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Pequenos Clássicos Modernos

Joanna Newsom
Folk/Singer-Songwriter/Female Vocalists
http://www.dragcity.com/artists/joanna-newsom

Por: Cleber Facchi

Não seria nem um pouco estranho se algum dia alguém descobrisse a farsa de Joanna Newsom, não um ser humano, mas uma criatura mística que atravessou dimensões para viver entre os homens e levar aos mesmos toda sua candidez instrumental e seus afáveis versos.Talvez ela não seja nenhum ser vindo de outro mundo, quem sabe apenas um elfo – as orelhas pontudas ao menos ela tem – que resolveu sair de alguma floresta obscura em algum canto da Europa – ainda nos tempos medievais – e hoje transita pelo “mundo real”, acompanhada apenas de sua fiel harpa, seus adocicados vocais pueris e incontáveis histórias de amor, crônicas fantásticas ou pequenas fábulas do cotidiano.

Se determinados artistas carecem de tempo, preparo e experiências até destilarem seus melhores registros, o inverso parece delimitar a carreira da californiana, que logo ao alcançar os 22 anos e apresentar seu primeiro registro em estúdio – The Milk-Eyed Mender – já havia de maneira incontestável alcançado a maturidade. Entretanto, mesmo surpreendendo a crítica em sua totalidade e acumulando um nicho bastante específico de seguidores em sua fenomenal estreia, Newsom seria capaz de dar um novo e ainda mais firme passo dois anos mais tarde, dessa vez com o épico de cinco faixas simplesmente denominado Ys.

Como se estivesse perdida em alguma cidade europeia no período da Renascença, a cantora transforma seu segundo álbum em um dos mais surpreendentes e delicados tratados musicais que talvez já tenham aparecido desde o surgimento da indústria fonográfica. Acompanhada por uma verdadeira orquestra que conta quase 30 integrantes, a jovem musicista não apenas flerta com a música erudita, como a fragmenta em incontáveis pedaços para depois reagrupar tudo dentro de uma linguagem e de uma condução peculiar, lançando um álbum que vai contra tudo que fora proposto em seu período de lançamento e rompendo quaisquer rótulos que buscassem classificar sua música.

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Embora a ambientação ponderada e intimista que absorve o trabalho transpareça a imagem de uma personagem solitária, posicionada no centro de um palco escuro, por trás de todas as cortinas desse suposto palco habita um alto número de indivíduos. Pessoas como o quase lendário Steve Albini, que acompanhado pelos sofisticados arranjos de Van Dyke Parks vão aos poucos dando vivacidade e uma fluência natural ao trabalho, que mesmo específico parece hipnotizar mesmo os mais desacostumados ouvidos. É quase possível afirmar que mesmo com toda a rebuscada tapeçaria instrumental que cobre o trabalho, Newsom se apresenta como um ícone pop, quase uma musa aos fascinados pela música orquestral.

Mesmo recheado por apenas cinco composições, cada faixa presente no disco passa longe de se anunciar de forma singela. Por mais delicadas que sejam, todas as canções que residem no interior de Ys vêm acompanhadas por uma constituição volumosa, faixas que ultrapassam os 15 minutos de duração, e incrivelmente não se manifestam de forma penosa ou desagradáveis aos ouvintes. Um bom exemplo é Only Skin, que ao longo de 16 minutos destila uma coleção de versos inundados pelo lirismo de Newsom, aos poucos abraçando o ouvinte com sua musicalidade encantadora e nos jogando para dentro da suave atmosfera do trabalho.

Com Ys, a cantora se transformaria em uma das figuras mais elogiadas do cenário musical alternativo, figurando com destaque através das principais publicações musicais não apenas dos Estados Unidos, mas dos quatro cantos do mundo. Como se fosse uma versão bucólica de Björk perdida em algum extenso campo da Inglaterra, a californiana faz com que cada segundo dentro de sua obra-prima resulte em uma série de distintas experiências, em que cada acorde delineado por sua vívida harpa desencadeia um universo de sensações que raramente são encontradas nos trabalhos de outros artistas. Sinta-se à vontade em procurar, mas Joanna Newsom é única.

Ys (2011, Drag City Inc)

Nota: 9.5
Para quem gosta de: Cocorosie, Sufjan Stevens e Kate Bush
Ouça: Cosmia e Emily

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