Thunderbitch: “Thunderbitch”

.

Brittany Howard não quer saber de descanso. Meses após o lançamento de Sound & Colour (2015), segundo e mais recente álbum do Alabama Shakes, a cantora, compositora e guitarrista norte-americana decidiu pegar o próprio público de surpresa para apresentar o primeiro álbum em carreira solo. Protegida pelo título de Thunderbitch, Howard parece seguir a trilha iniciada no principal projeto de estúdio, reforçando ainda mais a relação com o rock (clássico) dos anos 1960 e 1970.

São 10 composições inéditas que vão do Country ao Garage Rock em poucos segundos, reforçando a completa versatilidade da artista. Entre os destaques do novo disco, Eastside Party, faixa que deve deixar Jack White morrendo de inveja. As guitarras de Leather Jacket também merecem a atenção, servindo de passagem para todo o restante da obra. Por enquanto, todo o trabalho pode ser apreciado na íntegra no site do projeto. Abaixo, o vídeo de apresentação do Thunderbitch. Assista:

.

Thunderbitch – Thunderbitch

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Disco: “What Went Down”, Foals

Foals
British/Alternative/Rock
http://www.foals.co.uk/

O caminho assumido pelos integrantes do Foals em Total Life Forever (2010) ainda está longe de ser abandonado pelo grupo. Cada vez mais distante do Math Rock incorporado no primeiro álbum de estúdio, Antidotes (2008), casa de músicas como Cassius e Olympic Airways, Yannis Philippakis, vocalista e líder da banda, encontra no peso das guitarras, sintetizadores e vozes carregadas de efeito um novo cenário a ser explorado com o dinâmico What Went Down (2015, Transgressive / Warner Bros.).

Quarto trabalho de inéditas do coletivo de Oxford, o álbum de 10 faixas e quase 50 minutos de duração talvez seja a obra mais coesa comercialmente dentro da curta trajetória do Foals. Na trilha do antecessor Holy Fire, de 2013, Philippakis e os parceiros de banda finalizam um disco marcado pela serenidade e constante explosão. Uma sequência de faixas ora agressivas e dominadas pela crueza das guitarras, ora brandas e musicalmente sombrias, naturalmente íntimas de diferentes referências do pós-punk britânico no começo dos anos 1980.

Logo na abertura do disco, dois golpes certeiros. O primeiro deles, a enérgica faixa-título. Pouco mais de cinco minutos em que vocais, instrumentos e batidas lançadas pela banda parecem crescer de forma descontrolada. A mesma energia expressa pelo grupo durante o lançamento de Inhaler, primeiro single do último disco, porém, em uma execução ainda mais insana. Na sequência, Mountain At My Gates. Típica composições do Foals, a faixa repleta de ondulações e arranjos “suingados” tropeça vez ou outra no clássico Blood Sugar Sex Magik (1991) do Red Hot Chili Peppers, confessa influência do grupo britânico e banda com quem o Foals vem excursionando desde o trabalho passado.

Em Birch Tree, Give It All, Albatross, Snake Oil e Night Swimmers, a clara interferência do produtor James Ford. Mais conhecido pelo trabalho com o Simian Mobile Disco, Ford, músico que já trabalhou com artistas como Florence and the Machine, Arctic Monkeys e Klaxons parece investir no minimalismo das batidas e arranjos eletrônicos, resgatando o mesmo encaixe robótico dos instrumentos e vozes criados por Dave Sitek (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs) no primeiro álbum de estúdio do Foals. A própria  Night Swimmers é uma faixa que já parece ter nascido “remixada” pelo produtor. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Chad Valley: “Seventeen”

.

Chad Valley está de volta. Três anos depois de passear pela década de 1980 cercado de amigos em Young Hunger (2012), trabalho que conta com nomes como Twin Shadow, Glasser e Active Child, o cantor e compositor britânico encontra na recém-lançada Seventeen uma espécie de continuação desse mesmo universo. Instantes de melancolia que refletem a alma amargurada do jovem músico e ainda transportam o ouvinte diretamente para o cenário nostálgico criado por Valley.

Intimista, centrada na história de isolamento do próprio cantor, Seventeen é uma das primeiras faixas de Entirely New Blue (2015), segundo trabalho em estúdio do jovem músico e obra que conta com a produção de Joel Ford (Ford & Lopatin, Young Ejecta), outro músico encantado pela essência musical dos anos 1980. Além da nova composição, o novo álbum de Chad Valley conta com outras oito canções inéditas produzidas pelo músico desde o bem-sucedido registro de 2012.

Entirely New Blue (2015) será lançado no dia 02/10 pelo selo Cascine.

.

Chad Valley – Seventeen

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Siouxsie Sioux & Brian Reitzell: “Love Crime”

.

Oito anos se passaram desde que Siouxsie Sioux entregou ao público o primeiro álbum em carreira solo, o ótimo Mantaray (2007). Passado o lançamento de um clipe e outro eventualmente, poucas novidades foram apresentadas pela britânica. Até agora. Convidada a produzir a canção de encerramento da série Hannibal (2013-2015), Sioux e o compositor do seriado, Brian Reitzell, revelam ao público a melancólica Love Crime, uma típica criação da cantora na boa fase do Siouxsie and the Banshees.

Naturalmente sombria, a faixa dominada por batidas lentas e arranjos atmosféricos cria diferentes espaços para que a voz da cantora cresça. “Eu vou sobreviver, viver e prosperar / Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”, entrega a Sioux nos instantes finais da composição em um misto de amargura e libertação. O convite para a participação da artista britânica partiu do próprio Reitzell, um confesso apaixonado pela obra de Sioux há tempos, como informou o produtor da série Bryan Fuller ao TV Guide. Ouça:

.

Siouxsie Sioux & Brian Reitzell – Love Crime

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Empress Of: “Hot N Cold” (Katy Perry Cover)

.

Desde que passou a divulgar o aguardado Me (2015), primeiro álbum de estúdio como Empress Of, Lorely Rodriguez, responsável pelo projeto, tem demonstrado um interesse muito maior pela música pop. O que ninguém esperava era ver a cantora nova-iorquina reinterpretando a pegajosa Hot N Cold. Uma das composições mais populares do segundo registro de inédita de Katy Perry, One of the Boys (2008), a canção passa por uma adaptação levemente contida na voz de Rodriguez.

No lugar da sequência de batidas e sintetizadores eufóricos, uma boa dose de timidez. Difícil não lembrar de Kitty Kat, faixa apresentada por Empress Of há poucas semanas e a provável base da agradável adaptação do trabalho de Perry. A composição foi regravada por conta de um convite da Rookie Magazine, também responsáveis por convidar outros artistas como Perfect Pussy, Sadie Dupuis (Speedy Ortiz) e Ex Hex a brincar em estúdio.

.

Empress Of – Hot N Cold

.

Katy Perry – Hot N Cold

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Mac DeMarco é atração da segunda edição do Balaclava Fest

000000macmiojo

Fenômeno recente da música alternativa, o canadense Mac DeMarco volta ao Brasil para promover seu mini-álbum “Another One”, lançado mundialmente em 7 de agosto. A primeira data confirmada da turnê é 21 de novembro em São Paulo, onde será atração principal do Balaclava Fest #2, na Audio Club. O evento contará ainda com shows das bandas Mahmed e Terno Rei, além de live sets de Séculos Apaixonados, Jovem Palerosi e Nuven. O primeiro lote de ingressos já está a venda no site Ticket 360 e na bilheteria da casa de show. O festival tem patrocínio da Jack Daniel’s e a produção fica por conta mais uma vez da dobradinha Brain Productions e Balaclava Records, selo paulistano que assina o festival com artistas de seu casting e expoentes da cena contemporânea.

Em “Another One”, DeMarco manteve sua tradição de gravar todos os instrumentos e produzir o material sozinho, durante um breve intervalo entre suas incansáveis turnês. Seu estudio é a sala de sua própria casa em Nova Iorque, onde se mudou recentemente para frente de um lago numa afastada região no Brooklyn. Com este isolamento, Mac explorou o uso de teclados e sintetizadores em suas composições, com baladas de amor sobre temas como amor não correspondido ou o rompimento de uma relação.

Desde sua primeira passagem pelo país em março de 2014 – com shows esgotados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre – Mac lançou o aclamado álbum “Salad Days” e então sua fama e público só cresceram exponencialmente ao redor do mundo. O músico ganhou posição de destaque na programação dos principais festivais, constante destaque na imprensa especializada e uma agenda de shows impressionante para um rapaz de apenas 25 anos e quatro discos bem sucedidos.

Serviço:

Jack Daniel’s apresenta Balaclava Fest #2 com Mac DeMarco
Abertura: Terno Rei e Mahmed
live sets: Séculos Apaixonados, Jovem Palerosi e Nuven
21 de novembro – sábado
abertura da casa: 22 horas / shows: a partir das 23 hs
primeiro lote: R$ 80 (meia-entrada) e R$ 160 (inteira)
ponto de venda físico: bilheteria da Audio Club
vendas online:
www.audiosp.com.br
www.ticket360.com.br
Audio Club
Av. Francisco Matarazzo, 694 – Barra Funda

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Disco: “Poison Season”, Destroyer

Destroyer
Canadian/Indie Rock/Alternative
https://www.facebook.com/pages/Destroyer

Poison Season é um verdadeiro espetáculo. Atos marcados, instantes de euforia, recolhimento e explosão. Quatro anos após o lançamento do jazzístico Kaputt (2011), obra que apresentou o trabalho de Dan Bejar a uma nova parcela de ouvintes, o artista canadense encontra no décimo registro de inéditas do Destroyer um espaço para explorar conceitos adormecidos desde a estreia com We’ll Build Them a Golden Bridge, em 1996. Um acervo de faixas marcadas por referências literárias, personagens históricas e sentimentos que abraçam a mesma sonoridade arrojada e interpretação cênica dos últimos trabalhos do grupo.

Questionado sobre a estrutura e conceito que rege o novo álbum, Bejar respondeu ao The New York Times: “Eu passei a ouvir mais discos de jazz“. De fato, o Jazz ecoa em todas as canções do novo disco. Do time de instrumentistas que acompanham o cantor – Ted Bois (piano), Nicolas Bragg (guitarra), David Carswell, (guitarra), JP Carter (trompete), John Collins (baixo), Joseph Shabason (saxofone) e Josh Wells (bateria) -, o uso de arranjos sofisticados e faixas que se completam, Bejar passeia pelo disco como um verdadeiro crooner, resgatando a essência de nomes como Frank Sinatra – personagem reverenciado pelo artista em diversas entrevistas recentes.

Como explícito durante toda a construção do disco, Sinatra está longe de parecer a única referência de Poison Season. Dos musicais da Broadway – como Oliver – aos trabalhos da brasileira Clarice Lispector, de clássicos do Cinema Noir ao diálogo com a música dos anos 1970, Bejar e os parceiros de banda conseguiram criar um verdadeiro mosaico de temas e essências musicais sem necessariamente perder a própria identidade musical. Uma obra que mantém a mesma graciosidade explorada pela banda em Kaputt e, ao mesmo tempo, resgata uma série de elementos lançados no enérgico Destroyer’s Rubies, de 2006.

O que mais surpreende nisso tudo? A capacidade de Bejar em costurar todos esses elementos e ainda se manter íntimo da música pop. Dream Lover, Girl In a Sling, Midnight Meet The Rain e Times Square, poucas vezes antes o Destroyer presenteou o público com um catálogo de faixas tão acessíveis quanto em Poison Season. Mesmo nos instantes mais complexos e naturalmente intimistas da obra, caso da climática Archer On The Beach ou Bangkok, faixa que parece extraída de algum filme de investigação policial dos anos 1960, Bejar encaixa uma série de versos e arranjos capazes de fisgar o ouvinte. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Justin Bieber: “What Do You Mean?”

.

Se a última coisa que você ouviu de Justin Bieber foi o hit-chiclete Baby, talvez seja a hora de mudar suas impressões sobre o cantor canadense. Passada a overdose pop de obras como My World 2.0 (2010), Under the Mistletoe (2011) e Believe (2012), Bieber parece seguir a trilha assumida em Journals, obra entregue ao público em 2014 e uma coletânea de boas parcerias com R. Kelly, Lil Wayne, Big Sean, Future e Chance The Rapper – esse último responsável pela ótima Confident. Com a chegada de What Do You Mean?, novo single do cantor, uma nítida continuação desse mesmo material.

Com produção assinada por Skrillex, a nova faixa parece abraçar o mesmo som melancólico (e ainda dançante) testado por Bieber e o produtor em Where Are Ü Now, uma das melhores faixas do Jack Ü – projeto também comandado pelo veterano Diplo. Íntima da nova fase do R&B norte-americano/britânico, a canção recheada por sintetizadores e batidas rápidas cerca o ouvinte lentamente, espalhando a voz entristecida de Bieber, tão próximo do trabalho de artistas atuis como Frank Ocean e The Weeknd, quanto ainda íntimo da transformação assumida por Justin Timberlake há mais de uma década em Justified (2002).

.

Justin Bieber – What Do You Mean?

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Baroness: “Chlorine & Wine”

.

Em 2012, com o lançamento do duplo Yellow & Green, os integrantes do Baroness deram inicio a uma nova fase dentro da curta discografia da banda. Longe do Sludge Rock explorado nos primeiros trabalhos em estúdio – Red Album (2007) e Blue Album (2009) -, John Baizley e os parceiros de banda passaram a se concentrar muito mais na formação de texturas instrumentais e vozes melódicas, abraçando com naturalidade conceitos do rock progressivo dos anos 1970 e experimentos típicos do pós-rock apresentado no começo dos anos 1990.

A julgar pela sonoridade apresentada pelo grupo dentro da inédita Chlorine & Wine, esse mesmo conceito ainda se mantém. Primeira composição do inédito Purple (2015), quarto (ou quinto?) trabalho de estúdio da banda de Savannah, Georgia, a nova faixa não apenas abraça o mesmo som testado há três anos, como ainda revela o interessa da banda em produzir um som cada vez mais “sereno”. De fato, mais da metade da faixa é dominada por arranjos climáticos, deixando para os instantes finais a interferência das vozes e guitarras crescentes, densas, ainda que tímidas perto dos primeiros registros do grupo.

Purple (2015) será lançado no dia 18/12 pelo selo Abraxan Hymns.

.

Barness – Chlorine & Wine

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Percussions: “Digital Arpeggios”

.

Mais conhecido pelo trabalho à frente do Four Tet, de tempos em tempos, Kieran Hebden presenteia o público com alguma canção inédita sob o nome de Percussions. Ainda que exista uma semelhança com os demais trabalhos e composições assinadas pelo artista britânico, são as colagens ambientais, uso restrito de vozes e sintetizadores que orientam o trabalho do produtor dentro do projeto paralelo, há poucos meses oficialmente apresentado com a coletânea 2011 Until 2014.

Em Digital Arpeggios, uma natural continuação desse mesmo universo de texturas minimalistas. Dividida em dois atos distintos, a canção de quase 10 minutos revela nos instantes iniciais o completo interesse de Hebden pela obra de veteranos como Brian Eno, Kraftwerk e outros nomes de peso da Ambient Music. No restante da faixa, batidas e sintetizadores que se encaixam como um típico exemplar do som produzido pelo artista no Four Tet.

.

Percussions – Digital Arpeggios

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,