Disco: “Brill Bruisers”, The New Pornographers

The New Pornographers
Indie Rock/Alternative/Power Pop
http://www.thenewpornographers.com/

Por: Cleber Facchi

Quando você acompanha uma banda responsável por produzir grandes registros em estúdio durante tanto tempo, é mais do que natural se perguntar: “quando é que eles vão errar?”. No caso do The New Pornographers, um coletivo que acumula pelo menos três grandes clássicos do rock independente – Mass Romantic (2000), Electric Version (2003) e Twin Cinema (2005) -, mais de uma década de carreira e um time imenso de colaboradores, o peso e a expectativa de “falha” parece ser ainda maior.

Em Brill Bruisers (2014, Matador / Last Gang), sexto álbum do grupo canadense, o erro não apenas passa longe de arranhar a mente do ouvinte, como o grupo ainda reforça o quanto se mantém em boa forma. Tão enérgico e abastecido de hits quanto qualquer trabalho lançado nos primeiros anos do coletivo, o sucessor do já distante Together (2010) é uma obra desenvolvida para grudar nos ouvidos. Inaugurado pela coleção de vozes em coros e guitarras coloridas da própria faixa-título, cada faixa soa como um refúgio divertido em meio a avalanche de obras também significativas, porém sérias, lançadas por cada integrante nos últimos anos.

Longe da ambientação country-melancólica explorada por Neko Case há poucos meses – em The Worse Things… (2013) -, ou mesmo das melodias lançadas por A.C. Newman em Shut Down The Streets (2012), Brill Bruisers é um registro que funciona dentro de um ambiente particular, típico das festivas/melódicas criações do The New Pornographers. Mesmo nos instantes mais “comportados” do trabalho, representado por War on the East Coast e Spidyr, ambas de Daniel Bejar, nada parece refletir a mesma atmosfera intimista de Kaputt (2011), último trabalho do músico à frente do Destroyer, sua outra banda.

Como a capa colorida bem resume, o sexto álbum do TNP é uma obra pop e sorridente mesmo nos versos mais sérios que ela possa proclamar - como em You Tell Me Where. A julgar pelo uso das harmonias de vozes e guitarras sempre dinâmicas, “radiante” é uma palavra que bem resume a atmosfera construída para o disco. De fato, faixa, após faixa, a coleção de vozes e temas joviais espalhados pelo trabalho resumem bem essa percepção. Continue reading

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Zola Jesus: “Dangerous Days”

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Nika Danilova fez dos dois primeiros álbuns à frente do Zola Jesus – The Spoils (2009) e Stridullum II (2010) – uma interpretação particular da música (gótica) dos anos 1980. Sintetizadores e batidas lentas, adaptações da obra de Kate Bush e uma série de referências nostálgicas encaradas com amargura. Colagens que encontraram em Conatus (2011) um ponto tímido de transformação, mas que deve ser melhor resolvido com a chegada de Taiga (2014), quarto álbum de inéditas da cantora norte-americana.

Com previsão de estreia para o dia sete de outubro pelo selo Mute, o álbum encontra na recém-lançada Dangerous Days uma espécie de anúncio do ambiente que deve orientar a presente fase da artista. Com um pé na eletrônica dos anos 1990 (principalmente em se tratando da cena Industrial), a nova faixa é ao mesmo tempo uma extensão e um ponto de ruptura dentro da carreira de Danilova. Um misto de The Knife, Robyn e M83 que não exclui o estranho brilho pop da composição – compatível com a voz firme da artista.

Abaixo, o clipe da canção. Para saber mais sobre Zola Jesus preparamos um especial na seção Aperitivo.

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Zola Jesus – Dangerous Days

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TOPS: “Picture You Staring”

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Doce e simples. Não há definição mais honesta ao trabalho da banda canadense TOPs do que esta. Dois anos depois de ser apresentada ao público pelo disco Tender Opposites (2012), nada mais encantador do que perceber em Picture You Staring (2014), segundo registro da carreira do grupo de Montreal a mesma postura e sonoridade. Doze composições detalhadas por vozes e arranjos sempre econômicos, mas que em nenhum momento ocultam a grandeza evidente na obra do coletivo.

Também lançado pelo selo Arbutus Records – casa de Sean Nicholas Savage, Braids e outros projetos queridos aqui no Miojo Indie -, o novo álbum mantém firma a relação com a década de 1980 sem necessariamente parecer um registro datado. Referências que vão do Soft Rock ao Indie Pop canadense em meio a faixas já conhecidas, como Way to be Loved, e todo um pequeno arsenal de músicas inéditas.

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TOPS – Picture You Staring

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SOHN: “The Chase”

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Ainda que Tremors (2014) não tenha superado toda a expectativa gerada com os primeiros singles de Christopher Taylor, não há como negar que o registro conseguiu representar de forma assertiva toda a sonoridade lançada pelo produtor. Registro de estreia do SOHN, o álbum é uma seleção de temas melancólicos, confessionais e abastecidos pela letargia do R&B. Preferência registrada não apenas no interior do trabalho, mas em composições que (infelizemente) acabaram de fora dele.

É o caso de The Chase, delicada tradução da presente fase do produtor austríaco/britânico, mas que foi riscada da seleção oficial da obra. Muito mais “comercial” que grande parte das faixas lançadas no registro, a inédita criação soa como um misto de How To Dress Well e Frank Ocean, referências aproximadas na trama eletrônica lentamente conduzida pelo artista.

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SOHN – The Chase

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Broken Bells: “Control”

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Referências aos anos 1970, nostalgia e uma forte comunicação com os temas “cósmicos”. Esta parece ser a premissa para o desenvolvimento de After The Disco (2014), mais recente disco do Broken Bells. Segundo registro da parceria entre James Mercer (The Shines) e Brian Burton (Danger Mouse), o álbum é uma previsível coleção de temas, melodias e vocalizações típicas da obra prévia de cada músico, posição comprovada no verso fácil e instrumental cativa que recheia Control.

Nova canção de trabalho/clipe da banda, a faixa de quase quatro minutos exprime todo o manuseio pop da dupla. Enquanto Mercer explora os próprios vocais de forma a aterrissar no último álbum do The Shins, Burton resgata as mesmas melodias estadas nos últimos discos em que atou como produtor – principalmente ao lado do Portugal. The Men. Para o clipe da canção, objetos voadores não identificados, o cosmo e elementos visuais do primeiro disco servem de estímulo para as imagens.

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Broken Bells – Control

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Disco: “Foundations of Burden”, Pallbearer

Pallbearer
Metal/Doom Metal/Progressive
http://pallbearerdoom.com/

Por: Cleber Facchi

Em julho, quando entrevistado para a seção Show No Mercy, o baixista Joseph D. Rowland resumiu as extensas faixas de Foundations of Burden como uma interpretação do próprio Pallbearer sobre o pop tradicional. Composições de dez minutos – três vezes a duração de uma música comercial -, ou como ele próprio resumiu em tom jocoso: “a nossa maneira de escrever canções pop”.

Por mais sarcástica que seja a resposta de Rowland, ao finalizar a audição do segundo álbum do quarteto de Little Rock, Arkansas, é justamente essa sonoridade “pop”, tão ironizada pelo instrumentista, que se permanece em eco na cabeça ouvinte. Acessível quando comparado ao som de outros representantes do Doom Metal – antigos ou atuais -, o disco é mais do que uma extensão do material lançado em Sorrow and Extinction, de 2012, mas uma versão refinada e melódica de toda a essência do grupo.

Porção menor dentro de todo esse resultado, é justamente a delicada Ashes a faixa que resume toda a postura da banda com o presente discos. Letra melancólica preenchida por harmonias sutis, arranjos limpos, bateria isolada e confissão. Diferente de outras obras do gênero, sempre atentas à desconstrução das vozes (guturais) e bases (caóticas), há na estrutura que preenche todo o registro uma postura de excelência, como se cada ato, verso ou mínima fração instrumental da obra fosse saboreada pelo grupo.

Naturalmente detalhista, o álbum incorpora a mesma estrutura densa lançada no disco de 2012. De forma a ocupar todos os espaços da obra, as guitarristas Brett Campbell e Devin Holt tecem extensas bases atmosféricas e texturas tomadas pela lisergia – conceito evidente nas melodias arrastadas de Foundations. A diferença em relação ao disco passado está na sutileza dos temas instrumentais, condição expressa nos solos melódicos de cada música (vide Watcher In The Dark), como na voz doce de Campbell, acolhedor não apenas na efemeridade de Ashes, mas em toda a porção descomunal do trabalho. Continue reading

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Christopher Owens: “Never Wanna See That Look Again”

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Como Nothing More Than Everything To Me já havia comprovado há poucas semanas, Christopher Owens finalmente parece ter “se encontrado” desde o encerramento das atividades do Girls, sua antiga banda. Livre da sonoridade bucólica/tímida anunciada no primeiro registro solo – Lysandre (2013) -, o cantor e compositor norte-americano estreita novamente a relação com as guitarras, melodias pegajosas e versos carregados pelo romantismo exagerado que somente ele parece controlar, premissa para a recém-lançada Never Wanna See That Look Again.

Mais novo exemplar do ainda inédito A New Testament, a presente composição arrasta o ouvinte por efêmeros dois minutos de puro acerto e brilho pop. Na trilha das canções mais descompromissadas do clássico Album, de 2009, a faixa é a pista que faltava para que o cantor aumentar a expectativa e preparar de vez o terreno para o disco – previsto para o dia 30 de setembro. Acima, a capa do trabalho.

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Christopher Owens – Never Wanna See That Look Again

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Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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Grimes: “Go” (ft. Blood Diamonds)

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Se um dia Grimes oferecer uma música para você, não pense duas vezes: aceite. Originalmente composta para a cantora Rihanna, Go aparece agora dentro dos limites excêntricos e do estranho fascínio pop da artista canadense. Desenvolvida ao lado do conterrâneo e parceiro de longa data, Mike Tucker, o homem responsável pelo Blood Diamonds, a recém-lançada criação é ao mesmo tempo uma continuação do trabalho da artista em Visions, de 2012, e uma completa desarticulação de tudo o que Claire Boucher apresentou até agora.

Passagem para o novo registro solo da artista – previsto para estrear o segundo semestre -, Go é mais um exemplar assertivo da capacidade de Grimes em brincar com todos os clichês do Pop convencional. Na trilha da também excelente Chandelier, mais recente single da australiana Sia, a canção cresce segura, como um misto de R&B, Brostep – vai dizer que você não lembrou de Skrillex? – e toda a emanação etérea que acompanha a norte-americana desde que ela foi oficialmente apresentada em Geidi Primes (2010). A arte que acompanha o single é da própria Grimes.

Abaixo, o clipe da canção, trabalho dirigido por Claire e Mac Boucher.

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Grimes – Go (ft. Blood Diamonds)

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Lowell: “LGBT”

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Desde que comentei pela primeira vez sobre o trabalho de Lowell no começo de junho, durante a divulgação do single 88, que as melodias lançadas pela artista canadense parecem ter amadurecido ainda mais. O que antes era encarado em um esforço cíclico e aprazíveis melodias pop, agora evolui a cada nova curva ou refrão pegajoso, postura ressaltada na temática séria (e ainda doce) da nova música da cantora: LGBT.

Ainda que o título da faixa seja encarado como uma criação destinado ao público homossexual, bastam os versos iniciais e o ritmo ascendente para perceber a grandeza da música. Em poucos versos Lowell fala sobre amor, respeito, inclusão e igualdade ao mesmo tempo em que cria morada nos ouvidos do espectador. Ruídos, vozes em coro e a versatilidade da artista em brincar com o pop. Como grande parte das músicas lançadas pela artista nos últimos meses, LGBT é parte do inédito We Loved Her Dearly, estreia da canadense e obra prevista para ser lançada no dia 16 de setembro.

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Lowell – LGBT

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