Artista: Figueroas
Gênero: Eletrônica, Lambada, Pop
Acesse: https://www.facebook.com/figueroaslambadaquente/

 

Não poderia existir melhor época para o lançamento de Swing Veneno (2017, Deck Disc / Läjä Records). Segundo registro de inéditas do Figueroas, projeto comandado pela dupla alagoana Givly Simons (vocal) e Dinho Zampier (órgão, sintetizador), o trabalho de dez faixas funciona como um curioso rito de passagem para a chegada do Carnaval. Uma solução de versos, batidas e melodias quentes, sempre provocantes, ponto de partida para cada uma das canções dissolvidas no interior da obra.

Tal qual o caloroso registro entregue em 2015, Lambada Quente, o novo álbum se espalha em meio a sintetizadores, versos marcados pela comicidade e batidas que nascem como um convite à dança. Uma mistura de ritmos que joga com o som e a essência do carimbó, se espalhando em meio a flertes com a música eletrônica, pop, cúmbia, brega e todo um universo de referências extraídas de diferentes épocas e tendências da música popular brasileira.

Completo com a presença dos músicos Rafa Moraes (guitarra e baixo), Raphael Coelho (percussão), Natan Oliveira (metais) e Dieguito Rocha (bateria), Swing Veneno ainda conta com um toque especial de dois convidados. É o caso do veterano Manoel Cordeiro, músico responsável pelo som colorido que escapa das guitarras e violões em quatro composições do disco, além, claro, do ator Chay Suede, a voz pontual em duas vinhetas produzidas para o álbum.

Inaugurado pelo romantismo torto do Boneca Selvagem (“Boneca selvagem / Seu beijo me acelera”), o trabalho convence logo nos primeiros minutos. Difícil escapar da sequência de versos cíclicos e batidas que invadem na cabeça do ouvinte. Mesmo o clássico Não Há Dinheiro Que Pague, música eternizada por Roberto Carlos na década de 1960, se transforma em um arrasta-pé caloroso e sedutor, efeito da simplicidade como os elementos — sonoros e poéticos — ocupam a canção.

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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Phil Elverum já havia emocionado o público durante o lançamento de Real Death, há poucas semanas, sensação que volta a se repetir logo nos primeiros segundos de Ravens. Parte do novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano, A Crow Looked At Me (2017), a canção mergulha ainda mais fundo no universo de memórias e referências tétricas em torno da recente morte da artista Geneviève Castrée, esposa do cantor.

Assim como no single anterior, a nova faixa mergulha no isolamento e pequenas tentativas de Elverum em se adaptar à ausência de Castrée. Uma seleção de versos essencialmente descritivos, quase documentais, como se o ouvinte seguisse o personagem (real) do cantor por diferentes cenários. Com quase sete minutos de duração, Ravens chega acompanhada de um registro caseiro de diferentes imagens gravadas por Elvrum ao lado de Castrée.

A Crow Looked At Me (2017) será lançado no dia 24/03 via P.W. Elverum & Sun.

Mount Eerie – Ravens

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Dono de um imenso catálogo de singles, remixes, mixtapes e ótimos EPs, o produtor canadense Jacques Greene anuncia para o começo de março a chegada do primeiro álbum da carreira. Intitulado Feel Infinite (2017), o registro deve manter a mesma essência dançante incorporada pelo artista no lançamento de You Can’t Deny, música apresentada em agosto do último ano e uma das 11 composições que abastecem o aguardado registro.

Semanas após o lançamento de Real Time, música que dialoga com todo o universo da cena eletrônica no começo dos anos 1990, Greene está de volta com uma nova composição. Em To Say, o destaque são os sintetizadores vintage que o produtor detalha ao fundo da canção, estabelecendo um pequeno embate entre as melodias eletrônicas e o vocal sampleado que salta logo nos primeiros minutos da faixa, conceito bastante similar ao trabalho de Jamie XX em In Colour (2015).

Feel Infinite (2017) será lançado no dia 10/03 via LuckyMe.

 



Jacques Greene – To Say

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Durante o lançamento de Sorrow – A Reimagining of Gorecki’s 3rd Symphony, em 2016, Colin Stetson assumiu parte expressiva de suas principais influências reinterpretando trechos da obra do compositor polonês Henryk Górecki. O resultado está na construção de um trabalho essencialmente complexo, íntimo da obra do saxofonista norte-americano, porém, completo pelo rico pano de fundo do registro. Em All This I Do For Glory (2017), Stetson parece repetir parcialmente o mesmo conceito.

Primeiro registro de inéditas do músico desde o sombrio New History Warfare Vol. 3: To See More Light, de 2013, o álbum previsto para dezembro encontra na obra de artistas como Aphex Twin e Autechre parte da inspiração de Stetson. São seis composições em que o ouvinte deve ser confrontado pelo jazz sujo do compositor, proposta que se reflete durante toda a execução de Spindrift, primeiro single do novo álbum. A canção chega acompanhada de um estranho clipe produzido pelo próprio saxofonista.

 

All This I Do For Glory

01 All This I Do For Glory
02 Like Wolves On The Fold
03 Between Water And Wind
04 Spindrift
05 In The Clinches
06 The Lure Of The Mine

All This I Do For Glory (2017) será lançado no dia 28/04 via 52Hz / Kartel Music Group.

 


Colin Stetson – Spindrift

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Mais conhecido pelo trabalho como Lee Bannon, Fred Warmsley decidiu dar vida a um novo projeto em meados do último ano. Sob o título de Dedekind Cut, o produtor responsável pelo som de artistas como Pro Era e Joey Bada$$ deu vida ao atmosférico $uccessor (ded004) – 49º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos de 2016. Um jogo de melodias, samples e ruídos controlados que volta a se repetir dentro do novo single do artista: Lil Puffy Coat.

Livre do conceito “etéreo” explorado no último disco, a faixa de quase cinco minutos parece feita para bagunçar a cabeça do ouvinte. São bases densas, captações sujas e sintetizadores marcados que transportam o ouvinte para dentro de um território ritmado, quase dançante. Uma espécie de remix anárquico dos últimos trabalhos de Oneohtrix Point Never e Tim Hecker, artistas que partilham dos mesmos conceitos de Warmsley.

 

Dedekind Cut – Lil Puffy Coat

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Artista: Kiko Dinucci
Gênero: Rock, Alternativo, Experimental
Acesse: http://kikodinucci.com.br/

 

“Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível”, escreveu Kiko Dinucci no texto de lançamento de Cortes Curtos (2017, Independente). Produzido em um intervalo de apenas quatro dias, em setembro do último ano, o primeiro registro em carreira solo do cantor e compositor paulistano cresce como um imenso bloco de ruídos, gritos, histórias e personagens. Uma versão caótica, naturalmente punk, do mesmo universo conceitual que Dinucci vem desbravando em projetos como Metá Metá e demais registros colaborativos na última década.

Pensado sob a ótica de uma película cinematográfica, Cortes Curtos se revela como uma verdadeira coleção de imagens sonoras. Fragmentos visuais, narrativos e acústicos que observam diferentes aspectos da cidade de São Paulo, seus habitantes e toda uma sequência de acontecimentos mundanos. Personagens como a musa romantizada em A Morena do Facebook (“Ela é mais bonita que a foto do perfil / Enquanto se aproxima / Com seu andar macio”), ou mesmo o conflito preconceituoso que explode na descritiva Uma Hora da Manhã (“O que você tá falando de nordestino? / Sou nordestina sim, com muito orgulho”).

“Eu fui criando as canções nessa São Paulo horrorosa, racista, reacionária, opressora, que faz as pessoas adoecerem e se deprimirem”, explicou Dinucci em entrevista à Noisey. De fato, quanto mais o trabalho avança, mais ou ouvinte é arrastado para dentro desse ambiente tomado pela desesperança e sorrisos curtos, quase inexistentes. Um cenário dominado pela atmosfera cinza dos prédios e a permanente relação de proximidade com a morte, proposta escancarada nos versos suicidas de Vazio da Morte — “Matias queria se jogar / Do alto do prédio do Banespa”.

Tamanha angústia acaba se refletindo na composição dos arranjos e curvas rítmicas que movimentam o trabalho. Parcialmente distante do samba sujo incorporado pelo Metá Metá, Elza Soares e outros projetos que contam com o pulso firme de Dinucci, Cortes Curtos estreita de forma explícita o diálogo do músico com o rock e suas variações. Logo na abertura do disco, em No Escuro, uma avalanche de sons distorcidos, batidas e vozes violentas, estímulo para toda a sequência de faixas que se espalham no decorrer da obra, entre elas, a insana Desmonto Sua CabeçaCrack Para Ninar.

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Dias após o lançamento do vídeo intimista de Eu Te Odeio, os integrantes do Carne Doce estão de volta com um novo clipe. A música escolhida foi Falo, uma das composições que abastecem o elogiado Princesa – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. Marcada pela temática feminista, a canção de versos fortes trasporta o mesmo conceito para as imagens do trabalho. “Falo é sobre uma indignação legítima, um acúmulo de pequenas injustiças cotidianas”, explicou Salma Jô, vocalista e co-autora do roteiro.

Com produção assinada pela Muto e direção de Bruno Alves, também responsável pelo provocativo vídeo de Artemísia, trabalho lançado pela banda no último ano e um dos Melhores Clipes de 2016, Falo ressalta a força do coletivo. “Conseguimos, de certa forma, aprofundar num universo em que meninas, unidas, são a manifestação do pior medo que um homem poderia ter”, explicou o diretor do trabalho. Marcado pelo peso das imagens, o vídeo foi gravado em outubro do último ano na Fazenda Santa Esther, em Amparo, interior de São Paulo.

 

Carne Doce – Falo

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Stephen Bruner precisou apenas da inédita Show You The Way, uma parceria com os cantores Michael McDonald e Kenny Loggins, dois ícones do Soft Rock da década de 1970, para resumir o som produzido em Drunk (2017). Terceiro e mais recente álbum do músico norte-americano, o sucessor do mini-disco The Beyond / Where the Giants Roam, de 2015, indica a busca do músico por um som claramente ancorado no soul-funk-R&B dos anos 1960/1970, base de toda a discografia do Thundercat.

Em Friend Zone, novo lançamento do músico, um som marcado pela riqueza dos detalhes e versos “cômicos”. São melodias, batidas e vozes que parecem saídas de algum clássico da música dance. Uma avalanche de sintetizadores que serve de base para a curiosa letra da canção, do primeiro ao último instante marcada por um relacionamento fracassado e referências ao universo dos video games – como Diablo e Mortal Kombat.

Drunk (2017) será lançado no dia 24/02 via Brainfeeder.

 

Thundercat – Friend Zone

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Cada novo clipe de Sevdaliza se transforma em um objeto de destaque. Foi assim com o provocante vídeo de Human – um dos Melhores Clipes de 2016 –, That Other Girl e qualquer outro registro produzido pela artista iraniana/alemã. Em Amandine Insensible, mais recente criação da cantora e produtora, um novo e delicado exercício criativo. Flutuando em um fundo branco, a artista se transforma nas diferentes mulheres ao redor do globo.

São executivas, modelos, atendentes de telemarketing, sedutoras ou apenas interessadas em malhar o próprio corpo. Personagens reais, retratadas em diversos bancos de imagens, mas que surgem à medida que Sevdaliza amplia o discurso da canção, detalhando o cotidiano de diferentes personagens diariamente subjugadas em uma sociedade machista. A canção faz parte do aguardado ISON (2017), primeiro álbum de estúdio da cantora.

 

Sevdaliza – Amandine Insensible

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