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Pequenos Clássicos Modernos

Labirinto
Brazilian/Post-Rock/Instrumental
http://www.labirinto.mus.br/

 

Por: Cleber Facchi

Imperceptíveis, essenciais ou mínimos, os detalhes são elementos que surgem sempre nos momentos mais exatos de qualquer forma de produção, acrescentando um tipo de medida essencial para que algo simples se torne grandioso, ou para que um aspecto delimitado como ruim se transforme em belo. Um tipo de mecanismo que muitas salva, mas também é capaz de destruir qualquer objeto ou forma. Foi pensando nesses complexos e redutos detalhes que a banda paulistana Labirinto deu vida ao seu primeiro álbum de estúdio, o complexo Anatema (2010, Dissenso Records), um disco construído inteiramente por pequenos e essenciais detalhes.

Ambicioso, porém ciente de seus limites, o registro é um denso mergulho em seis composições, faixas carregadas de precisão e que ecoam de maneira sóbria referências do que foi construído nos anos 90 pelos principais propagadores do pós-rock. Embora seja tocado de maneira perceptível por uma sonoridade levemente adocicada é o peso e um aspecto obscuro que definem cada uma das nada moderadas composições, expondo uma clara herança adquirida por horas de audições da essencial discografia do Goodspeed You! Black Emperor.

Tendo em seu cerne o casal Erick Cruxen (guitarras) e Muriel Curi (bateria) – além de Daniel Fanta (guitarras e piano), Joaquim Prado (guitarras, baixo e sintetizadores), Matheus Barsotti (segunda bateria), Vitor Visoná (violoncelo), Heitor Fujinami (violino) e Nathan Bell (banjo) que também participaram da gravação do álbum -, a banda que se formou em 2003 foi aos poucos lapidando sua sonoridade até alcançar a musicalidade atual, um tipo de som ora orquestrado, ora direcional, mas sempre minucioso e amplo.

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Enquanto nos primeiros EPs e registros caseiros da banda – Cinza EP (2006), Labirinto EP (2007) e Etéreo EP (2009) – haviam resquícios mais perceptíveis das passagens de alguns dos integrantes em projetos voltados ao metal e ao hardcore, em Anatema essas referências ainda se mantém presentes, porém diluídas através de uma formatação mais branda, pacata. São elas que solidificam as bases de faixas como Flagelo, abrindo espaço para que o melancólico arranjo de cordas ou todos os demais elementos que suavizam as composições da banda possam se manifestar.

Com duração média de dez minutos, cada uma das composições abrem um vasto leque de estratégias e possibilidades para que a banda possa navegar por um mar de inúmeras variações instrumentais. Mesmo amplo, o trabalho busca manter os dois pés no chão, evitando que o álbum percorra um caminho viajado ou etéreo demais. Distante das experimentações demasiadas, o grupo se concentra na produção de um álbum sentimental, que busque sempre se aproximar do ouvinte, usando de instrumentos convidativos, como o banjo em Chromo, para tocar o espectador.

Contrário ao seu significado – segundo a Igreja Católica, Anátema é o pior tipo de excomunhão utilizada pela igreja, em que além de expulso dos ritos da celebração a alma do indivíduo é amaldiçoado – Anatema não surge como uma maldição, mas uma dádiva aos ouvidos. Construído ao longo de dois anos (o registro foi inclusive gravado no estúdio do lendário Steve Albini, que trabalho com Nirvana e Pixies), o álbum é um trabalho que mesmo gigante (são 70 minutos) se extingue de forma rápida mediante sua condução exata e repleta de detalhes.

 

Anatema (2010, Dissenso Records)

 

Nota: 8.7
Para quem gosta de: Constantina, Herod Layne e ruído/mm
Ouça: Chromo

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