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Pequenos Clássicos Modernos

Burial
British/Electronic/Dubstep
http://www.myspace.com/burialuk

Por: Cleber Facchi

Maio de 2006. Em meio aos diálogos de Benicio Del Toro retirados do filme 21 Gramas começam a se materializar pequenas emanações obscuras e captações densas de som. Logo surgem as batidas, sempre dentro dos parâmetros do 2-step britânico, samplers que vão de Destiny’s Child ao compositor Brian Eno, colagens e mais colagens de sons até que por fim silêncio. Em mais de 50 minutos William Bevan, ou simplesmente Burial faria de seu primeiro álbum um dos trabalhos mais surpreendentes e inventivos daquele ano, entretanto, aquele seria apenas um esboço perto da grandiosidade do que viria em sequência.

Pouco após sua consagração como um dos produtores mais elogiados de 2006, Bevan voltaria apresentando um segundo disco através do Burial, o ainda mais elogiado Untrue (2007, Hyperdub), trabalho que elevaria suas experimentações eletrônicas em um nível ainda mais apurado e surpreendente. Trazendo um número maior de samplers e elaborando suas texturas instrumentais de forma minuciosa, o britânico faria de seu segundo álbum um dos registros mais impactantes lançados em 2007, servindo como material de base para uma futura sequência de trabalhos voltados ao dubstep.

Assim como em seu primeiro álbum, Untrue funciona como um grande mecanismo de convergência, cruzando tendências aparentemente distintas dentro de um grande condensado sonoro praticamente intransponível. Cada mínimo ruído, sampler, um insignificante clique ou qualquer imperceptível reverberação parece ser a chave para o bom funcionamento do disco, revelando um álbum construído inteiramente a partir de detalhes e encaixes mais do que precisos de sons, ritmos e texturas.

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Diferente de outros registros lançados até o presente momento e que exploravam uma sonoridade similar, o segundo trabalho do Burial não parece concentrar seus esforços no uso das batidas, mas sim nas camadas de sons que vão se agrupando em meio a cada beat ressaltado pelas composições. Os vocais, raramente utilizados em trabalhos do gênero, aqui surgem como um dos elementos de apoio do álbum, sendo constantemente recortados e encaixados de forma a soarem indistinguíveis, porém peças chaves para a construção de uma musicalidade volumosa, densa e que lentamente traga o ouvinte para junto de suas frequências.

Embora se revele como um disco contemporâneo e fruto da década de 2000, Untrue traz em sua bagagem diferentes gerações da música. Da década de 70 chega o toque abafado e atmosférico do dub, um oposto da amplitude o do toque de limpidez emanado pela IDM da década de 1990, além das varias transições pela House Music oitentista, elementos que se encaminham de forma perspicaz para dentro do disco. É possível até perceber em alguns momentos – principalmente em canções como In McDonalds ou mesmo a faixa que nomeia o álbum – uma profunda afinidade com o Radiohead da fase Kid-A, algo bem representado pela ressonância climática do trabalho.

Logo que lançado o álbum recebeu notas altíssimas em boa parte das publicações musicais ao redor do globo, figurando inclusive como um dos maiores lançamentos do ano. Qualquer elogio, entretanto seria mínimo perto da grandeza do disco e da influência que ele exerceria sobre uma série de lançamentos que viriam em sequência. Se hoje brilham nomes como James Blake, Zomby, Mount Kimbie e diversos outros propagadores do dubstep, todos contaram com um empurrão criativo deste disco.

Untrue (2007, Hyperdub)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Four Tet, Zomby e Mount Kimbie
Ouça: O álbum todo

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