Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017 [30-21]

 

Hip-Hop, pop, R&B, rock, samba e pitadas de música eletrônica abastecem a nossa seleção com Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017. São trabalhos lançados entre janeiro e dezembro deste ano que deixaram sua marca na produção brasileira. Um resumo detalhado de tudo aquilo que foi explorado por diferentes representantes da cena nacional, veteranos ou mesmo novatos da nossa música atuantes nos mais variados estados. Aproveite para ver outras listas do nosso especial de final de ano com Os Melhores de 2017.

 

#30. Bike
Em Busca da Viagem Eterna (Independente)

A viagem continua. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, 1943 (2015), os integrantes da banda paulista BIKE estão de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Em Busca da Viagem Eterna, o lisérgico trabalho de nove faixas mostra o esforço de Julito Cavalcante (guitarra e voz), Diego Xavier (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Daniel Fumega (bateria) em se reinventar dentro de estúdio. Melodias etéreas, distorções e vozes ecoadas que fazem a mente do ouvinte flutuar. Inaugurado pela leveza de Enigma dos Doze Sapos, o novo álbum se revela sem pressa. Reflexo dos principais conflitos que a banda enfrentou durante a turnê do último disco, a canção de quase quatro minutos acaba se conectando de forma natural ao primeiro registro do grupo, efeito da sutil referência ao título de Enigma do Dente Falso. Um som reflexivo, quase espiritual, proposta que cresce durante a construção da psicodélica Do Caos ao Cosmos, segunda faixa do disco e um indicativo da poesia delirante que invade o trabalho. Leia o texto completo.

 

#29. Lucas Santtana
Modo Avião (Natura Musical)

Existem duas formas de ouvir o novo álbum do cantor e compositor baiano Lucas Santtana, Modo Avião. A primeira delas, segue a fragmentada separação e reprodução isolada de cada faixa. São dez composições inéditas, pouco mais de trinta minutos em que a ambientação eletrônica e orquestral originalmente testada no antecessor Sobre Noites e Dias (2014) ganha novos contornos. Arranjos e movimentos contidos, como uma fina tapeçaria instrumental que envolve e acolhe a poesia intimista do músico. Entretanto, a real beleza e melhor forma de apreciar o trabalho está no misto de prosa e poesia que caracteriza a formatação original da obra: a de um áudio filme. São pouco mais de 40 minutos em que Santtana tece uma delicada narrativa que aproxima e conecta cada uma das faixas do disco. Uma história contada a partir da captação em 360º dos instrumentos e vozes, transportando o ouvinte para dentro da história de amor, delírio e pequenas reflexões sobre diferentes aspectos da nossa sociedade. Leia o texto completo.

 

#28. Sofia Freire
Romã (Joinha Records / Natura Musical)

A feminilidade transborda em cada fragmento poético, sussurro ou pequena inserção melódica que marca o trabalho de Sofia Freire. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum em carreira solo, o curioso Garimpo (2015), registro em musicou poemas do pai, Wilson, e da irmã, Clarice, a cantora e compositora pernambucana reaparece cercada por um time seleto de compositoras, fazendo de cada uma das nove canções que abastecem o eletroacústico Romã, segundo registro de inéditas em carreira solo, um precioso desvendar da alma feminina. Delicado, tal qual a fruta que dá nome ao título do trabalho — “A romã nasce a partir da autofecundação e em muitas culturas ao redor do mundo, ela representa o feminino“, explicou em entrevista —, o registro costurado pelo uso de ambientações etéreas e vozes tratadas como instrumentos flutua em meio a poemas assinados por Micheliny Verunschk, Clarice Freire, Mariana Teixeira, Piera Schnaider e Luna Vitrolira. Canções que vão do existencialismo e profunda transformação pessoal de Mutante (“Nada Mais Faz Sentido / Sou Mutante“), faixa de abertura do disco, ao lirismo idílico e metáforas de Auroras Flamboyants (“Um dia fui serva de um rei na dança do fogo / Cantei raios e trovões anunciando a manhã“). Leia o texto completo.

 

#27. Bel
Quando Brinca (Sagitta Records)

A versatilidade talvez seja o principal traço do som produzido pela cantora e compositora carioca Bel Baroni. Mais conhecida pelo trabalho como integrante do coletivo Mohandas – com quem lançou os experimentais Etnopop (2012) e Um Segundo (2015) –, a artista, também integrante do coletivo feminista Xanaxou, sustenta no primeiro álbum em carreira solo, Quando Brinca, um espaço para provar de novas sonoridades e pequenas possibilidades dentro de estúdio. Musicalmente colorido, proposta que conversa diretamente com a imagem de capa do disco, trabalho produzido pelo ilustrador Gabrilândia, o álbum de oito faixas passeia por entre diferentes gêneros, colidindo fórmulas e referências pontuais. Fragmentos minimalistas que vão da MPB ao Jazz sem necessariamente fixar residência em um tema específico. Retalhos instrumentais que se comunicam pela forma como os arranjos sutilmente ocupam todas as brechas do disco. Leia o texto completo.

 

#26. My Magical Glowing Lens
Cosmos (Honey Bomb / Subtrópico / PWR Records)

Como um portal, a psicodélica imagem de capa produzida para Cosmos (2017), trabalho assinado pelo designer gráfico Demytrius Meneghetti de Pieri, nasce como uma passagem direta para o ambiente de cores e emanações lisérgicas do grupo capixaba My Magical Glowing Lens. Experimentos controlados que pervertem uma série de conceitos melódicos há muito consolidadas no cenário musical brasileiro. Ruídos, vozes e ambientações etéreas que perturbam qualquer traço de previsão ou mínimo contato com a realidade ao longo do registro. Artesanal, produto da forte interferência e produção de Gabriela Deptulski, responsável pelo projeto, o trabalho de 11 faixas e distribuição pelos selos Honey Bomb Records, Subtrópico e PWR Records muda de direção a cada nova faixa. Fragmentos vindos de diferentes épocas e tendências, como se a base lisérgica de veteranos como Pink Floyd e Os Mutantes se encontrasse com a obra de novatos aos moldes de Tame Impala e Melody’s Echo Chamber. Bases eletrônica e arranjos etéreos que costuram o trabalho do primeiro ao último acorde. Leia o texto completo.

 

#25. Sabine Holler
Mother of Transition (Hérnia de Disco)

Em mais de uma década de carreira, Sabine Holler em nenhum momento pareceu se repetir. Seja como fundadora do grupo paulistano Jennifer Lo-Fi, colaboradora na banda Emma Stoned ou no projeto de música eletrônica Mawn, situado em Berlim, cada trabalho assinado pela cantora, compositora e produtora paulistana passeia por diferentes décadas, cenas e referências instrumentais como um delicado exercício criativo, postura que se repete dentro do primeiro EP em carreira solo, Mother of Transition (2017, Hérnia de Disco). Produzido em parceria com Billy Comodoro (In Venus, Bárbara Eugênia), em janeiro deste ano, o trabalho de apenas sete faixas faz de cada composição um objeto precioso. São músicas orientadas em essência pela voz forte de Holler, madura e por vezes íntima da obra de veteranas da música alternativa – vide a semelhança com os timbres de PJ Harvey e Julia Holter. Um cuidado que se estende da inaugural Filtered My Voice até a derradeira Planetarium (Through Binoculars). Leia o texto completo.

 

#24. Abud
Vida Nocturna (Beatwise Recordings)

Com assinatura de Naño Ramirez e Carlitos Wake, a imagem de capa produzida para o novo álbum do produtor Walter Abud, Vida Nocturna, diz muito sobre o conceito explorado pelo artista que se divide entre a cidade de São Paulo e a capital argentina, Buenos Aires. Um cenário dominado pelo choque imediato das cores fluorescentes, o brilho tremular do neon e melodias empoeiradas, como uma vigem musical pelo universo que abasteceu o final dos anos 1970 e o início da década de 1980. Inaugurado pelo canto abafado de Marginal — “Todos pensavam que ele era gente fina / Porém, não sabiam que ele era marginal” —, o registro que conta com 11 faixas e pouco menos de 30 minutos de duração ganha forma lentamente, sem pressa. Entre samples resgatados de obras esquecidas do soul/funk, sejam elas nacionais ou estrangeiras, Abud detalha uma seleção de músicas tão nostálgicas quanto referenciais e dançantes, proposta reforçada com naturalidade logo na faixa-título do álbum. Leia o texto completo.

 

#23. Nina Becker
Acrílico (YB / Natura Musical)

Entre pianos contidos, vozes trabalhadas como instrumentos, guitarras e minúcias atmosféricas que sutilmente tendem ao Jazz, Nina Becker abre passagem para o terceiro álbum de inéditas em carreira solo, Acrílico. Vindo em sequência aos ótimos Azul e Vermelho, ambos lançados em 2010, o trabalho pula parte das experiências incorporadas em registros como Fazendo As Pazes Com o Swing (2012), parceria com a Orquestra Imperial, e Minha Dolores (2014), álbum em que interpretou a obra de Dolores Duran, para mergulhar em um universo próprio da cantora e compositora carioca. Feito para ser degustado pelo ouvinte, Acrílico faz da inaugural faixa-título um delicioso convite a se perder pelo interior da obra. Vozes sobrepostas que costuram pianos e melodias ancoradas no soul/jazz dos anos 1970, lembrando em alguns aspectos a obra do Steely Dan, referência ampliada na atmosfera colorida de Zebra Dálmata, quarta faixa do disco e um delírio poético que joga com as incertezas do eu lírico. Um labirinto musical que cresce à medida que o trabalho parece testar os próprios limites e, principalmente, a voz de Becker. Leia o texto completo.

 

#22. Momo
Voá (Universal Music)

Marcelo Frota é um cidadão do mundo. Nascido em Minas Gerais, filho de pai cearense e dono de uma longa trajetória no Rio de Janeiro, o cantor e compositor decidiu aportar em Portugal, fixando residência na região de Alfama, um dos bairros mais tradicionais da capital Lisboa. Dessa mudança vem o recém-lançado Voá, primeiro registro de inéditas do cantor em quatro anos e a busca declarada por um som marcado pelas possibilidades. Em um sentido oposto ao som melancólico e cinza de Cadafalso (2013), Momo traz de volta a mesma essência litorânea, intimista e levemente ensolarada de Serenade of a Sailor (2011). Um cenário montado de frente para o mar, coberto pelo Sol, amores e personagens reais que surgem e desaparecem a todo instante, a cada novo fragmento de voz. Memórias de um passado ainda recente, quente, como se o ouvinte pudesse tocar nas palavras e sentimentos lançados pelo cantor. Leia o texto completo.

 

#21. Kalouv
Elã (Sinewave)

Faça o exercício: volte para o primeiro álbum de estúdio da banda pernambucana Kalouv, Sky Swimmer (2011), ouça e perceba o imenso salto criativo dado pelo grupo no trabalho seguinte, o maduro Pluvero (2014). Em um intervalo de apenas três anos, o quinteto formado por Basílio Queiroz (baixo), Bruno Saraiva (teclado), Saulo Mesquita (guitarra), Túlio Albuquerque (guitarra) e Rennar Pires (bateria) não apenas deixou de lado a postura tímida, típica de um grupo iniciante, como acabou se transformando em um dos projetos mais complexos da presente safra do rock nacional. Prova disso está nos pequenos impulsos criativos, curvas e rupturas temáticas que marcam o terceiro álbum de inéditas da banda original do Recife, Elã. Como indicado no próprio título da obra, trata-se de um registro marcado pela força dos instantes. Fragmentos que abraçam a transformação instrumental de forma sempre repentina, traduzindo na construção de faixas diretas, curtas e rápidas o ponto de partida para um novo e inusitado percurso sonoro, mudança que brilha e cresce com naturalidade no pequeno turbilhão instrumental que inaugura o disco com Pedra Bruta. Leia o texto completo.

 

     


One thought on “Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017 [30-21]

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend