Do pouco que se ouviu de Sick Scenes (2017) já é possível ter uma boa noção do som produzido pelos integrantes do grupo britânico Los Campesinos!. Entre canções levemente explosivas, como I Broke Up in Amarante e atos de profunda leveza seguidos de versos políticos, como em 5 Flucloxacillin, o coletivo inglês parece ter encontrado na pluralidade dos elementos a fonte para um dos principais registros produzidos pela banda.

Em The Fall of Home, um novo e delicado capítulo dentro de Sick Scenes. Enquanto os versos refletem o desligamento das cidades que todas as pessoas deixam para trás em algum momento da vida, musicalmente, a faixa de arranjos contidos encanta pela profunda sutileza dos elementos detalhados do primeiro ao último instante. Sintetizadores, violinos, xilofones e outros elementos percussivos que se espalham em cima da base acústica da faixa.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – The Fall of Home

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Em janeiro deste ano, Margaret Chardiet anunciou a chegada de um novo álbum de inéditas do Pharmakon. Intitulado Contact (2017), o trabalho indica a construção de um som parcialmente distinto em relação ao último registros de estúdio da artista, Bestil Burden – 46º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014. A busca por um som cada vez mais próximo da música industrial, livre do conceito “orgânico” retratado no disco entregue há três anos.

Mais recente lançamento de Chardiet, a inédita No Natural Order joga com a manipulação dos ruídos, batidas metálicas, distorções e vozes berradas. O possível resultado de um encontro entre o Swans do álbum To Be Kind, lançado em 2014, e os instantes finais do clássico de horror O Exorcista (1973). Um som tão caótico quanto em Transmission, composição escolhida pela artista para anunciar a chegada do novo álbum.

Contact (2017) será lançado no dia 31/03 via Sacred Bones.

 

Pharmakon – No Natural Order

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De um lado, a eletrônica tropical do produtor espanhol John Talabot, no outro oposto, a house music do sueco Axel Boman. Sob o título de Talaboman, o duo europeu anuncia para o começo de março a chegada de The Night Land (2017), primeiro LP do projeto originalmente lançado em 2014. São oito composições em que batidas lentas se espalham em meio a sintetizadores climáticos, apontando para a cena eletrônica do começo da década de 1990.

Segunda faixa do disco, Safe Changes foi justamente a escolhida para resumir parte da sonoridade produzida por Talabot e Boman. Pouco mais de seis minutos em que sintetizadores lentamente sobrepostos convidam o ouvinte a dançar, criando um delicado pano de fundo para o jogo de batidas contidas que a dupla detalha durante a formação da música, completa pela lenta inserção de samples nos instantes finais da composição.

 

The Night Land

01 Midnattssol
02 Safe Changes
03 Samsa
04 Six Million Ways
05 Loser’s Hymn
06 Brutal Chugga-Chugga
07 The Ghosts Hood
08 Dins El Llit

The Night Land (2017) será lançado no dia 03/03 via R&S Records.

 


Talaboman – Safe Changes

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Artista: Ty Segall
Gênero: Rock, Garage Rock, Rock Alternativo
Acesse: https://tysegall.bandcamp.com/

 

Passado o lançamento de Manipulator, em 2014, Ty Segall decidiu revisitar uma série de composições esquecidas dentro do próprio repertório. O resultado dessa busca está na produção de uma bem-sucedida coletânea de singles — $INGLE$ 2 (2014) —, um trabalho em homenagem ao grupo inglês T. Rex, lançado em 2015, além de um registro ao vivo, Live in San Francisco, apresentado meses depois. No começo de 2016, a chegada de um novo álbum de inéditas, o mediano Emotional Mugger, e o início de um longo período de hiato — pelo menos para os padrões do músico.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor californiano em meses, Ty Segall (2017, Drag City), autointitulado trabalho de dez faixas, segue em direção ao passado. Trata-se de um precioso resgate de temas e referências que passa pelo pop-rock da década de 1960 — principalmente The Beatles —, mergulha no som psicodélico produzido nos anos 1970 e cresce como uma reciclagem de diferentes estilos de forma sempre enérgica, crua, estímulo para grande parte da discografia do guitarrista.

A principal diferença em relação aos últimos lançamentos de Segall está na forma como cada composição ao longo do presente disco se revela de forma acessível ao grande público. Logo nos primeiros minutos do trabalho, a explosão das guitarras e vozes de Break A Guitar, música que passeia por algumas das principais referências do músico norte-americano – como Nirvana e T. Rex –, sem necessariamente fazer disso um som copioso ou pouco inventivo.

Quanto mais o disco avança, mais Segall brinca com as possibilidades. Em Freedom, segunda faixa do disco, o possível resultado de como seria um encontro entre The Beach Boys e Ramones. Nas guitarras de The Only One, uma clara reverência ao Hard Rock dos anos 1970, efeito da movimentação firme dos arranjos, no melhor estilo Led Zeppelin. Na curtinha e acústica Orange Color Queen, um breve instante de pura leveza e romantismo, como se o músico resgatasse as mesmas melodias originalmente testadas em obras como Twins (2012) e Sleeper (2013).

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A cada nova faixa lançada pelo BIKE, mais o ouvinte é arrastado para dentro do ambiente colorido de Em Busca da Viagem Eterna (2017). Segundo álbum de inéditas da banda paulista, o sucessor de 1943 (2015) parece jogar com o uso de temas cósmicos e ambientações psicodélicas que passeiam por diferentes fases do gênero. Um som marcado pelos detalhes e complexa construção dos arranjos e vozes, marca do primeiro single do disco, o delírio intitulado A Montanha Sagrada.

Em Enigma dos Doze Sapos, mais recente lançamento do grupo, um novo e delicado jogo de melodias etéreas, deliciosamente costuradas. Reflexo dos principais conflitos que a banda encontrou durante a turnê do último disco, a canção de quase quatro minutos acaba se conectando de forma natural ao primeiro registro do grupo, efeito da sutil referência ao título de Enigma do Dente Falso, música acompanhada de um clipe dirigido por Júlia Maury e Lídia Ganhito.

 



Bike – Enigma Dos Doze Sapos

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Bastou ao The XX o primeiro álbum de estúdio para que a banda londrina fosse capaz de conquistar uma posição de destaque dentro da cena alternativa. Brincando com as referências e diferentes aspectos da música pop – como o Soul dos anos 1970 e o R&B da década de 1990 –, cada novo registro de inéditas do grupo formado por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith joga com a emoção do público, se perdendo em meio a versos essencialmente dolorosos e intimistas.

Depois de flertar com a eletrônica e o Dream Pop em Coexist (2012), o trio abraça um som ainda mais pop dentro do terceiro e mais recente álbum de estúdio: I See You (2017). O registro é a base de uma extensa turnê que a banda vem promovendo ao redor do globo, reservando uma apresentação para o dia 25 de março em mais uma edição do Lollapalooza Brasil. Aproveitando a passagem do The XX pelo país, preparamos uma seleção com 10 músicas essenciais da banda.

Nos comentários, conta pra gente: qual é a sua música favorita do trio britânico?

 

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Seis anos se passaram desde o lançamento de Bandarra (2011), primeiro álbum de Tibério Azul (Mula Manca & a Fabulosa Figura) em carreira solo. De lá para cá, o cantor e compositor pernambucano vem se revezando em uma série de apresentações do disco, além, claro, na composição do segundo registro de inéditas. O resultado desse longo período de gestação está nas nove músicas de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017).

Com produção de Yuri Queiroga, o trabalho se abre para a chegada de um imenso time de instrumentistas da cena pernambucana. Na composição dos versos, músicas assinadas em parceria com artistas como Zé Manoel, Vinícius Sarmento e Vítor Araújo, este último, responsável pelo belíssimo Levaguiã Terê, de 2016. O disco ainda conta com a participação de Clarice Falcão, responsável pela voz em Chover, e Pedro Luis, convidado a ocupar os versos de Nem a pedra é dura.

 

Tibério Azul – Líquido

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De todos os trabalhos lançados em 2016, Painting With, último registro de inéditas do Animal Collective, talvez seja um dos mais decepcionantes. Inspirado pelos principais movimentos artísticos do começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo -, o álbum se perde em meio a flertes com a música pop, fragilidade na composição dos versos e forma simplista como os arranjos e vozes se espalham em cada uma das canções do disco.

Extensão alternativa desse mesmo projeto, The Painters apresenta ao público um novo acervo com três canções inéditas e uma curiosa versão de Jimmy Mack, música eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Em Kinda Bonkers, primeiro single do EP, uma coleção de melodias e samples sobrepostos que refletem um cuidado um pouco maior em relação aos últimos trabalhos da banda, esbarrando em elementos do clássico Merriweather Post Pavilion (2009).

The Painters (2017) será lançado no dia 17/02 via Domino.

 

Animal Collective – Kinda Bonkers

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Will Marsh pegou muita gente de surpresa durante o lançamento de New Religion, em janeiro deste ano. Primeiro single do EP que conta com a produção de Will Toledo, vocalista e líder do Car Seat Headrest, banda responsável pelo ótimo Teens of Denial – 14º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, Toledo parece ser a chave para entender o som essencialmente nostálgico e referencial produzido por Marsh sob o título de Gold Connections.

Em Faith In Anyone, mais recente single do músico norte-americano, um jogo de guitarras espaçadas, crescentes, como uma típica canção da década de 1990. São atos curtos que se completam em instantes de maior explosão, conceito também explorado por Toledo em grande parte das canções do Car Seat Headrest. Além das duas faixa já lançadas, o novo EP do Gold Connections ainda reserva algumas composições inéditas.

Gold Connections (2017) será lançado no dia 31/03 via Fat Possum.

 

Gold Connections – Faith In Anyone

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O flerte com música pop/eletrônica iniciada em Rainha dos Raios — 4º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 —, parece ser a base do novo single da cantora carioca Alice Caymmi. Com produção de João Brasil, Louca segue a trilha conceitual de músicas como Princesa e Homem, um contrastado jogo melódico entre a voz forte da artista e a base sintética montada pelo parceiro de estúdio. Batidas, sintetizadores e versos que se completam de forma levemente dançante, acessível.

Dizem que sou louca / Fora de controle / Que você controla /  Todos meus sentidos / E me afastei de todos que nem ligo“, canta Caymmi em um misto de obsessão, descoberta e explícita declaração de amor que orienta a construção dos versos até o último instante. Uma clara representação do lado mais pop da artista, como uma fuga declarada do som complexo, por vezes hermético, explorado nas canções do primeiro álbum de estúdio, trabalho entregue ao público em meados de 2012.

 



Alice Caymmi – Louca

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