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Pequenos Clássicos Modernos

TV On The Radio
Experimental/Indie/Alternative
http://www.tvontheradio.com/

 

Por: Cleber Facchi

A grandiosidade de determinados discos é tanta, que o simples pensamento de que um dia serão superados é algo quase inaceitável. Foi assim quando o Radiohead apresentou em junho de 1997 o emblemático OK Computer, para logo depois surgir com o surpreendente Kid-A, algo que também se repete quando Merriweather Post Pavilion do Animal Collective derrubou o posto do até então imbatível Strawberry Jam. Porém, nada disso parecia previsível quando em julho de 2006 o TV On The Radio lançou o que parecia ser sua obra-prima, Return to Cookie Mountain, um registro simplesmente insuperável, pelo menos até que a banda trouxesse seu novo disco.

Seria de se esperar que o sucessor de tão surpreendente álbum viesse tomado pelas mesmas fórmulas experimentais e transições peculiares pela soul music, Funk, rock alternativo e toques de música eletrônica, algo bem próximo do que fora desenvolvido em seu antecessor. Entretanto, ao lançar Dear Science em meados de 2008, o ainda quinteto nova-iorquino dava um passo além de onde haviam chegado anteriormente, transformando o que seria um registro tomado de expectativas (algumas delas pessimistas) em um trabalho extraordinário e dono de um conjunto de composições ainda mais grandiosas.

Enquanto o álbum de 2006 seguia por uma instrumentação obscura, quase opaca em determinados momentos e detentor de versos expostos de forma agressiva e seca, em seu terceiro registro em estúdio a banda parte em busca de um som que se exponha de forma volumosa, como se todas as canções beirassem o épico. Não estão mais lá composições aos moldes de Wolf like me, A Method ou I Was a Lover, entretanto, um novo e surpreendente jogo de versos e sons se faz presente, com o quinteto deixando de lado as amarras ou um tipo de musicalidade restrita e partindo em busca de um reconhecimento maior.

Surgindo como uma espécie de retrato dos Estados Unidos daquele período, Dear Science – eleito como disco do ano em uma série de publicações especializadas – se mantém do princípio ao fim como um trabalho denso, doloroso e essencialmente melancólico, com Dave Sitek, guitarrista da banda surgindo como um grande maestro, trazendo o acabamento necessário ao álbum, bem como apontando todos os rumos a serem desenvolvidos através da produção do disco. Como resultado temos um disco fechado, em que todas as composições se revelam intimamente ligadas, frutos de um único e imutável mesmo ambiente.

Para além das já tradicionais referências que delimitavam a grandiosa obra do grupo, uma visível aproximação com os sons da década de 1970 – principalmente com um David Bowie da fase Berlin – é o que traz destaque e novidade ao trabalho, com a banda intercalando sequências de sintetizadores climáticos com guitarras expostas de forma quase esvoaçada, como se tudo convergisse para a construção de um tipo de som intransponível. Embora se proponha como um álbum atmosférico e em alguns momentos “difícil” de ser absorvido, o que não faltam ao disco são hits, músicas como DLZ, Golden Age, Love Dog e a insuperável Family Tree, um dos mais sofridos lamentos já desenvolvidos pelo grupo.

Mesmo que seja possível se perder em meio ao colossal catálogo de sons, ritmos e experiências desenvolvidas pela banda ao longo do disco, inegável é a maneira como o álbum se transforma em um trabalho sufocante em seu desenvolvimento, como se cada verso ou acorde exposto ao longo de Dear Science atingisse o ouvinte profundamente, transportando-o para junto de suas complexas emanações. Vibrante ao mesmo tempo em que se propõe como um trabalho suave, o álbum não apenas posicionou o TV On The Radio como um dos grupos mais influentes da última década, como trouxe uma injeção de novidade à música experimental, não mais um som voltado aos nichos, mas pensado para todos os públicos.

 

Dear Science (2008, 4AD/Interscope)

 

Nota: 9.8
Para quem gosta de: The Antlers, Rain Machine e Wolf Parade
Ouça: Family Tree e DLZ

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