Weezer: “Back To The Shack”

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A melhor prova de que a zoeira é infinita está em Back To The Shack. Cada vez mais distante do passado assertivo que eternizou clássicos como Blue Album (1994) e Pinkerton (1996), Rivers Cuomo mantém firme a verve “bem-humorada” do Weezer para apresentar o cenário cômico de Everything Will Be Alright In The End (2014). 10º registro em estúdio da banda californiana e o novo álbum parece surgir como um resumo (em todos os sentidos) de tudo o que a banda vem promovendo desde o lançamento de Make Believe (2005).

Riffs sujos, vozes pegajosas e versos que parecem íntimos da presente fase da banda. Um enorme autoplágio que, na medida do possível, agrada como qualquer single prévio da banda. Na trilha de Beverly Hills, Pork and Beans e demais singles que lançaram os recentes projetos da banda, Back To The Shack gruda sem dificuldades nos ouvidos, mas, está longe de reforçar qualquer grau de esperança em relação a um bom novo álbum do grupo.

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Weezer – Back To The Shack

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Basement Jaxx: “Never Say Never” (Feat. ETML)

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Seguem os preparativos para a chegada de Junto (2014), o esperado novo álbum do Basement Jaxx. Passado o lançamento do clipe de Sereia da Bahia, há poucos dias, Felix Buxton e Simon Ratcliffe aparecem com mais uma inédita e pegajosa criação: Never Say Never. Quarta faixa do álbum – recheado por 13 músicas -, a recém-lançada composição ganha destaque por conta da voz de ETML, um dos novos nomes do R&B/Garage de Londres.

Apoiada em uma série de elementos que se aproximam do hit Latch – parceria entre o duo Disclosure e o cantor Sam Smith -, Never Say Never está longe de parece uma cópia. De fato, boa parte dos elementos da música resgatam traços característicos do Basement Jaxx, como a relação com a música negra e boa parte das experiências com a música pop lançadas no disco Scars, de 2009. Junto estreia no dia 25 de agosto. Abaixo, o clipe da canção.

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Basement Jaxx – Never Say Never (Feat. ETML)

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Cozinhando Discografias: R.E.M.

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em 1980 por Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe, o R.E.M. ocupa um lugar de destaque como uma das pioneiras do Rock Alternativo. Inspiração confessa para o trabalho de grupos como Pavement, Nirvana, Pearl Jam, Guided By Voices e outros gigantes da música, o quarteto original da cidade de Athens, Geórgia sustentou ao longo de três décadas – e três fases distintas – uma coleção de obras tão influentes, quanto referenciais.

Inicialmente voltado ao College Rock/Jangle Pop que homenageava bandas como Big Star e The Byrds, o grupo aos poucos dissolveu elementos do folk e country, flertou eletrônica e ainda brincou com uma série outros experimentos ocasionais. Com uma sonoridade diferente a cada novo álbum, o grupo que encerrou suas atividades em meados de 2011 é de longe o responsável pela discografia mais difícil de ser organizada que já passou pela seção. Continue reading

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Pedrowl: “You Like It”

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Responsável por algumas das festas de música pop menos óbvias da noite paulistana, o jovem Pedrowl apresenta agora sua primeira (e bem sucedida) criação: You Like It. Ainda que seja um remix da faixa homônima lançada pelo rapper/cantor Omarion há poucos meses, a composição deixa de pertencer ao ex-integrante do B2K para se transformar em um produto típico das referências e bases musicais do produtor paulistano.

Sintetizadores e vozes pueris (no melhor estilo Ryan Hemsworth), beats quebrados e uma avalanche de palminhas recheiam a faixa do princípio ao fim. Quase cinco minutos de colagens, recortes e pequenas reformulações do Pop/R&B que parecem funcionar perfeitamente dentro e fora das pistas. Para quem se interessou pelo trabalho do garoto, vale ouvir a (ótima) mixtape que ele lançou pela Thump há poucas semanas. Aproveite e siga o trabalho do Pedrowl no Facebook.

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Pedrowl – You Like It

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Quays: “Tres”

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O trabalho do produtor nova-iorquino Quays sobrevive de forma evidente dos detalhes. Depois de caminhar pelo terreno da ambient music em Physisicks – faixa inicialmente apresentada em uma ligação telefônica -, o misterioso artista assume na recém-lançada Tres uma continuação doce da faixa apresentada há poucas semanas. Entretanto, mais do que investir no resgate de velhas ideias, a nova faixa entrega em elementos do R&B um mecanismo leve de transformação.

Construída lentamente, Tres abre em meio bips eletrônicos, revela uma dose tímida de sintetizadores e, aos poucos, dissolve o principal elemento da nova criação de Quays: a voz. Claro que nada ultrapassa o teor abstrato já apontado pelo artista, que parece ao mesmo tempo se isolar e crescer com o passar da faixa. A canção é parte de uma série de lançamentos que o artista vem arquivando no Soundclod. Só não esqueça de ouvir com fones de ouvido.

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Quays – Tres

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Shlohmo & Jeremih: “No More EP”

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Desde que Shlohmo e o rapper Jeremih lançaram Bo Peep (Do U Right), em 2013, a troca de referências trouxe benefícios evidentes para os dois artistas. Enquanto o produtor californiano encontrou uma brecha acessível dentro da própria obra – antes guiada pelo experimento -, o rapper passou a apostar em uma sonoridade menos óbvia, comprovação ressaltada em Don’t Tell ‘Em, último single de Jeremi e uma das melhores composições lançadas nos últimos meses.

Como a melancólica No More já havia anunciado no começo de 2014, é hora de ter acesso ao primeiro EP colaborativo da dupla. Lançado de forma independente, o trabalho naturalmente concentra as bases de Shlohmo, sustentando musicalmente as rimas apresentadas por Jeremih. Independente, o trabalho pode ser baixado gratuitamente pela página da dupla. Abaixo, a faixa-título do projeto e um resumo daquilo que a dupla reserva ao longo da curta obra.

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Shlohmo & Jeremih – No More

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Disco: “Jungle”, Jungle

Jungle
Soul/R&B/Funk
https://www.facebook.com/jungle4eva

Por: Cleber Facchi

O passeio pelo Funk/Soul em Lucky I Got What I Want, o vídeo coreografado de Busy Earnin’ – no melhor estilo Hip-Hop 80′s -, ou mesmo o teor nostálgico do single de estreia – Platoon -, logo entregam a identidade musical do Jungle. Apresentado oficialmente em meados de 2013, o projeto comandado por Josh Lloyd-Watson (J) e Tom McFarland (T) é mais do que um novo exemplar do “Neo-Soul” britânico. Trata-se de um retrato delicado de tudo o que alimenta a Black Music em mais de cinco décadas de produção, transportando para o presente traços musicais há muito abandonados.

Versão descomplicada e até mesmo caricata de tudo aquilo que o TV On The Radio havia experimentado em Return to Cookie Mountain, de 2006, a autointitulada estreia do Jungle é uma obra que dança pelo tempo. Há espaço para a Disco Music em Julia e Accelerate, a busca pelo pop em Time, e até representações políticas da música negra em Son Of A Gun e Platoon. A diferença em relação ao trabalho do coletivo nova-iorquino ou mesmo de obras como St. Elsewhere (2006) do Gnarls Barkley está no caráter essencialmente acessível do registro.

Ainda que não apresente nenhuma faixa comercialmente grandiosa - vide a boa repercussão em cima de Crazy -, Jungle (o álbum) se distancia de prováveis bloqueios, trazendo na voz sutil de cada música uma evidente ferramenta de atração. Plástico, ainda que livre de exageros, complexo, porém tocante em se tratando das harmonias assinadas pelos produtores, o trabalho de 12 faixas rápidas se acomoda em quase 40 minutos de puro detalhamento e segurança para o ouvinte. Uma específica zona de conforto que não pretende e nem menos precisa ser provocada.

Quase minimalista em se tratando de outros exemplares recentes do Soul e R&B – como Electric Lady (2013), de Janelle Monáe -, a estreia do Jungle cresce justamente por conta do aspecto “diminuto” de cada canção. Salvo a inclusão de metais em Busy Earnin’ e outros instantes exaltados que se espalham pela obra, do início ao fim, o trabalho sustenta economia e atrativa homogeneidade. O proposital controle em relação aos arranjos força a dupla de produtores a investir de forma detalhada no uso dos vocais. O resultado está na construção de um álbum livre de possíveis lacunas, como se cada canto ou coro abrangente servisse de passagem para a canção seguinte. Continue reading

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Sharon Van Etten: “Our Love”

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Dor, melancolia e depressão até onde a vista e os ouvidos alcançam. Quarto trabalho em carreira solo de Sharon Van Etten, Are We There (2014) entrega em cada uma de suas canções uma representação dos maiores pesadelos sentimentais da cantora – e também os nosos. Com uma bem sucedida sequência de clipes – entre eles Every Time the Sun Comes Up e Taking Chances -, Van Etten entrega agora mais um assertivo produto visual relacionado à obra.

Trata-se de Our Love, uma das composições mais doces e comercialmente viáveis do registro. Centrado na própria cantora, o vídeo conta com a assinatura de Karen Collins, uma fotografa especializada em fotos de mulheres e que parece revelar ao público o lado mais doloroso da artista/personagem do clipe. Recomendado, Are We There é um dos escolhidos na nossa lista de meio do ano com os 25 Melhores Discos de 2014.

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Sharon Van Etten – Our Love

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Shabazz Palaces: “Forerunner Foray”

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Qualquer possível previsão sobre o Shabazz Palaces antes do lançamento de qualquer registro é praticamente um erro. Com Lese Majesty (2014) previsto para estrear no dia 29 de julho, Ishmael Butler e Tendai Maraire transformam a recém-lançada Forerunner Foray em mais um objeto de possibilidades para o novo álbum da dupla – o primeiro exemplar de estúdio desde o bem recebido Black Up (2011).

Pacata, a nova composição não esbarra nem no ambiente “comercial” da dançante #CAKE, como ainda mantém o controle em relação os experimentos de They Come In Gold, primeiro single do novo disco. Delineada por sintetizadores econômicos, poucas rimas e certo toque intencional de preguiça, Forerunner Foray soa como uma daquelas vinhetas espalhadas pelo álbum passado, revelando ao público o caráter abstrato do Art-Rap que acompanha a dupla desde os primeiros anos. Leve.

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Shabazz Palaces – Forerunner Foray

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Bleachers: “Take It Away” (Feat. Grimes)

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A transformação assumida por Grimes no single Go – faixa escrita para Rihanna e exemplar do mais “pop” da cantora até aqui -, em nada parece ter afetado o aspecto “etéreo” da produtora canadense. Melhor exemplo disso está na chegada de Take It Away, novo lançamento do Bleachers, projeto paralelo de Jack Antonoff (guitarrista do Fun.) e uma mínima fração da proposta onírica lançada pela cantora no álbum Visions, de 2012.

Embora pertença ao primeiro álbum solo do Bleachers – Strange Desire (2014) -, não é difícil perceber uma série de elementos típicos do trabalho de Claire Boucher. Da voz enevoada aos sintetizadores que circulam ao fundo da composição, tudo soa como os inventos de Grimes nas canções mais tímidas apresentadas em 2012. Uma boa forma de passar o tempo enquanto a canadense não entrega ao público nenhuma outra novidade – ou pista sobre o próximo disco.

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Bleachers – Take It Away (Feat. Grimes)

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