Disco: “Nem Vamos Tocar Nesse Assunto”, Banda Gentileza

Banda Gentileza
Nacional/Indie/Alternative
http://www.bandagentileza.com.br/

O bom humor sempre foi encarado como um elemento fundamental dentro do trabalho da curitibana Banda Gentileza. Das primeiras composições publicadas no MySpace – quando o grupo ainda se chamava Heitor e Banda Gentileza -, ao lançamento do primeiro registro de estúdio, em 2009, os versos de Heitor Humberto, vocalista e líder da banda, encontraram no gracejo, descompromisso e sutil jogo de palavras um estímulo natural para cada composição. Conceito também presente no segundo álbum de inéditas do coletivo.

Longe de parecer um trabalho demasiado satírico, sufocado pelo mesmo “rockomédia” de outros representantes do gênero em solo nacional, com Nem Vamos Tocar Nesse Assunto (2015), o grupo paranaense entrega ao público um amplo e divertido recorte da atual sociedade brasileira. Uma espécie de passeio despretensioso que vai do romantismo brega, passa pelos novos agrupamentos familiares e amores fracassados, até estacionar em um catálogo de confissões marcadas pela ironia.

Oposto ao material entregue no último trabalho da banda, com o presente disco, Humberto deixa de ser encarado como um provável “protagonista” para que o grupo possa brincar com diferentes personagens, histórias e acontecimentos isolados. Mesmo longe de parecer uma novidade – basta voltar os ouvidos para a nonsense Sempre Quase ou a historieta nostálgica de O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu -, em NVTNA um cenário ainda maior é lentamente detalhado pelos curitibanos.

Perfeito resumo de todo o trabalho, Casa, terceira canção do álbum, sintetiza de forma bem-humorada a pluralidade de temas e personagens que ocupam cada uma das nove faixas do novo disco. “A minha sogra que é minha ex-namorada / Se mostrou entusiasmada da família aumentar / E o meu cunhado que também é meu sobrinho / Construiu um puxadinho que é pra mó deles morar”, brinca o vocalista em um repente versátil, ainda íntimo do mesmo material explorado no álbum anterior, porém, passagem para um novo universo de referências. Continue reading

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New Order: “Restless”

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Difícil não pensar em Restless como uma homenagem do New Order à própria carreira da banda. Do momento em que tem início o primeiro single de Music Complete (2015), décimo registro de inéditas do grupo de Manchester, cada acorde ou batida eletrônica serve de ponte para algum ponto específico dentro da discografia da banda. Do solo de guitarra, ainda apoiado na obra da extinta Joy Division, aos sintetizadores íntimos do clássico Power, Corruption & Lies (1983), toda a trajetória da banda parece resumida em pouco mais de quatro minutos de duração.

Autoplágio? De forma alguma. A julgar pelo completo estado de leveza que orienta a voz de Bernard Sumner, ou mesmo a sutil base atmosférica que cresce ao fundo da composição, poucas vezes o New Order pareceu tão criativo dentro do próprio cercado autoral. Dinâmica, a canção ainda abre passagem para a sequência de novas vozes que devem acompanhar o grupo no novo álbum. Representantes da cena atual – como Elly Jackson (La Roux) e Brandon Flowers -, artistas inspirados de forma confessa pela extensa discografia do grupo.

Music Complete (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo Mute.

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New Order – Restless

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Wet: “You’re the Best” (VÍDEO)

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De todos os novos projetos previstos para estrear nos próximos meses, Don’t You (2015), adorável debut da banda nova-iorquina Wet talvez seja um dos mais interessantes. Flutuando em um espaço entre o novo R&B e o som minimalista de bandas como London Grammar e The XX, o trio formado por Kelly Zutrau, Marty Sulkow e Joe Valle cultiva na sutileza dos vocais e batidas a base para cada composição autoral. É o caso de You’re The Best, mais recente single (e clipe) apresentado pelo grupo.

Já conhecida dos antigos seguidores da banda, a “nova” faixa mantém o mesma leveza já detalhada em faixas como Deadwater, composição entregue ao público há poucos meses e uma das principais faixas que integram o primeiro registro de inéditas do trio – ainda sem data de lançamento. No clipe da canção, um passeio em uma pista de patinação “controlada” pela voz doce de Zutrau. O trabalho conta com direção assinada por Scott J. Ross e Hassan Rahim.

Don’t You tem previsão de lançamento para a primavera de 2015 pelo selo Columbia.

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Wet – You’re the Best

 

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Jamie XX: “Loud Places” (John Talabot’s Loud Synths Reconstruction)

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Longe de sufocar em uma provável zona de conforto, Smith utiliza do registro de forma a brincar com os próprios limites, trabalhando em cima de velhas bases conceituais. Efeito dessa constante ruptura sobrevive de forma comercial, quase pop, nas melodias, samples e rimas de I Know There’s Gonna Be (Good Times). Faixa mais acessível de todo o disco, a composição que resgata trechos de Good Times – música lançada em 1972 pelo coletivo The Persuasions – logo se entrega aos domínios de Young Thug e Popcaan, artistas convidados especialmente para a canção e, temporariamente, donos de toda a obra.

Mesmo a aproximação de Smith com o UK Garage/Dubstep parece alterada com o passar do disco. Músicas que apontam para uma sonoridade ainda mais intensa, urbana, ponto de equilíbrio nas dançantes The Rest Is Noise e Hold Tight. Outro elemento sedutor da obra são os samples. É fácil se perder pelo disco, passar horas pesquisando sobre cada música (antiga) utilizada por Smith, tão íntimo de clássicos da década de 1970 – vide Could Heaven Ever Be Like This (1977) do músico Idris Muhammad em Loud Places -, como de faixas ainda “recentes” – caso de Karma(2003) da cantora Alicia Keys em Sleep Sound. Leia o texto completo.

Parceiro de longa data de Jamie XX – veja aqui -, John Talabot acaba de apresentar uma curiosa adaptação do trabalho do produtor britânico com Loud Places (John Talabot’s Loud Synths Reconstruction). Ouça:

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Jamie XX – Loud Places (John Talabot’s Loud Synths Reconstruction)

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Skylar Spence: “Affairs”

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Com o lançamento de Can’t You See, em meados de junho, Ryan DeRobertis conseguiu criar bastante expectativa para o projeto Skylar Spence. Novo pseudônimo escolhido pelo produtor nova-iorquino, também responsável pelo Saint Pepsi, o projeto que flerta com a música Disco, Chillwave e Future Pop deve ter o primeiro disco apresentado nos próximos meses, Prom King (2015), solucionando na recém-lançada Affairs uma eficiente continuação do single anterior.

Versão menos intensa do último trabalho do produtor, a nova faixa joga com elementos típicos da eletrônica empoeirada que tomou conta dos Estados Unidos desde o final da última década. Um meio termo entre o som dançante e os vocais enevoados de Washed Out, semelhança que ultrapassa a similaridade entre as vozes de Spence e Ernest Greene, solucionando uma música tão próxima das pistas, quanto relaxante, íntima de obras como Within and Without (2011).

Prom King (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Carpark.

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Skylar Spence – Affairs

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Disco: “A Year With 13 Moons”, Jefre Cantu-Ledesma

Jefre Cantu-Ledesma
Experimental/Ambient/Drone
https://jefrecantu-ledesma.bandcamp.com/
https://soundcloud.com/jefre-cantu-ledesma

A delicada ilustração que estampa a capa de A Year With 13 Moons (2015, Mexican Summer) traduz com acerto o trabalho do multi-instrumentista Jefre Cantu-Ledesma. Formas e arranjos coloridos, flutuando sem direção, passagem para um cenário marcado pela montagem abstrata dos temas. Pequenas pinceladas de ruídos que mesmo entregues em um contexto torto, sujo e experimental, aos poucos parece confortar o ouvinte, costurando temas como amor, separação e isolamento sem necessariamente fazer uso das palavras.

Original da cidade de São Francisco, Califórnia, Cantu-Ledesma passou as últimas duas décadas flertando e se envolvendo com diferentes projetos espalhados por todo o território norte-americano. Coletivos como a banda de Pós-Rock Tarentel – em atuação desde 1995 -, ou mesmo trabalhos assinados em parceria com diversos nomes da cena experimental – caso de Liz Harris (Grouper), Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Keith Fullerton Whitman. Nada que sintetize tamanha beleza e melancolia quanto o presente registro do músico.

Inspirado pelo divórcio do artista, A Year With 13 Moons é uma coleção de faixas alimentadas pela tristeza. Ainda que a faixa de abertura, The Last Time I Saw Your Face, brinque com a colagem de ruídos de forma irregular, arremessando o ouvinte para diferentes direções, quanto mais passeamos pelo disco, mais Cantu-Ledesma detalha ao público o próprio sofrimento. Confissões que surgem como pequenas pistas no título de cada faixa – Love After Love, At the End of Spring, Dissapear – e crescem na manipulação amargurada das melodias.

Autor de uma coleção de contos sentimentais, Cantu-Ledesma assume um caminho isolado em relação ao trabalho de outros representantes da Ambient Music. Nada de atos extensos ou composições penosas, excessivamente longas. Salve a extensa canção de abertura – com mais de oito minutos de duração – A Year With 13 Moons mantém firme a busca do multi-instrumentista pela construção de faixas rápidas. Composições aos moldes de Interiors e Remembering, incapazes de ultrapassar os dois minutos de duração. Continue reading

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Erykah Badu: “FEEL BETTER, WORLD!” Mixtape

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Quer entender melhor a essência musical de Erykah Badu? Então deixe que a própria cantora se apresente. Em um passeio atento por diferentes décadas e estilos como Jazz, Soul, Hip-Hop e R&B, a cantora e compositora norte-americana apresenta ao público a mixtape FEEL BETTER, WORLD! (2015). Trata-se de uma extensa coleção de clássicos da música negra, como um aquecimento para o sexto registro de inéditas da artista, sucessor do elogiado New Amerykah Part Two (2010), porém, ainda sem data de estreia prevista.

No catálogo de obras da nova mixtape, 18 composições que dialogam com a própria carreira musical de Badu. Faixas como When There Is No Sun do jazzista Sun Ra, Brazillian Rhyme do grupo Earth, Wind & Fire e Love In Need Of Love do cantor Stevie Wonder. Pouco mais de uma hora de duração em que diferentes traços da discografia de Badu são resumidos pelas vozes, rimas e arranjos de outros artistas. Erykah Badu integra nossa lista de 12 discos para entender o R&B dos anos 1990 com o álbum Baduizm (1997).

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FEEL BETTER, WORLD! … LOVE, MS.BADU by Erykah She Ill Badu on Mixcloud

 

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Disclosure: “Omen” (ft. Sam Smith) (VÍDEO)

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Poucos encontros dentro da música atual foram tão produtivos (e assertivos) quanto a parceria entre a dupla Disclosure e o cantor Sam Smith. Três anos após o lançamento do single Latch, composição que apresentou o trabalho do jovem músico britânico como do duo de produtores ao mundo, um novo reencontro. Em Omen, mais recente single do segundo disco de inéditas dos irmãos Guy e Howard Lawrence, a voz de Smith continua a crescer como um instrumento funcional.

Assim como em Latch, os versos românticos do cantor servem de estímulo para uma canção tão íntima do Neo-R&B, como da presente safra da eletrônica britânica. Um meio termo entre o Future Garage testado pelos irmãos Lawrance com a estreia em Settle (2013) e uma ponte para o trabalho de outros gigantes da cena londrina. Nomes como Basement Jaxx e The Chemical Brothers, influências confessas (e homenageadas) no decorrer da presente faixa assinada pelo duo. Além da nova composição, a dupla apresenta ao público a segunda parte da distopia Sci-Fi dirigida por Ryan Hope e apresentada no clipe de Holding On.

Caracal (2015) será lançado no dia 25 de setembro pelos selos PMR e Island.

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Disclosure – Omen (ft. Sam Smith)

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Rapper americano Talib Kweli se apresenta em São Paulo dia 07 de agosto

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A quinta edição da Jambox Music Experience, projeto dedicado ao turntablism, trará a apresentação única do rapper americano Talib Kweli, junto com o rapper brasileiro radicado na Flórida, NIKO IS, além de discotecagem dos DJs Sleep, integrante do grupo Haikaiss, E.B e do residente Nedu Lopes, na sexta-feira, dia 07 de agosto, a partir da 00h, no Superloft, em São Paulo.

Nascido no Brooklyn, com mais de 20 anos de carreira, Talib Kweli é considerado um dos melhores rappers do hip-hop americano, tendo sido homenageado por Jay-Z, na música “Moment of Clarity”. Sua arte ganhou notoriedade com a formação do duo Black Star com Yasiin Bey (Mos Def), onde juntos, produziram uma série de singles e o aclamado álbum “Mos Def & Talib Kweli Are Black Star”. Talib fez colaborações com artistas como Kanye West, Jay Z, Busta Rhymes, Common, Madlib, entre outros.

Além disso no dia 29 de julho, acontece o primeiro workshop de uma série, que nesta edição irá abordar “O atual cenário do lifestyle no Brasil”. O Workshop Series é um projeto aprovado pela Secretaria de Cultura de São Paulo e será apresentado pelo editor-chefe do The Hype BR, Lucas Penido, e após o bate-papo, haverá um “happy hour” com discotecagem de Nedu Lopes e Luisa Viscardi, com catering da The Dog Haus. As inscrições para participar do primeiro Workshop Series estão abertas, limitadas a 50 pessoas, que devem se inscrever por meio do link: http://thehypebr.com/workshop-series. Os interessados deverão enviar um formulário preenchido com nome, e-mail e respondendo a pergunta: “Porque você deseja participar da Workshop Series?”. As 50 melhores respostas serão convidadas para participar do evento.

A Jambox já trouxe artistas internacionais como Jazzy Jeff (EUA), Grandmaster Flash (EUA), DJ Angelo (UK), Skratch Bastid (CA) e Hedspin (CA). Os ingressos para o show já estão a venda e podem ser adquiridos pelo valor de R$ 50 (terceiro lote) através do link: http://www.jamboxme.com/ingressos/.

 

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Disco: “At. Long. Last. A$AP”, A$AP Rocky

A$AP Rocky
Hip-Hop/Rap/R&B
http://alla.asvpxrocky.com/

Parece difícil acreditar que o mesmo A$AP Rocky de At. Long. Last. A$AP (2015, RCA) seja também o responsável pela obscura mixtape Live. Love. A$AP, de 2011. Mutável, como um novo personagem a cada lançamento de estúdio, o artista nova-iorquino talvez tenha encontrado no segundo álbum de inéditas o projeto mais complexo e ainda comercialmente acessível de toda a carreira. Um jogo instável de rimas, batidas e bases tão tortas musicalmente, quanto polidas, moldadas para o publico médio.

Curva brusca em relação ao contexto “grandioso”, por vezes exagerado, do antecessor Long. Live. ASAP (2013), com o novo registro A$AP Rocky exibe uma colcha de retalhos perfeitamente alinhados. A cada nova composição, a explícita necessidade do artista em se reinventar, conceito que transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo uso contínuo de debates raciais, abusos com drogas, amor e, claro, um detalhado passeio pelo universo de temas centrados na vida do próprio rapper.

Síntese coesa de toda a obra, L$D, quarta faixa do disco, traz de volta o mesmo catálogo de referências lisérgicas testadas pelo artista nova-iorquino desde as primeiras mixtapes. Em marcha lenta, como uma versão delicada (e psicodélica) de músicas como PMW (All I Really Need) e Purple Swag: Chapter 2, a canção aos poucos transporta o ouvinte para um cenário urbano, flutuando entre o romantismo confesso e a completa ausência de lucidez – “Eu procuro maneiras de dizer ‘eu te amo’ / Mas eu não estou em uma canção de amor / Baby, eu estou apenas fazendo rap para este LSD”.

Outro aspecto curioso de At. Long. Last. A$AP está no maior controle das rimas. Ainda que o uso dos versos seja visível, a estreita relação do artista com o R&B lentamente estimula a maior utilização do canto. Seja de forma tímida, como em Excuse Me, ou cercado de convidados, caso de Fine Whine, parceria com Future, M.I.A. e Joe Fox, o uso de vocais alongados, polidos pelo efeito do auto-tune se destaca. Mesmo a constante interferência do cantor e colaborador Joe Fox soa como um estímulo para esse resultado, ocupando possíveis lacunas em grande parte das faixas. Continue reading

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