Hudson Mohawke: “Ryrderz”

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Se a expectativa para o segundo álbum solo de Hudson Mohawke estava baixa, mesmo com a entrega da ótima Very Fisrt Breath, há poucas semanas, talvez a inédita Ryderz inverta esse resultado. Mais nova faixa do ainda inédito Lantern (2015) a ser apresentada, a composição talvez seja a mais distinta já apresentada pelo artista nos últimos anos, não apenas pela forma como o sample de Watch Out For The Riders, do cantor D.J. Rogers, direciona o movimento da canção, mas pelo ritmo envolvente, lento e “sedutor” que se apodera da faixa.

Longe das batidas intensas e ritmo eufórico previamente estabelecido com o parceiro Lunice, no TNGHT, Mohawke abraça o mesmo clima romântico explorado no dia dos namorados pela série anual Valentines Slowjams. Uma sobrecarga de confissão, nostalgia e  referência aos clássicos do R&B/Soul dos anos 1970 que se estende até o ato final da canção. Apresentada como parte da programação da Rinse.FM, infelizmente a música é cortada por vinhetas a todo o instante, o que não prejudica de fato o rendimento da pequena obra romântica.

Lantern (2015) conta com lançamento pelo selo Warp e estreia no dia 16/06.

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Hudson Mohawke – Ryderz

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Best Coast: “Feeling OK”

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Cinco anos se passaram desde a estreia do Best Coast com Crazy for You (2010). De lá pra cá, a busca por uma sonoridade menos “caseira” transportou Bethany Cosentino e Bobb Bruno para um novo universo de referências e pequenas variações melódicas, marca do segundo álbum de estúdio do casal, The Only Place (2012), mas que encontra um novo resultado com a aproximação do inédito California Nights (2015), terceiro álbum de inéditas da dupla.

Longe do garage rock e clima litorâneo que orienta os dois primeiros registros do Best Coast, o ainda inédito trabalho aos poucos aponta para uma nova direção. São guitarras detalhistas, arranjos de voz cada vez mais limpos e as confissões de Cosentino tratadas de forma muito mais “comercial”, como se fosse moldada para atender o grande público. Não que isso pareça um erro, pelo contrário, soa como um mínimo ponto de transformação dentro da carreira do duo, proposta iniciada com o último EP Fade Away (2013), mas que se reforça agora em uma linguagem típica dos anos 1990, como uma faixa esquecida de Liz Phair ou outra grande representante da porção feminina do rock alternativo da época.

Com distribuição pelo selo Harvest, California Nights estreia no dia 04/05.

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Best Coast – Feeling Ok

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The Tallest Man On Earth: “Dark Bird Is Home”

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Ainda que tenha deixado o ambiente “caseiro” dos dois primeiros registros da carreira – Shallow Grave (2008) e The Wild Hunt (2010) -, os sentimentos e confissões exploradas por Kristian Matsson ainda são os mesmos dos primeiros anos em estúdio. Seguindo a trilha iniciada no álbum There’s No Leaving Now, de 2012, Matsson continua a explorar uma sonoridade cada vez mais límpida e arranjos aprimorados com o The Tallest Man On Earth, preferências que logo se transforma em emoção dentro da recém-lançada Dark Bird Is Home.

Faixa-título e também canção de encerramento do quarto LP do músico norte-americano, a nova música parece reforçar a relação de Matsson com o cancioneiro de raiz estadunidense, passeando em meio a elementos do Alt. Country, típico do começo dos anos 2000, como dos primeiros discos de Bob Dylan, influência explorada não apenas na voz característica do artista. Esta é a segunda música do novo álbum a ser apresentada, sendo a primeira a complexa Sagres, entregue ao público há poucas semanas.

Dark Bird Is Home (2015) conta com lançamento previsto para o dia 12/05 pelo selo Dead Oceans.

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The Tallest Man On Earth – Dark Bird Is Home

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Disco: “To Pimp a Butterfly”, Kendrick Lamar

Kendrick Lamar
Hip-Hop/Rap/Funk
http://www.kendricklamar.com/

 

Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012), To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos.

Não por acaso a “estrutura narrativa” do álbum segue de forma distinta em relação ao trabalho de 2012. Enquanto good kid, m.A.A.d city foi vendido como um “roteiro de cinema” – conceito reforçado na utilização de diálogos e pequenas “cenas” encaixadas no interlúdio de cada composição -, com o novo disco é possível observar a formação de uma pequena base episódica, como um seriado, estrutura arquitetada com naturalidade no decorrer das faixas. São recortes precisos, temas pessoais ou mesmo histórias adaptadas, como se a cada novo capítulo “da série”, Lamar e convidados (como George Clinton, Pharrell Williams e Snoop Dogg) analisassem aspectos distintos de um mesmo universo temático.

Tamanha pluralidade de referências e conceitos garante ao ouvinte o encontro com uma obra muito mais dinâmica em relação ao trabalho exposto há três anos. Na mesma medida em que derrama versos sóbrios e provocativos – vide The Blacker the Berry, Mortal Man e Institutionalized -, Lamar garante espaço para que sentimentos e confissões particulares sejam ressaltadas com o passar do disco. Expressiva porção desse resultado está na dicotomia gerada pelas faixas u e i. Enquanto a primeira, um rap-funk-melancólico, sufoca em meio a versos embriagados, arrastando Lamar (e o próprio ouvinte) para um território de lamúrias – “Bitch everything is your fault” -, a segunda cresce como uma espécie de hino. Um jogo versos entusiasmados, motivacionais – “I love myself” – e que ainda resgatam trechos da adolescência do rapper pelas ruas de Compton, Califórnia.

A mesma flexibilidade se repete na construção dos arranjos e toda a estrutura musical pensada para o registro. Oposto ao minimalismo sombrio, por vezes sufocante exposto em good kid, m.A.A.d city, To Pimp a Butterfly é uma obra de conceitos grandiosos, musicalmente ampla e inquieta. Ainda que Dr. Dre seja o produtor executivo do álbum, grande parte da estrutura (musical) do trabalho parece fruto da interferência direta de Stephen Bruner (Thundercat) e Steve Ellison (Flying Lotus), colaboradores e instrumentistas ativos em grande parte das faixas. Continue reading

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Miojo Indie Naïve Bar

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É hora de aparar o bigode e se preparar para mais uma invasão Miojo Indie no Naïve Bar. Para a festa que acontece no próximo dia 17 de abril, Cleber Facchi recebe os convidados Felipe Germano, um dos grandes nomes do Indie-Pop-Coxa-Creme, além de Marcelo Andreguetti, o maior especialistas em mashups de camisas florais.

Ao longo da noite, muitas jarras de mojito, Meme Rap, Vaporwave, Hip-House, Glitch Pop e todos aqueles sub-gêneros divertidos que você encontra no Last.fm. Prepare-se para ouvir Tame Impala, Jamie XX, Passion Pit, Taylor Swift, MC Carol, Future Brown, Fifth Harmony, Purity Ring, Kendrick Lamar e Hot Chip. Sentiu falta de um pagode obscuro dos anos 1990? É só pedir que os DJs tocam.

Abaixo, nossa tradicional playlist de aquecimento para a noite.

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Miojo Indie Naïve Bar (Abril, 2015)

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Sufjan Stevens: “Exploding Whale”

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Quem acompanha o trabalho de Sufjan Stevens sabe que o cantor e compositor norte-americano não consegue descansar enquanto o ouvinte não for soterrado por uma avalanche de projetos e faixas inéditas. Mesmo depois de surpreender o público com as melodias tímidas e versos particulares que atravessam o delicado Carrie & Lowell (2015), Stevens ainda reserva aos ouvintes algumas novidades. Além do especial de natal que começa a ser gravado nos próximos meses, o músico de Detroit, Michigan, abada de apresentar mais uma composição inédita: Exploding Whale.

Praticamente uma sobra do trabalho anterior do músico, o “eletrônico” The Age of Adz (2010), a peça com quase seis minutos de duração, se acomoda em meio a vocais brandos, uso controlado de efeitos sintéticos, além do dedilhado permanente de violões. Difícil não lembrar da dupla Boards Of Canada a cada movimento preciso dos sintetizadores matutinos que preenchem a canção. Lançada como um vinil 7”, Exploding Whale vem sendo vendida nas apresentações ao vivo de Sufjan, e, para a sorte do público, acaba de ser digitalizada, disponível para audição logo abaixo.

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Sufjan Stevens – Exploding Whale

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FFS: “Johnny Delusional”

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Fica difícil estabelecer onde começa a obra do Franz Ferdinand e onde acaba a interferência/influência do grupo norte-americano Sparks na inédita Johnny Delusional. Mais recente single do projeto FFS, coletivo que une o quarteto de Glasgow com os veteranos do Glam Rock estadunidense, a nova composição brinca com as texturas, arranjos de vozes e instrumentos de forma dinâmica, atravessando mais de quatro décadas de referências sem necessariamente perder o toque de novidade.

Além da explícita herança do grupo californiano, do manuseio dos pianos ao uso das guitarras, grande parte da canção ecoa como uma sobra de estúdio do último álbum de inéditas da banda de Alex Kapranos, o ótimo Right Thoughts, Right Words, Right Action (2013). Assim como na música anterior Piss Off, a nostalgia parece ser a linha central do projeto, capaz de tropeçar (vez ou outra) na obra de gigantes como David Bowie, principalmente dentro da era Berlim.

FFS, o disco, conta com lançamento previsto para 08/06 pelo selo Domino.

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FFS – Johnny Delusional

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Janelle Monáe & Jidenna: “Yoga” (VÍDEO)

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Como seria o trabalho de Janelle Monáe livre de todos os conceitos e referências temáticas de seus álbuns retrô-futurísticos? A resposta está no pop pegajosos de Yoga. Mais novo lançamento da cantora e compositora norte-americana, a faixa em parceria com o rapper/cantor Jidennaparece completamente distinta em relação ao trabalho da artista nos últimos cinco anos. Esqueça a música negra dos anos 1960/1970, com o novo single, Monáe prova ser capaz de replicar o mesmo som comercial de Beyoncé, Rihanna e todos os nomes de peso do R&B.

Batida quente, versos provocativos e refrão grudento, estes são os principais componentes da canção que parece pronta para as pistas. Infelizmente a nova faixa não faz parte de nenhum novo disco de Monáe. Trata-se de um dos fragmentos da coletânea Eephus (2015), um compilado de novos artistas (da música negra) apresentados pelo próprio selo da cantora, o Wondaland Arts Society.

Abaixo, o clipe da canção, trabalho que praticamente transforma Monáe em uma nova Nicki Minaj, com um pouco menos de “atributos físicos”, claro
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Janelle Monáe & Jidenna – Yoga

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Disco: “A Praia”, Cícero

Cícero
Indie/Nacional/Alternative
http://www.cicero.net.br/

 

Romântico, brega, chato ou, como defende o público fiel, “um gênio incompreendido”, “um poeta”. Cícero pode ser acusado e classificado das mais variadas formas, porém, goste ou não do trabalho assinado pelo músico carioca, em nenhum momento ele pode ser encarado como previsível. Exemplo significativo desse resultado está na estrutura e (ainda falho) conceito executado em Sábado (2013), segundo álbum solo do cantor. Talvez mal interpretado, um “Araçá Azul particular“, a obra entregue há dois anos está longe de parecer o ponto central da (curta) obra do jovem compositor. Ainda atento, Cícero mantém firme a busca pela própria identidade, postura explícita no horizonte infinito que estampa a capa e sonoridade aplicada em A Praia (2015, Independente).

Uma rápida audição, e a reposta parece surgir de forma imediata: com o terceiro e mais recente trabalho de inéditas, Cícero talvez tenha encontrado um meio termo exato entre o “samba-indie-melódico” do registro de estreia, Canções de Apartamento (2011), com o “experimento caseiro” testado no interior do segundo álbum, Sábado. Um erro. Ainda que a maquiagem eletrônica de Frevo por acaso N˚2 e diferentes faixas espalhadas pelo registro sustentem a parcial novidade por parte do músico, está na composição quase sorridente dos versos o aparecimento de um novo “personagem” e poeta.

Se há poucos anos, Cícero cantava amargurado “Hoje não vai dar / Não vou estar / Te indico alguém“, em Açúcar ou Adoçante, ou tentava se manter esperançoso nos versos de Frevo Por Acaso - “E se um dia precisar de alguém pra desabar / Eu tô por aí” -, hoje ele sorri. A julgar pelos versos encaixados em O Bobo, não seria um erro afirmar que Cícero encontrou (mais uma vez) o amor. “Eu vou lá / Pra ver o meu amor chegar e toda alegria descer da varanda / Eu vou lá / Pra ver a minha dor passar longe de quando a menina balança“, confessa o apaixonado eu lírico da canção, sustentando mais do que uma curva dentro da sorumbática discografia, mas um novo caminho, talvez ensolarado.

Com a mudança expressiva nos versos, a sonoridade eletrônica que preenche o disco – marcada pela utilização de sintetizadores e batidas precisas -, soa apenas como a cereja no topo do bolo. Observada a inconsistência e amadorismo carimbado na produção de Sábado, não é difícil interpretar o presente disco como o produto final do “esboço” apresentado há dois anos. De fato, muitos dos conceitos (musicais) expostos no trabalho anterior parecem completos agora – ouça De Passagem e perceba a similaridade com antigos inventos do cantor. Mesmo os arranjos de cordas e pianos, típicos do ambiente acústico do primeiro álbum, encontram um novo detalhamento no castelo de areia sonoro que Cícero levanta até o último ato do trabalho. Continue reading

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Chromatics: “In Films”

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Mesmo com três discos bem sucedidos em mãos – Chrome Rats vs. Basement Rutz (2003), Plaster Hounds (2004) e Night Drive (2007) -, somente com a chegada de Kill For Love, em 2012, que o Chromatics foi oficialmente apresentado a uma nova parcela do público. Mais completa obra já entregue pelo coletivo comandado por Johnny Jewell – até agora -, o registro está longe de parecer o ápice na carreira da banda, feito comprovado com o lançamento de In Films, uma das mostras iniciais do esperado Dear Tommy (2015), quinto álbum de estúdio do grupo.

Reflexo da sonoridade mais “pop” e toda a abertura instrumental iniciada em Kill For Love, Dear Tommy parece partir exatamente de onde o Chromatics parou há três anos. A diferença está na ruptura com o som “ambiental” testado em grande parte da obra e, delicadamente, rompido no decorrer da nova faixa. Vocal sedutor, letra apaixonada e os tradicionais sintetizadores de Jewell, prontos para grudar na cabeça do ouvinte em pouquíssimas audições.

Dear Tommy (2015) conta com distribuição pelo selo Italians Do It Better, porém, ainda não possui data de lançamento. Abaixo, a nova música e também a capa do disco.

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Chromatics – In Films

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