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Pequenos Clássicos Modernos

Pipodélica
Brazilian/Indie/Psychedelic
1999 – 2008

Por: Cleber Facchi

 

Se para alguns artistas fazer rock psicodélico no Brasil é sinônimo de chupar referências dos anos 60 e 70, sem um mínimo de acréscimo e inovação, pelo menos para os catarinenses do Pipodélica essa fórmula não se repetiu. Com um trabalho que teve início em 1999 e se estendendo até 2008, o quarteto de Florianópolis se mostrou como um dos mais criativos de seu tempo, tendo em Simetria Radial de 2003, uma convergência de todos os acertos instrumentais e décadas de música que influenciaram o som do grupo.

Um dos elementos de maior beleza dentro da discografia da banda – Tudo Isso EP (2001), Enquanto o Sono Não vem EP (2002), Simetria Radial (2003), Volume Quatro EP (2005) e Não Esperem por nós (2008) – está nas composições modestas, distantes das longas viagens instrumentais que perpassam o rock psicodélico, além de um cruzamento de referências que se junta ao rock alternativo dos anos 90 e uma pequena inclusão do novo rock dos anos 2000. Variado, o som da banda busca novas formas, sons distintos e uma pluralidade de elementos que evitam que o grupo – M. Leonardo, Eudardo XuXu, Felipe Batata e Heron Stradioto –  desenvolva algo comum.

O registro de 2003 é o primeiro grande álbum de estúdio da banda, que desde o fim dos anos 90 vinha se revezando na gravação de fitas demo ou de EPs com um caráter mais caseiro, sempre custeados pelos próprios integrantes. Diferente dos dois trabalhos que o precedem, Simetria Radial se apresenta como um lançamento distinto, com a banda dissolvendo sua sonoridade de forma hábil, carregando suas composições com efeitos variados de distorção, teclados e até pequenas modulações nos vocais.

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Ouvir o som da Pipodélica é como ter acesso aos Mutantes de maneira reformulada, uma espécie de Secos e Molhados marcados pela inovação ou um Primal Scream mais conciso e exalando certa brasilidade. Em suas canções o quarteto se apoia justamente na criação de faixas que escapam do convencional, trazendo experiências extracorporais, transições oníricas, toques evidentes de lisergia e bem aplicados trechos envolvendo existencialismos ou canções de amor, sempre com bom humor e dentro de uma levada descompromissada.

Embora o trabalho da banda fosse tomado pela criação de faixas mais precisas, o experimentalismo e alguns trechos de passeios instrumentais podem ser encontrados ao longo do álbum. Enquanto Cabeção mescla rock com momentos de pura excentricidade, em O Sono Chegou a banda se afunda de vez na psicodelia, proporcionando uma grandiosa viagem, onde solos alongados, instrumentos de sopro e teclados primorosos sugam o ouvinte para dentro da mesma temática multicolorida desenvolvida pelo quarteto.

Embora seja curta a passagem da banda em terras tupiniquins, o trabalho desenvolvido pela Pipodélica ainda hoje se revela como um dos mais inventivos de toda a década. Simetria Radial em nada deixa a desejar quando comparado a outros trabalhos do gênero, como o disco de estreia da alagoana Mopho lançado em 2000 ou os posteriores lançamentos da Cérebro Eletrônico, mostrando que embora passageira, a banda deixou marcas mais do que expressivas.

Simetria Radial (2003)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Mopho, Cérebro Eletrônico e Stuart
Ouça: Tudo em Preto & Branco