Sharon Van Etten: “Your Love Is Killing Me”

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Se existe uma certeza dentro da história da música - antiga, recente ou futura – é a de que jamais vão faltar obras alimentadas pelo aspecto triste do amor. Mesmo antes da consolidação da indústria da música, no começo do século XX, sofrer sempre foi encarado como uma fonte natural de inspiração para qualquer compositor. Um campo ilimitado de melodias e versos capazes de revisitar considerações simples, porém, necessárias de um pós-relacionamento. É justamente dentro desse ambiente cinza que Sharon Van Etten fez sua morada e parece extrair toda a base temática para cada disco lançado desde o debut Because I Was in Love, de 2009.

Em evidente crescimento poético, a cantora centrada na região do Brooklyn, Nova York, fez de cada álbum apresentado nos últimos cinco anos uma inteligente transposição das próprias recordações sentimentais. Discos como Epic (2010) e Tramp (2012), que mesmo afundados em temas há muito desgastados por diferentes artistas, conseguiram reforçar identidade e certa dose de ineditismo por conta do catálogo rico (e sofrido) de versos que carregam. Adaptações melancólicas do cotidiano da cantora e obras que servem de alicerce para o bem executado quarto disco de Van Etten, Are We There (2014, Jagjaguwar). Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de Sean Durkin para Your Love Is Killing Me.

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Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

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Nicki Minaj: “Only” (Feat. Lil Wayne, Drake, & Chris Brown)

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Com o lançamento de Pills N Potions, Lookin Ass Nigga e demais faixas nos útimos meses, Nicki Minaj parecia seguir em direção contrária ao som incorporado no pop Pink Friday: Roman Reloaded (2012). Todavia, bastou um “turbilhão” chamado Anaconda para que a rapper voltasse ao mesmo terreno fértil e comercial dos últimos trabalhos em estúdio. De um jeito ou de outro, são estes dois argumentos que parecem servir de base para o terceiro registro da carreira de Minaj: The Pinkprint (2014).

Anunciado pelos selos Young Money, Cash Money e Republic para o dia 15 de dezembro, o trabalho deve funcionar como regresso aos primeiros anos da artista e um diálogo com o natural conceito pop dos últimos discos. Em Only, mais novo lançamento de Minaj e uma das faixas que recheiam The Pinkprint, uma nova exposição do lado “comportado” da artista. Acompanhada de Lil Wayne, Drake e Chris Brown, a canção segue a trilha de Pills N Potions, dosando entre o Rap e o R&B de forma assertiva.

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Nicki Minaj – Only (Feat. Lil Wayne, Drake, & Chris Brown)

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Hamilton Leithauser: “5 AM”

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A mudança de direção assumida em Heaven (2012), último trabalho em estúdio do grupo nova-iorquino The Walkmen, parece guiar a atuação do (ex-)vocalista Hamilton Leithauser em fase solo. Apostando em uma sonoridade menos soturna do que a lançada pelo grupo no debut Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone, em 2002, o cantor usa do versátil Black Hours (2014, Ribbon Music) como uma ferramenta de expansão da própria herança. Sim, a relação com a antiga banda do músico é evidente, porém, os rumos agora assumidos são outros.

Apresentado há poucos meses durante o lançamento da intensa Alexandra, primeiro single do álbum, Black Hours é uma obra que usa de antigas interpretações do pop – nos anos 1960 ou na cena independente no começo dos anos 2000 – como uma ferramenta de estímulo. Enquanto ao lado dos antigos parceiros de banda a seriedade parecia guiar a voz e os temas cantados por Leithauser, hoje o resultado é diferente. “Tolo” em alguns aspectos, o debut do norte-americano é uma obra que sobrevive de emoções e temas simples, acertando justamente por conta dessa ferramenta de pura leveza. Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de 5 AM, trabalho dirigido por Tristan Patterson.

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Hamilton Leithauser – 5 AM

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Disco: “Bestial Burden”, Pharmakon

Pharmakon
Experimental/Noise/Avant-Garde
https://www.facebook.com/pharmakonnn

Por: Cleber Facchi

Fígado, ossos, coração, costelas e um bloco cru de carne em decomposição. Por mais gratuita que a fotografia de Bestial Burden (2014, Sacred Bones) possa parecer, a construção perturbadora da imagem reforça o contexto honesto (e nauseante) em torno do trabalho de Margaret Chardiet. “Desejo mostrar [ao público] o corpo como um pedaço de carne e células que se transformam, falham e traem você. Algo banal e sem importância”, explicou em entrevista.

Mesmo instalada em um ambiente próximo de Abandon (2012), o material explorado ao longo do novo registro se movimenta de forma distinta. Como explícito na capa da obra, ou mesmo na voz sufocada da faixa de abertura, Vacuum, o segundo registro do Pharmakon pelo Sacred Bones é um exercício de interpretação de Chardiet sobre o próprio corpo. Gritos, grunhidos, escarro, tosse e toda uma colisão de ecos sujos que parecem reproduzir o lento “apodrecimento” dos indivíduos.

Depois da aproximação da morte no último ano – os médicos retiraram um cisto imenso do corpo da artista – e passar semanas em recuperação no hospital, Chardiet encontrou no isolamento forçado a inspiração para o “fardo bestial” do presente trabalho. Um corpo ruidoso que sobrevive de vozes, batidas e sintetizadores climáticos sempre desconstruídos, como se cada fração do álbum fosse uma representação musical das vísceras e experiências recentes da própria artista. Caos interno.

Diferente do contexto aleatório incorporado nas quatro peças de Abandon, em Bestial Burden cada composição do registro serve de estímulo para a canção seguinte. Ao mesmo tempo em que soluciona temas “harmônicos”, vide a canção de abertura e momentos específicos de Intent of Instinct, blocos de distorção aos poucos derrubam qualquer estágio de conforto. Uma interpretação anárquica dos experimentos de vozes testados por Holly Herndon ou qualquer artista próximo. Continue reading

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Miojo Indie Naïve Bar

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Estão prontos para mais uma invasão do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a próxima edição da “festa”, Cleber Facchi recebe os convidados Thiago Araújo (Brasil Post) e Rodolfo Viana (Brasi Post) em uma noite de Halloween regada a cerveja, mojito e, claro, boa música. No cardápio, o melhor do R&B, Garage, Pop, Indie, Ambient, Glitch, Eletrônica, Witch House e Gótico em uma sequência de faixas que vão da década de 1970 ao cenário recente.

Durante toda a noite, nomes como Kendrick Lamar, How To Dress Well, Perfume Genius, Beyoncé, Jessie Ware, Flying Lotus, FKA Twigs e Caribou invadem a pista. Achou pouco? Que tal uma pitada de Charli XCX, Peaking Lights, Arcade Fire, Aphex Twin e The XX? Aproveitando a noite das bruxas, abaixo uma playlist de aquecimento com um pouco do que você vai encontrar por lá. Para mais informações, dê um pulo na página do Naïve Bar.

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Baauer: “One Touch” (Feat. AlunaGeorge & Rae Sremmurd)

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As batidas ditam as regras de One Touche, intensa parceria entre o estadunidense Baauer e a dupla britânica AlunaGeorge. Escolhida pelo público a partir de uma lista de canções inéditas publicadas no Facebook do produtor, recentemente a canção foi apresentada durante o programa da DJ Annie Mac, na BBC Radio 1. Naturalmente imersa nos mesmos conceitos assinados pelo criador de Harlem Shake, a música de quase quatro minutos está longe de economizar na quentura dos arranjos e beats.

Enquanto Baauer define base da faixa, esbarrando em elementos típicos do Major Lazer, George Reid brinca com as possibilidades vocais de Aluna Francis, equilibrando efeitos e distorções pueris de forma a ocupar as pequenas brechas da faixa. Isso sem mencionar a presença de Rae Sremmurd, responsável por garantir complemento aos vocais da cantora. Esta não é o primeiro encontro do trio. Em 2013, Baauer lançou um remix para Attracting Flies, uma das principais canções de Body Music, álbum de estreia do duo inglês.

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Baauer – One Touch (Feat. AlunaGeorge & Rae Sremmurd)

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How To Dress Well: “Precious Love” (Cyril Hahn Remix)

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Depois da excelente versão de A. G. Cook para Repeat Pleasure, além do ótimo trabalho do produtor The Range na adaptação de Words I Don’t Remember, chega a vez de outro artista convidado brincar com a música de How To Dress Well. Em Precious Love, o canadense Cyril Hahn mantém firme o som intimista apresentado por Tom Krell, porém, transforma os quase cinco minutos do “remix” em uma espécie de regresso aos primeiros inventos de estúdio do vizinho estadunidense.

Assim como as últimas adaptações do trabalho de Krell, a nova versão de Precious Love faz parte do próximo lançamento do norte-americano, o EP coletânea “What Is This Heart?” Remixes. Pequena interpretação do último disco do HTDW a partir de um time de convidados, a obra de quatro peças acaba de ser lançada pelo selo Weird World, mas pode ser apreciada em partes no player abaixo. Aproveite para ler o texto de “What Is This Heart?” (2015), um dos grandes registros do ano.

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How To Dress Well – Precious Love (Cyril Hahn Remix)

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First Aid Kit: “Stay Gold”

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Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também. Leia a resenha completa.

Assista agora ao clipe de Stay Gold.

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First Aid Kit – Stay Gold

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Cozinhando Discografias: “The Cure”

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em 1976 na cidade de Crawley, Inglaterra, o The Cure é uma das peças mais importantes do Rock britânico da década de 1980. Aos comandos de Robert Smith, vocalista, compositor e único membro original do projeto, a banda trouxe no uso de versos confessionais e arranjos sombrios a base para uma das discografias mais influentes de todo o período. Responsável por canções como Just Like Heaven, In Between Days e Close To Me, além de álbuns clássicos como Pornography (1982) e Disintegration (1989), o grupo é o novo escolhido da seção Cozinhando Discografias, tendo cada um dos trabalhos em estúdio organizados do pior para o melhor lançamento. Continue reading

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Grouper: “Holding”

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Liz Harris parece, finalmente, ter aceitado a delicadeza da própria obra. Desde a mudança de rumo assumida em Foreign Body (2012), pelo projeto paralelo Mirroring, que a ambientação sombria incorporada pela musicista desembocou em um oceano de experiências sutis, versos confessionais e vozes essencialmente doces. Base para o material apresentado Call Across Rooms, há poucas semanas, as mesmas imposições servem de estímulo para a recém-lançada Holding, uma das últimas peças antes da chegada de Ruins (2014).

Explorando quase oito minutos de arranjos econômicos, voz atmosférica e lamentos costurados por bases de pianos, Harris reforça o mesmo exercício apresentado no último álbum de estúdio, The Man Who Died In His Boat (2013), convidando o ouvinte a dançar em um ambiente de formas lentas e acolhedoras. Com oito canções inéditas e lançamento pelo selo Kranky – de Tim Hecker e Lotus Plaza -, Ruins estreia oficialmente no dia 31 de outubro, halloween.

 final.

Grouper – Holding

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