Baauer: “One Touch” (Feat. AlunaGeorge)

.

As batidas ditam as regras de One Touche, intensa parceria entre o estadunidense Baauer e a dupla britânica AlunaGeorge. Escolhida pelo público a partir de uma lista de canções inéditas publicadas no Facebook do produtor, recentemente a canção foi apresentada durante o programa da DJ Annie Mac, na BBC Radio 1. Naturalmente imersa nos mesmos conceitos assinados pelo criador de Harlem Shake, a música de quase quatro minutos está longe de economizar na quentura dos arranjos e beats.

Enquanto Baauer define base da faixa, esbarrando em elementos típicos do Major Lazer e rápidos “assovios”, George Reid brinca com as possibilidades vocais de Aluna Francis, equilibrando efeitos e distorções de forma a ocupar as pequenas brechas da faixa. Esta não é o primeiro encontro do trio. Em 2013, Baauer lançou um remix para Attracting Flies, uma das principais canções de Body Music, álbum de estreia do duo inglês.

.

Baauer – One Touch (Feat. AlunaGeorge)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

How To Dress Well: “Words I Don’t Remember” (The Range Remix)

.

Ainda emocionado com a delicadeza e melancolia de How To Dress Well em “What Is This Heart?”? Então saiba que Tom Krell, grande responsável pelo projeto, ainda reserva boas novidades para o próprio público em 2014. Além da turnê de divulgação do trabalho, o músico norte-americano reserva para o dia 27 de outubro o lançamento da coletânea/EP “What Is This Heart?” Remixes.

Com distribuição pelo selo Weird World, o registro apresenta diferentes versões para algumas das melhores faixas do recente álbum. Depois de A. G. Cook brincar de forma assertiva com a estrutura de Repeat Pleasure, lançada há poucas semanas, chega a vez de James Hinton (The Range) garantir novo acabamento à delicada Words I Don’t Remember. Mesmo próxima do som explorado pelo produtor em Nonfication (2013), a essência do HTDW permanece estável, prova de que Krell escolheu bem os colaboradores do novo projeto.

.

How To Dress Well – Words I Don’t Remember (The Range Remix)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , ,

Caribou: “Essential Mix”

.

Em processo de divulgação do ótimo Our Love (2014), novo álbum do Caribou, o produtor Dan Snaith fez da passagem pela BBC Radio 1 uma verdadeira exposição de composições inéditas. Ao longo de duas horas, tempo médio de duração do programa Essencial Mix, o canadense não apenas explorou o próprio acervo de composição, apresentando duas faixas novas do Daphni – Carry On e Tin -, como ainda tocou músicas inéditas de Les Sins (Past, Call), Boddika & Joy Orbison, Anthony Naples (Miles) e Pearson Sound (Rubber Tree).

Para ouvir o material na íntegra, basta uma visita ao site da própria estação. Esta não é a primeira vez que Snaith passou pela BBC Radio. Além do rico material de faixas autorais, no soundcloud do produtor é possível encontrar outros trabalhos e diferentes mixtapes lançadas com exclusividade para a rádio britânica. Abaixo, a faixa-título do novo álbum de Caribou.

.

Caribou – Our Love

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Shabazz Palaces: “Motion Sickness”

.

Passear livremente pelo cosmos, colonizar ou apenas visitar novos planetas; objetivos ainda distantes de serem alcançados pelo ser humano. Todavia, quem busca viajar pelo espaço sem necessariamente abandonar o conforto da própria casa, uma simples audição de Lese Majesty (2014) talvez funcione como alternativa. Segundo e mais recente trabalho da dupla Shabazz Palaces, o álbum flutua em meio a referência cósmicas, arranjos experimentais e temas inspirados em filmes/livros clássicos da ficção científica nos anos 1970.

Ainda que a inspiração do disco venha do espaço, em se tratando do vídeo de Motion Sickness são os elementos terrenos que orientam a formação das imagens. Dinheiro, drogas, sexo e família, temas explorados com sensibilidade a partir da relação entre uma mãe viciada e sua filha. Um dos grandes clipes de 2014, o trabalho conta com direção de TEAN.

.

Shabazz Palaces – Motion Sickness

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , ,

Disco: “Taiga”, Zola Jesus

Zola Jesus
Alternative/Electronic/Art Pop
http://www.zolajesus.com/

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista que lida com uma sonoridade restrita, específica em demasia, se encontra na incapacidade de ruptura. No caso de Nika Danilova e o material incorporado pelo Zola Jesus, adaptações eletrônica de temas e referências góticas. Instalada em um ambiente hermético desde o primeiro álbum de estúdio, The Spoils (2009), a cantora alcança o quinto registro de estúdio de forma a reproduzir canções ainda atrativas, porém, marcadas pela comodidade.

Desde a limpidez assumida nos arranjos de Conatus, de 2011, a cantora continua a dar voltas e mais voltas dentro de um mesmo cenário lírico-instrumental. Ausência de inspiração, preguiça ou pressão da gravadora em manter um mesmo formato – a artista agora faz parte do selo Mute, braço da EMI -, a resposta ainda não parece clara, porém, ao revisitar as próprias canções em Versions (2012), Danilova apenas confirmou o quanto parece pouco interessada em ultrapassar os próprios limites.

Em Taiga (2014, Mute), a particular voz pesada e fúnebre, arranjos sombrios e aparatos eletrônicos mais uma vez servem de estímulo para os versos românticos/melancólicos da cantora. Confissões que começam na inaugural faixa-título, cortejam o pop em Go (Blank Sea), brincam com a eletrônica em Hunger, mas em nada acrescentam se observarmos a composição precisa lançada em Stridulum II (2010), até o momento, a grande obra de Danilova e matéria-prima para o presente disco.

Todo esse estágio de conforto faz de Taiga um trabalho fraco? Pelo contrário, poucos registros de Zola Jesus parecem tão envolventes quanto o atual. Mesmo incapaz de projetar canções emocionais e fortes como Night e I Can’t Stand, a fluidez dinâmica do presente álbum parece seduzir o ouvinte sem grandes dificuldades. Enérgica, Danilova passeia madura durante toda a construção do disco, transformando músicas como Dangerous Days e Dust em peças completamente hipnóticas. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Parkay Quarts: “Uncast Shadow Of A Southern Myth”

.

Mesmo depois de apresentar um dos grandes discos do ano, o nostálgico Sunbathing Animal (2014), os membros do Parquet Courts já estão de volta com mais um registro de inéditas. Sob o nome de Parkay Quarts, o grupo nova-iorquino reserva para o dia 11 de novembro a chegada Content Nausea, obra lançada pelo selo What’s Your Rupture? e que, ao menos por enquanto, parece seguir em direção contrária ao último trabalho da banda.

Para apresentar o novo disco, o grupo resolveu começar pelo fim, entregando ao ouvinte a derradeira e sóbria Uncast Shadow Of A Southern Myth. Com quase sete minutos de versos extensos, confissões e arranjos lentos, a música esbarra na mesma composição incorporada pelo Television no Lado B de Marquee Moon (1977), reforçando o fascínio do grupo pela cena de Nova York no final dos anos 1970. Ainda que a banda já tenha brincado com o mesmo tipo de som em Sunbathing Animal, bastam os primeiros versos da nova música para perceber o completo distanciamento.

.

Parquet Courts – Uncast Shadow Of A Southern Myth

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Cult Of Youth: “Roses”

.

Por mais que os trabalhos de Sean Ragen sejam marcados pela utilização de arranjos acústicos, a explícita relação do norte-americano com os temas e elementos típicos do Pós-Punk, naturalmente tendem a afastar o ouvinte de um material brando e cômodo. Como bem reforçou durante o lançamento de Empty Faction, há poucas semanas, grande parte das canções assinadas pelo músico para o Cult Of Youth quase sempre mergulham em uma estrutura rápida e crua, formação rompida parcialmente com a chegada de Roses.

Pouco mais extensa que a canção anterior, a nova música cresce lentamente, envolvendo o ouvinte em um jogo de vozes e violões quase acolhedores durante os minutos iniciais. Por vezes íntima do material apresentado por Michael Gira em The Seer, álbum de 2012 do Swans, a canção brinca com a desconstrução das melodias. Assim como o single anterior, a nova música é parte do aguardado Final Days (2014), terceiro disco do Cult Of Youth e obra agendada para 11/11 pelo selo Sacred Bones.

.

Cult Of Youth – Roses

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Andy Stott: “Faith in Strangers”

.

Andy Stott parece ter um mundo novo nas mãos. Ainda que Violence, faixa inédita apresentada há poucas semanas, tenha servido de aviso para essa “transformação” do produtor britânico, é com a chegada de Faith in Strangers que os horizontes se ampliam. Faixa-título do novo álbum de Stott, a canção encanta não apenas pela inclusão parcialmente límpida de vozes e versos, mas no completo reforço nas batidas que definem a criação.

Enquanto a voz de Alison Skidmore – também responsável pelos vocais de Violence e grande parte das canções de Luxury Problems (2012) -, segue de maneira precisa, batidas sobrepostas, diálogos com o Techno e um distanciamento dos elementos do Dub transportam o ouvinte para um cenário parcialmente novo. São quase sete minutos em que ecos da década de 1990 são adaptados ao presente contexto de Stott, cada vez mais afastado do som atmosférico e denso dos últimos discos e EPs. Com lançamento pelo selo Modern Lovers, Faith in Strangers estreia no dia 17 de novembro.

.

Andy Stott – Faith in Strangers

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Disco: “Cosmic Logic”, Peaking Lights

Peaking Lights
Psychedelic Pop/Indie/Alternative
http://peakinglights.com/

Por: Cleber Facchi

As guitarras sujas e voz firme em Infinite Trips, faixa de abertura do recém-lançado Cosmic Logic (2014, Weird World) confirmam: o som incorporado pelo Peaking Lights está longe de ser o mesmo dos outros álbuns. Ainda que o casal Aaron Coyes e Indra Dunis tenha explorado uma sonoridade menos “artesanal” desde o antecessor Lucifer, de 2012, bastam os minutos iniciais do presente disco para notar a completa mudança na estrutura incorporada pela dupla.

Se por um lado os temas psicodélicos, variações do Dub e uso apurado de sintetizadores mergulham o ouvinte no mesmo contexto dos últimos discos, ao isolar os arranjos e vozes de cada composição, a proposta é outra. Como evidente desde o lançamento de Breakdown, em meados de agosto, Coyes e Dunis exploram agora um som cada vez mais pop, raspando de leve em um resultado comercial. De certo modo, uma interpretação ainda mais polida do material exposto em 936 (2011), obra que apresentou o trabalho do duo californiano ao mundo.

Naturalmente dinâmico, Cosmic Logic é uma fuga dos excessos incorporados de forma assertiva pelo casal nos últimos dois discos. Longe de reproduzir peças extensas, caso de Marshmellow Yellow, LO HI e Birds of Paradise, Coyes se concentra em desenvolver canções rápidas, esquivas de bases climáticas e totalmente moldadas aos vocais da esposa. De fato, se há pouco tempo Dunis atuava como uma espécie de instrumento musical, emulando vocalizações típicas do dub, hoje a cantora é a grande engrenagem do trabalho.

Com exceção das últimas faixas do disco – New Grrrls, Breakdown e Tell Me Your Song -, todo o acervo do presente álbum é de composições essencialmente rápidas, efêmeras. Três ou quatro minutos de versos plásticos, arranjos coesos e até certa dose de urgência. Quem foi seduzido pelas massas densas de 936 ou variações psicodélicas do trabalho passado, talvez encontre em Cosmic Logic um universo estranho. Uma completa ruptura em se tratando dos conceitos que definiram a curta obra do Peaking Lights. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Majical Cloudz: “Your Eyes”

.

Em atuação desde o fim da última década, autor de faixas em parceria com Grimes e boas composições avulsas, Devon Welsh só apareceu de fato para o grande público no último ano, durante o lançamento de Impersonator (2013). Mais recente trabalho em estúdio do músico canadense à frente do Majical Cloudz – projeto dividido com Matthew Otto -, o álbum parece ser a direção para o som e sentimentos incorporados por músico.

Como já havia revelado em Savage, composição entregue no fechamento de 2013, Welsh e o parceiro continuam acomodados no mesmo ambiente minimalista e sofredor do último disco, estímulo para a recém-lançada Your Eyes. Tão confessional e melancólica quanto os recentes versos do compositor, a nova faixa sufoca imediatamente o ouvinte. Quatro minutos em que sentimentos amargos, declarações e arranjos sujos são costurados aos vocais fortes do vocalista. Apresentada no soundlcoud da banda, a música alimenta as expectativas de um novo disco de inéditas em 2015.

.

Majical Cloudz – Your Eyes

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,