Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2011 [50-41]

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Da lisergia eletrônica da Chillwave ao embate entre os reis da música contemporânea – Arcade Fire, Kanye West e o abatido LCD Soundsystem -, se em 2010 o ano foi de exaltações e trabalhos promovidos de maneira épica, para 2011 a calmaria foi o que acabou se estabelecendo. A valorização do Lo-Fi, o Dubstep como um ritmo mundialmente conhecido e o experimental se transformando em algo pop foram alguns dos marcos que caracterizaram o cenário musical ao longo do ano, garantindo apontamentos mais do que consistentes de como deve se movimentar a música pelos próximos anos. Passeando por diferentes campos da música é hora de elegermos os melhores discos internacionais do ano, trabalhos que marcaram o panorama musical e que aqui ocupam lugar de destaque.

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#50. Metronomy
The English Riviera (Because Music)

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Existe um ponto em que toda banda – na importa quão ruim ela seja – deixa de lado as referências, inspirações e redundâncias para finalmente encontrar um material de qualidade, original e próprio. Pode ser que isso se torne visível em uma música apenas, uma parte de um registro, ou quem sabe um trabalho inteiro, algo que os britânicos do Metronomy conseguiram encontrar com o lançamento de The English Riviera. Menos centrado na figura de Joseph Mount – criador e principal compositor da banda – e repassando a imagem de coletivo, o trabalho se afunda em pequenas experiências musicais reducionistas, dialogando de maneira peculiar com o minimalismo eletrônico dos anos 90. O resultado está em um trabalho conciso, maduro e carregado de verdadeiros hits, músicas como The Bay, Corinne e Everything Goes My Way marcadas por uma sonoridade “simples” conseguem se distanciar de todas as redundâncias que há décadas alimentam o cenário britânico.

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#49. Iceage
New Birgade (What’s Your Rupture?)

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É cada vez mais raro encontrar um registro que foque no punk rock sem que a banda em questão não percorra uma sonoridade muitas vezes clichê ou se embrenhando em velhos apelos à música pop. Com pouco tempo de experiência, os dinamarqueses do Iceage transformam o catastrófico New Brigade em um trabalho essencial ao gênero, sendo a resposta mais do que exata aos apelos daqueles que procuram por um trabalho cru e competente na mesma medida. Sujo e contando com 12 faixas (dissolvidas em 24 minutos), o trabalho ultrapassa os limites do punk tradicional para ressaltar (em menor escala) uma fina predisposição ao noise rock dos anos 80, passeando ainda pela sujeira controlada do garage rock e até alguns toques de Pós-Punk (imagine a obra do Joy Division triturada em enorme liquidificador).

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#48. Ford & Lopatin
Channel Pressure (Software Records)

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Tão dual quanto o título do projeto é o som esbanjado pela dupla Ford & Lopatin. De um lado está Joel Ford, um dos integrantes do grupo norte-americano Tigercity, banda que encontra no electropop dos anos 80 a maior fonte para suas composições. Do outro lado o gênio da ambient/experimental music, Daniel Lopatin, que entre diversos projetos se destaca pelo esquizofrênico Oneohtrix Point Never. Desse encontro tão díspar nada mais aceitável do que Channel Pressure, um trabalho que concentra o toque pegajoso e pop de um, com toda a excentricidade do outro, mobilizando assim 14 composições que parecem dar à música da década de 1980 um novo significado. Dançante e estranho na mesma medida, o trabalho vai de maneira peculiar desenvolvendo faixas como Too Much MIDI (Please Forgive Me) e Emergency Room, com o duo se embrenhando em uma sucessão de sintetizadores grudentos, versos fáceis e uma densa cortina de ruídos que acaba se estendendo por todo o trabalho.

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#47. Jamie Woon
Mirrorwiting (Polydor)

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Se James Blake resolveu utilizar da Soul Music como um mecanismo de exposição macambúzio, tragando os espectadores para dentro de um universo de beats assíncronos sombrios e excêntricos, o conterrâneo Jamie Woon optou por garantir outro sentido ao gênero. Também relacionado com o mesmo Dubstep (ou seria pós-Dubstep) de Blake, Woon resolveu temperar cada minuto de Mirrorwiting com uma doce emanação pop e envolvente. Falando sobre amor, sexo e mulheres, o produtor vai suavemente apresentando um cardápio de ritmos e formas instrumentais acalentadas, fazendo nascer clássicos como Street, Shoulda, Night Air ou a suculenta Lady Luck. Acompanhado de ninguém menos que William Bevan – mais conhecido pelo pseudônimo de Burial -, Woon e o parceiro vão a seu próprio tempo elaborando uma série de eficazes canções, composições capazes de flertar com a música comercial, mas nunca perder a linearidade que as conduz. Quente.

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#46. Feist
Metals (Interscope)

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Depois do sucesso estrondoso gerado pelo disco The Reminder de 2007 (ou mais especificamente pelo hit 1234), Leslie Feist não teria um caminho muito fácil a percorrer, tanto que para o quarto registro em estúdio a musicista canadense resolveu abandonar grande parte da sonoridade que havia explorado anteriormente em busca de algo verdadeiramente novo. Arriscada, a estratégia se mostrou como uma experiência verdadeiramente assertiva, afinal, bastam os minutos inicias de The Bad In Each Other, primeira música do álbum Metals, para perceber que Feist continua tão (ou mais) inventiva quanto em épocas passadas. Menos pop e embriagado por um toque de Alt. Country, o disco evidencia uma artista madura, em plena forma e capaz de arrastar o espectador para dentro de um universo extremamente melancólico e tingido de cinza, sendo o único ponto de apoio e elemento guia dentro desse estranho ambiente a voz da própria musicista.

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#45. BADBADNOTGOOD
BBNG (Independente)

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Joy Division, OFWGKTA, The Legend of Zelda, Jazz e Hip-Hop, estes são alguns dos elementos que comandam o primeiro álbum do coletivo canadense BADBADNOTGOOD. Desenvolvido como uma espécie de enorme Jam Session com quase 50 minutos de duração, o trabalho se afasta de um resultado possivelmente copioso ou que se aproveita de já consagradas composições do rap de diferentes “eras” para desfilar por uma via essencialmente jazzística e experimental. Anárquico e moderado na mesma medida, o disco proporciona 12 composições marcadas pela primazia de seus idealizadores, músicos capazes de estabelecer uma conexão sólida (e talvez há tempos esquecida) entre as vias do hip-hop e o jazz. Apenas pianos, baixo e uma bateria ditam as regras, instrumentos mais do que suficientes para que o trio nos introduza ao estranho universo que os cerca.

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#44. Tyler, The Creator
Goblin (XL)

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Esqueça as ostentações ao rap bling-bling que há décadas domina a música norte-americana, deixe de lado as batidas convencionais e os versos fáceis que inundam o gênero, cuspa na cara de grandes veteranos do hip-hop, e acima de tudo: não seja moderado em suas palavras. Sob essa lógica o “garoto prodígio” Tyler, The Creator se transformou em uma das figuras mais comentadas do cenário musical, conquistando os elogios de uns e críticas (ênfase aí) de outros. Entre composições que falam sobre estupro, homofobia, assassinato, abusos com as drogas e até amor, o californiano estende a temática do que parece ser uma conversa com seu terapeuta, algo iniciado com o disco Bastard de 2010 e tema amplamente explorado com o recente Goblin. Em meio a batidas nada óbvias e versos tomados por um contexto essencialmente agressivo, o trabalho surge para romper com as lógicas do velho rap, instalando a partir de agora um novo jogo de possibilidades que devem agradar alguns e irritar muitos outros.

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#43. Unknown Mortal Orchestra
Unknown Mortal Orchestar (2011, Fat Possum)

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De um lado uma bateria toscamente aplicada, do outro, um conjunto de guitarras melódicas empacotadas em um bolo de sons caseiros. Para unir isso tudo, um pacote de letras tomadas por uma fragilidade pós-adolescente que mesmo óbvias se anunciam de maneira encantadora. Com estes três elementos o grupo de Portland, Oregon Unknown Mortal Orchestra deu vida a um dos lançamentos mais criativos e despretensiosos de 2011, um álbum que para além das aplicações tradicionais do “Do It Yourself” mantém uma peculiaridade acessível, honrando com as velhas experiências dos veteranos da cena Lo-Fi dos anos 90, mas concentrando uma somatória de acertos que praticamente os arremessam para junto da música pop. Fácil, mas nunca descartável, o disco de nove canções revela pérolas como How Can U Luv Me e Ffunny Ffrends, músicas que chupam a década de 1960 até o talo, passam rápido pelos anos 70 e se revelam como coerentes frutos da década de 2000.

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#42. Cass McCombs
Wit’s End (Domino)

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O amor parece se revelar de maneira bastante específica e dolorosa para o californiano Cass McCombs. Figura ímpar do cenário alternativo norte-americano, o músico conseguiu transformar o recente Wit’s End em um dos tratados musicais mais tortuosos e confessionais do ano, um trabalho mergulhado em melancolias sufocantes e casos de amor que ganham conotações puramente sofridas nas mãos do artista. Da dor encantadora de County Line aos versos acolhedores de The Lonely Doll, cada espaço do álbum é ocupado de maneira sábia, com McCombs utilizando de um tempero sorumbático como o elemento de liga para toda sua obra. Menos hermético que o também excelente Catacombs de 2009, o músico aqui se aproxima de uma linguagem melódica, sendo provavelmente o registro pelo qual deve e será lembrado.

#41. Lykke Li
Wounded Rhymes (LL)

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Em 2008 quando apresentou Youth Novels a sueca Lykke Li demonstrou ter encontrado uma maneira totalmente particular de explorar a música pop, se embrenhando em meio a versos marcados de sentimentos e uma instrumentação totalmente afastada das obviedades do gênero. Passados três anos desde que lançou ao mundo o relevando disco, a musicista retorna com mais uma obra-prima, Wounded Rhymes, um trabalho ainda mais suntuoso que o disco anterior, e registro detentor de uma verdadeira coleção de belas canções. Da melancolia assumida de Sadness Is A Blessing ao toque dançante e acolhedor de I Follow Rivers, cada instante do álbum é marcado por uma beleza sincera e profunda, com Li se transformando em uma das vozes mais importantes do cenário contemporâneo. Como canta em I Know Places, a sueca conhece lugares, e se eu fosse você a seguiria.

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.