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Pequenos Clássicos Modernos

Rubinho Jacobina
Brazilian/Samba/Alternative
http://www.myspace.com/rubinhojacobina

Por: Cleber Facchi

Uma dos acertos da Big Band carioca Orquestra Imperial foi o de edificar suas bases em cima de um conjunto variado de cantores e cantores vindos das mais distintas frentes musicais. Entre veteranos como Wilson das Neves e novatos como Rodrigo Amarante, um indivíduo em particular soube transportar para dentro do virtuoso coletivo uma boa dose de suas múltiplas experiências instrumentais e líricas, um indivíduo chamado Rubinho Jacobina, que mesmo passando despercebido em relação ao grandioso projeto ou demais aspectos do cenário musical carioca assume fácil a figura de um dos grandes músicos que a atual geração soube apresentar.

Desde cedo educado nos mais variados aspectos da arte e circundado por uma série de importantes nomes que ajudaram a construir o patrimônio cultural brasileiro – como o pai, o cineasta Fernando Coni Campos e o irmão, o compositor Nelson Jacobina -, Rubinho, cercado de um bom apanhado de amigos e referências deu vida em 2005 ao seu primeiro e importante registro em estúdio: Rubinho Jacobina e a Força Bruta.

De um lado, um conjunto variado de experiências musicais e poéticas, unindo samba, rock, jazz, funk e pop em uma frequência totalmente própria. Do outro lado uma série de importantes parceiros musicais, figuras que ajudaram a construir todo o cenário musical do Rio de Janeiro no novo século, gente como Pedro Sá, Domenico, Bartolo e Gabriel Bubu. Junte tudo isso com uma boa dose de bom humor, despojo e jovialidade que você tem em mãos um dos mais importantes registros que a nova safra de artistas cariocas pôde proporcionar.

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Não há como escapar das garras do músico em sua estreia. Logo nos primeiros acordes de Dr. Sabe Tudo, faixa de abertura do disco, o ritmo conduzido pelo baixo funkeado de Pedro Sá amarra firme o ouvinte, apertando ainda mais as cordas quando a letra repleta de comicidade exposta pelo vocalista chega até os ouvidos. Passeando por diferentes gerações e direções da música nacional (e estrangeira), Jacobina pica todas suas influências em uma enorme salada de frutas instrumental, em que o toque ensolarado das melodias traz o sabor e a consistência que faltava ao registro.

Dividido entre o trágico e o cômico em uma medida única, Rubinho brinca com o uso de versos pegajosos, como em Artista é o K (“Eu sou bom de cama/ Sei fazer café/ E ninguém reclama do meu cafuné/ Mas, Artista é o caralho”), Meu Gato Morreu (“Meu gato morreu, pulou da janela/ O culpado fui eu, a culpada foi ela/ Ele só não queria viver como vivia/ E por isso escolheu morrer como podia”) ou Simone (“Se aquela frase de efeito/ Não fez o mínimo efeito/ Eu digo a a a Simone, por favor não me abandone”), faixas construídas para colar nos ouvidos.

Embora acabe passando despercebido mediante a popularidade de alguns trabalhos conterrâneos – como os lançados através do +2 ou da discografia do Los Hermanos -, o álbum de estreia de Rubinho Jacobina e a Força Bruta (nome inspirado em um disco de Jorge Ben Jor) merece de maneira justa todas as atenções. O conjunto de sons calorosos e variados, somados às letras sempre espirituosas fazem com que o registro seja de audição obrigatória para entender não apenas o recente cenário carioca, como toda a nova música brasileira em um contexto geral.

Rubinho Jacobina e a Força Bruta (2005)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Orquestra Imperial, Nelson Jacobina e Domenico
Ouça: Toc Toc