais temas que movimentam as canções de Ruína (2017), primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano In Venus. Uma intensa (e amarga) interpretação de tudo aquilo que invade o nosso cotidiano. Estímulo criativo para a poesia urgente do quarteto formado por Cint F. (voz e teclados), Camila Ribeiro (bateria), Rodrigo Lima (guitarras) e Patricia Saltara (baixo). Nascido da propositada colisão de ideias e influências, o trabalho de nove faixas segue exatamente de onde a banda parou há poucos meses, durante o lançamento da enérgica Mother Nature. Ecos do pós-punk inglês (Joy Division, The Fall), passagens pelo movimento Riot Grrrl no começo dos anos 1990 (Bikini Kill, Sleater-Kinney), ruídos e captações caseiras que perturbam a audição do ouvinte durante toda a construção da obra. Uma rica base melódica que serve de estimulo para a formação dos versos. Leia o texto completo.

 

#16. Castello Branco
Sintoma (Independente)

Existe uma leveza rara no som produzido por Castello Branco. Em um cenário dominado por ambientações instrumentais sempre contidas, por vezes bucólicas, versos marcados pela forte religiosidade se encontram com conflitos existenciais e ainda discutem relacionamentos de maneira sempre esperançosa, criando a todo instante brechas para o amor. Composições que sutilmente escapam dos domínios do artista, dialogando de maneira explícita com o ouvinte, sensação reforçada desde a estreia do músico carioca com o elogiado Serviço (2013). Dentro desse mesmo território, sem pressa, Lucas Domênico Castello Branco Gallo, verdadeiro nome do artista e ex-integrante da banda R. Sigma, passou os últimos quatro anos esculpindo cada uma das canções que abastecem o segundo álbum em carreira solo, Sintoma (). Trata-se de uma clara continuação do material apresentado no primeiro registro de inéditas do músico, como um convite a reviver grande parte das experiências ora cantados, ora sussurrados pela voz andrógina de Castello Branco. Uma obra que sobrevive dos sentimentos e emoções detalhadas em cada fragmento poético. Leia o texto completo.

 

#15. Ogi
Pé no Chão (Independente)

Eu não sei como é que eu viveria sem escrever. Aliás, só vale viver escrevendo. Se eu não estiver escrevendo, a minha vida vai muito mal“. Do sample extraído de uma entrevista dada pelo escritor e jornalista João Antônio (1937-1996) ao programa Encontro Marcado, Rodrigo Ogi parece ter encontrado a base para as canções que abastecem o recém-lançado Pé No Chão. Um repertório curto, apenas sete faixas, mas que sintetiza de forma expressiva (e necessária) grande parte dos conflitos – sejam eles pessoais ou externos – que diariamente bagunçam a cabeça do rapper paulistano. De essência particular, por vezes intimista, o sucessor de RÁ! (2015), lançado há dois anos, parece encolher conceitualmente quando voltamos os ouvidos para os temas sutilmente detalhados pelo artista. Trata-se de um produto direto da alma e pensamentos Ogi, postura evidente na melancólica atmosfera de Anjo Caído – “Eu tô fraco e peço um forte sentado no bar / Me desafogar e mágoas afogar / Mas o bar é como um mar pra quem não sabe nadar / Acha que dá pé e quando vê não dá” –, faixa de abertura do álbum, mas que alcança melhor resultado no misto de dor e libertação que orienta os versos de Nuvens, segunda faixa do disco. Leia o texto completo.

 

#14. Boogarins
Lá Vem a Morte (OAR)

Não existem regras para a banda goiana Boogarins. Se por um lado o embrionário As Plantas Que Curam (2013) parecia se apropriar da obra de veteranos e novatos da música psicodélica, com a chegada de Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos (2015), finalizado dois anos mais tarde, experimentos contidos e ambientações etéreas serviram de estímulo para a construção de uma fina identidade musical. Um som debochado, enérgico e torto na mesma proporção, como se o permanente exercício de descoberta fosse a base para o trabalho produzido pelo grupo. Prova disso está nas composições do experimental Lá Vem a Morte. Terceiro e mais recente álbum de inéditas do grupo formado por Fernando “Dinho” Almeida Filho (voz, guitarra), Benke Ferraz (guitarra e sintetizadores), Raphael Vaz Costa (baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria), o trabalho de apenas oito faixas e pouco menos de 30 minutos de duração mostra o esforço do quarteto em se reinventar mesmo em um resumido espaço de tempo. Um “longo EP / curto LP”, como a própria banda apontou no Facebook. Leia o texto completo.

 

#13. Maglore
Todas As Bandeiras (Deck Disc)

Poucos artistas nacionais recentes parecem ter compreendido tão bem a própria obra e evoluído mesmo em um curto espaço de tempo quanto a banda baiana Maglore. Do pop-rock inofensivo que marca o inaugural Veroz (2011), passando pela mistura de ritmos em Vamos Pra Rua (2013), até o flerte com a música psicodélica e o rock dos anos 1970 no maduro III (2015), cada novo álbum do grupo de Salvador evidencia um rico salto criativo, cuidado evidente no quarto e mais novo álbum de inéditas da banda, Todas as Bandeiras. Salpicado por referências políticas e debates sociais, como indicado logo na faixa-título do disco – “O tempo passa e o herói fica sozinho / Mas em qual herói vamos confiar” –, o sucessor de músicas como Dança Diferente e Café Com Pão mostra o esforço do grupo – hoje formado por Teago Oliveira, Lelo Brandão, Felipe Dieder e Lucas Oliveira –, em dialogar com o presente, se reinventando dentro de estúdio. Trata-se de uma clara continuação do trabalho apresentado há dois anos, porém, ampliando a visão do eu lírico, cada vez mais distante de temas pessoais, centrado em aspectos recentes da nossa sociedade. Leia o texto completo.

 

#12. Criolo
Espiral de Ilusão (Oloko Records)

O samba sempre fez parte da obra de Criolo. Da confessa educação musical​ ancorada em clássicos da música popular brasileira, passando pelo flerte em Linha de Frente, parte do elogiado Nó Na Orelha(2011), até alcançar a poesia metafórica e política de Fermento Pra Massa, fragmento de Convoque Seu Buda (2014), não é de hoje que o artista paulistano se distancia das rimas e batidas do Hip-Hop para subir o morro e abraçar o gênero que tanto o seduz. Uma busca declarada por novas possibilidades, melodias e personagens, mas que alcança melhor refinamento em Espiral de Ilusão, obra inteiramente dedicada ao samba. Da imagem de capa do disco, trabalho que conta com a assinatura do designer gráfico e ilustrador paranaense Elifas Andreato, artista que já trabalhou com nomes como Chico Buarque (Ópera do Malandro), Martinho da Vila (A Rosa do Povo) e Paulinho da Viola (Nervos de Aço), passando pelo cuidado na composição dos arranjos, resultado da parceria entre os colaboradores Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman, Criolo vai além de uma simples “homenagem”. Trata-se de uma obra que incorpora com originalidade e reverência diferentes aspectos do gênero. Leia o texto completo.

 

#11. Chico Buarque
Caravanas (Biscoito Fino)

Em um cenário de turbulenta articulação política e debates sempre acalentados que invadem as redes sociais e respingam nas ruas, Chico Buarque poderia facilmente ter encontrado a matéria-prima para uma obra de essência atual, marcada pelo frescor e talvez íntima de clássicos editados no início dos anos 1970. Interessante perceber nos versos de Caravanas, 38º álbum de estúdio do responsável por Construção, Roda Viva, Meu Caro Amigo e outras composições de versos afiados, um parcial distanciamento desse possível ambiente criativo. Consumido pela dor, delírios sentimentais e o romantismo honesto do que tanto alimenta a obra do cantor e compositor carioca, o sucessor do mediano Chico, lançado em 2011, carrega no lirismo doce de cada composição o principal componente para seduzir e emocionar o público. Canções temperadas pelo passado, efeito da ambientação jazzística que escapa dos arranjos do maestro e violonista Luiz Cláudio Ramos e chega até os versos de Buarque, por vezes deslocados, arcaicos – “Se um desalmado te faz chorar / Deixa cair um lenço / Que eu te alcanço / Em qualquer lugar“. Leia o texto completo.

 

     

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