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Pequenos Clássicos Modernos

Interpol
Post-Punk/Indie Rock/Alternative
http://www.interpolnyc.com/

Por: Cleber Facchi

Se fosse necessário o uso de uma única palavra para definir Turn on the Bright Lights, seminal trabalho do grupo nova-iorquino Interpol, “irretocável” seria talvez a palavra mais exata. Cada mínimo acorde emanado pelas guitarras de Daniel Kesser, qualquer mínima batida ecoada pela bateria de Sam Fogarino, os obscuros vacais de Paul Banks e principalmente as colossais linhas de baixo projetadas por Carlos D parecem minuciosamente pensados e projetados ao longo do disco, um trabalho que parece flutuar pelo tempo, sendo possivelmente encontrado em Manchester no final dos anos 70 ou em Nova Iorque dos anos 2000.

Por mais que na época de seu lançamento o disco fosse sumariamente aclamado pela crítica, que não poupou elogios e alavancou a “iniciante” banda (o grupo existia desde 1997) para o topo dos artistas independentes que surgiam naquele momento, passados quase dez anos de seu lançamento é que se torna realmente compreensível a grandiosidade e o poderio de tal registro. Um dos álbuns mais influentes da última década, o debut do Interpol é um registro que surpreende não apenas por seu conteúdo, mas principalmente pela ligação estabelecida por seus integrantes na época de sua gravação.

Cada um dos quatro membros da banda vinham de distintas frentes musicais, o próprio Paul Banks, por exemplo passou boa parte de sua carreira pré-Interpol desenvolvendo trabalhos voltados ao Hip-Hop, enquanto Carlos D, exímio baixista (talvez o maior de sua geração) revelaria anos mais tarde após abandonar a banda que simplesmente desprezava seu instrumento. Por mais que a banda viesse de uma série de notáveis EPs e algumas boas composições apresentadas em singles foi só com a presença da dupla de produtores Peter Katis e Gareth Jones que o primeiro trabalho da banda pôde ser de fato realizado.

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Enquanto o primeiro produtor trouxe limpidez aos sons exaltados ao longo do álbum, o segundo conseguiu definir toda a atmosfera soturna que delimita o disco e que consequentemente caracterizaria o trabalho dos nova-iorquinos. Desde os anos 80 trabalhando ao lado de bandas como Depeche Mode e Wire, Jones faz com que cada uma das composições de Turn on the Bright Lights soassem de maneira quase épica, costurando cada faixa com uma camada de obscuridade e uma musicalidade essencialmente depressiva, algo que lentamente se perderia nos futuros trabalhos do grupo, registros cada vez mais vagos e nada consistentes.

Embora doses de Joy Division ou demais artistas que compuseram o pós-punk britânico da década de 1980 sejam encontradas por todos os lados do trabalho, o Interpol conseguiu trazer novidade aos sons exaltados em seu primeiro álbum, evitando com maestria produzir um trabalho que soasse como uma vergonhosa cópia. Densas e tomadas por uma sonoridade volumosa cada uma das faixas que compreendem o disco são produtos de pura genialidade, afinal, impossível se esquivar dos dolorosos versos de Stella Was A Diver And She Was Always Down ou da instrumentação magnânima de NYC, faixas que se transformariam em verdadeiros hinos do rock alternativo dos anos 2000.

Mesmo que Antics (2004), segundo disco da banda garantisse uma breve continuidade do excelente trabalho do Interpol, a essência alcançada dentro do primeiro álbum dos nova-iorquinos não estaria mais lá, algo que lentamente se extinguiria nos seguintes registros do grupo, onde pequenos atritos entre os integrantes e uma vampirização dos próprios trabalhos da banda teria inicio. A tarefa do quarteto, entretanto, já estaria completa, bastando uma única audição de Turn on the Bright Lights para que isso mais uma vez se torne algo claro e inquestionável.

Turn on the Bright Lights (2002, Matador)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Julian Plenti, The National e Joy Division
Ouça: NYC

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