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Pequenos Clássicos Modernos

Kamau
Brazilian/Hip-Hop/Rap
http://www.myspace.com/kamau76

Por: Cleber Facchi

“Não Sou Conduzido, Conduzo” é o que anuncia o rapper Kamau logo na capa de seu segundo trabalho de estúdio, originalmente estabelecido como Non Ducor Duco (2008, Plano Audio), frase em latim que também figura na bandeira da cidade de São Paulo e que parece servir de maneira oposta a outro significado, o que dá nome ao rapper. Se em um dialeto africano Kamau quer dizer “Guerreiro Silencioso”, não é no silêncio que o paulistano apoio seu trabalho, disparando para cima do ouvinte uma série de versos distintos e que firmam de forma justa sua presença na recente história do rap nacional.

“Tenho que dar meus pulos igual Daiane pra mandar bem no solo/ Nessa idade a oportunidade já não cai no colo/ Sei que eu me enrolo com tanto projeto pendente/ Ah se eu soubesse como é osso ser independente”. É com esse conjunto de versos e rimas retratando as dificuldades em se aventurar pela música independente que Kamau inaugura seu segundo álbum, o primeiro em termos de maior acesso ao público, imprensa ou mesmo dentro do panorama do hip-hop brasileiro. Através de 17 faixas, o rapper faz de seus versos um bem desenvolvido jogo de palavras e rimas que se distanciam da agilidade do freestyle, mas que se destacam por seu conteúdo.

Desde o final dos anos 90, quando passou a rimar através do coletivo paulistano Consequência, Kamau lentamente conquistou destaque e olhares por parte do público ou dos próprios indivíduos ligados ao rap local. Foi através dessa mesma aproximação com outros nomes do cenário paulistano que o rapper lançou seu primeiro álbum, Sinopse (2005, independente) com produção de DJ William, uma espécie de rascunho do que seria apresentado três anos mais tarde.

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Seguindo por uma linha um pouco mais suave do que aquela repassada por um bom número de conterrâneos, o paulistano faz de seus versos não um conjunto de críticas ou frases duras, mas uma espécie de conselhos, sempre pontuados por um fundo de positivismo e esperança, convertendo seus versos em pequenas crônicas. Não acredite se quiser, A Quem Possa Interessar ou Resistência são algumas das faixas em que Kamau discorre de forma branda, mas que mesmo em tonalidades leves conseguem provocar.

Embora fale sobre a solidão logo no inaugurar do disco (através da faixa ),  Non Ducor Duco se concentra nas boas participações. Na época um ainda desconhecido Emicida brilhava nas faixas Porque eu Rimo? e Komwé, enquanto Parteum (Mzuri Sana) segura as pontas em Dominum. Surge ainda Rael da Rima, tomando conta da faixa Vida, Rincon Sapiência e Thalma de Freitas se revezando em Tambor, deixando para Jeffe as músicas A quem possa interessar e Equilíbrio. O disco ainda se completa de MC Rashid, Stefanie, Rincon Sapiência e mais uma série de produtores.

Figurando com destaque como um dos melhores lançamentos do ano,  Non Ducor Duco serviu para apresentar o trabalho de Kamau ao grande público, que contou com a presença do rapper em algumas publicações como a revista Rolling Stone (que integrou o disco à sua lista de melhores do ano) ou através do Video Music Brasil 2009 da MTV, onde concorreu na categoria “Rap”. Invertendo a lógica de seu próprio nome, Kamau entrega um trabalho nada silencioso, cercando-se de versos densos e parcerias essenciais.

Non Ducor Duco (2008)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Emicida, Parteum e Rael da Rima
Ouça: Tambor