Mais conhecida pelo trabalho como uma das bateristas do Hot Chip, nas horas vagas, Sarah Jones assume o comando do Pillow Person. Trata-se de um projeto de música pop/eletrônica que transita pelo mesmo universo de artistas como Jessy Lanza e parte expressiva dos integrantes do selo PC Music. Vozes carregadas de efeitos, batidas frenéticas e sintetizadores que flertam com diferentes conceitos lançados na década de 1990.

Com um bom single em mãos, Go Ahead, em dezembro do último ano, a produtora apresentou ao público a inédita On Your Way, uma canção minimalista, doce e repleta de fragmentos eletrônicos. Agora transformada em clipe, o trabalho acaba assumindo o mesmo conceito delicado. No vídeo, Jones surge com o rosto e parte do corpo cobertos de glacê, emulando o tecido de uma roupa. A direção do trabalho é de Isaac Eastgate.

 

Pillow Person – On Your Way

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Artista: The Flaming Lips
Gênero: Neo-Psicodelia, Experimental, Alternativo
Acesse: http://flaminglips.warnerbrosrecords.com/

 

A leveza que marca os arranjos da instrumental faixa de abertura de Oczy Mlody (2017, Warner Bros.) resume com naturalidade a atmosfera onírica do 14º álbum de estúdio do The Flaming Lips. Primeiro registro de inéditas da banda de Oklahoma desde o melancólico The Terror, lançado em 2013, o trabalho que conta com produção de Dave Fridmann e Scott Booker mostra a força do coletivo norte-americano, fazendo do presente disco um precioso exercício melódico.

Coeso quando observado em proximidade aos últimos registros da banda, The Time Has Come to Shoot You Down… What a Sound (2013) e With a Little Help from My Fwends (2014), coletâneas que resgatam a obra das bandas Stone Roses e The Beatles, respectivamente, além, claro, do álbum assinado em parceria com Miley Cyrus, Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015), Oczy Mlody encanta pela sutileza dos arranjos e vozes. Em um intervalo de quase 60 minutos de duração, todos os elementos se posicionam de forma homogênea, fazendo do trabalho uma peça única, inebriante.

Assim como em The Terror, cada canção do presente disco serve de passagem para a música seguinte. Arranjos enevoados e cantos de pássaros em How?? criam uma delicada ponte para o rock eletrônico de There Should Be Unicorns. Melodias tímidas em Sunrise (Eyes of the Young) se conectam diretamente ao som que escapa da entristecida Nigdy Nie (Never No). Sintetizadores e colagens atmosféricas de Galaxy I Sink e The Castle conduzem o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Longe de parecer uma novidade dentro da extensa discografia da banda, parte dessa sonoridade se comunica de forma explícita com o mesmo material produzido pelo The Flaming Lips no interior de clássicos como The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Do uso cuidadoso das melodias em The Castle, passando pelo pop psicodélico que cresce da derradeira We a Famly, parceria com Miley Cyrus, grande parte das canções em Oczy Mlody revelam o lado mais acessível, doce e hipnótico do grupo norte-americano.

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Em meio a tantas composições fortes que abastecem o segundo álbum de estúdio do Carne Doce, Princesa (2016), a tímida Eu Te Odeio nasce como um precioso respiro. Entre arranjos contidos de guitarras, a voz doce de Salma Jô se derrete, espalhando pequenas provocações, dúvidas e declarações de amor que alimentam o cotidiano de qualquer casal – “Vai, me fotografa / Diz, você me acha bonita? / Eu tenho tanto medo de esquecer o seu cheiro“,

A mesma intimidade que movimenta os versos acaba se refletindo no clipe produzido pelo Estúdio BÃO. Embaixo do chuveiro, Jô e marido, Macloys Aquino, guitarrista do Carne Doce, trocam carícias e as próprias roupas enquanto a música sutilmente se espalha ao fundo das imagens. Um perfeito diálogo entre som e imagem, cuidado também explícito no vídeo de Artemísia, trabalho lançado pela banda no último ano e um dos Melhores Clipes de 2016.

 



Carne Doce – Eu Te Odeio

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Quem esperava por um novo álbum de estúdio do Spoon foi pego de surpresa durante o lançamento da inédita I Ain’t The One. Apresentada ao público em dezembro do último ano, durante os créditos da série Shameless, a canção é apenas a ponta do pequeno iceberg intitulado Hot Thoughts (2017), primeiro grande álbum do trabalho do grupo texano em três anos e um retorno ao selo Matador Records, casa do grupo nos primeiros anos de carreira.

Parte do novo álbum de inéditas da banda, a homônima canção de abertura mostra a busca do Spoon por novas sonoridades. Enquanto os instantes iniciais da faixa mergulham no mesmo som melódico do álbum They Want My Soul – 21º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, a partir da segunda metade da canção, Britt Daniel e os demais parceiros de banda brincam com os experimentos, tornando incerto o caminho seguido pelo Spoon.

 

Hot Thoughts

01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us

Hot Thoughts (2017) será lançado no dia 17/03 via Matador.

 

Spoon – Hot Thoughts

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Em HEAL – 34º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, Timothy Showalter transportou o som produzido pelo Strand Of Oaks para um território melódico, base de músicas intensas como Goshen ’97. Em Rest of It, mais recente criação assinada pelo artista norte-americano, uma extensão crua, porém, nostálgica do som mesmo trabalho lançado há três anos. Guitarras e vozes que vão de Bruce Springsteen aos primeiros discos do Guns ‘n’ Roses.

Parte do novo álbum de inéditas do músico, Hard Love (2017), trabalho que já conta com a excelente Radio Kids, a nova composição mostra a busca de Showalter pelo mesmo rock produzido em grande parte da década de 1980. O mesmo aspecto “empoeirado” da presente canção acaba se refletindo no clipe produzido pela Weird Life Films. Uma coleção de imagens caseiras, sujas e luzes neon que carcaterizam a ambientação do projeto.

Hard Love (2017) será lançado no dia 27/02 via Dead Oceans.

 

Strand of Oaks – Rest of It

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Quem acompanha o CocoRosie desde o começo da carreira sabe da forte relação da dupla norte-americana com a cantora e compositora britânica ANOHNI. Parceiras desde o single Beautiful Boyz, parte do álbum Noah’s Ark, de 2005, o grupo se reencontra agora dentro da inédita Smoke’m Out. Composta por Bianca Casady, a canção que debate a opressão sofrida diariamente pelas mulheres nasce como um ataque direto ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e toda a série de discursos machistas/racistas proferidos pelo “político”.

Além da presente faixa, em 2012 o trio assumiu o mesmo teor político na colaborativa Tearz of Animals, composição lançada posteriormente como parte do álbum Tales of a GrassWidow, de 2013. Lançado em 2015, Heartache City é o último registro de inéditas do CocoRosie. ANOHNI (antes conhecida como Antony Hegarty) por sua vez apresentou ao público o excelente HOPELESSNESS, 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

 

CocoRosie – Smoke’em Out (feat. ANOHNI)

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Artista: Bonobo
Gênero: Eletrônica, Downtempo, Alternativo
Acesse: http://www.bonobomusic.com/

 

Em 2013, poucos meses após o lançamento do mediano The North Borders, Simon Green foi convidado a assinar a nova edição da coletânea Late Night Tales. No repertório comandado pelo produtor inglês, uma verdadeiro mosaico de ideias. Entre composições “inéditas” – caso do cover de Get Thy Bearings –, a delicada adaptação do trabalho produzido por Nina Simone (Baltimore), BADBADNOTGOOD (Hedron), Shlohmo (Places) e até trechos de um poema declamado pelo ator Benedict Cumberbatch.

Sexto registro de inéditas do artista de Brighton, Migration (2017, Ninja Tine) não apenas preserva a essência versátil do trabalho lançado há três anos, como revela ao público um dos registros mais complexos de toda a trajetória do músico britânico. Com um pé na cena eletrônica do final da década de 1990, e outro no presente cenário, Green finaliza uma obra detalhada pelo uso de melodias hipnóticas, batidas e vozes orquestradas como um precioso instrumento.

Inaugurado pela sutileza eletrônica da faixa-título do disco, Migration se revela por completo logo nos primeiros minutos. Melodias sintéticas, vozes psicodélicas e pianos que encantam e crescem com maior naturalidade na melancolia de Break Apart, segunda música do trabalho e um bem-sucedido encontro do produtor com a dupla Rhye. O mesmo cuidado se reflete na extensa Outlair, terceira faixa do disco e uma espécie de resgate da IDM melódica produzida por Aphex Twin no final dos anos 1990.

Quarta faixa do disco, a instável Grains revela o lado mais experimental do trabalho. Instantes em que as batidas produzidas por Green apontam para todas as direções, revelando um som propositadamente torto, provocante. Curioso perceber em Second Sun, apresentada logo em sequência, uma completa fuga desse mesmo resultado. São arranjos orquestrais, pianos e entalhes eletrônicos que parecem pensados como a música de encerramento de algum filme ou série romântica.

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Em novembro do último ano, os integrantes do coletivo britânico Los Campesinos! apresentaram ao público a intensa I Broke Up In Amarante. Canção escolhida para anunciar a chegada do novo registro de inéditas da banda, Sick Scenes (2017), a faixa dominada pelo uso de boas melodias e versos marcados pela profundidade indica um claro amadurecimento por parte do grupo, dando um passo além em relação ao som pop testado nas canções do ótimo No Blues (2013).

Parte do mesmo registro, 5 Flucloxacillin mantém firme o mesmo cuidado instrumental e, principalmente, poético. Enquanto as guitarras e vozes parecem saídas de algum disco do Belle and Sebastian no começo dos anos 1990, nos versos, temas como mentira e corrupção ditam os rumos da canção. “Eles dizem que se tivessem conseguido a vitória / Teriam agido com mais humildade“, entrega a letra da faixa enquanto um coro de vozes dançam na cabeça do ouvinte.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – 5 Flucloxacillin

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Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, Hajk é um projeto de indie pop comandado pelos músicos Preben Andersen (guitarra, voz), Sigrid Aase (voz, percussão), Knut Olav Sandvik (baixo, voz), Einar Næss Haugseth (teclados) e  Johan Nord (bateria). Com boas composições em mãos, caso das pegajosas Medicine e Magazine, o quinteto anuncia para o começo de fevereiro a chegada do primeiro álbum de estúdio.

Mais recente single do grupo, Best Friend sintetiza todo o cuidado que emana do som produzido pela banda norueguesa. São melodias ensolaradas, vozes em coro e guitarras marcadas pela versatilidade, como um curioso encontro entre o Phoenix do álbum It’s Never Been Like That (2006) e toda a sequência de obras produzidas por Mac DeMarco nos últimos anos. No soundcloud da banda, um precioso acervo de faixas inéditas e remixes.

 

Hajk – Best Friend

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Artista: The XX
Gênero: Indie, Eletrônica, R&B
Acesse: http://thexx.info/

 

Dizem que estamos em perigo / Mas eu discordo … Você teve fé em mim / Eu não vou fugir / Se tudo desmoronar / Você terá sido o meu erro favorito”. Ainda que a incerteza de um novo amor sirva de base para a inaugural Dangerous, difícil ouvir o dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim e não perceber na canção um paralelo com a presente fase do The XX. Longe da zona de conforto que marca os dois primeiros discos da banda – xx (2009) e Coexist (2012) –, I See You (2017, Young Turks) encanta pela busca declarada do trio, completo com o produtor Jamie XX, em provar de novas sonoridades.

Embora íntimo do mesmo universo de referências que marcam a curta discografia da banda, como o R&B dos anos 1990 e o soul produzido na década de 1970, I See You detalha o esforço do trio em sutilmente distorcer o conceito minimalista apresentado no primeiro disco de inéditas. Em um diálogo explícito com a música pop, músicas como Lips (“Apenas o seu amor / Apenas os seus lábios”) e Say Something Loving (“Eu preciso lembrar / O sentimento escapa de mim”) se projetam como hits em potencial, aproximando o trio de um som comercial, essencialmente radiofônico.

Longe do isolamento claustrofóbico que move faixas como Crystalised, Angels e Islands, parte expressiva das canções no presente álbum encantam pela grandeza. Difícil não ser arrastado pelas guitarras e batidas eletrônicas de On Hold, composição que utiliza de samples da música I Can’t Go for That (No Can Do), faixa originalmente gravada em 1981 pela dupla Hall & Oates. O mesmo detalhamento se reflete com naturalidade logo na música de abertura do disco, efeito do som empoeirado dos metais que cobrem Dangerous durante toda sua execução.

Mesmo produzido em parceria com Rodaidh McDonald, produtor escocês que já trabalhou ao lado de artistas como Adele, King Krule e How To Dress Well, difícil não pensar I See You como uma extensão do projeto solo de Jamie XX. Do uso inusitado de samples, como Do You Feel It?, da dupla Alessi Brothers, passando pela interferência de elementos eletrônicos em On Hold e Replica – uma das melhores canções do disco –, faixa após faixa, Jamie faz do presente disco uma adaptação contida do material apresentado em In Colour (2015), estreia solo do produtor. Músicas que partem da mesma ambientação testada pelo artista em Loud Places, faixa assinada em parceria com Croft.

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