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Pequenos Clássicos Modernos

Nina Becker
Brazilian/Female Vocalists/Alternative
http://www.ninabecker.net/

Por: Cleber Facchi

Desde que as primeiras composições de Nina Becker ganharam vida em sua página na internet nos primórdios dos anos 2000, que a ansiedade pela estreia da cantora estava imposta. Mesmo as participações ao lado da gigante Orquestra Imperial ou esporádicas incursões no trabalho de outros artistas, não foram suficientes para suprir a carência instaurada pelos doces vocais da carioca. A espera, porém foi docemente derrubada quando a cantora presenteou o público não apenas com um, mas com uma dupla de trabalhos radiantes, denominados de maneira simplista como Azul e Vermelho.

Embora os dicromáticos registros fluíssem de forma única, partindo de uma construção instrumental semelhante e contando com a mesma dupla de produtores – Carlos Eduardo Miranda e Mauricio Tagliar –, cada uma das pequenas obras de Becker acabam percorrendo rumos distintos ao longo de suas execuções. O córrego de duas vias em que cada álbum percorre, entretanto acaba por convergir em seu final, como se a doçura de um completasse as formas acalentadas do outro, formalizando um registro indivisível e completo.

Feito o significado frio de suas cor, em Azul Nina percorre um caminho menos grandioso, tocado de leve pelo sofrimento, a sobriedade e a calmaria instrumental. A abertura amena ao som de Ela Adora (lembrando uma Marisa Monte do álbum Infinito Particular) se derrete e preenche todas as nove faixas que vem em sua sequência. Guitarras executadas de forma suave, xilofones açucarados, pianos doloridos e a voz branda de Becker são os mecanismos que movem o álbum em sua totalidade, distanciando a artista dos sambas empolgados e das marchinhas de carnaval que a acompanhavam ao lado da Orquestra Imperial.

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À medida que o trabalho se desenvolve, mais Becker nos arrasta para dentro de uma musicalidade intimista, quase sussurrada, como se a bela brilhasse soberana em um palco à meia luz. O ritmo contido de Flor Vermelha, Perdido e Medo, evitando a todo custo exaltações ou uma instrumentação expandida inundam o álbum com um misto de dor e melancolia, algo que se opõem de forma bastante perceptível nas cores e nos sons quentes explorados em Vermelho.

Se em Azul é a sonoridade reducionista e um clima amargurado que se encontra nas frequências das canções, o oposto é dissolvido em seu trabalho irmão, com Becker sendo rodeada de sons levemente exaltados, instrumentos menos sombrios e com um vocal radiante. Em meio a composições inéditas, a cantora abre espaço para que velhas conhecidas surjam repaginadas, ganhando formas e ritmo renovado. É o caso das músicas De Um amor Em Paz e Poliéster Tropical, além da regravação de Lágrimas Negras, memorável na voz de Jorge Mautner.

Quando os dois trabalhos se encontram de maneira é o jogo de cores e ritmos variados expostos em suas composições (fragmentando o ouvinte entre o doce e o amargo), que dão total beleza à obra de Nina Becker. Em suas canções – algumas parcerias envolvendo Romulo Fróes, Domenico Lancellotti, Nervoso, Rubinho Jacobina, entre outros -, a carioca nos cerca com uma aura e uma poesia que vão além da dualidade de cores que nomeiam seus discos, gerando um gigantesco caleidoscópio de cores, sons e sentimentos variados.

Azul/Vermelho (2010)

Nota: 8.0/8.3
Para quem gosta de: Tulipa Ruiz, Karina Buhr e Marcelo Jeneci
Ouça: Ela Adora e Toc Toc

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