Godspeed You! Black Emperor: “Asunder, Sweet and Other Distress'”

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Passado o hiato de uma década que separou Yanqui U.X.O. (2002) e ‘Allelujah! Don’t Bend! Ascend! (2012), os membros do Godspeed You! Black Emperor seguem inspirados, apresentando ao público mais um novo registro de inéditas: Asunder, Sweet and Other Distress’ (2015). Dotado de quatro composições extensas, a presente obra, quinta na discografia da banda, segue a trilha dos últimos registros, intercalando instantes de calmaria e atos orquestrais grandiosos, naturalmente típicos do grupo canadense.

Com distribuição (física) prevista para o dia 31 de março pelo selo Constellation, casa do coletivo de Montreal desde os primeiros registros, o recente trabalho já pode ser apreciado na íntegra pelo Soundcloud da gravadora. Para quem acompanha o grupo desde os clássicos F♯ A♯ ∞ (1997) e Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000), os mais de quarenta minutos do novo álbum não devem decepcionar. Ouça:

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Godspeed You! Black Emperor – Asunder, Sweet and Other Distress’

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Tei Shi: “Go Slow”

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A passagem de Valerie Teicher para um ambiente típico do R&B/Soul dos anos 1980 em Bassicaly parece servir de estímulo para todo o recente arsenal da cantora nova-iorquina. Com o novo trabalho do Tei Shi a caminho, Verde EP (2015), a jovem não apenas garante continuidade ao som produzido nos últimos meses, como ainda encontra uma passagem segura para o material desenvolvido no (ótimo) primeiro EP da carreira, Saudade, lançado ainda em 2012.

Fragmento mais recente a escapar do novo registro, Go Slow revela todo o arsenal de referências da artista – sejam elas atuais ou resgatadas dos primeiros anos dentro do Tei Shi. Esculpida pelos vocais de Teicher, a composição parece se encaminhar para um terreno etéreo, entretanto, logo é puxada de volta pela cantora, para “o chão”. Um tecido delicado de pianos, guitarras que tropeçam na obra de Blood Orange, mas sem escapar da confessa influência da musicista pelo trabalho de St. Vincent – principalmente nos últimos discos.

Verde EP conta com lançamento previsto para o dia 14 de abril.

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Tei Shi – Go Slow

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Torres: “Sprinter”

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O sofrimento existe por um motivo muito claro: servir de inspiração para o trabalho da norte-americana Torres. Na trilha do homônimo álbum de estreia apresentado em janeiro de 2013, a cantora e compositora de Nashville reserva para o dia cinco de maio a chegada de Sprinter (2015), o segundo projeto da carreira e primeiro lançado sob os cuidados de um selo, o Partisan Records. Como aquecimento para disco – trabalho que conta com a presença de Adrian Utley (Portishead) -, nada melhor do que a faixa-título da obra.

Sempre confessional, valorizando as nuances da própria voz, Mackenzie Scott ocupa os quase cinco minutos da peça em meio a guitarras levemente distorcidas e batidas precisas. Atos climáticos que remetem ao trabalho de PJ Harvey, voz doce, típica de Annie Erin Clark nos primeiros anos como St. Vincent, além de todo um arsenal de referências do Alt. Country recheiam a criação, uma das mais complexas já assinadas pela musicista.

Sprinter (2015) estreia no dia cinco de maio pelo selo Partisan.

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Torres – Sprinter

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Hudson Mohawke: “Very First Breath” (Feat. Irfane)

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Ainda que o trabalho de Hudson Mohawke e Lunice esteja com as atividades (temporariamente) suspensas no projeto TNGHT, em se tratando da carreira solo de cada produtor, a atividade continua intensa. Seis anos depois de apresentar o primeiro álbum de estúdio, Butter (2009), Mohwake reserva para o dia 16 de junho o lançamento do inédito Lantern (2015), primeiro (grande) registro de inéditas depois de um hiato de seis anos e segundo álbum dentro do selo Warp.

Anunciado há poucas semanas, junto da extensa turnê do produtor pelos Estados Unidos e Europa, o novo álbum acaba de ter o primeiro single entregue ao público. Mais “leve” em relação aos beats assinados com o parceiro do TNGHT, o uso de sintetizadores carregados de efeitos, além da voz precisa do convidado Irfrane, fazem de Very First Breath uma das criações mais acessíveis do artista escocês, em essência íntimo das mesmas colagens robóticas de Calvin Harris e outros produtores comerciais da cena britânica recente.

Lantern (2015) estreia no dia 16 de junho pelo selo Warp.

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Hudson Mohawke – Very First Breath (Feat. Irfane)

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Passei um mês sem ouvir música e (quase) enlouqueci

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“Sem a música, a vida seria um erro”.

A frase de Friedrich Nietzsche sempre me pareceu um clichê funcional, capaz de sintetizar tamanho sentimento de completude imposto pela música na vida das pessoas. Ou pelo menos na minha. Mas será que a ausência de melodias, acordes ou mísero refrão seria capaz de transformar a vida, o universo e tudo mais em um erro imenso?

Que tal experimentar? Decidi passar um mês sem ouvir música.

Embora incapaz de tocar Será da Legião Urbana no violão – ou em qualquer instrumento -, me considero um aficionado por música. A música sempre foi parte substancial da minha vida. Do instante em que Nevermind do Nirvana me foi apresentado, aos 13 anos, até alcançar a vida adulta, meus ouvidos não tiveram sossego. Durmo e acordo ouvindo música. Faço playlists para tudo. Cozinhar, viajar, trabalho, banho. Até sexo – cadê minha discografia do Portishead ou seleção de R&B?

Não importa o gênero: Rock, pop, eletrônica, jazz, funk (carioca), Hip-Hop, sertanejo, metal e estilos tão complexos que convertem até vômito em música. Descobrir novas sonoridades sempre foi uma experiência fascinante. “Música ruim”? Nada melhor do que uma tarde ao som de clássicos dos anos 1980/1990. Contrário ao pensamento de “não se faz mais música como antigamente”, o novo sempre me parece mais atrativo. Preferências existem. Preconceito ou restrições? Jamais.

Ouço entre 10 a 15 álbuns por dia. Nada de pular faixas. Uma lista de clássicos pinçados de diferentes décadas, discos favoritos e uma parcela expressiva de obras recentes, “matéria-prima” para o conteúdo do blog que abasteço (diariamente) desde 2010. Desafio aceito? Aproveitei ao máximo. Uma semana corrida, antecipando textos, especiais, listas e ouvindo tudo aquilo que mais gosto.

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Silêncio.
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1ª Semana

Inicialmente, as regras: toda forma de música estava proibida. Nada de discos, canções avulsas, clipes, shows, artistas de rua e cantorias no trabalho. Vinhetas, comerciais de TV, vídeos no Youtube e podcasts seriam controlados, com trechos musicais adiantados ou silenciados. Episódio musical d’Os Simpsons na FOX? Hora de mudar o canal. Nada de festas, bar com os amigos e propagandas com temas musicais extensos. Para auxiliar na busca pelo silêncio: protetores auriculares moldáveis, de silicone, sempre protegidos por fones de ouvido e abafadores de ruídos. Para me concentrar no trabalho, apenas o barulho de chuva e outros “ruídos” virtuais.

Na primeira semana, uma curiosa sensação de desconforto e, ao mesmo tempo, “alívio” tomou conta da minha mente. Durante a faculdade, desenvolvi o hábito de passar a noite escrevendo. Um ou dois novos discos, produzir um texto de resenhas e notícias para o blog. Com a ausência de música, ocupei o espaço das 18:00 as 22:00 com passeios de bicicleta, caminhadas noturnas e até mesmo zumba pelo XBOX – sem música, claro. Para “distrair” os ouvidos: um acervo de podcasts e horas (sofríveis) pela CBN. Com exceção de novos lançamentos e discos que surgiam para download no feed do Facebook, tudo parecia tranquilo.

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2ª Semana

Depois de uma (extensa) maratona de Adventure Time na Netflix, pizza e cerveja: preguiça. Exercícios físicos se transformaram em receitas de hambúrguer e horas enrolando nhoque caseiro. Queria ouvir música. Perdi a conta de quantas vezes limpei meu quarto, organizando em ordem alfabética (ou cor) cada vinil da minha coleção. Queria ouvir música. Ler em silêncio, sem Sigur Rós, Brian Eno e Miles Davis parecia um inferno. Eu precisava ouvir música.

A cada música compartilhada pelos amigos: tentação. Atualizada diariamente, minha lista de “novos lançamentos” logo foi deletada. Precisei esquecer Stereogum, Rolling Stone, Gorilla Vs. Bear, Pitchfork e qualquer site de música. No Facebook: “unlikes” e “hides”.
Nada que supere o tormento de mais um dia de trabalho.

Ruídos, diálogos, riso, o barulho do teclado, tosses ou os malditos comentários na Globo News: sem música, finalizar uma única frase dentro de qualquer redação é praticamente impossível. A concentração morre em segundos, a cada “você viu este vídeo?“. “Trouxe um chocolate para você“, disse o amigo atencioso, com seu pescoço visível, hipnótico, pronto para o estrangulamento com o cabo de energia do Macbook. Desculpe: eu só queria ouvir música.

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3ª Semana

De maneira involuntária, na terceira semana de experimento assumi uma postura quase “mecânica”, fria, marcada pelo desinteresse. Nada de ouvir podcasts. Abandonei livros. Chega de séries, filmes e programas de TV. No trabalho: produção baixa, textos “quadrados”, previsíveis, produzidos com dificuldade e lentidão. Perdi completamente o interesse pelas pessoas, meu senso de humor – sempre exagerado – e a vontade de fazer qualquer coisa.

O sono aumentou. De fato, passei a dormir de forma excessiva. Ao chegar em casa, por volta das 18:00h, ligava a TV, baixava o volume e apagava. Porém, oposto ao esperado relaxamento, apenas cansaço. Noites cada vez mais longas, ocupadas por sonhos tristes e pesadelos. Ao despertar, nada de Heroes, Don’t Stop Me Now ou Champion. Só o ruído seco e continuo do iPhone vibrando. Levantar da cama, tomar banho e comer ficou difícil. Não sentia vontade de fazer mais nada. Vez ou outra, passava horas ouvindo músicas e até discografias inteiras no iTunes. Sempre em silêncio. Aos poucos, até meu interesse pela música deixou de existir.

Sem perceber, durante o mesmo período de angústia, minha percepção de música começou a mudar. Passei a ouvir com maior atenção, fascinado e atento, isolando cada ruído. Do bip do microondas ao canto do Bem-te-vi na janela, do barulho dos carros ao apito da máquina de lavar, cada fragmento acústico, talvez insignificante, atiçava minha curiosidade e uma constante sensação de acolhimento. Longe de analisar discografias, críticas, textos e livros técnicos, pela “primeira vez”, eu estava ouvindo música. De verdade.

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4ª Semana

Mesmo com uma nova percepção, ainda restava uma semana para o fim do experimento. Deteriorada pela combinação de fones de ouvido, volume alto, tímpano lesionado por cotonetes e a convivência em família italiana, três semanas de quietude foram suficientes para recuperar minha desgastada audição. Ouvidos atentos? Como resistir aos encantos de Tame Impala, Kendrick Lamar, Kanye West e toda a avalanche de músicas e discos inéditos que cobriram o ato final da semana de “isolamento”? Composições ainda quentes, anunciadas com (irritante) entusiasmo pelos amigos no Facebook.

Mais difícil (e cômico) que isso? Apenas o convite para “atacar de DJ” em uma festa na empresa onde trabalho. Com protetores auriculares de silicone, dois em cada ouvido, ocupei possíveis brechas, evitando ao máximo o fluxo de som. Nada além de vibrações e batidas, sem qualquer chance de ouvir melodias. Fiel ao desafio de “um mês sem música”, evitei a interferência do técnico de som, observando apenas a alteração dos gráficos em cada música. Para dificultar, deixei meu Macbook em casa para tocar no notebook do amigo que me convidou para a festa. Número limitado de músicas, Virtual DJ configurado de forma estranha, garrafas de Heineken pela mesa e o mais absoluto silêncio durante 1h10min. Para minha surpresa, possivelmente efeito do álcool, dois amigos próximos afirmavam com convicção: nunca antes eu havia tocado tão bem.

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Fim do silêncio.
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Finalmente livre. Terríveis 30 dias (e noites) em “silêncio”, afastado de tudo aquilo que mais gosto. E agora? Qual disco ouvir? Quieto, distante do vasto acervo do iTunes, observei apenas minha coleção de vinis. Ainda fascinado pelo presente, com uma lista enorme de (novos) registros para ouvir, não pensei duas vezes, partindo em direção ao meu disco favorito:

Depois de passar um mês sem música…

A video posted by Cleber Facchi (@cleberfacchi) on

Conheço todos os versos, a hora exata de cada acorde, batida ou quando entra o coro de vozes em God Only Knows, porém, nunca antes Pet Sounds (1967) me pareceu tão claro, limpo e completamente inédito. A mesma percepção durante o “reencontro” com Kind of Blue, Funeral, Acabou Chorare, Revolver, OK Computer, Fa-Tal – Gal a Todo Vapor, Daydream, Ventura e If You’re Feeling Sinister. Discos que ocuparam meus ouvidos na última década, atentamente dissecados, porém, completamente novos, envolventes, depois de quatro semana em parcial silêncio.

“Sem a música, a vida seria um erro”.

Depois de um mês sem música, evitando todo e qualquer registro melódico – seja ele de voz ou instrumental -, a frase do pensador alemão está longe de ser interpretada apenas como um “clichê funcional”. De fato, soa como um erro grave. Gravíssimo. Sem a música, a vida não seria apenas um erro como defende Nietzsche. Sem música, a vida seria completamente insuportável.

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Texto originalmente publicado no Brasil Post.

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Blur: “Lonesome Street”

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As pistas deixadas pelo Blur em Go Out parecem servir de base para todo o restante do novo trabalho da banda britânica. Assim como no primeiro single de The Magic Whip (2015) – oitavo álbum de estúdio do grupo e primeiro lançamento de inéditas desde o “derradeiro” Think Tank (2003) -, com a inédita Lonesome Street o quarteto londrino encontra no uso das guitarras sujas e pequenos encaixes melódicos a inspiração, reforço e natural movimento para os versos.

Faixa de abertura do novo disco, a recém-lançada composição passeia entre os anos iniciais do Blur, durante a fase Modern Life Is Rubbish (1993), ao mesmo tempo em que encontra um novo condimento na melancolia e tom sujo do clássico 13, lançado em 1999. Difícil não perceber a herança de bandas como The Beatles e outros veteranos da década de 1960 nos instantes finais da canção, principalmente quando vozes em coro, guitarras e arranjos “de cordas” se movimentam de forma coesa.

The Magic Whip (2015) estreia no dia 27 de abril pelo selo Parlophone.

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Blur – Lonesome Street

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Disco: “I Love You, Honeybear”, Father John Misty

Father John Misty
Indie/Folk/Alternative
http://www.fatherjohnmisty.com/

Não existe espaço para o amor no mundo da música. Exagero? Faça o teste: quantos discos clássicos ou álbuns recentes, de nítida exaltação ao amor, você consegue listar? Projetos radiantes, marcados pelo mesmo sentimento de plenitude que domina um indivíduo apaixonado. Pronto. Agora, pense apenas em discos marcados pela dor. Álbuns inspirados pela separação, mágoas e relacionamentos fracassados. Não vá muito longe: apenas discos lançados nos últimos meses, há poucas semanas ou do acervo “proibido” que você visitou há poucas horas. Notou alguma diferença entre as listas?

Contrário ao ensinamento de filmes e séries românticas, em se tratando da música, a dor convence, marca e até “canta” mais alto do que o amor. O que explica essa (sádica) preferência? Um elemento bastante simples: a honestidade. De Adele a Bob Dylan, Sharon Van Etten a Lionel Richie, não existem segredos e relatos intimistas que permaneçam ocultos ao final de um relacionamento. Traições, brigas ou antigos sussurros românticos: tudo acaba exposto.

Joshua Tillman parece entender bem isso. Ao assumir o papel de Father John Misty – “personagem” e projeto autoral criado logo após o rompimento com o Fleet Foxes, onde atuou até o lançamento de Helplessness Blues (2011) -, o músico não poupa na exposição da própria intimidade. Mesmo fazendo uso de um pseudônimo, protegido em manto de sarcasmo, canções sobre sobre sexo, uso de drogas ou relatos de sedução barata refletem apenas a imagem do cantor. Temas retratados com humor e honestidade, componentes também fundamentais para a interpretação de Tillman sobre o amor e a vida conjugal em I Love You, Honeybear (2015, Sub Pop).

Em uma explícita curva conceitual, dentro até da própria carreira, Tillman assina um trabalho muito maior do que a previsível seleção de ” contos” imaginada desde último álbum do músico, o debut Fear Fun (2012). Mesmo sob o título de Father John Misty, cada verso deriva de fragmentos pinçados do cotidiano do cantor. Uma obra ainda irônica e carregada humor – vide o relato em I Went to the Store One Day ou o anti-hino de Bored in the USA -, mas ao mesmo tempo sensível, centrada no convívio, amor e conflitos ao lado da esposa do cantor, a diretora Emma Elizabeth Tillman. Continue reading

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Shamir: “Call It Off”

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O cruzamento (pop) entre diferentes gêneros e tendências musicais parece ser a chave para o trabalho de Shamir. Assim como no trabalho apresentado em 2014 com a pegajosa On The Regular, batidas eletrônicas, flertes com o Hip-Hop e diferentes campos da música pop se encontram de acordo com a voz versátil do artista – ora acomodado em pequenos falsetes, ora concentrado no uso de rimas velozes, sempre dançantes. O mesmo fenômeno se repete com a chegada de Call It Off.

Mergulhada em um oceano de referências Disco, além de flertes com os últimos trabalhos do The Rapture e Scissor Sisters, a inédita criação se concentra no uso de um refrão direto, sintetizadores grudentos e toda uma base ascendente que mantém o ouvinte atento até os últimos segundos da faixa. Assim como no clipe de On The Regular, a relação de Shamir com a imagem se mantém assertiva, princípio para as imagens e até fantoches utilizados pelo diretor Philip Hodges.

A canção é parte do debut Ratchet, previsto para o dia 19 de maio pelo selo XL.

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Shamir – Call It Off

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FKA Twigs: “Glass & Patron”

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Quem teve a oportunidade de acompanhar o trabalho de FKA Twigs nos últimos meses e, principalmente, as apresentações ao vivo da cantora, provavelmente foi surpreendido pela série de coreografias e estranhos passos de dança. São justamente esses passos coreografados e pequenos embates que servem de estímulo para o mais novo lançamento da artista britânica: o clipe de Glass & Patron.

Ainda que tenha sido deixada de fora do último álbum de Twigs, o excelente LP1 – nosso álbum do ano na lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 -, a composição parece seguir a trilha de todos as faixas lançadas nos últimos meses. Com o ritmo ora acelerado, ora brando, a cantora, também responsável pela direção da obra, cria o cenário perfeito para que um parto e pequenos atos dançantes tomem conta das imagens.

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FKA Twigs – Glass & Patron

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Davis: “Repique EP”

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São Paulo vive uma onda forte de produtores de diversos estilos, sempre criativos e abusados, mas devemos destacar o pessoal que vem produzindo sons com batidas 4X4, principalmente a união desses produtores como os coletivos e festas: Brazilian Disco Club, Gop Tun, Selvagem, Dusk entre outros. Mas existe um produtor que vem já algum tempo mostrando faixas energéticas e extravagantes, com um toque próprio dentro da cena, o nome a ser lembrado é Davis Genuino.

Dj e produtor paulistano, Davis é residente na noite Freak Chic do clube D-Edge em São Paulo, do Warung Club em Itajaí e da festa multidisciplinar Laço. Ele também é integrante do projeto The Drone Lovers ao lado de Pedro Zopelar e da vocalista Érica Alves, no qual lançou recentemente um ep pelo selo Ganzá, da plataforma Skol Music, e em breve lançaram seu disco de estreia. Mas em sua carreira solo o cara já lançou muita coisa boa, por diversos selos renomados, agora acaba de lançar seu novo trabalho, trata-se do Repique EP.

O pequeno disco trata de formal natural e hibrida, musicas que passeiam pelo universo da house e disco music. O trabalho tenta transmitir momentos de Introspecção e escapismo, assim como uma excelente energia, conseguindo o resultado no ponto certo. Repique sai as ruas pelo selo paulistano Paunchy Cat Records, contendo quatro faixas que estão disponíveis no soundcloud do selo.

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