Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017 [40-31]

 

Hip-Hop, pop, R&B, rock, samba e pitadas de música eletrônica abastecem a nossa seleção com Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017. São trabalhos lançados entre janeiro e dezembro deste ano que deixaram sua marca na produção brasileira. Um resumo detalhado de tudo aquilo que foi explorado por diferentes representantes da cena nacional, veteranos ou mesmo novatos da nossa música atuantes nos mais variados estados. Aproveite para ver outras listas do nosso especial de final de ano com Os Melhores de 2017.

 

#40. Bárbara Eugenia & Tatá Aeroplano
Vida Ventureira (Independente)

“Dois seres que saem em busca de si mesmos. Um casal destemido à procura de tudo. Uma viagem. A reconexão com a natureza. A volta pra dentro, a abertura pra fora. A vida, o amor, o som que sempre nos acompanha”. A atmosfera bucólica e o canto sertanejo da inaugural Vida Ventureira apontam com naturalidade o caminho seguido pela dupla Bárbara Eugenia e Tatá Aeroplano no primeiro álbum colaborativo. “A vida abençoada, é a vida a te largar andando pelo mundo … É vida pé na estrada, mania de jogar as coisa lá pro alto e se mandar“, detalha o casal enquanto uma doce ambientação se espalha vagarosa ao fundo da canção, como um convite a se perder no interior do trabalho. Produto direto do claro amadurecimento que marca os dois últimos registros de inéditas de cada artista – Eugênia com o romântico Frou Frou (2015) e Aeroplano no colorido Step Psicodélico (2016) –, o trabalho de 12 faixas, três delas vinhetas, parece crescer em uma medida própria de tempo, sem pressa. Uma fuga declarada de possíveis exageros típicos de uma obra urbana, como uma passagem para um recanto criativo que parece desvendado em essência apenas pela dupla. Leia o texto completo.

 

#39. Nevilton
Adiante (Sombrero Records)

Poucos artistas brasileiros parecem capazes de produzir um som tão honesto e certeiro quanto o paranaense Nevilton. Basta voltar os ouvidos para o imenso catálogo de faixas – sejam elas caseiras ou gravadas em estúdio –, que o cantor e compositor original de Umuarama, no Paraná, vem produzindo desde o fim da última década. Versos de amor, composições montadas a partir de memórias recentes, desilusões e temas existenciais que brilham de forma radiante nos dois primeiros álbuns de inéditas do músico, De Verdade (2011) e Sacode (2013). Entregue ao público depois de um longo período de hiato que durou quatro anos, Adiante, terceiro álbum de inéditas, mostra o esforço do guitarrista paranaense em explorar as pequenas repetições do cotidiano de forma naturalmente inventiva. Composições que mergulham nos encontros e desencontros de diferentes personagens (Lua e Sol, Flores), detalham versos esperançosos (Amarela) e a necessidade de sobreviver em meio ao caos diário (Adiante) enquanto guitarras rápidas convidam o ouvinte a dançar. Leia o texto completo.

 

#38. Sentidor
Am_Par_Sis (Sound and Colours / Geração Perdida)

O ano é 2033. Corroída pelo tempo e coberta pelos escombros de diferentes conflitos e transformações sociais, a cidade do Rio de Janeiro funciona como abrigo para uma população cada vez mais escassa, triste. Sobreviventes em um futuro consumido pelo passado, desprovido de uma identidade cultural e sufocado por recordações de um período glorioso. Um cenário marcado pela desesperança, pós-apocalíptico, porém, atual, ponto de partida para a ficção política que o mineiro João Carvalho desenvolve entre as canções do caótico Am_Par_Sis. Mais recente álbum de inéditas do Sentidor, o registro de 11 faixas imagina o que aconteceria se Passarim, trabalho lançado em 1987 por Antônio Carlos Jobim, fosse redescoberto em uma versão futurística do Rio de Janeiro. Um cenário em que “as atuais revoltas políticas e sociais que o país vive se transformassem ao nível de guerra, deixando a cidade em ruínas”. Músicas que revelam a desconstrução não apenas da obra de Jobim, principal “instrumento” do disco, mas do som doce testado por Carvalho no último registro de inéditas, Memoro Fantomo_Rio Preto (2016).

 

#37. Kafé
Kafé (Independente)

Romântico, Kafé passou os últimos dois anos confessando os próprios sentimentos, conflitos e desilusões amorosas em uma série de composições essencialmente sensíveis, estímulo natural para o fortalecimento da identidade poética do cantor e compositor baiano. Versos tratados com extrema delicadeza e profunda honestidade pelo jovem artista, cuidado que volta a se repetir em cada uma das canções (parte expressiva delas já conhecidas) que marcam o primeiro álbum de estúdio do músico. Entregue ao público em pequenas doses, o registro que vem sendo produzido desde 2015 emana forte proximidade e relação entre as faixas. Da abertura do disco, em 360 (“Se eu te ver de novo, nega / Não vou te deixar passar / Sempre onde eu tô / Você também quer estar“), até a semi-acústica Valeu a Pena (“Uma conversa pode acabar, com os nossos problemas / Mais o medo pode acabar, com os nossos sonhos“), faixa de encerramento da obra, Kafé encontra no uso de pequenas confissões românticas o principal combustível para o crescimento do trabalho. Leia o texto completo. Leia o texto completo.

 

#36. Nana
CMG-NGM-PDE (Independente)

A voz doce, trabalhada com extrema delicadeza, sensibilidade e candura. Arranjos e melodias ensolaradas que passeiam por entre ritmos – samba, pop, bossa nova, rock – e possibilidades dentro de estúdio. Versos e fragmentos poéticos capazes de observar o cotidiano de forma curiosa, como se mesmo o mais mundano dos acontecimentos servisse de passagem (e permanente descoberta) para a construção de um mundo mágico, sempre mutável. Um cenário onde personagens, histórias, sentimentos e sorrisos se cruzam com leveza a todo instante. Quatro anos após o lançamento do primeiro álbum em carreira solo, Pequenas Margaridas (2013), a cantora e compositora baiana Nana traz de volta as mesmas experiências e ambientações delicadas no segundo registro de inéditas, CMG-NGM-PDE. Uma obra montada a partir de sonhos, desilusões, confissões sentimentais, medos e sussurros poéticos que lentamente parecem escapar dos domínios da artista, dialogando de forma natural com o próprio ouvinte. Leia o texto completo.

 

#35. Cícero
Cícero & Albatroz (Sony Music)

Criativamente inquieto, Cícero Rosa Lins fez de cada novo registro de inéditas um continuo desvendar da própria identidade musical. Do som acústico e artesanal que marca o elogiado debute Canções de Apartamento (2011), passando pelas experimentações em Sábado (2013), até alcançar as ambientações eletrônicas e melodias ensolaradas nas canções de A Praia (2015), um mundo de pequenas possibilidades se revela dentro de cada experimento testado dentro de estúdio, fazendo da constante mutação a principal marca do cantor e compositor carioca. Com Cícero & Albatroz não poderia ser diferente. Quarto álbum de inéditas do músico e primeiro registro da parceria com a banda Albatroz – coletivo formada por Bruno Schulz, Uirá Bueno, Gabriel Ventura, Cairê Rego, Felipe Pacheco Ventura, Vitor Tosta e Matheus Moraes –, o trabalho de dez faixas encontra na grandeza dos arranjos, versos e vozes o principal componente criativo para as canções. Uma fusão de elementos que prova de diferentes ritmos e sonoridades, porém, sustenta na poesia singular de Lins um precioso elemento de conexão. Leia o texto completo.

 

#34. Ayrton Montarroyos
Ayrton Montarroyos (Independente)

Mais conhecido pela participação na quarta edição do programa The Voice Brasil, em 2015, Ayrton Montarroyos tinha tudo para seguir a trilha de outros participantes da competição. Uma boa voz, carisma e a possibilidade de abraçar uma boa parcela do público, efeito da visibilidade óbvia de qualquer apresentação em um palco sob os holofotes da Rede Globo. Vice-campeão, o pernambucano decidiu esperar e resgatar fragmentos de um projeto autoral que vem sendo desenvolvido desde 2013, quando foi convidado a participar do disco em tributo ao centenário de nascimento do músico Luiz Gonzaga (1912 – 1989). Com direção musical do guitarrista Rovilson Pascoal e produção de Thiago Marques Luiz, o autointitulado registro de 11 faixas, estreia solo de Montarroyos, entrega ao público o que há de melhor no trabalho do cantor e compositor pernambucano. Entre versos doces, por vezes sussurrados, o jovem músico amarra quase cinco décadas de referências, indo da sutil interpretação de Diariamente, música composta em 1972 pela dupla Paulo César Gyrão e Gerson, até a presente safra da música popular brasileira. Leia o texto completo.

 

#33. Don L
Roteiro Para Aïnouz, Vol. 3 (Don L Music)

Você não me engana / É tudo superficial / Tudo bem / Eu não te amo“. A negativa que maraca o verso de abertura em Eu Não Te Amo, composição escolhida para inaugurar o recém-lançado Roteiro Para Aïnouz, Vol. 3, indica a trilha pessimista que marca o novo registro de inéditas do rapper cearense Don L. Um refúgio urbano, propositadamente caótico, estímulo para a construção de una poesia densa que orienta a direção seguida pelo ouvinte até a derradeira Laje das Ilusões. Primeiro capítulo da trilogia Roteiro pra Aïnouz, obra que se inspira e ao mesmo tempo dialoga com o trabalho produzido pelo diretor cearense Karim Aïnouz – responsável por filmes como O Céu de Suely(2006), Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2010) e Praia do Futuro (2014) –, o sucessor da mixtape Caro Vapor / Vida e Veneno de Don L (2013) nasce como um reforço direto à maturidade do artista. Personagens, histórias e conflitos pessoais que garante ritmo e força ao registro. Leia o texto completo.

 

#32. Jovem Palerosi
Ziyou (Tropical Twista Records)

Uma viagem ao oriente na completa imersão dos fones de ouvido. Primeiro registro de estúdio do produtor paulistano Jovem Palerosi pelo selo Tropical Twista Records, Ziyou (2017), transforma os sons e referências à cultura chinesa no principal componente para a delicada construção do trabalho. Samples enevoados, melodias e sobreposições eletrônicas que conectam a milenar formação histórica de Pequim ao centro de São Paulo, no bairro da Liberdade, onde hoje reside o artista. Sucessor do experimental Mouseen EP, o registro de oito faixas confirma a versatilidade do produtor paulistano. Resultado de uma viagem de Palerosi à capital da República Popular da China em 2014, Ziyou aponta para o oriente sem necessariamente parecer conceitual ou preso a um tema específico. Assim como o trabalho que vem desenvolvendo com os integrantes da Meneio, o grande acerto do artista sobrevive na rica costura instrumental que aproxima diferentes referências dentro de um mesmo registro. Leia o texto completo.

 

#31. Far From Alaska
Unlikely (Elemess)

Se existe uma coisa que os integrantes do Far From Alaska sabem melhor do que qualquer outro artista nacional é como se apropriar de uma série de referências estrangeiras e fazer disso o princípio para uma obra autoral. Basta voltar os ouvidos para o último registro de inéditas da banda, o excelente modeHuman (2014), e perceber como ecos de veteranos do rock alternativo se transformam no principal componente criativo para o quinteto vindo de Natal, Rio Grande do Norte A mesma explosão referencial acaba se refletindo na composição do segundo e mais recente álbum de inéditas do grupo formado por Emmily Barreto (voz), Cris Botarelli (sintetizadores, voz), Rafael Brasil (guitarra), Edu Filgueira (baixo) e Lauro Kisch (bateria), o intenso Unlikely. Uma seleção precisa com 12 composições inéditas — quase todas batizadas com o nomes de animais —, em que a banda potiguar parece testar os próprios limites dentro de estúdio. Leia o texto completo.

 

     


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