Disco: “Angel”, Pure X

Pure X
Indie/Alternative/Dream Pop
http://purexmusic.com/

Por: Cleber Facchi

Pure X

Se você voltar os ouvidos para o ambiente sombrio Pleasure (2011), álbum de estreia do grupo texano Pure X, encontrará uma banda completamente distinta da que passeia pelas emanações doces de Angel (2014, Fat Possum). Em um sentido de reformulação da própria sonoridade, Nate Grace e os demais parceiros de banda deixam de lado a psicodelia suja do debut para alcançar de vez o romantismo escancarado das canções. Um exercício que quebra a essência dos primeiros álbuns, mas soluciona de vez o trabalho do grupo.

Em um sentido de reforço ao que Crawling Up The Stairs (2013), o segundo registro em estúdio da banda, trouxe há poucos meses, o novo disco concentra no uso de fórmulas melancólicas uma espécie de engrenagem para a banda. Tudo bem, até aí nada que Grace já não venha cantando desde o começo de carreira, a diferença está na forma como o grupo parece dar fim ao enclausuramento lançado desde as primeiras faixas. Uma tentativa de abraçar uma parcela maior do público, sem tropeçar em experiências há muito desgastadas por outros artistas.

Lidando com as confissões em um enquadramento que esbarra no “brega”, Angel abraça as mesmas sensações que há anos ocupam a obra do canadense Sean Nicholas Savage, ou mesmo os trabalhos de Ariel Pink depois das melodias acolhedoras de Before Today (2010). São músicas que reforçam a dependência romântica do eu lírico (Every Tomorrow), declarações escancaradas de amor (Fly Away with Me Woman) ou faixas essencialmente sorumbáticas (Make You Want Me). Um verdadeiro cardápio para o ouvinte sofredor/apaixonado.

Por conta da fluidez sentimental do álbum, cada composição do disco autoriza o reverberar de melodias vocais antes raras dentro da condução do Pure X. São enquadramentos nostálgicos, como em Valley of Tears e Livin’ the Dream, faixas que parecem saídas de algum registro esquecido da década de 1980. Já outras como Fly Away with Me Woman revelam um aspecto curioso dentro do projeto: a aproximação com o soul. Uma tendência que atravessa os domínios atmosféricos do Dream Pop – base instrumental do grupo – para desaguar em um lago quase pacato de essências. Continue reading

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Eurydice”

The pains

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Não existe nada de realmente novo no trabalho do grupo nova-iorquino The Pains Of Being Pure At Heart, mas isso está longe de parecer um erro. Seguindo uma fórmula que resgata o Noise Pop/Shoegaze desde o primeiro álbum, a banda fez do segundo disco, Belong (2011), uma intensa continuação, algo que o novo Days Of Abandon expande com as mesmas preferências “originais” do grupo. Passada a apresentação do terceiro disco com Simple And Sure, chega a vez da banda entregar o segundo single do álbum: Eurydice.

Na linha da faixa que a antecede, a nova música cresce como um verdadeiro mergulho nas experiências sutis reveladas pelo grupo há cinco anos, em músicas como Young Adult Friction e A Teenager In Love. São vozes em dueto, guitarras econômicas e a volta dos sintetizadores, colisão doce de elementos que resgata o aspecto mais gracioso da banda. Days Of Abandon tem estreia anunciada para o dia 13 de maio pelo selo Yebo.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Eurydice

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A Sunny Day in Glasgow: “Crushin’”

A Sunny Day In Glasgow

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Um misto de maturidade e doce composição juvenil toma conta da obra lançada pelo coletivo A Sunny Day in Glasgow. Com três bem resolvidos trabalhos em estúdio – Scribble Mural Comic Journal (2007), Ashes Grammar (2009) e Autumn, Again (2010) -, o grupo norte-americano reserva para o dia 24 de junho a estreia do aguardado Sea When Absent (2014), o quarto registro em estúdio da banda e o primeiro trabalho apresentado ao público depois de quatro anos em hiato. Depois da ótima In Love With Useless, apresentada em janeiro, é a vez de Crushin’ mostrar os “novos” rumos da banda.

Ainda apoiada em ambientações típicas do Dream Pop, marca desde o primeiro álbum da banda, o canção usa dos quase cinco minutos de duração como um convite para um cenário flutuante, quase místico. São vocais femininos sobrepostos, sintetizadores tratados de forma climática e batidas lentas que aos poucos tecem a capa enevoada da criação. Confessional, assim como a música passada, a canção entrega o que será entregue na íntegra com o novo álbum, apresentado pelo selo Lefse.

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A Sunny Day in Glasgow – Crushin’

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Tennis: “Cured Of Youth”

Tennis

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Apresentado em findos de 2013, Small Sound EP veio como um ponto final nas emanações litorâneas assinadas pelo casal Patrick Riley e Alaina Moore do Tennis. Ainda atento aos argumentos nostálgicos do duo, o registro de poucas faixas ruma de forma definitiva para os anos 1980, incorporando desde elementos assertivos do pop rock que ocupou grande parte do período, até pequenos exageros estéticos que ainda hoje definem a década.

Um bom exemplo disso sobrevive no interior de Cured Of Youth. Guiada pelas guitarras de Riley, os vocais da amada e até a inclusão de metais, a canção se esparrama como um invento tão caricato, quanto deliciosamente atual. Já para o vídeo da faixa, dirigido por Scott Laidlaw, a dupla resolveu apostar na mesma carga de experiências do período, contudo, mantendo o foco nos seriados da época. Tão excêntrico quanto divertido, o trabalho pode ser encontrado na íntegra abaixo.

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Tennis – Cured Of Youth

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Fujiya & Miyagi: “Flaws”

Flaws

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Pelo visto não foram apenas os nova-iorquinos do Liars em Mess (2014) que resolveram apostar todas as ficas em um som dançante e ao mesmo tempo experimental. Para o quinto registro em estúdio, Artificial Sweeteners, o grupo britânico Fujiya & Miyagi parece investir (pesado) na mesma fórmula. Experiência já comprovada nos antigos discos do grupo e reforçada no lançamento do single Tetrahydrofolic Acid, o novo projeto encontra na recém-lançada Flaws uma continuação.

Apresentada há poucas semanas apenas em áudio, a música tem a própria sonoridade expandida por conta do vídeo dirigido por Alexander Peverett. Apostando no uso das cores e em um visual semi-psicodélico – se é que isso é possível -, o diretor converte o fluxo da canção em um abastecimento para as imagens, marcadas pela sujeira das cores e a colagem (tosca) dos integrantes da banda. Para quem se interessou, Artificial Sweeteners estreia no dia seis de maio.

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Fujiya & Miyagi – Flaws

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Disco: “With Light And With Love”, Woods

Woods
Folk/Psychedelic/Indie
http://www.woodsist.com/woods/

Por: Cleber Facchi

Woods

Desde a estreia, há quase uma década, cada trabalho lançado pelo quarteto nova-iorquino Woods funciona dentro de uma atmosfera de conforto e emanações típicas de uma fórmula própria. Seja na estrutura irregular de At Rear House (2007), um belo exemplar do movimento Freak Folk, ou dentro das emanações litorâneas de Bend Beyond, lançado em 2012, os inventos assinados pelo grupo norte-americano jamais rompem com um proposital limite estético. Um efeito que reverbera de forma continuada no recente With Light And With Love (2014, Woodsist), mas que curiosamente ecoa como novidade a cada doce melodia.

Ainda apontado para as décadas de 1960 e 1970, o oitavo registro em estúdio de Jeremy Earl, Jarvis Taveniere, Aaron Neveu e John Andrews usa da limpidez das formas instrumentais como um ponto de novidade. Rompendo com a produção continua do grupo, que desde 2009 vem lançando um novo álbum por ano, o registro de 10 faixas usa dos dois anos de produção como uma ferramenta transformadora. Sim, temos em mãos as mesmas experiências sonoras retratadas desde How to Survive In (2006), estreia do grupo, porém, a ausência de ruídos e a quebra das emanações caseiras entregam ao ouvinte um projeto renovado.

Na trilha de novatos, como o duo Foxygen, a banda nova-iorquina abraça a psicodelia sem romper os laços com o pop. Seja em canções efêmeras, caso de New Light, ou atos extensos como o da faixa título – com mais de nove minutos de duração -, cada composição explorada pela obra dança em um habitat sereno, a ser desvendado com parcimônia. De caráter homogêneo, o disco se movimenta em um senso de completude, como se a chave para cada canção fosse explorada na faixa que a antecede, e assim por diante. Trata-se de uma obra marcada pelas melodias – uma experiência que aprimora toda a essência da banda.

Como Size Meets the Sound, Cali In a Cup e demais faixas comerciais do trabalho passado já haviam anunciado, a busca do Woods em conquistar uma parcela ainda maior de ouvintes se revela de forma natural e cada vez mais frequente. Se em começo de carreira o interesse dos integrantes era o de “parecer estranho”, hoje pouco disso parece ter sobrevivido. Basta observar músicas como Full Moon e Moving to the Left, faixas que se adornam de pequenos clichês do folk/rock clássico em um linguagem hipnótica, quase fabricada para as massas. Uma exposição que mesmo evidente não distorce o tecido cuidadoso que se esparrama pelo álbum. Continue reading

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Ian Ramil: “IAN”

Ian Ramil

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Anunciado com o lançamento do single Zero e Um, ainda em 2013, chega para download e audição gratuita o esperado IAN (2014), estreia solo do cantor e compositor Ian Ramil. Um dos nomes de peso da nova safra de artistas gaúchos, o parceiro de longa data do quarteto Apanhador Só e filho do também músico Vitor Ramil, usa das 13 composições do debut como um objeto de natural apresentação e ao mesmo tempo construção de uma estética específica.

Com produção assinada por Matías Cellas e participações de Kassin, Luciano Mello, Kleiton Ramil e Felipe Zancanaro, o registro brinca com as melodias em uma atmosfera particular. Um meio termo entre o pop “alternativo” que ecoa na cena gaúcha e doses consideráveis de experimento. Com faixas já conhecidas do ouvinte, caso de Seis Patinhos, Rota e Nescafé - as duas últimas já gravadas pela Apanhador Só -, o trabalho é uma passagem autêntica para um ambiente há tempos em construção de Ramil. Para baixar o disco, basta visitar a página do cantor, ou ouvir o trabalho na íntegra logo abaixo.

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Ian Ramil – IAN

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Lana Del Rey: “West Coast”

Lana del Rey

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West Coast, este é o nome do primeiro single oficial de Ultraviolence (2014), segundo e ainda inédito trabalho em estúdio da cantora Lana Del Rey. Apresentada hoje (14), a canção é praticamente uma extensão dos inventos lançados pela artista em 2012, com o debut Born To Die, porém, visivelmente acrescida de algumas novidades. Com pouco mais de quatro minutos de duração, a canção resgata os vocais letárgicos e toda a calmaria em torno da obra de estreia da artista, que ao julgar pelas guitarras que ocupam a canção e o clima proposto na versão reformulada de Meet Me In The Pale Moonlight, lançada há poucas semanas, ruma de forma decidida para os anos 1970.

Mesmo sem data de lançamento anunciada – a previsão é que o disco seja entregue ainda no primeiro semestre -, Ultraviolence vem chamando as atenções por conta do processo de produção das músicas. Além do time habitual de produtores que acompanham a cantora, Dan Auerbach, uma das metades da dupla The Black Keys, é quem realmente deve direcionar a nova fase da artista.

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Lana Del Rey – West Coast

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The Black Keys: “Turn Blue”

Black Keys

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Enquanto Fever, composição apresentada na última semana, serviu para apresentar o lado mais descontraído e naturalmente pop da dupla The Black Keys, Turn Blue revela o lado mais “comportado” dessa mesma proposta. Faixa escolhida para dar título ao mais novo trabalho em estúdio de Dan Auerbach e Patrick Carney, a canção reforça (de uma vez por todas) que a relação com o Blues Rock está mais do que abandonada dentro da presente fase da banda norte-americana.

Praticamente uma sobra de estúdio do trabalho de Danger Mouse (produtor do disco) desenvolvido com James Mercer (The Shins) no Broken Bells, a canção é mais uma tentativa da dupla em mergulhar no soul dos anos 1970. Branda, a faixa se derrete em meio a arranjos econômicos de guitarras e batidas sempre tímidas, deixando para a massa de sintetizadores lançados por Mouse uma espécie de “complemento”. Com lançamento previsto para o dia 13 de maio pelo selo Nonesuch, Turn Blue é o sucessor do bem recebido El Camino, de 2011.

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The Black Keys – Turn Blue

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Disco: “Heathen”, Thou

Thou
Sludge Metal/Doom Metal/Alternative
https://www.facebook.com/pages/Thou/

Por: Cleber Facchi

Thou

Atos lentos de guitarras, vozes absorvidas como instrumentos e um curioso senso de ordem em um cenário guiado pela destruição. Assim é a composição de Heathen (2014, Gilead Media) mais recente projeto do grupo norte-americano Thou. Centrada em New Orleans, Luisiana, a banda deixa de lado as experiências jazzísticas/boêmias, típicas da da produção local, para se envolver com um som tão pantanoso e denso quanto o próprio ambiente de origem. Um panorama sufocante em essência e curiosamente capaz de arrastar o ouvinte por quase 70 minutos de arranjos instáveis, mas ainda assim desafiadores.

Em atuação desde o meio da década passada, direcionamento que sustenta uma produção de quase 30 registros em estúdio – entre singles, EPs, split albums e registros completos -, o coletivo firma na presente obra um projeto de evidente apresentação aos novos ouvintes, feito que não exclui a explícita maturidade do grupo. Mas qual a grande diferença entre as faixas inéditas que alimentam o novo registro e todo o arsenal revelado previamente pela banda? A resposta para isso parece fluir em uma única palavra: imersão.

Como um ato único a ser explorado pelo ouvinte, cada arranjo, voz ou mínima emanação instrumental que cresce pelo disco arrasta o espectador para um ambiente hipnótico até o último acorde. Na contramão de outras obras entregues aos ruídos fixos do Doom Metal, Heathen é uma obra alimentada pela comunhão dos sons, efeito que dança pelas guitarras de Andy Gibbs e Matthew Thudium, cresce nas batidas pontuais Josh Nee e sobrevive com excelência na voz sombria de Bryan Funck. O típico caso de um disco que se mantém por conta própria e continua a crescer mesmo passada a execução da última faixa.

Ainda que esbarre em uma série de conceitos favorecidos por outros veteranos do gênero, Heathen borbulha em um cenário em que todas as regras são reforçadas por um toque particular. O alinhamento “punk” do grupo, adepto da “filosofia” DIY, esquiva o registro de uma solução impulsionada por atos cênicos, fantasias soturnas e outras emanações típicas do estilo. Pelo contrário, cada segundo do registro sobrevive de forma natural pela formação dos arranjos sujos e somente eles. Apenas “garotos” mergulhando em um oceano obscuro de distorções e letras abastecidas pela dor, morte e descrença. Continue reading

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