Disco: “Na Loucura & Na Lucidez”, Tatá Aeroplano

Tatá Aeroplano
Brazilian/Psychedelic/Indie
https://www.facebook.com/tata.aeroplano

Por: Cleber Facchi

Personagem central da própria obra, Tatá Aeroplano sempre encontrou espaço para detalhar o universo místico/boêmio que o cerca. Seja em fase solo ou dentro do ambiente lisérgico tecido com os parceiros do Cerébro Eletrônico, cada verso composto pelo artista se transforma em um curioso e autoral passeio pela noite paulistana. Fragmentos líricos sempre alimentados por histórias de amor, desencontros, brigas e tramas puramente descritivas. Cenário mais uma vez reproduzido em Na Loucura & Na Lucidez (2014, Independente), novo álbum do cantor.

Distante e ao mesmo próximo dos conceitos levantados no debut solo de 2012, Aeroplano explora com acerto a estranheza dos temas sem necessariamente se esquivar da construção de boas melodias. Da mesma forma que no último registro em estúdio da Cérebro Eletrônico, Vamos Pro Quarto (2013), o pop aparece de maneira remodelada no interior do trabalho, solucionando desde faixas acessíveis ao público médio (Entregue a Dionísio), como músicas nutridas pelo som naturalmente experimento do compositor (Na Lucidez).

De todos as mudanças em relação ao discos passado, o dinamismo em faixas que revelam histórias complexas parece ser o ponto de maior acerto do trabalho. Econômico, Tatá escapa de faixas arrastadas como Par de Tapas que Doeu em Mim, do disco passado, mantendo a atenção do ouvinte em alta durante todo o percurso. Exemplo autêntico desse resultado está na cômica Amiga do Casal de Amigos. Esculpida em arranjos versáteis que se moldam aos atos dos personagens, a faixa cresce ao mesmo tempo em sua história, sem necessariamente perder os versos e bases feitas para encantar o ouvinte. Como explicou em entrevista, Aeroplano finalmente entendeu o próprio método de composição, concentrando todos os elementos de cada faixa em um mesmo espaço criativo.

Observado em comparação, Na Loucura & Na Lucidez talvez seja o registro mais “fácil” de Aeroplano desde a coleção de hits em Pareço Moderno, de 2008. Mesmo nos instantes mais perturbadores do disco, como na inaugural Na Loucura, há sempre um expressivo condimento “pop” que serve de encantamento para as faixas – excêntricas e atrativas na mesma medida. São versos que se repetem, um refrão pegajoso ou solo de guitarra instalado como referência. Âncoras melódicas no turbilhão brega-psicodélico que logo se espalha pelo registro. Continue reading

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Fábrica: “Dois EP”

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Oposto ao pop-rock-Los-Hermanos do álbum de estreia, em Grão (2013) a banda carioca Fábrica conseguiu encontrar um novo e envolvendo posicionamento lírico/musical. Ainda que orientado por arranjos complexos, o trabalho, um dos 50 melhores de 2013, em nenhum momento tende ao exagero dos experimentos, mantendo firme a linha melódica inicialmente proposta por Emygdio Costa, o grande responsável pela banda.

Nada poderia ser mais satisfatório do que perceber em Dois EP (2014) a mesma sonoridade exaltada no trabalho anterior. Colaboração entre Costa e o parceiro de criação/amigo, Cadu Tenório (Ceticências, Sobre a Máquina), o pequeno registro assume em duas faixas toda a maturidade da banda. Abastecido por uma versão tímida de Vambora, da cantora Adriana Calcanhotto, o trabalho chama de fato a atenção pela sutileza de Córrego, uma criação delineada por ruídos e vozes doces, mas que resume de forma aprimorado a atual proposta da banda. Ouça abaixo.

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Fábrica – Dois EP

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Charli XCX: “Break The Rules”

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A boa recepção do clipe/single Fancy, parceria com a rapper Iggy Azalea, bem como a inclusão de Boom Clap na trilha sonora do filma A Culpa É Das Estrelas (2014) aproximaram ainda mais Charli XCX do grande público. Todavia, longe de parecer seduzida pelas fórmulas prontas e artifícios do pop “tradicional”, a artista britânica mantém firme a sonoridade proposta desde os primeiros trabalhos, estrutura que convence em toda a formatação da inédita Break The Rules.

Extensão natural do single Superlove e ainda capaz de refletir os mesmos conceitos lançados em True Romance (2013), a faixa chega para anunciar o novo disco solo da cantora: Sucker (2014). Agendado para o dia 21 de outubro e contando com distribuição pelos selos Neon Gold e Atlantic, Sucker tem tudo para se transformar em mais um dos grandes exemplares da música pop em 2014.

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Charli XCX – Break The Rules

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Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco que chega oficialmente em outubro.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

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Caribou – Our Love

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Peaking Lights: “Breakdown”

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Com 936 (2011) e Lucifer (2012) como obras mais recente, o casal Aaron Coyes e Indra Dunis conquistou um espaço definitivo dentro da recente cena psicodélica que ocupa a costa oeste dos Estados Unidos. Em processo de “refinamento pop” que teve início no trabalho de 2011, a dupla vinda de São Francisco, Califórnia reforça em cada criação uma sonoridade ainda mais acessível e melódico, marca evidente na recém-lançada Breakdown.

Peça mais comercial já apresentada pelo duo, a límpida canção aponta o caminho que será percorrido em Cosmic Logic (2014), novo e ainda inédito trabalho em estúdio da banda. Abastecida por vocalizações sutis e pequenas adaptações do reggae, dub e synthpop, a faixa partilha da mesma atmosfera de músicas como Beautiful Son, porém, dentro de uma estrutura harmônica muito mais acessível e naturalmente voltada ao pop. Lançado pelo selo Weird World, Cosmic Logic chega no dia sete de outubro.

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Peaking Lights – Breakdown

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Interpol: “Ancient Ways”

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O título e o verso central de Ancient Ways não poderiam ser mais claros: “fodam-se os caminhos antigos“. Espécie de “resposta” ao peso da própria obra, ainda hoje sufocada pela herança dos dois primeiros discos da banda – Turn on the Bright Lights (2002) e Antics (2004) -, o mais recente fragmento de El Pintor (2014) resume de maneira o mesmo som raso que o grupo insiste em promover desde o último álbum.

Como se não bastasse a seleção de versos cíclicos e arranjos que tropeçam no mesmo pop-rock do Placebo em Battle For The Sun (!), Ancient Ways ainda replica uma estrutura já utilizada nas faixas mais comercias do trabalho anterior, de 2010 – principalmente Barricade. Previsíveis blocos de guitarras, vozes duplicadas e batidas rápidas que se espalham entre um refrão e outro, como se o grupo buscasse reciclar de forma mecânica a mesma estrutura de Obstacle 1 e demais faixas lançadas há mais de uma década. Paul Banks pode até reclamar, mas por enquanto são estes “antigos caminhos” que realmente importam dentro da obra do Interpol.

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Interpol – Ancient Ways

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Dirty Beaches: “Displaced”

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Em Drifters/Love Is The Devil (2013), Alex Zhang Hungtai mostrou que o som apresentado durante os primeiros singles e registros caseiros poderia ser aprimorado. No decorrer de 16 faixas, o músico taiwanês que vive no Canadá não apenas trouxe de volta o mesmo Rockabilly sujo das canções iniciais, como ainda forçou novos arranjos, experimentos e versos capazes de atingir um público maior.

Para a construção do novo álbum, Stateless (2014), Hungtai mais uma vez reforça o caráter mutável da própria obra. Totalmente instrumental, o disco resume em Displaced boa parte do material que chega apenas no dia quatro de novembro.

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Dirty Beaches – Displaced

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Cozinhando Discografias: The Killers

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Bastou ao The Killers o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Hot Fuss (2004), para que a banda se transformasse em um dos maiores fenômenos da música nos anos 2000. Formado na cidade de Las Vegas, o grupo composto por Brandon Flowers, Dave Keuning, Mark Stoermer e Ronnie Vannucci, Jr. encontrou no passado a base para a própria sonoridade. Inspirado pelo trabalho de bandas como U2, New Order, The Cure e outros gigantes da década de 1980, o quarteto é um dos responsáveis pela volta de um rock dançante e recheado por sintetizadores, premissa para cada um dos discos organizados em nosso especial. Continue reading

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Darkside: “What They Say” e “Gone To Soon”

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Quem já esperava ansiosamente por um novo álbum do Darkside foi surpreendido por uma triste notícia. No Twitter oficial da dupla, Nicolas Jarr e Dave Harrington anunciaram o fim da parceria, encerrando temporariamente qualquer atividade relacionada ao projeto. Com o último show agendado para o dia 14 de setembro no Brooklyn, em Nova York, os produtores se despedem revelando duas canções que acabaram de fora do ótimo Psychic, lançado em 2013.

Naturalmente imersas no mesmo ambiente sombrio do último registro, What They Say e Gone To Soon traduzem boa parte dos conceitos assinados pela dupla em mais de três anos de parcerias. Disponíveis para audição logo abaixo, as duas composições serão lançadas oficialmente como parte da coletânea WORK, do próprio selo de Jaar, o Other People. Além do álbum de 2013 e diferentes remixes, o Darkside acumula ainda um EP homônimo apresentado em 2011 e uma reedição do disco Random Access Memories Memories (2013) do Daft Punk.

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Darkside – What They Say

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Darkside – Gone To Soon

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Pharmakon: “Body Betrays Itself”

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Um ano depois de apresentar Abandon (2013), Margaret Chardiet retorna ao mesmo território sombrio do disco para anunciar um novo trabalho de estúdio do Pharmakon. Intitulado Bestial Burden (2014), o registro conta com lançamento pelo selo Sacred Bones, também responsável pela distribuição do último álbum da artista. Agora acompanha, Chardiet divide a produção do disco com o parceiro de selo Sean Ragon (Cult of Youth), trazendo na inédita Body Betrays Itself um resumo da obra.

Mesmo na linha dos últimos lançamentos da “cantora”, a faixa substitui os atos extensos de outrora e forma a garantir um material enxuto, mas não menos caótico. Cinco minutos de ruídos, batidas tortas e vocais completamente desconstruídos. Com uma imagem de capa perturbadora (acima), Body Betrays chega no dia 14 de outubro.

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Pharmakon – Body Betrays Itself

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