Peaking Lights: “Everyone And Us”

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A explícita relação da dupla Peaking Lights com o Pop em Breakdown, primeiro single de Cosmic Logic (2014), parece reforçada com o lançamento de Everyone And Us. Detalhada pelo mesmo conjunto de ideias da antecessora, a faixa inicia em meio a batuques controlados, abre espaço para a voz parcialmente límpida de Indra Dunis e logo desagua em um oceano de cores e sintetizadores tão próximos do último álbum da dupla, Lucifer (2012), como de toda a carga de referências dos anos 1980.

Ora esbarrando na fase “World Music” do Talking Heads, ora encarada como uma versão limpa dos sons anunciados em 936 (2011), o novo single, junto de Breakdown, talvez seja o invento comercialmente mais acessível e melódico já assinado por Aaron Coyes; um resumo de tudo o que abastece o restante do trabalho.

Depois do clima nonsense explorado no primeiro clipe do Cosmic Logic, cores, recortes e uma dose leve de psicodelia orientam o trabalho do diretor Robbie Simon no vídeo de Everyone And Us.

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Peaking Lights – Everyone And Us

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Misun: “Superstitions”

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É difícil resumir o som produzido pelo trio norte-americano Misun. Depois de brincar com o Pop e até mesmo o “Funk Carioca” em Travel With Me – uma das melhores faixas de 2014 -, a banda (hoje) centrada na cidade de Los Angeles diminuiu o próprio ritmo, viajou para a década de 1960 e trouxe ao público a nostálgica Goodbye Summer. Mesmo em busca da própria identidade, o grupo encabeçado por Misun Wojcik anuncia que já está pronto para o desafio do primeiro álbum de estúdio.

Com previsão de lançamento para 11/11, o trabalho que carrega o título da própria banda reforça na inédita Superstitions um pouco do som versátil incorporado pelo trio nos últimos meses. Entre sintetizadores psicodélicos, batidas típicas do Hip-Hop e vozes sempre orientadas por melodias nostálgicas, a canção parece grudar com facilidade nos ouvidos. Uma mostra da capacidade do grupo em manipular o pop.

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Misun – Superstitions

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Ariel Pink: “Black Ballerina”

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Conforto e adaptação orientam a presente fase de Ariel Pink. Depois de transformar Put Your Number In My Phone em uma síntese coesa dos últimos trabalhos com o Haunted Graffiti, em Black Ballerina o músico californiano mergulha de vez no universo vasto da própria obra. Uma das 17 composições de Pom Pom (2014), oficialmente o “primeiro” registro solo do cantor, a música de arranjos tortos e letra cômica utiliza dos próprios sintetizadores em uma visita rápida ao passado.

De atmosfera “caseira”, a faixa revive grande parte dos arranjos e melodias partilhadas entre Pink e John Maus no final da década de 1990. Uma estranha colagem de sons nostálgicos tão próximos de Captain Beefheart quanto do pop tosco dos anos 1980. Com quase 70 minutos de duração e lançamento pelo selo 4AD, Pom Pom estreia oficialmente no dia 18 de novembro.

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Ariel Pink – Black Ballerina

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Sleater-Kinney: “Bury Our Friends”

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Mesmo elogiado por grande parte da crítica e recebido com total adoração pelo público, o sucesso de The Woods (2005) não foi suficiente para impedir o hiato do Sleater-Kinney. Em junho de 2006, passada a turnê de divulgação do álbum – sétimo registro de inéditas na discografia do grupo -, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss resolveram silenciar a banda, passando a investir em outros trabalhos e projetos paralelos, entre eles, o Wild Flag.

Depois de oito anos de “férias”, o grupo encerra o hiato, anuncia uma série de shows e ainda reserva para janeiro de 2015 um novo registro de estúdio: No Cities To Love (2015). Produzido por John Goodmanson, velho parceiro do trio, o álbum carrega dez composições inéditas e distribuição pelo selo Sub Pop. Como aquecimento, nada melhor do que a inédita Bury Our Friends, um resumo eficiente do som produzido pelo trio desde a década de 1990. Também lançada em clipe, a faixa conta com direção de Miranda July.

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Sleater-Kinney – Bury Our Friends

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CHVRCHES: “Get Away”

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Diálogos escasso, pouca movimentação das câmeras, silêncio. Em Drive (2011), a trilha sonora não apenas orienta as ações do personagem interpretado por Ryan Gosling, como parece conduzir a direção de Nicolas Winding Refn. Orquestrado pelo compositor Cliff Martinez, o material que cresce ao fundo da película talvez seja um dos mais influentes da presente década, servindo de inspiração para clássicos imediatos como Kill For Love (2012) do Chromatics.

Um dos principais apresentadores da BBC Radio 1 e também apaixonado pelo trabalho de Martinez, o DJ Zane Lowe lançou um desafio ambicioso: produzir uma nova trilha sonora para o filme. Intitulado Radio One Rescores: Drive, o projeto conta com a participação de Foals, SBTRKT, Baauer, Jon Hopkins e outros artistas de peso da cena alternativa, todos convidados a reformular a trilha da película. Sem fugir do som explorado no debut The Bones of What You Believe, de 2013, o CHVRCHES foi o grupo escolhido para revelar a primeira mostra do projeto com Get Away.

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CHVRCHES – Get Away

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Disco: “Tough Love”, Jessie Ware

Jessie Ware
R&B/Soul/Pop
http://jessieware.com/

Por: Cleber Facchi

Sutileza em oposição à imponência. Do ambiente ocupado por arranjos e batidas fortes em Devotion (2012), estreia de Jessie Ware, apenas a voz expressiva da cantora permanece imutável na sequência Tough Love (2014, Island / PMR). Partindo da mesma curva leve assumida em faixas como Running e Sweet Talk, do trabalho anterior, Ware escapa lentamente do (desgastado) R&B pastiche da década de 1990, uma solução coesa e necessária para o crescimento da obra, capaz de movimentar com naturalidade todo um novo acervo de conceitos e sonoridades.

Entregue em parcelas, com músicas apresentadas em pequenos intervalos semanais, Tough Love está longe de parecer uma obra já decifrada pelo público. Ainda que o ouvinte tenha saboreado algumas das principais canções do disco, as peças lançadas desde o anúncio do registro são aleatórias. Fragmentos agora montados e desvendados com a mesma leveza que rege o álbum.

Sempre compactas, as letras assinadas por Ware se movimentam com precisão, ocupando lacunas e arranjos tímidos do disco. Versos confessionais, como os de Want Your Feeling (“Light still shining in the room/ You left me here“) ou da própria faixa-título (“You have me crying out/ crying out for more“), que sobrevivem do manso crescimento das vozes, fuga do refrão imediato e completo abandono de prováveis exageros instrumentais. Em uma dança lenta e sedutora, Tough Love parece hipnotizar o ouvinte sem que ele perceba.

Tamanha coerência entre as faixas e explícita sensibilidade não pode ser creditada apenas ao esforço individual de Ware. Mesmo vendido sob a assinatura da cantora, parte da beleza e equilíbrio da obra nasce da atenta orientação de Ben Ash (Two Inch Punch) e Benny Blanco, produtores do disco. Sob o título de BenZel – inicialmente apresentado como uma dupla de adolescentes japonesas -, o duo amplia o exercício iniciado na adaptação de If You Love Me, transformando a cantora em uma peça volátil, ora íntima do pop atual (Pieces), ora mergulhada em temas autorais (Say You Love Me). Continue reading

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Baauer: “One Touch” (Feat. AlunaGeorge)

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As batidas ditam as regras de One Touche, intensa parceria entre o estadunidense Baauer e a dupla britânica AlunaGeorge. Escolhida pelo público a partir de uma lista de canções inéditas publicadas no Facebook do produtor, recentemente a canção foi apresentada durante o programa da DJ Annie Mac, na BBC Radio 1. Naturalmente imersa nos mesmos conceitos assinados pelo criador de Harlem Shake, a música de quase quatro minutos está longe de economizar na quentura dos arranjos e beats.

Enquanto Baauer define base da faixa, esbarrando em elementos típicos do Major Lazer e rápidos “assovios”, George Reid brinca com as possibilidades vocais de Aluna Francis, equilibrando efeitos e distorções de forma a ocupar as pequenas brechas da faixa. Esta não é o primeiro encontro do trio. Em 2013, Baauer lançou um remix para Attracting Flies, uma das principais canções de Body Music, álbum de estreia do duo inglês.

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Baauer – One Touch (Feat. AlunaGeorge)

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How To Dress Well: “Words I Don’t Remember” (The Range Remix)

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Ainda emocionado com a delicadeza e melancolia de How To Dress Well em “What Is This Heart?”? Então saiba que Tom Krell, grande responsável pelo projeto, ainda reserva boas novidades para o próprio público em 2014. Além da turnê de divulgação do trabalho, o músico norte-americano reserva para o dia 27 de outubro o lançamento da coletânea/EP “What Is This Heart?” Remixes.

Com distribuição pelo selo Weird World, o registro apresenta diferentes versões para algumas das melhores faixas do recente álbum. Depois de A. G. Cook brincar de forma assertiva com a estrutura de Repeat Pleasure, lançada há poucas semanas, chega a vez de James Hinton (The Range) garantir novo acabamento à delicada Words I Don’t Remember. Mesmo próxima do som explorado pelo produtor em Nonfication (2013), a essência do HTDW permanece estável, prova de que Krell escolheu bem os colaboradores do novo projeto.

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How To Dress Well – Words I Don’t Remember (The Range Remix)

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Caribou: “Essential Mix”

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Em processo de divulgação do ótimo Our Love (2014), novo álbum do Caribou, o produtor Dan Snaith fez da passagem pela BBC Radio 1 uma verdadeira exposição de composições inéditas. Ao longo de duas horas, tempo médio de duração do programa Essencial Mix, o canadense não apenas explorou o próprio acervo de composição, apresentando duas faixas novas do Daphni – Carry On e Tin -, como ainda tocou músicas inéditas de Les Sins (Past, Call), Boddika & Joy Orbison, Anthony Naples (Miles) e Pearson Sound (Rubber Tree).

Para ouvir o material na íntegra, basta uma visita ao site da própria estação. Esta não é a primeira vez que Snaith passou pela BBC Radio. Além do rico material de faixas autorais, no soundcloud do produtor é possível encontrar outros trabalhos e diferentes mixtapes lançadas com exclusividade para a rádio britânica. Abaixo, a faixa-título do novo álbum de Caribou.

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Caribou – Our Love

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Shabazz Palaces: “Motion Sickness”

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Passear livremente pelo cosmos, colonizar ou apenas visitar novos planetas; objetivos ainda distantes de serem alcançados pelo ser humano. Todavia, quem busca viajar pelo espaço sem necessariamente abandonar o conforto da própria casa, uma simples audição de Lese Majesty (2014) talvez funcione como alternativa. Segundo e mais recente trabalho da dupla Shabazz Palaces, o álbum flutua em meio a referência cósmicas, arranjos experimentais e temas inspirados em filmes/livros clássicos da ficção científica nos anos 1970.

Ainda que a inspiração do disco venha do espaço, em se tratando do vídeo de Motion Sickness são os elementos terrenos que orientam a formação das imagens. Dinheiro, drogas, sexo e família, temas explorados com sensibilidade a partir da relação entre uma mãe viciada e sua filha. Um dos grandes clipes de 2014, o trabalho conta com direção de TEAN.

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Shabazz Palaces – Motion Sickness

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