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Pequenos Clássicos Modernos

Gui Boratto
Brazilian/Electronic/Minimal
http://www.myspace.com/guiboratto

Por: Cleber Facchi

Música minimalista nas terras do samba, do carnaval e dos festejos sempre grandiosos? Por mais absurda que possa parecer essa foi a atitude do produtor Gui Boratto em 2007, apresentando ao mundo seu primeiro trabalho de estúdio, o sofisticado Chromophobia. Assumindo individualmente as 13 faixas do disco, o paulistano fez de seu primeiro registro uma delicada epopeia dissolvida em camadas simplistas, doses cuidadosas de batidas e parcos enxertos de vocais, evidenciando seu nome dentro dos grandes produtores da eletrônica contemporânea e apresentando ao Brasil um tipo de som poucas vezes construído em seu caloroso território.

Em um ano onde Justice, LCD Soundsystem, Pantha Du Prince e Burial tomavam as pistas e listas dos melhores do ano é o trabalho do brasileiro que assume a dianteira, feito mais do que justificável pelo encaixe coeso das faixas, dos ritmos e das mínimas nuances que tomam de assalto essa estreia. Desde meados dos anos 90 se aventurando na produção de outros artistas, além de trabalha no desenvolvimento de jingles e outras sonoridades ligadas ao ramo publicitário, Boratto foi aos poucos desenvolvendo aquilo que mais tarde seria evidenciado em seu debut.

Cruzando elementos de variadas vertentes da música eletrônica (sempre mantendo o reducionismo como elemento central), o produtor faz com que toda essa soma de sons se converta em uma espessa tapeçaria instrumental, em que cada mínimo bip, ruído ou som modulado acaba por se cercar de outros variados instrumentos, sempre inseridos de forma complexa e exata. Um verdadeiro exercício de pura competência, feito alcançado por seu criador após anos de estudos e aprendizados sobre os gêneros em suas mais distintas áreas de atuação.

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O medo das cores evidenciado logo no título do trabalho é o fio que conduz todas as composições do álbum, fazendo com que Boratto reproduza um tipo de som compacto, dando formas a um ambiente imaginário esbranquiçado, onde tons de cinza e linhas negras tornam-se momentaneamente perceptíveis. Embora a pluralidade de sons e ritmos seja controlada (barrando as demais “cores”), definir o disco como um registro frio seria um completo erro, afinal, mesmo preso à construção de músicas compenetradas, Chromophobia revela uma vivacidade única, algo intenso em faixas como Gate 7, Beautiful Life e Mr. Decay, por exemplo.

Uma das grande propriedades do trabalho está na maneira com que o produtor se desliga de um tipo de som unicamente voltado à música ambiente. Embora existam faixas que explorem esse lado mais “climático” do álbum, o lado dançante consegue se sobressair. Tanto a versão original quanto a compactada de Beautiful Life (com vocais de Luciana Villanova) são uma dessas raras composições que te fazem parar tudo para cumprir um único objetivo: dançar. O mesmo efeito se aplica em outros achados ao longo do álbum, feito Shebang ou a faixa-título, verdadeiros momentos épicos das pistas de dança.

Embora no Brasil o trabalho passasse despercebido por boa parte da imprensa “especializada” – surgindo ao final do ano quase como um estranho em meio as demais produções – a repercussão do disco no exterior foi o que deu maior destaque à obra de Gui Boratto, evidenciando de maneira merecedora o trabalho do artista. Em 2009 o produtor voltaria com seu segundo disco, Take My Breath Away, Kompakt, porém sem a mesma beleza alcançada em sua essencial estreia.

Chromophobia (2007)

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Pantha Du Prince, The Field e Gas
Ouça: Beautiful Life

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