Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017 [50-41]

 

Hip-Hop, pop, R&B, rock, samba e pitadas de música eletrônica abastecem a nossa seleção com Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2017. São trabalhos lançados entre janeiro e dezembro deste ano que deixaram sua marca na produção brasileira. Um resumo detalhado de tudo aquilo que foi explorado por diferentes representantes da cena nacional, veteranos ou mesmo novatos da nossa música atuantes nos mais variados estados. Aproveite para ver outras listas do nosso especial de final de ano com Os Melhores de 2017.

 

 

#50. Pratagy
Búfalo (Lezma Records)

Da mistura de ritmos (e cores) que marca o primeiro álbum de Jaloo, passando pela poesia política que se espalha entre as canções de Em cada verso um contra-ataque (2016), último registro de inéditas da cantora Aila, não faltam grandes exemplares da música pop paraense. Parte desse mesmo universo de artistas, o músico Leonardo Pratagy parece brincar com o uso de boas melodias, sentimentos e vozes, fazendo de Búfalo uma coleção de temas tão intimistas quanto ensolarados, sempre crescentes. Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor paraense desde o inaugural Pictures, trabalho de sete faixas entregue ao público em junho do último ano, Búfalo se projeta como uma obra essencialmente precisa, segura. São composições montadas a partir da lenta sobreposição de sintetizadores, guitarras e vozes, aproximando Pratagy de outros representantes da cena nacional, caso da carioca Mahmundi e do produtor capixaba Silva. Leia o texto completo.

 

#49. Tetê Espíndola
Outro Lugar (Independente)

Não se deixe enganar pelo visual transformado e cores fortes que estampam imagem de capa do novo álbum de Tetê Espíndola. Em Outro Lugar, 18º registro de estúdio da cantora e compositora sul-mato-grossense, todos os elementos que originalmente apresentaram o trabalho da artista no início dos anos 1980 estão de volta, sutilmente resgatados e espalhados pela obra. Um som conceitualmente bucólico, doce, como a passagem para um refúgio sentimental e poético. Primeiro registro de inéditas da cantora em três anos, o sucessor de Asas do Etéreo, lançado em 2014, mostra Espíndola em uma delicada zona de conforto. Gravado em sua maioria na cidade de Campo Grande, casa da artista, também em São Paulo e, posteriormente, finalizado em Paris, com a ajuda do músico francês Philippe Kadosch, o registro de 12 faixas flutua em meio a paisagens conceituais, ambientações acústicas e melodias acolhedoras, como a lenta montagem de um ambiente próprio da artista. Leia o texto completo.

 

#48. Flora Matos
Eletrocardiograma (Independente)

No ritmo da batida, nas batidas do coração. Dominada pelos sentimentos e confissões românticas, Flora Matos encara o primeiro álbum em carreira solo, Eletrocardiograma, como um reflexo dos próprios tormentos e experiências particulares. “Esse disco é como um monólogo de uma paixão. Aquelas paixões que nos levam a pensar que não dá pra viver sem a pessoa, mas que no final nos leva a refletir sobre amor próprio e nos recuperamos com garra“, resumiu em entrevista à Vice. Conhecida pela série de colaborações assinadas em parceria com diferentes nomes do rap nacional, como Rashid (Que Assim Seja), Don L (Sangue É Champagne) e Edi Rock (Eu Canto Up Soul), a rapper brasiliense transporta para dentro do presente álbum o que há de mais sensível em toda a sequência de obras produzidas nos últimos anos. Da abertura do disco em Perdendo o Juízo, faixa em que joga com o eu lírico masculino, até alcançar a derradeira e já conhecida Preta de Quebrada, sobram fragmentos poéticos em que a alma e essência musical da artista se revela por completo. Leia o texto completo.

 

#47. Soledad
Soledad (EAEO Records)

Um movimento bêbado da guitarra, e o trabalho de Soledad se revela por completo logo nos primeiros versos: “Quero deitar com você / Tocar suas incertezas no escuro”. Formada em teatro, estudante de Ballet e profunda conhecedora de diferentes aspectos da cultura popular, a cantora e compositora nascida em Fortaleza faz do primeiro álbum de estúdio uma obra marcada pela provocação. Sussurros, carícias e pequenos delírios românticos que se entrelaçam de forma a revelar um de som doce, inebriante. Gravado durante o inverno de 2016, em São Paulo, o registro que conta com arranjos de Gui Amabis, Guilherme Mendonça, Bruno Rafael e Vitor Colares parece trabalhado de forma a acolher e exaltar a voz forte da cantora. Do romantismo brega que cresce em Portenosa, faixa de abertura do disco, passando pela leve aceleração de Corpo Solto, o minimalismo de Vermelho Azulzim, até o rock político de Beco da Noite, todos os elementos se projetam como um complemento à poesia densa do álbum. Leia o texto completo.

 

#46. Arthur Melo
Agosto (La Femme Qui Roule)

O dedilhado tímido do violão e os versos lentamente assentam no interior do ouvido, preguiçosos: “Eu sigo devagar”. Espécie de complemento ao colorido melódico que inaugura o trabalho do cantor e compositor mineiro Arthur Melo, Café, canção que sucede a homônima faixa de abertura do EP Agosto, deliciosamente se espalha como um fio condutor para o registro de temas acústicos e versos confessionais assinados pelo músico de Belo Horizonte. De essência matutina, vagaroso, o trabalho de apenas seis faixas parece desenvolvido para cercar e confortar o ouvinte. Um registro precioso, sorridente e entristecido na mesma medida. “Entra / Mas entra devagar / Não repara na bagunça / Eu não arrumei da última vez que alguém esteve aqui / No final, ele sempre acaba bagunçado”, canta em Coração, música que utiliza da metáfora de um espaço físico (o quarto) para retratar o sofrimento e sentimentos confusos do eu lírico. Leia o texto completo.

 

#45. Lutre
Apego (Independente)

Sem pressa, guitarras e melodias instáveis da inaugural Céu detalham uma curiosa paisagem instrumental, estabelecendo possíveis limites e regras sentimentais que orientam o primeiro álbum de estúdio do power trio goiano Lutre, Apego (2017, Independente). Ruídos, batidas, a linha de baixo pulsante e guitarras versáteis que servem de base para a poesia dolorosa que se espalha pelo interior da composição — “Não precisa chorar / Foi você quem escolheu / ‘Rancar’ pétala por pétala / E no fim fingir que esqueceu“. Longe de buscar conforto em um gênero ou sonoridade específica, o trabalho de nove faixas assinado por Marcello Victor (guitarra e vocal), Jefferson Radi (bateria) e Chrisley Hernan (baixo) flutua por entre gêneros, incorporando mais de cinco décadas de referências de forma propositadamente torta. Uma colisão de ideias que atravessa o rock alternativo dos anos 1990 e 2000 até alcançar o presente cenário nacional, esbarrando na obra de artistas como Lupe de Lupe e, principalmente, Ventre. Leia o texto completo.

 

#44. Mante
Alba (Coletivo Atlas / Desmanche)

Seja como integrante do grupo do grupo de pós-rock Dunas ou nas experimentações intimistas que caracterizam os trabalhos do Veenstra, o cantor e compositor curitibano Lorenzo Molossi nunca seguiu um caminho previsível. A cada novo registro autoral, a busca declarada por um material de essência abstrata, sempre mutável, transformação constante que alcança novo resultado nas canções produzidas para o primeiro álbum do músico sob o título de Mante, o recém-lançado Alba. Produto da colorida sobreposição de ideias, referências, samples e temas instrumentais que passeiam por diferentes campos da música eletrônica/ambiente, o registro inaugurado pela complexidade de Arca carrega na colagem dos sintetizadores, vozes e batidas semi-carnavalescas um curioso resumo de tudo aquilo que Molossi sutilmente amplia no decorrer da obra. Um lento desvendar dos elementos, como se o músico brincasse com a desconstrução de pequenas identidades. Leia o texto completo.

 

#43. Garotas Suecas
Futuro do Pretérito (Freak)

O passado sempre foi encarado como um importante componente criativo para os trabalhos da banda paulistana Garotas Suecas. Basta voltar os ouvidos para Escaldante Banda (2010), primeiro álbum de estúdio do grupo – hoje formado por Irina Bertolucci (teclados), Tomaz Paoliello (guitarra), Fernando Perdido (baixo) e Nico Paoliello (bateria) –, e perceber como décadas de referências se agrupam de forma a favorecer a construção de um material que mesmo nostálgico, encanta pelo frescor e fino toque de novidade, principalmente na forma como os versos são apresentados. Terceiro álbum de inéditas da banda e sucessor do ótimo Feras Míticas (2013), Futuro do Pretérito talvez seja o trabalho em que essa relação de temporalidade seja explorada com maior naturalidade. Como indicado no próprio título da obra, trata-se de uma contrastada relação entre antigos e novos valores, conceito reforçado pela ambientação empoeirada do álbum, claramente ancorada no soul-rock-funk dos anos 1960/1970, mas que carrega nos versos um precioso diálogo com o presente, esbarrando em uma série de conflitos atuais, temas políticos e debates sociais. Leia o texto completo.

 

#42. Aldan
daDAdaDAdaDAdaDA​.​.​. (Geração Perdida)

Longe de qualquer traço de previsibilidade, a música produzida pelos mineiros da Aldan se dobra, contorce e quebra de forma a revelar um imenso catálogo de pequenos detalhes. Canções livres de uma estrutura pré-delimitada, um “anti-rock”, como apontam os próprios integrantes – Marcus Vinícius Evaristo (voz e guitarra), Fernando Bones (voz e baixo), Davi Brêtas (guitarra) e Bruno Carlos (bateria) –, mas que encontra no explorar de diferentes sonoridades, ideias e possibilidades artísticas um importante componente para o amadurecimento criativo da banda. Prova disso está em cada uma das 11 faixas que abastecem o mais novo álbum de inéditas do quarteto de Belo Horizonte, o propositadamente instável daDAdaDAdaDAdaDAdaDAdaDA​.​.​.. Em um intervalo de quase 40 minutos, ruídos, temas urbanos, sobreposições confusas e fugas transportam o ouvinte para diferentes cenários, como um permanente ziguezaguear de ideias que bagunça a experiência do trabalho, ampliando o som anteriormente testado pelo grupo no álbum Pode ser que daqui a algum tempo eu tenha 30, de 2015. Leia o texto completo.

 

#41. Metá Metá
Gira / EP3 (Grupo Corpo / Independente)

O chão. O céu. O caos. Do ancestral encontro entre esses três elementos, Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarra) e Thiago França (saxofone) estabeleceram as regras para compor a trilha sonora do espetáculo Gira, projeto coreografado pelos irmãos Paulo e Rodrigo Pederneiras para o Grupo Corpo, do qual são fundadores. Feito sob encomenda, o trabalho precisou ser feito (e refeito) três vezes pelos integrantes do Metá Metá até ser prontamente finalizado, traduzindo nas batidas, ruídos, vozes a força do mais humano dos orixás, senhor do princípio e da transformação: Exu. “Exu é o orixá mais próximo do nosso plano, dono do corpo, da dança, do movimento. Achamos que caiu como uma luva”, explicou França em entrevista à Revista Trip. De fato, a imposição do ritmo e permanente mutabilidade dos arranjos se revela como o componente central para o permanente crescimento da obra. Entregue ao público poucos meses após o lançamento do terceiro álbum de inéditas do trio paulistano, MM3 (2016), Gira, vai da euforia ao completo silenciamento em instantes, dialogando com o ouvinte para além dos limites do palco. Leia o texto completo.

 

     


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