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Pequenos Clássicos Modernos

Chico Buarque
Brazilian/Samba/MPB
http://www.chicobuarque.com.br/

Por: Cleber Facchi

Em 2006, enquanto boa parte dos olhos focavam na nova safra de artistas vindos do cenário alternativo, tais como Superguidis, Mombojó e Moptop  foi a dupla de veteranos composta por Caetano Veloso e Chico Buarque quem atraiu os olhares da imprensa e do público. Se o primeiro deu vida a , um dos trabalhos mais amargurados já expostos na música nacional, o segundo se enfurnou em uma maré de entoações brandas, sambas comportados e exaltações limitadas, dando vida à Carioca, um álbum que embora não seja um álbum tão poderoso quanto os clássicos do músico, supera fácil o que brota da MPB.

Quase dez anos separavam Buarque de seu último trabalho de estúdio, o bem recebido As Cidades de 1998, álbum que deu ao compositor um Disco de Ouro, mas que muito o distanciava de seus álbuns conceituais lançados entre as décadas de 60 e 70, aproximando-o de uma sonoridade enfadonha, ausente de beleza e vivacidade. A partir daí, Chico seguiria por uma série de trabalhos em conjunto, coletâneas e duetos, que assim como o que era produzido por Caetano antes de seu seminal disco esboçava a imagem de alguém vivendo à sombra de seus tempos áureos.

Mesmo que as 12 faixas que delimitem Carioca sejam tomadas por uma levada tranquila, se aconchegando na calmaria da Bossa Nova e em sambas doces, o músico prima em determinados momentos pela inovação, tanto instrumental, quanto poética. Prova disso se encontra na fluidez de Ode Aos Ratos, um condensado de versos metafóricos, ácidos e tomados pela ironia, algo que há muito parecia esquecido nas produções de Buarque, muito mais interessado em seus trabalhos ligados à literatura do que à música.

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Dentro do emaranhado de palavras proporcionado pela faixa (com direito a um trecho que aproxima Chico do Hip-Hip), o músico transforma sua música em um samba urbano, que cresce através do bem aplicado arranjo instrumental comandado pelo músico Luiz Cláudio Ramos. Entretanto é na calmaria que o carioca dissolve seu lirismo e detalhadas composições, sempre falando de amor, trechos do cotidiano, alguns toques de nostalgia e a boa e velha condução poética criada pelo artista em suas obras.

Em Porque Era Ela, Porque Era Eu, Chico traz um romantismo sofrido e dicotômico, soando como algo retirado das primeiras obras do músico, instrumentalmente muito próxima das faixas de Vol. 2 (1967). Com Ela Faz Cinema, o músico entrega sua faceta mais “pop”, que em conjunto com Subúrbio e As Atrizes proporcionam os versos mais fáceis de todo o trabalho. Mas é com Outros Sonhos e Dura na Queda que o cantor entrega seus melhores exemplares. Enquanto a primeira brinca com um corpo de versos oníricos, a segunda proporciona uma quentura instrumental, que em parceria aos vocais peculiares do músico geram um dos momentos mais despojados do trabalho.

Primeiro lançamento de Chico Buarque através do selo Biscoito Fino, Carioca recebeu críticas divididas, mas garantiu ao músico uma série de shows lotados, com direito a um DVD ao vivo captando parte do novo repertório. Mais do que um agrado aos velhos seguidores da MPB, o disco serviu para aproximar o artista de uma geração de ouvintes, que sequer tiveram contato com alguma de suas obras. Um trabalho que mesmo preguiçoso revela um belo amontuado de boas composições.

Carioca (2006)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Cartola, Vinícius de Moraes e Caetano Veloso
Ouça: Ode aos Ratos