TOPS: “Way to be Loved”

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Se você é um daqueles apaixonados pela reciclagem de ritmos da década de 1980, então o trabalho da TOPS é mais do que obrigatório. Um dos projetos mais interessantes da presente cena californiana, a banda de Montreal reserva para o dia dois de setembro a chegada de mais um novo registro de estúdio. Lançado pelo selo Arbutus Records, Picture You Staring teve as portas abertas com o lançamento de Way to be Loved, novo single da banda.

Perfumado pela música lançada há três décadas, a composição sujinha percorre a trilha dos últimos inventos do grupo – desde o começo de carreira focado na mesma sonoridade. Recomendada para quem já acompanha o trabalho de Sean Nicholas Savage, Ariel Pink e outros artistas do gênero, Way to be Loved conduz o ouvinte por quatro minutos de guitarras brandas, batidas comportadas e a voz doce de Jane Penny, vocalista do quarteto.

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TOPS – Way to be Loved

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Slow Magic: “Hold Still”

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Dono de um rico acervo de faixas, o misterioso / mascarado Slow Magic reserva para o dia nove de setembro a chegada de How To Run Away (2014). Mais novo trabalho do produtor e primeiro registro apresentado por um selo de médio porte – Downtown Records -, o registro parece seguir a trilha do primeiro grande invento do produtor, ainda de 2012, proposta reforçada no lançamento de Hold Still, single que inaugura o ainda inédito disco.

Fragmentada em pequenos atos, a faixa apresenta tanto o lado mágico do produtor na primeira metade, como os sintetizadores pegajosos (no melhor estilo Passion Pit) na segunda parte. Para quem já havia se surpreendido com faixas como Youth Group, a nova música prepara com acerto o território do trabalho. Acima, a belíssima capa do disco, seguindo a linha dos últimos singles apresentados pelo produtor.

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Slow Magic – Hold Still

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Disco: “Vigília”, Terno Rei

Terno Rei
Dream Pop/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/ternorei/

Por: Cleber Facchi
Fotos: Fabio Ayrosa

Vigília
s.f. Privação (voluntária ou involuntária) do sono durante a noite: longas noites de vigília prejudicam a saúde. / Estado de quem se conserva desperto durante a noite. / Véspera de dia festivo.

É preciso tempo até ser inteiramente seduzido pelo ambiente instável que a paulistana Terno Rei sustenta em Vigília (2014, Balaclava). E não é por menos. Do momento em que lisérgica Manga Rosa abre o registro, até a chegada de Saudade, composição escolhida para o encerramento da obra, cada faixa, voz, ritmo e sentimento expresso pelo quinteto – Bruno Rodrigues (Guitarra), Gregui Vinha (Guitarra), Luis Cardoso (Bateria), Victor Souza (Percussão) e Ale (Voz e Baixo) -, ecoa estranheza.

Como um labirinto instável que movimenta lentamente suas paredes, o trabalho de 10 faixas arrasta com o ouvinte para um universo de brandas, porém, constantes inquietações. Os vocais chegam como suspiros, as guitarras borbulham pequenos ruídos, deixando aos versos um flutuar proposital entre o nonsense e o sorumbático. Não seria errado deduzir que tudo o que os integrantes da banda procuram é o isolamento em relação ao público médio, efeito das maquinações preguiçosas (ainda que complexas) que sussurram a ordem do disco.

Todavia, longe de afastar o publico, Vigília aos poucos seduz e se apodera com cuidado a mente do espectador. Salvo o dinamismo (controlado) de faixas como Passagem, cada música do álbum cresce sob precisa timidez, como se estivesse prestes a se desfazer nos fones de ouvido. Mesmo que o caráter “Lo-Fi” da obra pareça bloquear tal aspecto, todas as composições do disco sobrevivem em essência do detalhe, acomodando acordes atmosféricos – típicos do Pós-Rock – com uma precisão rara dentro de outras obras recentes da cena nacional.

Regressar uma dezena de vezes ao território delicado do álbum é uma imposição que parte da banda, mas que merece ser seguida por qualquer espectador. Embaixo dos escombros sujos que as guitarras de Bruno Rodrigues e Gregui Vinha deixam pelo disco, há sempre um componente novo a ser filtrado. É o trompete que cria contraste em Salto da pedra da Gavea, a base doce que passeia ao fundo de Ela – no melhor estilo The Pastels – e até as vozes duplicadas de O Fogo Queimaria. Vigília. Livre de qualquer urgência natural, é uma obra que se entrega ao público, pronta para ser desvendada. Continue reading

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Shura: “Just Once”

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Você só precisa esperar algumas semanas – às vezes dias – até que algum artista novato ou veterano passeie musicalmente pela década de 1980. Enquanto alguns sufocam de forma óbvia pela redundância dos temas e tendências, outros surpreendem com naturalidade. Este é o caso de Just Once, mais novo lançamento da britânica Shura – já responsável pela ótima Touch – e um convite doce para regressar (mais uma vez) ao passado.

Lembrando uma versão “feminina” de Blood Orange, a produtora/cantora investe na mesma timidez ressaltada em Cupid Deluxe, tropeçando involuntariamente no mesmo território de Sky Ferreira na também nostálgica Everything Is Embarrassing. Com quase cinco minutos de duração, Aleksandra Denton, a responsável pelo projeto, acomoda vocais, sintetizadores e batidas quase imperceptíveis, cercando o ouvinte com acerto. Uma audição e, pronto, vai ser difícil escapar.

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Shura – Just Once

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SBTRKT: “New Dorp, New York” (feat. Ezra Koenig)

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O lançamento da faixa Temporary View, parceria com o cantor britânico e velho colaborador Sampha, parecia apontar a direção do segundo trabalho em estúdio de SBTRKT. Na trilha do autointitulado disco de 2011, obra que apresentou oficialmente as composições do misterioso produtor Aaron Jerome, a faixa entregue em junho espaço para que a inédita New Dorp, New York mude (parcialmente) o cenário que deve aprimorar no ainda inédito Wonder When We Land (2014).

Primeira composição confirmada dentro do segundo álbum de Jerome, a recém-lançada criação ganha destaque pela presença de Ezra Koenig (Vampire Weekend) nos vocais, além, claro, da busca por novas referências sonoras de SBTRKT. Pop e experimental em um ambiente coeso, a faixa descarta parcialmente o R&B do primeiro álbum para brincar com elementos da musica jamaicana, bem como com as imposições do Dubstep na segunda metade dos anos 2000 – a relação com The Bug é visível. Apresentada na BBC Radio 1, a faixa abre caminho para o trabalho que ainda segue sem data de lançamento.

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SBTRKT – New Dorp, New York (feat. Ezra Koenig)

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Hudson Mohawke: “Chimes”

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Desde que o TNGHT teve o fim das atividades decretadas no final de 2013 em um sutil “hiato”, o jeito é acompanhar o trabalho individual de cada um de seus criadores. Não que ouvir os inventos isolados de Lunice e Hudson Mohawke seja algum tipo de problema, afinal, basta o mais novo lançamento do segundo em carreira solo para perceber isso. Saudades do som épico do TNGHT? Então é hora de ouvir Chimes.

Novo single de Mohawke, a fixa que garante título ao próximo EP do produtor é um passeio inevitável por tudo aquilo que o artista e o antigo parceiro conquistaram há poucos anos. Batidas pesadas, bases densas, alguns elementos sutis esporádicos e o uso carregado dos sintetizadores de forma quebrada. É difícil não ser impressionado nos mais de três minutos da criação – uma das melhores do produtor até aqui. Com lançamento pelo selo Warp, Chimes EP estreia no dia 30 de setembro.

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Hudson Mohawke – Chimes

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Banks: “Beggin For Thread”

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Com lançamento previsto para o dia nove de novembro, Goddess (2014) não apenas é o registro escolhido para a estreia oficial da californiana Banks, como ainda parece seguir em uma direção contrária o resultado exposto em London EP (2013), lançado há poucos meses. Parcialmente distante do grupo de produtores britânicos que solucionaram a base do trabalho, a novata deixa de lado a comunicação com elementos do Future/Garage para abraçar o lado “comum” do R&B.

Em Beggin For Thread, novo single da cantora, toda essa transformação é visível. Nada de batidas minimalistas e toda a precisão que inicialmente apresentou a cantora. Em pouco mais de quatro minutos Banks se desprende de diversos aspectos para soar como “mais uma” dentro da safra norte-americana. Godess conta com lançamento pelo selo Harvest e já acumula faixas como Drowning e Brain entregues nos últimos meses.

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Banks – Beggin For Thread

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Disco: “Trouble in Paradise”, La Roux

La Roux
Electronic/Synthpop/Female Vocalists
http://www.laroux.co.uk/

Por: Cleber Facchi

La Roux

Elly Jackson não poderia ter assumido uma estratégia mais corajosa do que os quatro anos de hiato que antecedem Trouble in Paradise (2014, Polydor). Longe da euforia, sintetizadores chiclete e versos fáceis que se projetam de Bulletproof e I’m Not Your Toy – algumas das faixas mais comerciais do álbum de estreia, lançado em 2009 -, a cantora/produtora britânica alcança o segundo registro de estúdio reforçando uma postura rara em tempos de produções urgentes e obras que normalmente chegam cruas aos ouvintes.

Lento, mas não estático, o presente disco é um passo além em relação ao furor oitentista que organizou grande parte da produção musical na década passada. Ainda íntima da New Wave instalada no single de estreia Quicksand, de 2008, Jackson transforma o novo álbum em uma obra de transição. Por mais que a inaugural Uptight Downtown estenda o exercício projetado no disco de estreia, à medida que a cantora atravessa a obra, o teor nostálgico da década de 1980 se encontra com os anos 1990 e 1970, reforçando a base conceitual do La Roux. Onde antes reinavam projetos como Eurythmics, A-Ha e The Human League, agora surgem gigantes como Grace Jones e Donna Summer.

Apresentado em idos de maio pela extensa Let Me Down Gently, Trouble in Paradise logo foi encarado como uma obra de oposição ao exercício frenético exposto no debut de Jackson. Todavia, não é preciso muito esforço para perceber como a mesma música pop da britânica ainda permanece a mesma, apenas detalhada em uma nova estrutura. Mesmo que canções como Tropical Chancer ou a inaugural Uptight Downtown apostem em uma tonalidade calorosa e propositadamente letárgica, por todo o trabalho músicas como Kiss and Not Tell e Sexotheque resgatam a essência do álbum anterior, arrastando o ouvinte para a pista.

É dentro desse universo de colagens, resgates e pequenas adequações que reside o grande acerto do disco. Enquanto The Ting Tings, Ladyhawke e outros artistas que surgiram na mesma época se acomodaram em uma terrível zona de conforto, Elly Jackson foi além, investindo na transformação. Sim, Trouble in Paradise está longe de ser um álbum encarado como “clássico”, tampouco parece capaz de igualar o acervo de faixas pegajosas do álbum passado, todavia, longe da redundância imediata e do autoplágio autoral que sobrevive do fanatismo cego do público, Jackson evita a redundância e aposta no novo. Trata-se de uma obra de passagem, uma seta indicando os acertos, tropeços e novas possibilidades da cantora ao velho público. Continue reading

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Miojo Indie Naïve Bar

NÏVE

Estão prontos para mais uma invasão do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a próxima edição da “festa”, Cleber Facchi recebe os convidados Fernando Galassi (Respect) e Thiago Araújo (Brasil Post) em uma noite regada a cerveja, mojito e, claro, boa música. No cardápio, o melhor do R&B, Garage, Pop, Indie, Ambient, Glitch e Eletrônica em uma sequência de faixas que vão da década de 1970 ao cenário recente.

Durante toda a noite, nomes como How To Dress Well, Chet Faker, Beyoncé, Jessie Ware, Jamie XX, FKA Twigs e Spoon invadem a pista. Achou pouco? Que tal uma pitada de Charli XCX, R.E.M., Alt-J, Arcade Fire e The XX? Abaixo uma playlist de aquecimento com um pouco do que você vai encontrar por lá. Para mais informações, dê um pulo na página do Naïve no Facebook. A arte/gif (incrível) do cartaz é de André Murched.

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Spoon: “Inside Out”

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Os ouvintes do Spoon não tem mesmo do que reclamar. Faltando algumas semanas para o lançamento de They Want My Soul (2014), oitavo registro em estúdio do grupo norte-americano, cada nova faixa apresentada por Britt Daniel e Jim Eno apenas reforça a expectativa em relação ao novo álbum. Primeiro veio a urgente (e econômica) Rent I Pay, deixando para a leve Do You o lado mais sutil do grupo, tonalidade reforçada dentro do ambiente essencialmente melódico de Inside Out, novo e hipnótico single dos veteranos do Indie Rock.

Abastecida por sintetizadores, além, claro, da dobradinha entre a guitarra de Daniel e a bateria de Eno, a presente faixa serve como um reforço para o lado mais pop da banda, além de um inevitável regresso ao ambiente solucionado no começo dos anos 2000. Além da nova música, o grupo aproveitou para divulgar o clipe da pegajosa Do You, trabalho que conta com a direção assinada por Hiro Murai. Com lançamento pelo selo Loma Vista, They Want My Soul estreia oficialmente no dia cinco de agosto.

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Spoon – Inside Out

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Spoon – Do You

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