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Pequenos Clássicos Modernos

Nação Zumbi
Brazilian/Manguebeat/Alternative
http://www.myspace.com/nacaozumbi

Por: Cleber Facchi

Desde a morte de Chico Science em 1997 uma parte significativa do público e crítica passaram a olhar com desconfiança para os membros restantes do Nação Zumbi. A ideia de dar continuidade a um projeto livre de seu principal criador parecia um absurdo, ainda mais em se tratando de um grupo como o dos recifenses, responsáveis por um dos movimentos mais importantes da música brasileira nos anos 90, o Manguebeat. Mesmo que desde Radio S.Amb.A. (2000) a banda deixasse mais do que claro o quanto eram eficientes em suas composições, a cada novo lançamento sempre ficava a dúvida.

Em 2005 com o lançamento do álbum Futura a banda finalmente conseguiu calar todos que olhavam para eles com desconfiança. As guitarras psicodélicas de Lúcio Maia, a instrumentação crua e os vocais auto-tunados de Jorge Du Peixe, além das excelentes letras faziam com que todos os fantasmas ficassem no passado. Porém, mesmo em meia a tanta qualidade o grupo parecia comportado demais, suas composições soavam excessivamente herméticas. Contudo esse “enclausuramento” nas canções do Nação teria fim com o lançamento do sétimo álbum de estúdio do grupo: Fome de Tudo (2007).

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“Pop”, “Acessível”, “Fácil” foram alguns dos atributos dados ao disco na época de seu lançamento. Parte dessa fácil assimilação do álbum se deu pela presença de Mario Caldato Jr (Marcelo D2, Beastie Boys e Planet Hemp) na produção do novo trabalho. O produtor conseguiu extrair um som mais amplo nas composições, além de fazer um discreto retorno (mesmo que de maneira artificial) aos ritmos regionais.

Se em Futura a banda destilava um som monocromático que se estendia até a capa do trabalho, com Fome de Tudo há uma inversão nesse resultado. As composições têm cor e apresentam uma marcante vivacidade. As guitarras, os arranjos de sopro, a percussão e até a voz de Jorge Du Peixe (pela primeira vez parecendo um cantor) se desenvolvem de maneira transparente o que faz as faixas soarem de maneira coesa, como se pela primeira vez a banda conseguisse destilar seu som sem nenhuma interferência aparente.

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Para ficar ainda mais completo o álbum conta com boas participações. A primeira é a da cantora Céu na faixa Inferno, mesmo discreto os vocais da paulistana dão um toque todo especial à composição que é de longe uma das melhores da banda em tempos. Em Assustado a banda convida o tecladista e produtor Money Mark para tocar clavinete (uma espécie de teclado). O grupo ainda chama o conterrâneo Junio Barreto para integrar a faixa Toda Surdez Será Castigada naquele que é claramente o pior momento do disco.

Se existe qualquer tipo de problema dentro de Fome de Tudo eles se resolvem na canção final do álbum: No Olimpo. A letra inspirada no livro Deuses Americanos do britânico Neil Gaiman dispõe não somente de versos excelentes como “Todos os dias nascem deuses/Alguns maiores, outros melhores do que você”, mas também é quando a banda alcança o ápice musical. O álbum não apenas apresenta um grupo renovado como comprova o que já era claro: a Nação Zumbi ainda é a melhor banda do Brasil.

Fome de Tudo (2007)

Nota: 9.1
Para quem gosta de: Maquinado, Mundo Livre S/A e Otto
Ouça: No Olimpo