As boas melodias tomam conta do novo álbum do Teenage Fanclub. Intitulado Here (2016), o trabalho é o primeiro registro de inéditas do coletivo escocês desde o bem-sucedido Shadows, de 2010. São 12 composições em que os veteranos se concentram na produção de versos essencialmente românticos, temas cotidianos e intimistas, criando uma espécie de ponte para a boa fase no começo da década de 1990, vide clássicos como Bandwagonesque (1991) e Grand Prix (1995).

Curiosamente, Thin Air, mais recente single do grupo parece ter saído exatamente desse mesmo período. Das guitarras rápidas que inauguram e fecham a composição, passando pelo delicado uso dos vocais, difícil ouvir a canção e não lembrar de toda a seleção de obras produzidas pelo grupo há mais de duas décadas. Harmonias que dançam na cabeça do ouvinte, resgatando uma série de temas íntimos de artistas como Big Star e Beach Boys.

Here (2016) será lançado no dia 09/09 pelo selo Merge Records.

Teenage Fanclub – Thin Air

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Artista: Kyle Dixon & Michael Stein
Gênero: Synthpop, Ambient, Eletrônica
Acesse: http://survive.bandcamp.com/

 

O Senhor dos Anéis, referências aos filmes de Steven Spielberg, The Smiths, o terror de John Carpenter e Wes Craven, Star Wars, RPG, Goosebumps, os livros de Stephen King, The Clash, Alien: O Oitavo Passageiro, John Hughes, Os Goonies e toda uma coleção de referências nostálgicas. Se você cresceu nas décadas de 1980 ou 1990, talvez seja difícil não ser seduzido pela trama, doses concentradas de mistério e personagens que surgem em Stranger Things, série produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer – “Duffer Brothers” – para a Netflix.

Entretanto, para além dos limites do seriado, teorias, metáforas e personagens cativantes, sobrevive na trilha sonora da produção uma delicada homenagem à música produzida no mesmo período em que se passa a série. Em Stranger Things, Vol. 1 e Vol. 2 (2016, Lakeshore), os integrantes do S U R V I V E, Kyle Dixon e Michael Stein, se concentram na construção de um som não apenas climático e restritivo, mas que dialoga de forma natural com os instantes de tensão da obra, movimentando parte expressiva das cenas, diálogos e acontecimentos da trama.

Da homônima faixa de abertura da série – um jogo de texturas eletrônicas com pouco mais de um minuto de duração –, passando pelo clima aventureiro de Kids, o minimalismo sombrio de Eleven e Crying, até alcançar o suspense de músicas como The Upside Down, I Know What I Saw e Photos in the Woods, difícil ouvir a trilha sonora da série e não ser imediatamente transportado para o cenário de Hawkins, Indiana, onde se passa toda a ação de Stranger Things. Ruídos sintéticos, detalhes e batidas pontuais que cercam o ouvinte a todo o instante.

Donos de uma rica seleção de obras catalogadas no Bandcamp – como discos, singles e versões digitais de registros lançados em fita cassete –, Dixon e Stein incorporam parte do material produzido nos últimos anos para dentro da trilha de Stranger Things. Seja na produção de faixas mais curtas, caso de Fresh Blood e A Kiss, como na construção de peças extensas, vide Hawkins e No Weapons, durante toda a formação do álbum, pequena pontes atmosféricas incorporam a mesma ambientação detalhista explorada em obras como LLR002 (2010) e TLLT21 (2012).

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O universo em preto e branco de Pluvero (2014) se abre para as cores de Planar Sobre o Invisível (2016). Dois anos após o lançamento do segundo álbum de estúdio da Kalouv – 15º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o quinteto pernambucana está e volta duas canções inéditas. Para celebrar a passagem do grupo de Recife por uma série de cidades do Sul e Sudeste do país – veja a agenda completa –, Peixe Voador e Da Bravura, Inocência mais uma vez reforçam o preciosismo do coletivo em estúdio.

Enquanto a primeira, Peixe Voador, se espalha em um ato crescente, detalhando uma solução de pianos, guitarras coloridas e distorções que raspam de leve na música psicodélica, com a chegada de Da Bravura, Inocência, segunda composição do single, um regresso ao ambiente criativo do álbum lançado há dois anos. Experimentos minimalistas que servem de pano de fundo para uma composição essencialmente versátil, dominada pela uso de sintetizadores e pequenas quebras rítmicas.

Kalouv – Planar Sobre o Invisível

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É hora de mais uma edição da noite Miojo Indie no Naïve Bar. Para a próxima edição da festa que invade o sobrado da Rua Mato Grosso, 28, Cleber Facchi recebe os convidados Caroline Koch e João Victor de Lara para uma discotecagem marcada pelos novos lançamentos de 2016. Na discotecagem, nomes como Blood Orange, Shura, NAO, Grimes, MØ, M.I.A., Crystal Castles, Metronomy, CHVRCHES e Chairlift.

Prepare-se para ouvir as melhores canções de artistas como Beyoncé, Kanye West, Kendrick Lamar, Jamie XX, Radiohead, além, claro, de grande parte das músicas produzidas por Frank Ocean nos recentes Blonde e Endless. Na dúvida, ouça a nossa tradicional playlist de aquecimento.

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Original da cidade Montreal, no Canadá, Helena Deland (guitarra, voz) é uma cantora de Dream Pop/Folk responsável por algumas das canções mais dolorosas da recente safra da música canadense. Acompanhada de perto pelos parceiros de banda Mathieu Bérubé (guitarras), Francis Ledoux (bateria) e Alexandre Larin (baixo), a artista apresenta ao público mais um novo registro de inéditas, o EP de apenas quatro faixas Drawing Room (2016).

Entre as canções já apresentadas pela cantora, a dobradinha formada por Baby e Axis. Exemplares do romantismo doloroso que caracteriza o trabalho da cantora. Duas composições completamente distintas, afinal, enquanto Baby se espalha dramática, revelando a mesma melancolia de artistas como Sharon van Etten e Cat Power, Axis surge quase sorridente, mergulhando em uma sequência de guitarras rápidas, quase ensolaradas.

Helena Deland – Baby

Helena Deland – Axis

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De todos os trabalhos que devem ser lançados nos próximos meses, Redemptionheart (2016) – capítulo final da trilogia que teve início em Goldenheart (2013) e Blackheart (2015) –, talvez seja um dos mais aguardados. Mesmo com diferentes canções apresentadas nas últimas semanas, caso de Honest e Serpentine Fire, a cantora acaba sempre voltando ao território do novo disco, presenteando o próprio público com algum fragmento do aguardado registro.

É o caso de Cali Sun. Uma das canções mais acessíveis de toda a curta discografia da cantora, a nova faixa não apenas distancia Richard dos experimentos testados no registro apresentado em 2015, como mostra a capacidade da cantora, ex-integrante do coletivo feminino Danity Kane, em dialogar com o grande público. Uma seleção de batidas e vozes quentes, fuga do R&B convencional que sempre acompanhou a artista e uma ponte para o Pop/EDM. Junto da canção, o clipe dirigido por Robert Coin.

Dawn Richard – Cali Sun

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Artista: Of Montreal
Gênero: Indie, Eletrônica, Pop Psicodélico
Acesse: http://www.ofmontreal.net/

 

Em mais de duas décadas à frente do Of Montreal, Kevin Barnes não passou mais do que dois anos sem apresentar ao público um novo registro de inéditas. O resultado dessa produção constante está na composição de uma discografia marcada pela irregularidade. Obras que transbordam a criatividade do músico – vide o clássico Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (2007) – e trabalhos que sufocam pela redundância – caso do recente Aureate Gloom (2015).

Novo álbum de inéditas do coletivo de Atlanta, Innocence Reaches (Polyvinyl), claramente se aproxima desse primeiro agrupamento de obras capazes de confirmar a força criativa de Barnes. Ancorado de forma explícita no mesmo pop psicodélico que a banda vem promovendo desde o final dos anos 1990, o trabalho de 12 faixas encanta não apenas pela essência nostálgica dos arranjos, mas pelos instantes em que a banda flerta com a música eletrônica.

Composição escolhida para inaugurar o disco, Let’s Relate sintetiza parte dos “experimentos” assumidos pelo grupo. Enquanto a voz robótica de Barnes explora a temática dos novos relacionamentos de forma cômica, sintetizadores e batidas dançantes aproximam a canção de um terreno essencialmente dançante, conceito também explorado em A Sport and Pastime, sexta música do disco. Difícil não lembrar de MGMT, Foster The People e outros nomes de peso da cena alternativa. Poucas vezes o Of Montreal pareceu tão pop, pegajoso.

O mesmo som grudento acaba se refletindo em It’s Different for Girls. Uma das melhores composições do músico norte-americano em tempos, a faixa que discute libertação sexual, machismo e a opressão sofrida diariamente pelas mulheres, transporte a temática do empoderamento para um ambiente que mesmo provocativo, mantém firme a mesma estrutura dançante e acessível que abre o trabalho. Impossível não ser arrastado pelas guitarras suingadas que costuram a canção do início ao fim.

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Melodias descomplicadas, versos marcados pela saudade e uma coleção de temas nostálgicos. Assim é o trabalho produzido pelo cantor e compositor mineiro JP Cardoso. Próximo de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, trabalho que conta com a colaboração de Leonardo Marques, um dos integrantes da banda Transmissor, Cardoso apresenta ao público a delicada I Met My Best Friend Skipping Waves On The Beach, faixa de abertura do inédito Submarine Dreams (2016).

Perfumada por fragmentos poéticos de um jovem adulto e memórias construídas na infância do cantor – “I met my best friend riding waves on the street / Falling and grinding the skin left on our knees” –, a canção encanta pela completa leveza dos arranjos e vozes. Melodias que dialogam de forma natural com o trabalho de bandas como The Shins, Death Cab for Cutie e toda a frente de artistas que invadiram o cenário norte-americano no começo da década passada.

Submarine Dreams (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo La Femme Qui Roule.

JP Cardoso – I Met My Best Friend Skipping Waves On The Beach

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Dois anos após o lançamento de Primal Swag (2014), os paulistanos da INKY estão de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Animania (2016), o álbum que conta com produção de Guilherme Kastrup, – artista que trabalhou na construção do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015), de Elza Soares –, mostra a transformação do quarteto, focado em explorar novas sonoridades e temas orgânicos, expandindo conceitos inicialmente testados no primeiro disco de inéditas.

Além de Parallax, música escolhida para anunciar o disco há poucas semanas e uma das criações mais intensas do rock (inter)nacional nos últimos meses, o grupo reserva ao público outras oito faixas. Canções como a experimental Devil`s Mark, faixa que conta com a presença dos músicos da Bixiga 70, e a derradeira In The Middle Of A Rising, uma colagem de vozes, ruídos controlados e batidas que parecem de algum terreiro.

INKY – Animania

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Endless (2016), esse é o título do segundo e mais recente álbum de Frank Ocean. Trata-se de um registro visual, uma seleção com 18 composições entregues ao público dentro do mesmo ambiente em preto e branco que o cantor apresentou na capa do próprio site oficial há poucos dias – boysdontcry.co. Entre as músicas que abastecem o disco, a já conhecida At Your Best (You Are Love), uma adaptação da faixa de mesmo nome composta pelo coletivo The Isley Brothers.

No time de convidados que surgem ao longo do disco, nomes como James Blake, Jonny Greenwood, London Contemporary Orchestra – orquestra que colaborou no último álbum do Radiohead, A Moon Shaped Pool (2016) –, Sampha, Jazmine Sullivan e até canções que contam com a produção de Arca. Segundo informações publicadas na Rolling Stone, este não é o único trabalho que será apresentado por Ocean este ano. Nos próximos dias um novo registro deve ser entregue ao público. Atualização: o vídeo foi retirado do ar. Veja pelo iTunes.

 

Frank Ocean – Endless

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