Responsável por alguns dos principais lançamentos do último ano, como Songs of Wood & Fire, do M O O N S, e Submarine Dreams, do do cantor e compositor JP Cardoso, o selo belga-brasileiro La Femme Qui Roule anuncia a chegada de um novo trabalho de inéditas. Trata-se de Agosto (2017), registro de seis faixas composto e tocado inteiramente pelo músico Arthur Melo, artista que flutua entre o minimalismo do folk e instantes breves de pura psicodelia.

Com produção de Leonardo Marques (Transmissor, Congo Congo), o trabalho se divide com naturalidade entre reflexões intimistas, relacionamentos confusos e problemas típicos de qualquer jovem adulto. Músicas como a semi-descritiva Coração ou mesmo a inaugural faixa-título, representações perfeitas do som produzido por Melo. Distribuído em diferentes plataformas digitais, o álbum também pode ser baixado no Bandcamp do músico.

 

Arthur Melo – Agosto

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O minimalismo incorporado por Darren J. Cunningham em Ghettoville (2014) parece ter ficado para trás. Três anos após o lançamento do último álbum de inéditas como Actress, o produtor britânico anuncia a chegada de um novo trabalho. Intitulado AZD (2017) – pronuncia-se “Azid” –, o registro conta com 12 composições inéditas, estabelecendo uma espécie de regresso ao mesmo som produzido pelo artista inglês na dobradinha Splazsh (2010) e R.I.P (2012).

Primeira composição do disco a ser apresentada ao público, X22RME – pronuncia-se “extreme” –, traz de volta a mesma soma de experiências, ruídos e diálogos com a música techno que apresentaram o trabalho de Actress. Batidas secas e sujas, o uso controlado de sintetizadores e a lenta desconstrução de todo esse universo. Pouco mais de cinco minutos em que o som produzido por Cunningham vai provando de novas possibilidades e pequenas referências.

AZD (2017), será lançado no dia 14/04 via Ninja Tune.

 

Actress – X22RME

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Artista: The Magnetic Fields
Gênero: Indie, Alternativa, Indie Pop
Acesse: http://www.houseoftomorrow.com/

 

Em 2015, o cantor e compositor norte-americano Stephin Merritt celebrou o aniversário de 50 anos. Inspirado pela data e diferentes acontecimentos ao longo da própria vida, o músico original de Boston, Massachusetts deu início a um novo e inusitado projeto. Acompanhado pelos integrantes do The Magnetic Fields, Merritt transformou memórias e fatos importantes de todo esse período no principal componente para as canções do biográfico 50 Song Memoir (2017, Nonesuch).

Primeiro registro de inéditas da banda desde o mediano Love at the Bottom of the Sea, de 2012, o trabalho de 50 faixas e mais de duas horas e meia de duração traz de volta o mesmo cuidado de Merritt na composição do clássico 69 Love Songs, de 1999. A principal diferença está na forma como o músico norte-americano amarra diferentes histórias e personagens de forma propositadamente instável, fugindo da articulação de um tema específico – caso do “amor” no álbum lançado há 18 anos.

Desenvolvido de forma cronológica, 50 Song Memoir abrange o período que vai de 1966, com a inaugural Wonder Where I’m From, até 2015, estímulo para a derradeira Somebody’s Fetish. O trabalho se divide ainda em cinco atos específicos, uma para cada década de Merritt, como capítulo dentro de uma extensa biografia. Entretanto, a separação em nada altera a particular interpretação dos fatos e acontecimentos, centrados em memórias do próprio cantor.

Doce, irônico, contemplativo e melancólico, Merritt parece brincar com a interpretação do ouvinte durante toda a construção do trabalho. Ao mesmo tempo em que detalha um universo de composições amargas, centradas em desilusões (Lover’s Lies) e conflitos pessoais (I’m Sad!), o toque pueril de músicas como A Cat Called Dionysus garante frescor e leveza ao disco. O problema está na forma como algumas canções se repetem melodicamente, resultando na formação de um álbum que parece arrastado em diversos momentos. Nada que prejudique de fato o crescimento do disco.

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Poucos dias após o lançamento de Glitched Gamelevel, composição escolhida para anunciar o novo registro de inéditas da Alternadores, Wanderlust EP (2017), os integrantes do grupo paraibano estão de volta com uma nova criação. Intitulada Pra onde corre o rio, a faixa de quase seis minutos de duração reflete com naturalidade o lado mais experimental do trio formado por Carlos Eduardo Batista (Bidu), Igor Gadelha (Pepeu Guzman) e Gustavo Pozzobon.

Inaugurada de forma segura pelo uso de sintetizadores, batidas e melodias nostálgicas que parecem resgatadas de algum videogame dos anos 1980, a faixa lentamente se perde em um universo de pequenos delírios e temas psicodélicos. Vozes sampleadas e arranjos ecoados que perturbam a interpretação do ouvinte, transportado para dentro de um universo completamente instável, como um indicativo do som produzido para Wanderlust.

Wanderlust EP (2017) será lançado no dia 21/03.

 

Alternadores – Pra onde corre o rio

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Artista: Blanck Mass
Gênero: Experimental, Eletrônica, Drone
Acesse: https://blanckmass.bandcamp.com/

 

A colisão de ideias, samples e ruídos sempre foi a base do som produzido pelo inglês Benjamin John Power. Mais conhecido pelo trabalho como uma das metades do Fuck Buttons, projeto dividido com o parceiro Andrew Hung, Power passou os últimos seis anos se aventurando na formação de uma obra ainda mais experimental e complexa em carreira solo. Um mundo de delírios e colagens instrumentais que cresce de maneira explícita nas canções de World Eater (2017, Sacred Bones).

Quarto e mais recente álbum de inéditas como Blanck Mass, o registro de sete faixas mostra a capacidade de Power em se adaptar e mudar de direção mesmo na curta duração de uma canção fechada. Em um intervalo de quase 50 minutos, o artista original de Worcester, Inglaterra, amarra diferentes ritmos – R&B, Pós-Rock, Hip-Hop, Techno e Noise – sem necessariamente perder o controle sobre a própria obra. Um imenso labirinto criativo.

Com John Doe’s Carnival of Error como faixa de abertura do disco, Power estabelece parte das regras que orientam o trabalho. Um sample explorado de forma cíclica, essencialmente climática, mas que acaba explodindo, como um convite a provar do restante da obra. Não por acaso, a canção acaba servindo de estímulo para a construção da extensa Rhesus Negative, música que dialoga com o mesmo som testado pelo Fuck Buttons durante a produção de Tarot Sport, em 2009.

De fato, parte expressiva de World Eater parece ancorada em conceitos originalmente testados pelo Fuck Buttons. Seja na reciclagem de samples e temas eletrônicos que marcam o excelente Slow Focus (2013) ou na desconstrução da inaugural Street Horrrsing (2008), delicadamente, Power colide velhos experimentos com a mesma ambientação versátil explorada no antecessor Dumb Flesh, de 2015. Um ziguezaguear de ideias que muda de direção a cada nova curva do disco.

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Dois anos após o lançamento de O Novato – 23º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, o cantor e compositor mineiro Luan Nobat está de volta com um novo projeto. Pelos próximos meses, o artista deve produzir um “conteúdo inédito e amplo que será publicado ao longo dos próximos meses no seu canal do YouTube“. Uma seleção de composições inéditas e versões adaptadas do trabalho de diferentes artistas.

Canção escolhida para apresentar esse novo projeto, Sudoeste, de Adriana Calcanhotto, se transforma em um pequeno experimento por parte do cantor e compositor mineiro. Originalmente produzida para o álbum A Fábrica do Poema, de 1994, a parceria entre a cantora e o compositor Jorge Salomão não é a primeira faixa já interpretada ao vivo por artista. Para a turnê do álbum Disco Arranhado, de 2012, Nobat decidiu interpretar a faixa Inverno.

 

Nobat – Sudoeste

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Desde o começo do ano, Lydia Ainsworth vem trabalhando na divulgação de Darling Of The Afterglow (2017). Segundo álbum de inéditas da cantora e compositora canadense, o registro deve seguir uma trilha ainda mais pop em relação ao antecessor Right from Real, de 2014. Uma mudança de direção reforçada durante o lançamento das inéditas The Road e Afterglow, porém, reforçada com a chegada de Into The Blue, novo single da artista.

Minimalista, Into The Blue segue a mesma estratégia de FKA Twigs e outros nomes de peso do novo R&B. Um jogo contrastado de batidas e vozes tratadas como instrumentos, sempre mutáveis. São encaixes sutis, como se o ouvinte fosse lentamente arrastado para dentro da faixa. Na composição dos versos, um misto de melancolia e aceitação, como se Ainsworth confortasse o ouvinte dentro desse cenário essencialmente claustrofóbico e intimista.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Into The Blue

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Artista: Jay Som
Gênero: Indie, Alternativa, Dream Pop
Acesse: https://jaysom.bandcamp.com/

 

Se você observar a ficha técnica ou encarte de qualquer trabalho recente produzido por Melina Duterte vai encontrar uma assinatura padrão: “Gravado, mixado e masterizado no quarto de Melina”. Inspirada pelo trabalho de veteranos da cena independente dos Estados Unidos, como Yo La Tengo e Pixies, a cantora e compositora original de Oakland, Califórnia, decidiu não perder tempo, assumindo ela mesma o total controle e produção de cada trabalho lançado sob o título de Jay Som nos últimos anos.

Em Everybody Works (2017, Polyvinil / Doble Denim), segundo trabalho de Duterte com distribuição em um selo de médio porte, a mesma atmosfera “caseira” na composição dos arranjos e vozes. Um som deliciosamente artesanal, particular, porém, polido pela forma como a cantora e produtora detalha cada elemento no interior do disco. Guitarras, sintetizadores, batidas e vozes que escapam do som Lo-Fi de clássicos recentes do bedroom-pop para um terreno marcado pela limpidez e refinamento.

Uma explosão das guitarras e vozes em 1 Billion Dogs, música que lembra o Dinosaur Jr. no final dos anos 1980. A melancolia doce em The Bus Song, um passeio breve pelo rock psicodélico. O som melódico, quase pop, de Baybee, possivelmente a canção mais acessível de todo o trabalho. Ruídos de um celular e pequenas interferências em Take It. Batidas tropicais em One More Time, Please. De forma curiosa, sempre atenta, Duterte faz de cada composição um objeto precioso, grudento, como uma típica canção radiofônica.

Parte desse cuidado na formação de Everybody Works vem do confesso interesse da musicista pelo último trabalho da cantora canadense Carly Rae Jepsen. “Eu estava ouvindo muito Carly Rae Jepsen para ser honesta. E • MO • TION (2015) realmente inspirou muitas composições em Everybody Works”, respondeu no texto de lançamento do trabalho. Da abertura ao fechamento do disco, a busca declarada por um som cada vez mais acessível, conceito anteriormente explorado pela artista durante o lançamento do antecessor Turn Into (2016).

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Pouco menos de um ano após o lançamento de Queda Livre – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016 –, o cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu está de volta com um novo álbum de inéditas. Intitulado Filho do Meio (2017), o trabalho que conta com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida de Minas Gerais “aponta para uma ruptura na sonoridade do músico”, como indica o texto de apresentação do single Fantasmas, composição escolhida para anunciar o novo registro.

Com produção dividida entre Tadeu e o músico João Carvalho (Sentidor, El Toro Fuerte e Rio Sem Nome), Fantasmas encanta pela leveza dos arranjos, ruídos e temas eletrônicos que delicadamente se espalham ao fundo da composição. Um precioso lamento musicado que ultrapassa os limites do “rock triste” para flertar com o pós-rock e conceitos originalmente testados por artistas como Sparklehorse e The Postal Service. A canção ainda chegada acompanhada de um clipe dirigido pelo fotógrafo e videomaker mineiro Flávio Charchar.

 

Filho do Meio

1. Fantasmas
2. Sorriso Amarelo
3. Deus Sempre Mata Os Saudosistas Primeiro
4. Lupe de Lupe
5. Questão de Classe
6. Festa de Despedida
7. Araxá 500
8. Alicerce

Filho do Meio (2017) será lançado no dia 04/04 via Geração Perdida de Minas Gerais.

 



Jonathan Tadeu – Fantasmas

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Frank Ocean não parece interessado em repetir o longo período de hiato que separa Channel Orange (2012) do ainda recente Blonde – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016. Poucos meses após o lançamento do segundo álbum de estúdio, o rapper norte-americano se juntou ao produtor inglês Calvin Harris e o coletivo Migos para a produção da inédita Slide. O cantor ainda assumiu o comando um programa semanal na Apple Music, projeto que serviu de base para a apresentação da também inédita Chanel.

Primeiro single de Ocean desde o lançamento de Blonde, a nova canção parece brincar com os mesmos elementos originalmente testados pelo artista no último álbum de estúdio. Estão lá os versos carregados de romantismo (“É realmente você na minha mente“), o refinamento na composição das batidas e bases, além, claro, da voz forte de Ocean, reforçada em pequenas explosões que reforçam a poesia melancólica do artista. No Tumblr, o rapper aproveitou para publicar a letra da canção e fotos produzidas para a divulgação do single.

 

Frank Ocean – Chanel

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