Speedy Ortiz: “Raising The Skate”

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Os anos 1990 voltaram? Não, é apenas mais um disco do Speedy Ortiz. Dois anos depois de estrear (oficialmente) com Major Arcana (2013) – em 2011 o grupo já havia lançado de forma independente o debut The Death of Speedy Ortiz -, a banda de Northampton, Massachusetts continua a investir no mesmo som pesado, sujo e melódico do começo de carreira, posicionamento reforçado no interior de Rising The Skate, a primeira faixa inédita do esperado Foil Deer (2015).

Da mesma forma que no álbum apresentado há dois anos, atos curtos, instantes de silêncio e pequenas explosões rítmicas sustentam o trabalho da banda. Enquanto a voz firme de Sadie Dupuis assume a direção da música, referências ao trabalho de Pixies, The Breeders e Pavement ecoam em cada canto da obra, uma extensão do som reforçado há poucos meses em Real Hair (2014). Também lançado pelo selo Carpark Records, Foil Deer estreia no dia 21 de abril.

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Speedy Ortiz – Raising The Skate

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Braids: “Miniskirt”

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Arranjos minimalistas, vozes comportadas e temas eletrônicos que parecem “esfarelar” na mente do ouvinte: se essa ainda é a sua interpretação sobre o trabalho da banda canadense Braids, talvez seja melhor pensar duas vezes. Longe do ambiente compacto explorado nos dois primeiros álbuns de estúdio, o grupo de Calgary, Canadá parece encarar o terceiro registro da carreira como uma obra de transformação, postura explícita nos quase cinco minutos de Miniskirt, primeira composição inédita do grupo desde o lançamento do ótimo Flourish // Perish, em 2012.

Primeiro exemplar do (ainda) inédito Deep In The Iris (2015), a nova composição talvez seja a melhor representação da essência musical do trio. Enquanto arranjos e batidas parecem dialogar com a obra de Aphex Twin, a voz de Raphaelle Standell-Preston assume um maior estágio de grandeza, esbarrando de forma natural no trabalho de Björk dentro de obras como Post (1995) e Homogenic (1997). Com previsão de lançamento para o dia 28 de Abril, o terceiro disco de inéditas do Braids conta com lançamento pelo selo canadense Arbutus Records.

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Braids – Miniskirt

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Lightning Bolt: “The Metal East”

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Precisa de uma palavra para definir o trabalho da dupla canadense Lightning Bolt? Que tal “ruído”. Mais de uma década de pois de apresentar ao público o primeiro álbum “de estúdio”, Brian Chippendale e o parceiro Brian Gibson continuam a reproduzir o mesmo som sujo apresentado no homônimo álbum de 1999. Uma overdose de distorções, vozes maquiadas pela captação caseira e batidas tão ruidosas que encarar Fantasy Empire (2015) como o primeiro álbum profissional da banda, lançado sob a tutela de um grande selo, seria um erro.

Em The Metal East, primeiro exemplar do grupo longe do selo Load Records, toda a essência da banda não apenas parece preservada, como encontra um novo estágio de inquietação. Livre de um possível estágio de conforto, a música de quase quatro minutos funde elementos do Noise, Hardcore e Punk em um mesmo agregado sujo, deixando o caminho livre para o material que será apresentado na íntegra em 24 de março pelo selo Thrill Jockey.

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Lightning Bolt – The Metal East

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Disco: “Natalie Prass”, Natalie Prass

Natalie Prass
Indie/Alt. Country/Chamber Pop
http://natalieprassmusic.com/

Do momento em que tem início My Baby Don’t Understand Me, até o movimento final de It Is You, a sensação de fragilidade que preenche a obra de Natalie Prass é clara, perturbadora e ainda capaz de acolher o ouvinte. Protagonista da própria obra, a cantora e compositora estadunidense transforma o autointitulado primeiro registro de estúdio em um mundo aberto para confissões amarguradas e lamentos tão íntimos, que até parecem moldados para o ouvinte.

Ativa em diferentes núcleos da cena norte-americana, Prass atravessou a última década em meio a parcerias com notáveis da produção alternativa, caso de Jenny Lewis e Matthew E. White, posteriormente fixando residência na cidade de Nashville – o epicentro da música country. Com naturalidade, todo esse catálogo de “referências” se faz visível em cada ato do recente trabalho da cantora, tão próxima dos primeiros registros da “ex-Rilo Kiley” – principalmente no debut Rabbit Fur Coat (2006) -, como do recente trabalho de White – Big Inner (2012) -, parceiro desde a adolescência e produtor do álbum ao lado de Trey Pollard.

De natureza melancólica, como um sussurro alcoólico em uma noite de abandono, cada uma das nove composições do disco borbulham os sentimentos mais dolorosos (e confessionais) de Prass. Recortes essencialmente sensíveis, como os de My Baby Don’t Understand Me (“Nosso amor é como um longo adeus“) ou mesmo raivosos, caso de Your Fool (“Todas as promessas que eu fiz / E você me abandonou“), em que a cantora imediatamente conversa com gigantes da música Country – talvez Dolly Parton e Dusty Springfield -, além de artistas recentes do mesmo cenário, vide a herança explícita de Neko Case e Gilian Welch durante todo o trabalho.

Mais do que uma peça referencial, centrada no diálogo com diferentes fases (e nomes) do cancioneiro norte-americano, a homônima obra de Prass aos poucos sustenta o próprio cenário conceitual. Longe da redundância de bases acústicas e versos penosos – arrastados em excesso -, durante toda a obra os produtores White e Pollard encaixam arranjos de cordas bem resolvidos, estruturas melódicas de composição minimalista e acordes suavizados que se relacionam de forma inteligente com a voz compacta da cantora. Continue reading

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Kendrick Lamar: “The Blacker The Berry”

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A relação de Kendrick Lamar com uma sonoridade mais “pop” durante o lançamento do single I em nada parece ter comprometido o trabalho do rapper dentro de outras composições. De volta ao mesmo território sombrio, porém, acessível inaugurado em Section.80 (2011), Lamar consegue transformar a recém-lançada The Blacker The Berry em uma de suas criações mais complexas e densas.

Como um reforço aos temas autorais de good kid, m.A.A.d city (2012), cada instante do novo trabalho se converte em um exercício de interpretação do universo particular do rapper, capaz de discutir intolerância racial e possíveis falhas (do próprio artista) com a comunidade negra estadunidense em um mesmo cercado lírico. “Você me odeia, não é? Eu sei que você me odeia tanto quanto odeia a si mesmo“, despeja Lammar em resgate dos temas que atravessam os comentários feitos durante a onda de protestos na cidade de Ferguson, em 2014, até referências ao contraditório som “comercial” de I.

Ainda que trabalhada em uma estrutura “econômica” quando comparada ao último single do rapper, a canção de fluência versátil – assinada por Boi-1da – estabelece de maneira precisa toda a base musical do próximo disco de Lammar, ainda sem título e data de lançamento, porém, previsto para 2015.

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Kendrick Lamar – The Blacker The Berry

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Madeon: “Pay No Mind” (ft. Passion Pit)

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Até o lançamento do terceiro álbum de estúdio do Passion Pit, Kindred (2015), previsto para estrear no mês de abril, Michael Angelakos e os parceiros de banda devem apresentar ao público alguns fragmentos do novo registro. Ansioso demais para o trabalho? Carece de alguma canção inédita do grupo de Massachussetts? Tudo bem, a parceria da banda com o produtor francês Madeon talvez funcione como “aperitivo”.

Intitulada Pay No Mind, a inédita composição até que poderia ser encontrada no primeiro álbum de estúdio do grupo norte-americano – Manners (2009) – se não fosse pelo “clima de Daft Punk” no melhor estilo Discovery (2001). Parte do primeiro álbum de estúdio de Madeon, a faixa de quatro minutos parece capaz de resumir a atmosfera do esperado debut, trabalho que ainda conta com a participação de membros do Foster The People e Bastille. Com lançamento pelo selo Columbia, Adventure (2015) estreia no dia 31 de março.

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Madeon – Pay No Mind (ft. Passion Pit)

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SIA: “Elastic Heart” (Clams Casino Remix)

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Clams Casino só precisa de alguns segundos até transformar qualquer grande exemplar do pop/Hip-Hop alternativo em algum invento de essência particular. Sem necessariamente romper com as melodias plásticas da australiana Sia no ótimo 1000 Forms Of Fear (2014), o produtor norte-americano transforma os versos de Elastic Heart em um instrumento autoral, marca para a nova versão que bem poderia ter escapado de algum registro assinado pelo produtor.

Composição mais “acessível” já lançada pelo artista desde a série de Mixtapes/EPs iniciada em 2011, a música de quase seis minutos não apenas preserva a essência da cantora pop, como busca conforto no universo autoral de Clams Casino. Vocalizações pop que tropeçam em meio a batidas quebradas, ruídos instáveis e todo o universo particular, típico de Casino.

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Sia – Elastic Heart (Clams Casino Remix)

 

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Disco: “Lost Themes”, John Carpenter

John Carpenter
Ambient/Synthpop/Instrumental
http://www.theofficialjohncarpenter.com/

John Carpenter não poderia ter escolhido uma composição mais assertiva para inaugurar Lost Themes (2015, Sacred Bones) do que a climática Vortex. Em uma espiral de sintetizadores obscuros – fazendo valer o título da própria criação, “vórtice” – o artista norte-americano soluciona não apenas a estrutura temática para o restante da obra – um compilado de peças avulsas, instrumentais e sempre atmosféricos -, como ainda estabelece uma espécie de ponte (sonora) para a extensa filmografia de terror/suspense assinada desde o início da década de 1970.

Diretor responsável por filmes como The Thing (1982), Christine (1983), além da franquia Halloween, Carpenter encontra no primeiro trabalho em carreira solo um diálogo transformador com o próprio acervo cinematográfico. Partindo da estilização soturna da faixa de abertura – um possível introdução para qualquer película apresentada pelo artista nas últimas quatro décadas -, o ouvinte é convidado a explorar faixas fragmentadas em pequenos atos (Obsidian), instantes de ascensão (Mystery) ou mesmo suspiros instrumentais orquestrados por bases climáticas (Wraith).

Embora já tenha assinado a trilha sonora de diferentes filmes ao longo da carreira – caso de Assault on Precinct 13 (1976) e The Fog (1980) -, este é o primeiro trabalho de Carpenter pensado inteiramente no uso dos arranjos, esquivo da natural relação do artista com as imagens. Entretanto, difícil passear pela estrutura delicada de Fallen, Purgatory e qualquer outra canção “soturna” da obra sem visualizar as tradicionais cenas de suspense que marcaram a carreira do cineasta. Sem ordem específica, como fragmentos de um filme bruto, não editado, Carpenter detalha uma história de natureza perturbadora ao ouvinte.

Entalhado em um cercado musical específico, Lost Themes acomoda melodias e batidas eletrônicas de forma comportada, como uma película de roteiro lento, porém, envolvente. A julgar pela imposição dos sintetizadores – base de toda a obra -, referências ao trabalho de Kraftwerk e outros gigantes da década de 1970 – quando começou o trabalho como diretor – surgem por todo o álbum. Também é possível estreitar os laços com uma série de produtores recentes, principalmente Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), além dos ex-parceiros no Emeralds Steve Hauschildt e Mark McGuire. Continue reading

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Unknown Mortal Orchestra: “Multi-Love”

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Impressionante é o processo de transformação que inspirou o Unknown Mortal Orchestra desde a estreia com o autointitulado álbum de 2011. Partindo de um expressivo detalhamento na melodias, Ruban Neilson e os parceiros de banda conseguiram se esquivar da ambientação Lo-Fi montada para as primeiras canções, mergulhando de cabeça em uma sonoridade cada vez mais delicada, psicodélica e romanticamente inspirada pelo R&B, marca explícita logo no segundo álbum de estúdio do grupo, II (2012).

Em uma exposição ainda maior desse mesmo resultado, mergulhando de cabeça no uso de vocalizações brandas e temas psicodélicos empoeirados, o grupo localizado em Portland, Oregon ) reforça a própria evolução com a inédita Multi-Love. Como um fragmento musical extraído dos anos 1970, a música de quatro minutos se aconchega em um ambiente completamente nostálgico, reflexo não apenas do material conquistado pelo UMO nos últimos anos, mas em relação ao próximo álbum da banda, um registro homônimo que conta com lançamento pelo selo Jagjaguwar (Angel Olsen, Bon Iver) e lançamento agendado para 26 de maio.

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Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love

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Zola Jesus: “Compass”

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A relação de Zola Jesus com o pop/dance music não parece limitada apenas ao último álbum da cantora. Depois de apresentar uma sonoridade mais acessível e ainda flertar com o R&B no mediano Taiga (2014), a cantora assume na recém-lançada Compass um completo detalhamento do mesmo tipo de sonoridade. Lado B do novo single de Nika Danilova, Hunger, a inédita criação parece seguir a trilha de Dangerous Days e Go, um meio termo entre as vocalizações de Florence Welch no último disco do Florence + The Machine, ao mesmo tempo em que ecos de Lady Gaga (!) ecoam de forma involuntária em toda a criação.

Livre da ambientação “gótica” dos primeiros anos, Danilova continua a explorar elementos da música negra, a eletrônica característica dos anos 1990 e toda uma variedade de elementos sobrepostos que refletem uma produção típica do pop atual. Uma música que funciona dentro das pistas, mas parece se encaixar de forma ainda mais coesa em uma noite de tormentos melancólicos e separação. A estreia de Hunger (o single) está prevista para o dia 10 de fevereiro.

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Zola Jesus – Compass

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