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Pequenos Clássicos Modernos

Daft Punk
French/Electronic/Dance
http://www.daftpunk.com/

 

Por: Cleber Facchi

 

Não importa o lugar do planeta em que você estivesse, em 2001 cedo ou tarde, querendo ou não você acabaria ouvindo Discovery do Daft Punk. Depois de terem definido boa parte do que seria a música eletrônica na década de 90, a dupla de produtores franceses formada por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo fariam de seu segundo álbum uma coleção de singles, um grande “The Best Of” da música eletrônica/pop e o álbum que serviria como uma espécie de trilha sonora para o primeiro ano do século XXI.

Munidos de refrões envolventes, um ritmo caloroso e entusiasmado e uma produção simplesmente impecável, o sucessor do também brilhante Homework (1997) traria nada menos do que seis singles, faixas que ocupariam grande parte das grandes de emissoras de rádios ou canais de TV, um registro em que tentar se desvencilhar de uma canção é garantia de ser atingido por outra. Composto de 14 faixas, o disco vai buscar material para suas bases tanto na house music e no synthpop dos anos 80 quanto no techno da década 90, preenchendo tudo com samplers e vozes sempre trabalhadas de forma a grudar nos tímpanos dos ouvintes bastando apenas uma única audição.

Diferente do registro que o precede, Discovery, como o próprio título já aponta fornece uma série de novas descobertas aos seus ouvintes, tanto para aqueles que já conheciam o trabalho da dupla francesa, quanto para quem jamais tivesse ouvido qualquer composição do duo. Enquanto em seu debut, os produtores desenvolvem faixas que mesmo volumosas parecem manter um constante limite, com o segundo disco qualquer limite parece simplesmente rompido, com as músicas evidenciando um tipo de som colossal, mas ainda assim leve e despretensioso.

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Embora tenha causado certa estranheza em seu lançamento, motivo mais do que explicado mediante a radical mudança na sonoridade da dupla, lentamente Discovery começou a angariar boas críticas e notas altíssimas por parte das principais publicações musicais ao redor do globo. Enquanto os críticos consolidavam o álbum, o próprio registro se consolidava através de seu domínio sobre o público, que as poucos fez o disco alcançar a casa dos milhões em suas vendas e transformou One More Time e Harder, Better, Faster, Stronger em verdadeiros clássicos dos anos 2000, tanto nas pistas quanto fora delas.

Mesmo que seja mantida certa similaridade entre todas as faixas do álbum, cada uma das composições expostas parecem fruto de um artista distinto. Enquanto One More Time parece fruto de algum produtor especializado em criações comerciais, Digital Love surge como se fosse feita por algum artista conceitual, um oposto de Short Circuit, que joga a sonoridade do álbum para um lado mais experimental e nada acessível. Independente da maneira como entrega seus sons, o disco parece ser capaz de agradar distintos públicos, atendendo tanto ouvintes que buscam por algo descartável e radiofônico como por aqueles que buscam por uma sonoridade madura e uma produção bem elaborada.

O disco serviu ainda como base para uma parceria entre a Toei Animation, o desenhista Leiji Matsumoto (autor da série Patrulha Estrelar) e a dupla francesa, que acabou resultando em um longa metragem, onde cada uma das faixas do disco serve como trilha para a película Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem. Ainda hoje, não importa o lugar no planeta em que você esteja, cedo ou tarde Discovery ainda ecoará em alguma caixa de som próxima de você.

Discovery (2001, Virgin Records)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Justice, The Chemical Brothers e Fatboy Slim
Ouça: One More Time

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